quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Cúmulo da cretinice


O que está em jogo agora não é esse negócio de corrupção que sempre teve no país e que nós estamos tendo a coragem de combater. Tudo isso que eles estão denunciando agora é o medo que eles têm de perder a hegemonia do Estado brasileiro. O resto é propaganda, o resto é conversa e maledicência. Porque nunca eles tiveram coragem de pôr o dedo na ferida como nós estamos pondo agora cortando na própria carne como se verifica na questão da corrupção.
Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral 

A águia e a galinha


O Brasil vive momentos decisivos. Está na hora de cada cidadão decidir entre continuar a ser galinha de terreiro partidário ou, enfim, assumir a verdadeira vocação divina do homem e da mulher de serem águias, alçando voo e vivendo em liberdade. Quem nasceu águia por inspiração divina não pode chafurdar na bosta de terreiro quadrilheiro.

A cada dia o noticiário revela que o país se tornou o galinheiro do PT que alimenta as aves com farelos e lixo. Tudo bem guardado por corvos, abutres e urubus, aliados na embromação, abençoados por uma água benta de porcaria, que se alimentam da sujeira, dos doentes, dos mais fracos e da nova geração.

Por todo o canto enfeitam o galinheiro com frases bombásticas, doutrinárias, de que a pobreza e a cretinice estão no DNA dessas tais galinhas, querendo esconder a verdadeira origem de águias, acostumadas a bancarem ave domesticada de coronés de meia tigela, jecas do lameiro.

O que mais temem é que um dia descubram o que são, donas de seu próprio bico e por destino têm todo o espaço das alturas para poder planar sua liberdade.

Será um dia de muita festa quando o galinheiro se revoltar contra os carniceiros e bicarem todas essa raposas que rondam para tirar uma lasquinha da desgraceira. Que os gatunos possam se esconder no próprio chiqueiro de onde nunca deveriam ter saído.


Será a libertação das águias que um dia fizeram crer que eram apenas galinhas a serviço do PT. 

A vaca foi para o brejo?


A única maneira de se ter esperança no Brasil de hoje é acreditar que os escândalos a que assistimos sejam o indício de uma mutação histórica, para melhor.

Nunca vi nada igual. Todas as certezas estão desabando, toda fé, todas as esperanças morrem diante dessa abundância de escrotidões, esse despautério de horrores. A gente liga a TV, lê o jornal e cai em cava depressão. “Tudo que é sólido desmancha no ar”, como disse Marx, tão mal entendido pela esquerda burra que tomou o poder na base da mentira e fraudes, como vemos com as granas “legais” que a tesouraria do PT recebeu dos restos de propinas. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e, desde 2002, inventou a adesão monstruosa aos velhos roubos da velha direita.

A chegada do PT ao governo reuniu em frente única: as oligarquias privadas com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso: Sarney, Calheiros, até Collor, unidos aos idiotas bolivarianos. Essa base de ação foi o adubo para os crimes da Petrobras e outras dezenas de roubalheiras em hidrelétricas, aeroportos, portos, tudo.

O advogado de um dos acusados disse a frase síntese: “No Brasil, se não der uma grana na mão dos governantes, nem um paralelepípedo você coloca no chão”. E é o país inteiro, não apenas a PTbrás.

Mas, de quem é a culpa disso tudo?

Claro que a responsabilidade principal é a aplicação bolchevique do “toma lá, dá cá”, através do presidencialismo de cooptação para obter apoio dos partidos, ou seja, a corrupção permitida e estimulada é o motor petista da governabilidade. Pode uma coisa dessas?

Será que os costumeiros ladrões já sacaram que a “mão grande” é o novo “hype”?

A destruição da Lei de Responsabilidade Fiscal que Dilma iniciou é o exemplo dessa permissividade. Cada prefeitura do país vai partir para gastos corruptos. As instituições democráticas estão sem força, se desmoralizando, já que o próprio governo as desrespeita.

Será que é culpa dos organismos arcaicos do Poder Judiciário?

Ou será o surgimento de novos problemas que não são solucionáveis com os velhos mecanismos de poder?

Mas o que preocupa é que todo esse gigantesco volume de crimes denunciados possa gerar um congestionamento na Justiça, uma turbulência irreversível que transforme tudo numa massa jurídica informe. O exército de advogados já está convocado para novas e caras chicanas. O que estamos vivendo pode virar um apocalipse institucional.

Imprevisível ano novo


Costumo comprar um suco de laranja chamado Do Bem, na padaria da esquina. Não levei o nome a sério porque, nesta altura da vida, suspeito que o bem e o mal coexistem e se entrelaçam. Apenas comprava. A caixa era cheia de histórias. E o slogan: feito por jovens cansados da mesmice. Tanta novidade num suco de laranja e descubro agora que o suco Do Bem mentia ao informar que suas laranjas vinham direto da fazenda do seu Francisco no interior de São Paulo. Elas vêm dos grandes fornecedores. Da marca às historinhas, era tudo uma conversa de marketing. E isso me lembrou a atmosfera geral no País.
A própria campanha política foi uma narração dos marqueteiros: progressistas contra reacionários, desprendidos reformadores sociais contra uma elite obtusa. Muitos dos vencedores não acreditam nessa história. Sabem que o bem e o mal se entrelaçam e, passada a campanha, é preciso aproximar-se um pouco mais da realidade.

O PT contou sua história: decidiu, a partir de agora, expulsar os corruptos do partido, dando-lhes o direito de defesa. Em tese, assino embaixo. Mas há algumas laranjas do seu Francisco nesse enredo. No penúltimo escândalo, o do mensalão, os condenados foram saudados por muitos militantes como guerreiros do povo brasileiro. Uma nota completa voltaria ao tema, ou para dizer que se equivocou ou para confirmar a cínica tese de que não houve corrupção da base aliada. Nesse caso, sugiro a fórmula de Homer Simpson: seu único crime foi violar a lei.


O escândalo do petrolão segue seu curso. Esta semana foi denunciado mais um intermediário da propina. Um antigo assessor de Nei Suassuna, que foi senador pelo PMDB. Questionado sobre a atividade do ex-assessor, disse não acreditar que estivesse relacionado com o escândalo da Petrobrás: era algo em altas esferas, muito alto para ele. Pode ser verdade ou mais uma historinha, ao menos admite que se o assessor tivesse mais estatura, no universo das propinas, assaltaria também a estatal. E que na corrupção existe o topo de linha e uma segundona cujos times não jogam no campo da Petrobrás.

E com certos políticos


Lula, Dilma e o petrolão




Todas as evidências vinculam o maior esquema de corrupção da história ao PT, inclusive à campanha de 2010
 Não há na história da República brasileira um escândalo da magnitude do petrolão. Mais ainda: não há na história mundial nenhuma empresa pública que tenha sofrido uma sangria de tal ordem. Ficamos cada dia mais estarrecidos com a amplitude do projeto criminoso de poder que controla o país desde 2003. Bilhões de reais foram desviados da Petrobras. Agora as investigações devem também alcançar o setor elétrico, as obras do PAC e aquelas vinculadas à Copa do Mundo. Ou seja, se já estamos enojados — aproveitando a expressão utilizada por Paulo Roberto Costa na acareação na CPMI da Petrobras, na semana passada — com o que foi revelado, o que nos aguarda? E quando soubermos da lista de parlamentares e ministros envolvidos?

O país está como aquele indivíduo em Pompeia, no ano 79 d.C., que caminhava tranquilamente nem imaginando que o Vesúvio entraria em erupção. O Congresso mantém sua rotina trocando votos por dinheiro, o que já não causa nenhuma estranheza. O governo não conseguiu nomear seu Ministério e o país está sem orçamento aprovado para 2015. E o Judiciário mantém o ramerrão de sempre: muito formalismo e pouca justiça.

A boa nova é que sociedade civil está se mobilizando. Diferentemente de 2006 e 2010, desta vez o espírito cívico se manteve. Manifestações nas ruas, reuniões, debates nas redes sociais têm marcado a conjuntura pós-eleitoral. É uma demonstração de interesse pelos destinos do país e que desagrada — e não poderia ser o contrário — aos marginais do poder. Mas o que chama a atenção é o silêncio de entidades que, em certa época, estiveram à frente na defesa do Estado Democrático de Direito. Uma delas é a Ordem dos Advogados do Brasil. Qual a razão da omissão? E os artistas? O silêncio tem alguma relação com os generosos patrocínios da Petrobras?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O mesmo de sempre


Frases cretinas


A pedido do presidente Lula, eu vou procurar o Pezão para ter diálogo. Já bebi cachaça na casa do Pezão, não nos importaremos em beber de novo. 
Quaquá, líder regional do PT e prefeito de Maricá, conhecido por seu etilismo convicto


PT mudou de rumo e o sonho já acabou


O PT que reelegeu a presidente Dilma Rousseff em outubro deste ano é outro, com formação e até bandeiras distintas daquele Partido dos Trabalhadores surgido na década de 80 com a pretensão de transformar a política brasileira. As mudanças, adotadas principalmente após o partido se tornar governo, geraram reflexos. Depois de a sigla colher os frutos de se manter no poder central por mais de 12 anos, o atual momento não é tão positivo para os petistas, mesmo após o êxito nas urnas. As consequências negativas dos “erros” estão sendo sentidas agora, quando a sigla enfrenta novas denúncias e manifestações antipetistas pelo país.

Se a população tem feito críticas à administração petista – movimento que cresceu depois das denúncias do mensalão e da corrupção na Petrobras –, fundadores da legenda, que acabaram se desfiliando após as falhas cometidas, não evitam mais os ataques. E mesmo quem continua na sigla já admite a necessidade de mudar.

Desde a criação da legenda, em 1980, alguns idealizadores do PT se desfiliaram e decidiram se afastar da política partidária, enquanto outros fundaram legendas nas quais viriam a ser candidatos. Apesar de alguns nomes, como o do ex-presidente Lula, continuarem no comando partidário, fundadores tidos como mais “radicais” e defensores de políticas mais à esquerda e próximas do “socialismo” optaram por deixar o PT.

Esse fato, segundo analistas, é o principal responsável pela mudança de rumo. “O quadro do partido não é possível de se reverter. Se não se propõe a superar o capitalismo, como pretendia inicialmente, é porque não é socialista. Isso o torna igual a outras siglas”, avalia o cientista político da Unesp Antonio Carlos Mazzeo.

Um dos exemplos de políticos que optaram por se desfiliar é o candidato derrotado à Presidência Eduardo Jorge (PV). “Saí basicamente porque acho que o PT ainda tem um déficit de aceitação da democracia. Continua com um pensamento hegemonista de controle da sociedade, herdado da ditadura”, diz.


Crítica semelhante é feita pelo senador Cristovam Buarque (PDT). Ele diz que sua saída ocorreu após o partido “perder o vigor transformador”. “Dizia que o PT ia levar dez anos para retomar esse vigor. Agora já acho que vai levar muito mais tempo. O PT corre o risco de se tornar um partido inexpressivo. Enquanto continuar como governo, não há chance de recuperar sua utopia”, acredita.

Paisagens Brasileiras

Hipólito Boaventura Caron, "Paisagem com casa em vilarejo"

Reforma eleitoral e política


Convoco o caro leitor
A uma reflexão
Sobre o que vem ocorrendo
Com nossa grande Nação
Percebo algo escuro
No seu caminho futuro
Com tanta corrupção.
Não sou nenhum futurista
Nem sou tão pouco vidente
Também sei que não sou profeta
Coisa de antigamente
Na lógica do sertanejo
Daqui pra frente o que vejo
É fruto não dá semente.
Com tanta desilusão
Parecendo num abismo
Resolvi raciocinar
Com cautela e com civismo
– Tem que haver uma brecha
Uma luz ou uma fresta
Pro fim do continuísmo.
Não é mais possível assim
Os anos passam e nada
A esperança padece
Sempre na encruzilhada
Futuro só tem pra poucos
Os imbecis e os loucos
Fazendo disso piada.
Uma saída surgiu
Na minha imaginação
Novo projeto de lei
Nesta Constituição
Para mudar o sistema
E nos tirar a algema
Dessa forma de eleição.
A nova regra é bem simples
Basta um pouquinho de jeito
Um tempo de dose anos
Com determinação e respeito
Com precisão sem demora
Basta começar agora
E o sucesso tá feito.
Mantendo a mesma estrutura
Dos Poderes Eletivos
Que já estão implantados
Por nossos executivos
Vamos tratar cada um
De forma simples e comum
Também os Legislativos.
O Poder Legislativo
Formado por quatro postos
A seguir descriminadas
Hierarquicamente expostos
Primeiro o Vereador
Que vai mostrar seu valor
Seu tino, seus dons e seus gostos.
Mandato de quatro anos
O vereador eleito
Exercerá seu trabalho
Com coragem e com respeito
E sem remuneração
Em forma de doação
Pra conseguir novo pleito.
Depois de vereador,
Base de todo processo
A ele será permitido
Pra garantir o progresso
Andar pelos dois caminhos
Mostrando aos seus vizinhos
O segredo do sucesso.
O segundo será deputado
Deputado estadual
Que para ser candidato
Além do potencial
Referência e valor
Será ex-vereador
Agora remunerado.
Seguindo o raciocínio
A terceira posição
Será do que vai pra Brasília
Com fé e disposição
Em seu estado eleito
Irá cumprir o seu pleito
E a Constituição.
Pra cada um dos mandatos
Só se elegerá uma vez
Depois da missão cumprida
Tem que mudar sem talvez
Podendo ser candidato
Exercer novo mandato
Superior ao da vez.
Por fim no Legislativo
Teremos o Senador
Que por esta lei sugerida
Foi também Vereador
Deputado Estadual
Deputado Federal
E já mostrou seu valor.
O mandato do Senador
Devido à experiência
Terá o seu tempo dobrado
Com toda transparência
Será o fiel da balança
Trazendo mais esperança,
Distancia da aparência!
O fato preponderante
É que o legislador
Chegará a vinte anos
Depois será professor
Mostrando cidadania
Trazendo mais alegria
Para o povão sofredor.
Já para o executivo
O mesmo raciocínio
Depois de vereador
E seguindo o seu destino
Poderá ser Prefeito
Agindo com o direito,
Com consciência e tino.
Concluindo o seu mandato
Com arte e sabedoria
Ficará credenciado
Para nova romaria
Se Governador for eleito
Cumprirá o novo pleito
Dado pela maioria.
Por fim será Presidente
Depois de ter sido Prefeito
E também Governador
Com retidão e respeito
Mostrando experiência
No concreto e na ciência
Será certamente eleito.
Ao Presidente também
Pra esta lei ser cumprida
Terá seu mandato dobrado
Dedicando sua vida
Seu saber e seu pensar
Para o País compensar
Da atenção recebida.
Com isso a nossa política
Será democratizada
Existindo dois caminhos
Seguindo a mesma pisada
A hierarquia cumprida
A nossa gente sofrida
Deixar de ser humilhada.
Haverá uma exceção
Para o político de fé
Se for capaz e decente
Sendo homem ou mulher
Poderá mudar de trilha
Seguindo a mesma cartilha
Sempre de cabeça em pé.
Um exemplo desta parte
Eu vou explicar agora
Poderá um Deputado
Sem problema sem demora
Ser candidato a Prefeito
E se nas urnas eleito
Assumir na mesma hora.
Isto é, pelo contrário.
Pode ser feito também
Prefeito ou Governador
Se desta forma convém
Sair do Executivo
Passar pro Legislativo
Obedecendo ao porém:
Só pode mudar de lado
Mantendo aquela regra
Da hierarquia cumprida
Assim na lei e na integra
Com isso teremos a certeza
Que esta simples proeza
Implantada nos alegra.
Desta forma acabará
A má fé e o nepotismo
Existente nos Poderes
Com arrogância e cinismo
E criará para o povo
Um cheiro do bom e do novo
Indispensável civismo.
Não sei se me fiz entender
Com esta dissertação
Pois escrever em cordel
Com métrica e atenção
Não sei se passei de fato
Os versos as rimas o tato
Da minha imaginação.
Em síntese só quis dizer
Que cada posto político
Poderá ser ocupado
Com senso claro e crítico
Somente uma única vez
Por um mesmo freguês
Raciocínio analítico.
Com isso, qualquer cidadão,
Que for sereno e capaz
Para a carreira política
Terá que ter algo mais
Ter firmeza e pé no chão
Sabedoria e retidão
Ser coerente e aldáz.
Com dose anos se sabe
Que para ser Presidente
Os candidatos possíveis
No seu passado recente
Já foram um Vereador,
Prefeito e Governador
De algum Estado contente.
Também qualquer Senador
Para ocupar o seu cargo
Já foi um Vereador
Que tem um sabor amargo
Pois é sem remuneração
A principal condição
E nobreza deste encargo.
Continuando a norma
Para qualquer Senador
Conseguir a posição
Depois de Vereador
Terá que ser Deputado
E às leis se dedicado
Com afeição e amor.
Quatro anos na Assembleia
Do estado escolhido
Depois vai para o Congresso
Pelo povo aferido
E quatro anos depois
Feito feijão com arroz
Terá o dever cumprido.
Teremos dias melhores
Garanto isso também
Não haverá mais carona,
Paraquedas pra ninguém
A Pátria sem Salvador
Só político de valor
Para nos fazer o bem.
Políticos de coronéis,
Feudos e religião
Lobistas, sonegadores
Aprenderão à lição.
Partidos de aluguel
Não terão mais o papel
De saquear a Nação.
Francisco de Salles Araújo (Chico Salles), cordel “Reforma Eleitoral e Política”

'Não há só uma esquerda na América Latina'


No fim do seu mandato, o presidente José Mujica diz ter uma visão flexível da nova geração da esquerda latino-americana. "A esquerda que está se formando tem suas peculiaridades. Não há uma só esquerda na América Latina, há muitas. Não se pode cair nessa redução", disse, em entrevista exclusiva à BBC.

"Agora há uma moda. Quando a direita não gosta de alguma coisa, diz: 'isso é tudo populismo'. E a esquerda diz: 'isso é tudo neoliberalismo'. Não é assim. Há o capitalismo e há o liberalismo. E dentro da esquerda nem tudo é populismo. A coisa é mais complexa. Não gosto dessa argumentação em branco e preto, porque é infantil."

Caem a tolerância política e apoio ao sistema


Sensação de insegurança faz com que pessoas se tornem menos tolerantes a quem pensa diferente delas, diz pesquisadora
A tolerância a opiniões diferentes e o apoio ao sistema político democrático no Brasil estão em seus valores mais baixos desde 2006, de acordo com um novo levantamento.

O estudo 2014 Americas Barometer é o resultado de entrevistas com 50 mil pessoas em 28 países do continente americano entre janeiro e outubro de 2014 – 1.500 delas no Brasil. Os pesquisadores usaram o mesmo questionário com perguntas sobre como as pessoas avaliavam a segurança em seus bairros, seus governos municipais, a economia, a polícia e o sistema judiciário em seus países.

A pesquisa é realizada há dez anos pelo Projeto de Opinião Pública Latino-Americana (LAPOP, na sigla em inglês), um instituto de pesquisa baseado na Vanderbilt University, em Nashville, nos Estados Unidos. O projeto tem o apoio da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional (USAID) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Em 2014, o Brasil aparece como um dos países das Américas onde a população se sente mais insegura e onde está mais insatisfeita com os serviços públicos. A combinação destes dois elementos pode ter contribuído para uma queda no apoio ao sistema político e na tolerância política no país, segundo a cientista política e diretora do LAPOP, Elizabeth Zechmeister.

"Quando as pessoas se sentem muito inseguras no dia a dia, elas tendem a se direcionar – em suas atitudes, valores e comportamentos – de maneiras que podem ser preocupantes para uma democracia liberal forte", disse à BBC Brasil.

"Elas podem se tornar menos tolerantes em relação às pessoas com quem têm diferenças ideológicas. Isso aparece volta e meia nas minhas pesquisas. Ameaças à segurança tendem a diminuir a tolerância."

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Até Papai Noel sabe!


Supremo cria 'processos ocultos'


O Supremo Tribunal Federal (STF) mantém processos tão ocultos que sequer aparecem na internet as iniciais dos investigados ou a data em que eles tiveram início. E embora não haja previsão clara no Regimento Interno do Supremo para esse tipo de procedimento e a medida cause divergência entre os ministros da Corte, apenas este ano ao menos oito inquéritos contra autoridades foram registrados como ocultos. Por conta disso, as investigações correm sem que os advogados ou as partes envolvidas tenham acesso aos documentos. Apenas os servidores da Secretaria Judiciária e alguns funcionários designados pelos gabinetes dos ministros podem consultá-los.

Uma das investigações é contra o ministro da Agricultura, Neri Geller, suspeito de participar do esquema de fraudes na reforma agrária, descoberto pela Operação Terra Prometida, da Polícia Federal. Não aparecem as iniciais do ministro, a data de autuação ou o tema da investigação. Desse modo, a existência da investigação contra Geller só foi descoberta por conta de uma investigação que tramita na Justiça Federal e é pública. Assim, foi possível saber que o STF desmembrou a parte envolvendo o ministro e devolveu o restante do caso para a primeira instância.

O caso foi enviado ao STF no semestre passado pela primeira instância do Mato Grosso. De acordo com a Constituição, são processados e julgados no Supremo deputados federais, senadores, ministros de Estado e o presidente da República.

Articulações de Janot podem livrar governo


Procurador-geral da República participa de uma série de encontros com representantes das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato e propõe um acordo que impede investigações que possam chegar ao Palácio do Planalto
 Há sete meses o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vem se reunindo com representantes das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção instalado na Petrobras e investigado pela Operação Lava Jato. ISTOÉ apurou que de maio até a última semana foram realizados pelo menos quatro encontros com a presença do próprio Janot e outros dois com procuradores indicados por ele (leia quadro nas páginas seguintes). O objetivo dessas conversas, que inicialmente foram provocadas pelos empresários, é o de buscar um acordo no Petrolão. No Brasil, onde a legislação da delação premiada ainda engatinha, não é comum que o chefe do Ministério Público mantenha conversas com representantes de empresas envolvidas em um processo criminal. Mas, em se tratando de um caso com a alta octanagem que têm as investigações da Operação Lava Jato, as reuniões de Janot com os empreiteiros não poderiam, a princípio, ser tratadas como um pecado. Trata-se de uma prática comum nas democracias mais maduras, cujo principal objetivo não é o de evitar punições, mas o de acelerar as investigações e permitir que o Estado adote medidas concretas e imediatas para evitar a repetição de atos criminosos. O problema dos encontros de Janot é que, segundo advogados e dois ministros do Supremo Tribunal Federal ouvidos por ISTOÉ na última semana, o acordo que vem sendo ofertado pelo procurador-geral nos últimos meses poderá trazer como efeito colateral a impossibilidade de investigar uma suposta participação do governo no maior esquema de corrupção já descoberto no País. Na prática pode ser um acordão para livrar o governo.

O advogado geral do PT


Não é função do advogado geral da União distribuir confiança.

É sabido que o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, doutor Luís Inácio Adams, pode vir a ser indicado pela doutora Dilma para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Se ele é candidato, não deve ajudar quem teme a bolivarianização da Corte.

Diante da afirmação de um magano das petrorroubalheiras de que sua empresa (Toyo Setal) pagou sua propina ao comissariado doando legalmente R$ 4 milhões ao PT, Adams informou: “Eu tenho confiança de que o trabalho de campanha foi o mais cuidadoso, mais atento possível às questões legais.”

Não é função do advogado geral da União distribuir confiança. Ao passar o dinheiro de forma legal, a Toyo Setal também poderia dizer que foi “cuidadosa”, mas seu diretor confessa agora que foi jabaculê.

Isso é o que ele diz, pois será sempre necessário provar que uma doação legal se relaciona com um ilícito. Afinal, se uma doação de empreiteira ao PT nacional é jabaculê, por que um outro mimo, de outra empreiteira, ao PSDB de São Paulo, não o é?

O doutor Adams lustrou a ciência jurídica nacional no ano passado, quando discutiu a possibilidade de que médicos cubanos pedissem asilo ao governo brasileiro: “Nesse caso me parece que não teriam direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos”.

Ele vocalizava e endossava uma ameaça do aparelho policial cubano. Pelo menos cinco médicos resolveram ir embora, quase sempre para os Estados Unidos, onde trabalhariam em funções subalternas. Felizmente, nenhum foi mandado de volta para Cuba.

Denúncia contra empresa da campanha de Dilma

A oposição vai ingressar com uma representação no Ministério Público Federal pedindo uma investigação sobre uma empresa que prestou serviços de informática para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A Folha de S.Paulo publicou nesta sexta-feira (5) que técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) suspeitam de irregularidades na contratação empresa

A empresa emitiu notas de R$ 41.268 a R$ 160.328 pela locação de computadores e impressoras e prestação de suporte técnico para o comitê de campanha presidencial. O CNPJ da empresa está ativo desde 2003, mas ela só obteve autorização da Prefeitura de Florianópolis – um dos locais onde declara estar instalada – para emitir notas fiscais no início de setembro deste ano, já em plena campanha eleitoral.

No site da UMTI, há dois endereços e telefones registrados: um em Florianópolis (SC) e outro em Santa Cruz do Sul (RS). O primeiro endereço não é mais da empresa. Nenhum dos telefones existe. A ação será apresentada pelo PSDB.


Piorou


Tempo houve em que os demônios falavam, e o mundo os ouvia; mas depois que ouviu os políticos ainda é pior o mundo.”

Padre Antônio Vieira

Golpe? Jamais! Impeachment? Depende


Dinheiro sujo financiou parte da campanha de Lula para presidente em 2002. Suspeita-se que dinheiro igualmente sujo financiou as duas campanhas de Dilma.

Ouvi do prefeito de uma das capitais brasileiras mais importantes: “Foi a ação dos Black blocs que nos salvou, os governantes, quando o povo saiu às ruas em junho de 2013 cobrando melhores condições de vida”.

A ação dos baderneiros mascarados esvaziou as manifestações por passagens de ônibus mais baratas, saúde e educação eficientes, reforma agrária, lazer, contra a corrupção e contra a impunidade.

Por enquanto, os Black blocs saíram de cena. No seu lugar entraram pessoas agenciadas não se sabe por quem ou simplesmente pessoas que acreditam que a volta dos militares ao poder fará bem ao país.

Muitas entre essas pessoas pedem o fim do comunismo como se ele ainda existisse. A propósito, não vale citar a China e a Rússia. São imitações grotescas, macaqueadas de regimes comunistas.

De repente, a presidente Dilma e a sua turma ganharam aliados onde menos esperavam. Os que pedem um golpe militar, quer queiram quer não, podem contribuir para esvaziar passeatas e comícios dos insatisfeitos “com tudo isso que está aí”.

Por “tudo isso” entenda-se o grosso das mesmas reivindicações de junho de 2013, com ênfase crescente no combate à corrupção e à impunidade.

Há 15 dias, 2.500 pessoas ocuparam a avenida Paulista em protesto contra o governo Dilma. Foram cinco mil no último sábado em ato apoiado pelo PSDB e partidos da oposição.

Minoritária, a porção dos golpistas tenta se misturar com a porção dos insatisfeitos. Essa, por sua vez, tenta se distinguir da outra. Mais políticos compareceram à primeira manifestação do que à segunda.

Os principais líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), correm o risco de se meter numa saia justa.

Por mais que digam o contrário, são acusados pelos partidários do governo de defender o golpe militar. Se não defendem o golpe, se batem pelo impeachment da presidente da República, o que militantes espertos do PT apregoam como sendo outro tipo de golpe. Não é.

Aécio está ficando rouco de tanto repetir: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (…) Não acho que exista nenhum fato específico que leve a impeachment. Essas manifestações [golpistas] que se misturam com as manifestações democráticas têm meu repúdio veemente".

Talvez devesse ir à próxima passeata reafirmar de público seu compromisso com a legalidade.

Impeachment não é golpe. Fernando Collor, o primeiro presidente do Brasil eleito pelo voto direto depois de 21 anos de ditadura, foi derrubado pelo Congresso via um processo de impeachment.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Fidelidade


Justiça é cega, mas sente cheiro

É tempo de por as barbas de molho. O Petrolão, o maior escândalo de corrupção num país dito democrático, está prestes a se tornar muito em breve, quando sair das portas da Polícia Federal, em Curitiba, em um anoréxico Mensalinho 2.

Poucas cabeças serão cortadas para “acalmar as massas” e muitos mais nomes serão blindados em definitivo, particularmente aqueles que mais próximos estiverem do PT, a fortaleza dos quadrilheiros.

Basta acompanhar o noticiário. O Congresso está de cócoras, o país refém e o tribunal recheado de petistas de toga, o que se repete em estados e municípios. O único poder imune e impune eternamente é o Legislativo, blindado por suas virtudes de democracia popular, metáfora de uma ditadura partidária.

No Petrolão, aos poucos vai-se minando as investigações com soltura dos meliantes, a mando superior. Duque, sob a alegação de que não é crime ter dinheiro no exterior – mesmo que provenha de corrupção, está livre, leve e solto. E assim deve ficar imune devido a ostentar o título nobiliárquico de representante do PT na Petrobras. Isso basta para inocentar qualquer crime de uns trocadinhos ilegais a milhões de dólares.

As provas de dinheiro da corrupção abastecendo o partido até são refutadas em nível de ministério. Um daqueles absurdos de um ministro de governo sair em defesa do seu partido, postura que deveria ser da administração partidária. Mas como o governo é o PT, e não a presidente como supõem os inocentes, está claro que seus ministros devem sair mais em defesa partidária do que defender o cidadão. 

Outro caso da ingerência petista é o de Vaccari, já incriminado por um prontuário criminal, também é outro a quem o chamado braço da Justiça nem se atreve a apontar em sua direção. A blindagem do tesoureiro é total. Sequer ainda foi encontrado para se apresentar à Justiça para responder por crimes passados, que dirá sobre a Petrobras.

O braço da justiça brasileira também está ficando curto para outros casos de aliados envolvidos em crimes. E assim vai se encurtando cada vez mais e crescendo para cima de quem se atrever a denunciar que os petistas são marginais.

Com uma Justiça dessas fica fácil cometer o crime que se quiser, desde que leve no peito a senha da Estrela Guia.

Leia!


Congestão cívica

O PT perdeu o monopólio das ruas e conta agora apenas com a possível eficácia do aparelhamento das instituições.
 Um mérito não se pode negar ao PT: ao exacerbar a níveis impensáveis vícios que estão na origem e formação política do país – corrupção, populismo, impunidade, patrimonialismo, fraude eleitoral -, provocou uma espécie de congestão cívica.

O organismo nacional habituara-se a conviver com tais mazelas em graus, digamos, homeopáticos. Não estava preparado para uma overdose. O resultado é a diarreia institucional a que se assiste. O PT funciona como um purgativo que, no processo de desenvolvimento político do país, será um dia reconhecido como necessário para a cura de infecções imemorialmente instaladas.

Se se mantivessem os padrões anteriores de assalto aos cofres públicos e privatização do Estado, o partido teria contribuído para preservá-los. Não teria, numa palavra, feito a diferença. Ao levá-los ao paroxismo, com o propósito de perpetuar-se no poder – ou, como diz o texto de sua reforma política, de “tornar hegemônica a sociedade” -, sacudiu o espírito de tolerância da população.

Fez com que o cidadão comum – que paga impostos e mantém o Estado – obedecesse o que lhe pediu (com outra intenção, óbvio) o próprio Lula: que tirasse “a bunda do sofá” e fosse às ruas reclamar. O que se tem, neste momento, não é exatamente, como se pensava em junho do ano passado, uma insatisfação difusa. Hoje, tem nome e CNPJ: o PT.

Há, sim, desarticulação e ausência de líderes, mas a insatisfação não é difusa: é infusa. Transbordou, depois de mais de uma década de expectativas contrariadas. Paulo Roberto Costa disse, na CPMI, que sempre houve nomeações políticas na Petrobras. Com certeza. E o propósito de colocar políticos – ou apadrinhados de políticos - em uma empresa de natureza técnica não tinha propósitos técnicos. Isso é também óbvio.

Mas jamais nenhum deles colocou em risco a própria sobrevivência da empresa, baixando-a do quinto lugar no ranking mundial para a 120º posição. Supor que a quantidade não faz diferença é como equiparar um homicídio ao genocídio, uma guerra entre policiais e bandidos à bomba de Hiroshima.


A sociedade brasileira acostumou-se a ter governantes desonestos. Uns roubavam, mas faziam; outros não roubavam, mas deixavam roubar. Nenhum, porém, ousou chegar à casa do bilhão; nenhum concebeu uma ação sinérgica, que envolvesse toda a máquina pública, sem exceção. O PT sabe disso.

Paisagens brasileiras

Chegada da noite, Vinícius Silva  

Vitória amarga

O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade
Raras vezes houve vitória eleitoral tão pouco festejada. Nem mesmo o partido da vencedora, tonitruante e dado a autocelebrações, vibrou o suficiente para despertar o país da letargia. Os mais espertos talvez tenham percebido que seus quadros minguaram, com graves perdas de entusiasmo e adesão na juventude e certo rancor em setores do empresariado mais moderno.

A reeleita possivelmente saboreie o êxito com certo amargor. É indiscutível a legalidade da vitória, mais discutível sua legitimidade. O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade. Só mesmo seu ministro da Fazenda, que coabita com o novo ministro designado, pôde dizer de cara lavada que a economia saíra da estagnação e que os males que a assolam vêm da crise mundial.

Recentemente, fazendo coro a esta euforia de encomenda, diante de dados que mostram um “crescimento” de 0,1% do PIB no trimestre passado, houve a repetição da bobagem: finalmente a economia teria saído da “recessão técnica”, de dois ou mais trimestres seguidos. Palavras, palavras, palavras, que não enganam sequer aos que as estão pronunciando.

Na formação do novo gabinete, a Presidenta começou a atuar (escrevo antes que a tarefa esteja completa) no sentido de desdizer o que pregara na campanha. Buscou um tripé “de direita” para o comando da economia. Na verdade, o adjetivo é despiciendo: a calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos. Menos justificável, senão pela angústia dos apoios perdidos, é a composição anunciada do resto do ministério de cunho mais conservador/ clientelístico. Esperemos.


A Presidenta, com esta reviravolta, deve sentir certa constrangedora falta de legitimidade. Foi a partir da ação dela na Casa Civil, e daí por diante, que se implantou a “nova matriz econômica”: mais gastança governamental e mais crédito público, à custa do Tesouro. Foi isso que não deu certo, e serviu de alavanca para outros equívocos que levaram o governo do PT a perder a confiança de metade do país. Sem falar da quebra moral.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Esperança


OAB fala da escravidão, e do Petrolão, nada

 A recente decisão tomada pelo Conselho Federal da OAB me fez ver como esses devaneios históricos transitam no Brasil. Devagar e sempre. Demoram mas vão para onde os querem levar. As motivações para que avancem são muitas e graves: é tudo questão de privilégio, poder e dinheiro.

A notícia me lembrou de um artigo que escrevi em 1999, para o Correio do Povo. Estávamos, no Rio Grande do Sul, sob o governo petista de Olívio Dutra, nosso conhecido Exterminador do Futuro. A Secretaria de Educação, totalmente dedicada à conquista gramsciana da hegemonia, lançara uma cartilha que tratava obviedades históricas como achados ideológicos do governo popular e democrático. O texto que escrevi a respeito dessa cartilha tinha por título “Aqui são outros quinhentos” e, lá pelas tantas, dizia assim:

“Doravante, de acordo com o livrinho vermelho dos pensamentos da SEC, passa-se a ensinar a grande novidade de que havia índios no local do desembarque ocorrido em 21 de abril de 1500, atribuindo-se a esse episódio, portanto, o nome de Invasão. Tal verdade histórica estabelece uma conveniente referência para homologar as práticas do MST. Nesse livreto é ensinado ao povo que o país chamado Brasil, constitui, há cinco séculos, um sinistro e gigantesco usucapião lançado contra os primitivos e legítimos proprietários.”

E prossegui, ironizando: “Também é denunciado, ali, que os ancestrais dos negros e mulatos foram trazidos para a América como escravos, nos infectos porões de navios negreiros. Quem ler a cartilha fica com a impressão de que antes do governo popular e democrático, a versão dominante é a de que os negros aportaram ao Brasil como turistas, a bordo de confortáveis transatlânticos. Só a democracia popular e participativa do governo petista teria permitido arrancar o véu da mentira e revelar para a História, que os escravos, inclusive, trabalhavam de graça e eram frequentemente maltratados.”

Passados 15 anos, chega a vez da OAB. Transitando ao largo de bibliotecas inteiras, toneladas de livros escritos sobre o tema em diversos idiomas, propõe ela que o governo crie uma Comissão da Verdade sobre a escravidão. A tarefa, é claro, tem que envolver o governo petista. Qualquer outro, mandaria a OAB cuidar da própria vida. Mas sabe bem a OAB que se o governo não participar não aparece dinheiro para a colheita.

Enfim, na perspectiva dos pais da ideia, tudo se passa como se a vinda dos escravos africanos fosse um mistério insondável, um autêntico naufrágio da verdade que agora, felizmente, sob um governo que sabe muito bem criar e se beneficiar de cisões e ressentimentos, será “resgatada” dos mais profundos abismos da história universal. Parolagem político-ideológica que a Secretaria de Educação do governo Olívio Dutra iniciou no Rio Grande do Sul há 15 anos e que, agora, poderá render um “fundo de reparação” cuja conta, como sempre, virá para a sociedade. Como será com a farra do “Petrolão”, a respeito do qual a OAB nada diz. 
Artigo de Percival Puggina transcrito de Tribuna da Internet

O PT perde o monopólio das ruas


Governo usa força contra povo

Ruth Gomes de Sá, 79 anos, na terça-feira (2), 
ao ser retirada das galerias (Imagem: André Dusek)

A verdade é que o PT está perdendo o monopólio das ruas e vai usar a sua “banda de música” organizada ou voluntária para tentar destruir a legitimidade de quem ousa manifestar-se fora da cartilha do partido. A máquina de moer reputações já está fazendo picadinho de quem tem a ousadia de cantar por outra partitura.

Como conviver com o comissariado


Privatizar Petrobras, pior opção


Entre as receitas para a crise que nos assola atualmente, a mais descrita nas entrevistas dos economistas que comandarão postos-chaves no futuro governo é a concessão de empresas públicas. É a receita da venda do patrimônio público, sem tirar nem por.

Discordo frontalmente da possibilidade de privatização da Petrobras, nossa maior empresa pública e motor do desenvolvimento nacional, desde a sua criação no governo Getúlio Vargas.

Por que discordar? Porque seria medida inócua, pois a corrupção no Brasil é endêmica. Portanto, sob o controle dos poderosos grupos privados, a corrupção seria ainda danosa para os brasileiros. Consórcios seriam formados e algum grupo internacional, associado às empreiteiras, venceria o leilão com financiamento do BNDES e o lucro iria para fora do país, talvez Europa ou Estados Unidos.

Privatizar, então, significaria vender aos algozes corruptores da Petrobras, ou seja, premiá-los por nos terem roubado por tantos anos, pois só agora, pelo aumento excessivo da tunga, o escândalo da quadrilha veio felizmente à tona.

O produto da riqueza petrolífera então deixaria de irrigar a economia já em decadência e passaria a compor a alavanca para países ricos driblarem a crise de 2008.

Falar em privatização soa como tirar o sofá da sala. Ao invés de vender nosso maior ativo, por que não se envereda pelo combate firme contra corruptos e corruptores? Empreiteiras e gestores públicos em sintonia da roubalheira devem amargar as fétidas prisões brasileiras sem pena nem dó, e também devolverem o produto do roubo depositado em paraísos fiscais.

É preciso estancar a rapina, substituindo os gestores aliados das empreiteiras nos negócios ilícitos e seguir em frente. No corpo técnico e administrativo da Petrobras há profissionais honestos e capazes, que podem assumir as funções de direção e gerência, e as indicações políticas não podem continuar, sob pena de eternização das mesmas maracutaias num futuro próximo.

Empresa pública não combina com indicações partidárias, isso foi constatado ao longo da história do Brasil. Apenas empregados orgânicos deveriam ocupar cargos tanto na Petrobras como em todas as empresas públicas, do mais simples até a Diretoria. Já está na hora de impedir que empregados honestos amarguem a geladeira, por não concordarem com a corrupção.

O nó da questão será saber quem colocará o guiso no gato. E só tenho uma certeza, a de que a privatização não é o remédio ideal, talvez seja o pior deles.
Artigo de Roberto Nascimento transcrito de Tribuna da Internet 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Presidenta domadora


Como conviver com a lambança


Argumentos jurídicos podem ser despejados em cascata para justificar a liberdade do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, concedida em habeas-corpus pelo ministro Teori Savaski, do Supremo Tribunal Federal. Mas parece no mínimo vingança da natureza que no mesmo dia, quarta-feira, tenha sido conhecida a delação premiada do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça, da Toyo Setal, braço brasileiro de uma multinacional japonesa. Porque o agora candidato à diminuição da pena a que será condenado revelou haver a empresa repassado 152 milhões de reais a título de suborno, por orientação de Renato Duque, para o clube das empreiteiras conseguir contratos com a Petrobras. Aliás, 4 milhões foram doados a campanhas eleitorais do PT.

Os outros 148 milhões foram distribuídos entre dirigentes da Petrobras e políticos de variados partidos, registrando-se que um subordinado de Renato Duque na estatal petrolífera, o ex-gerente Pedro Barusco, por enquanto preso, comprometeu-se a devolver 248 milhões depositados em bancos na Suiça. Ele também pretende uma condenação menor, aguardando-se com curiosidade sua delação premiada, certamente mais explosiva ainda.

Dá para entender que um ladravaz confesso se encontre fora das grades apenas porque o ministro Teori considerou que dinheiro depositado no exterior não justifica prisão preventiva? Mesmo tendo sua origem sido confessada?

Não se passa um dia sem que mais detalhes do escândalo da Petrobras ganhem as manchetes. Pelo jeito, não só da Petrobrás, mas conforme depoimento de outro bandido, por sinal cumprindo pena em casa, estão envolvidas várias empresas públicas encarregadas dos setores hidroelétricos, rodoviários, ferroviários e ligados a portos e aeroportos. Toda essa roubalheira aconteceu nos últimos anos, parecendo difícil ter sido ignorada pelo primeiro escalão do governo.

Só falta, agora, conhecer a lista de dezenas de políticos implicados nesse assalto aos cofres públicos na forma de contratos superfaturados, escolhas fajutas de empreiteiras, propinas entregues a partidos e centenas de milhões desviados para o exterior.

Pode um governo conviver com tamanha lambança? Agora que se aguarda a composição do novo ministério, que tal se candidatarem o Tigrão, o Melancia e o Eucalipto?