sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Licença para enganar


Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica.

Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais desinformadas?

Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.

Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem, não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos emocional.

E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal. Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.

Arremedo de democracia


Nem a Folha de S. Paulo, que publicou a entrevista na última segunda-feira, nem os demais veículos de comunicação deram importância ao que disse Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo e dono da Companhia Siderúrgica Nacional, sobre a eleição presidencial do próximo domingo.

A certa altura da entrevista, o repórter Fernando Rodrigues perguntou em quem Steinbruch votaria. O poderoso industrial respondeu:

- Não sinto necessidade de revelar. Meu voto é a favor das mudanças. Se a presidente Dilma propuser mudanças com relação ao futuro do Brasil, ela tem chance de ter o meu voto. Se a candidata Marina propuser mudanças, ela tem a possibilidade de ter o meu voto. Assim como o Aécio.

Rodrigues insistiu:

- Se um empresário como o senhor revelar o voto no Brasil, pode sofrer perseguição?

A resposta foi espantosa, a se levar em conta que vivemos numa democracia e que as pessoas são livres para votar em quem quiser:

- Com certeza. Pode.

Rodrigues foi adiante:

- Se disser que vota em Marina e ela perder a eleição, o senhor acha que poderia ser perseguido?

- Acho que sim. O empresário brasileiro e o banqueiro são tremendamente dependentes do governo. Lá fora você não tem essa necessidade de ter a boa vontade do governo. Aqui, só o BNDES te dá financiamento de longo prazo com carência.

Quer dizer: se o presidente da República não for com a sua cara, o BNDES lhe fechará as portas.

Temos um arremedo de democracia – a verdade é essa. E a democracia entre nós é tanto mais fraca quanto maior é a determinação dos donos do poder de não abrir mão do poder.


Chantagem de prefeito


Já asfaltei muito. Mas vou asfaltar toda Maricá. Vou fazer ainda mais pela cultura, pela educação, pela segurança. Vou construir o novo hospital. Mas para isso preciso de seu voto para eleger Zeidan para a Câmara estadual e Fabiano Horta para federal.

(Gravação do prefeito Quaquá em carro de som circulando há dois dias pela cidade. Embutida a chantagem de que se não forem eleitos seus candidatos petistas não serão cumpridas as promessas. Aliás, que sequer foram cumpridas ainda)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

É preciso acertar o botão


Mercado sinaliza temporada difícil para Dilma


Ações da Petrobras caíram 11% nesta segunda, num recado claro de que os agentes financeiros esperam muito de um eventual Governo “Dilma 2.0”, que precisará ser mais pragmático
 Se Dilma Rousseff vier a ser reeleita nas eleições deste ano, ela terá de promover não só as mudanças esperadas por 80% dos eleitores, mas também atender às expectativas do mercado financeiro, que nesta segunda-feira mandou um recado duro para a presidenta. A Bolsa de Valores teve uma queda abrupta ao longo do dia, fechando com queda de quase 5% em relação a sexta-feira, com destaque para os papéis da Petrobras, que caíram 11%. Ao mesmo tempo, o dólar subiu aos níveis de dezembro de 2008, com alta de 1,53%, fechando a 2,4510 reais.


O comportamento de cavalo selvagem desta segunda lembrou o período pré eleitoral de 2002, quando o ex-presidente Lula liderava as pesquisas, e a bolsa de valores oscilava de modo descontrolado, assim como o câmbio, que chegou a 4 reais quando seu nome foi confirmado nas urnas. Embora alguns indicadores fundamentais sejam até melhores do que há 12 anos, o cenário para uma repetição de Dilma Rousseff é muito mais desafiador do que naquela eleição, acredita a economista Zeina Latif. “Naquele ano havia o medo do que havia por vir. Agora, a história é outra, pois a credibilidade do Governo está muito abalada, dizendo inclusive que tudo está muito bem”, diz Latif. “Pois se está tudo bem é como se achassem que não há ajustes a serem feitos”, completa.

Vale a pena votar domingo?


É preocupante e assustador o desleixo com que tratamos a nosso passado recente – e essa incapacidade de refletir sobre a história. A mudança depende somente de nós, de nosso engajamento.
Por uma dessas coincidências, as eleições de domingo ocorrem no exato dia em que comemoramos 26 anos de promulgação da Constituição vigente, cujo ordenamento jurídico pôs fim efetivo à nunca por demais execrada ditadura militar brasileira, que até hoje permanece assombrando a nossa frágil e débil democracia. Das oito da manhã às cinco da tarde, parte expressiva dos 140 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 70% do total da população, deverá se apresentar às urnas eletrônicas, exercendo o direito de escolher seus representantes no Poder Executivo e Legislativo estadual e federal (se o voto deve ser facultativo ou continuar obrigatório é uma discussão que não cabe aqui e agora).

O quadro que se pinta não é dos mais animadores, certamente. Em São Paulo, que, concentrando um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, é tido como o estado mais parecido com o modelo econômico-social que desejamos aperfeiçoar e exportar para o resto da Federação, encontramos candidatos cujo deboche pela política aparece no próprio nome com que se apresentam ao eleitor. Eis algumas bizarrices, pinçadas ao acaso, entre postulantes a deputado federal: Obama Brasil, Toninho do Diabo, Carlão do Doce, Macaco Tião Cláudia, Rique O Tchê-Tchê, Doutor Verme, Meu Querido, Mick Jagger do Brasil, Valmir Olho de Lobo, Newton – O Homem do Chapéu, e outros, e muitos.

Neste ano, em que completam-se 50 anos do golpe que instalou os militares no poder, temos assistido a uma profusão de manifestações autoritárias a nos lembrar que estamos longe ainda de constituirmos um sólido estado de direito. Apesar de realizarmos a sétima eleição direta consecutiva para a Presidência da República – o maior período de democracia de toda a história política do Brasil –, superando traumas (como o impeachment de Fernando Collor) e preconceitos (como a investidura de um ex-metalúrgico e de uma ex-guerrilheira), o pensamento prepotente cavalga pelas ruas e avenidas e, principalmente, pelas redes sociais.


Cospe no prato que paga com fortunas


“A gente agora vai mostrar pra essa elite, dessa Rede Globo, pra essa cambada de elite arrogante, que o povo brasileiro sabe o que quer!"
Companheira de Quaquá, prefeito de Maricá, em fiasco de comício com militância de aluguel, repete a costumeira petista lengua-lengua contra a Rede Globo, só esquecendo que o próprio governo municipal paga fortunas para a mesma rede de televisão, através da propaganda “Direto de Maricá”, em horário nobre da mesma emissora, divulga as "maravilhas' em que transformou o município.


Assim são os petistas, pagam fortunas para apresentar grandes obras e depois atacam a mesma mídia de que se utilizam com farto dinheiro público. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Adoro horário eleitoral


Frase cretina


Desvio de dinheiro é natural e intrínseco ao serviço público.

Cid Gomes, governador do Ceará

A lista dos perigos


Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma

O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?

Aqui vai a lista:

A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela, Argentina e outros.

Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”

As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para “controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população, disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stalin.

A solidez fiscal se desmancha no ar


O que está acontecendo nas contas públicas é gravíssimo. A solidez fiscal necessária para sustentar a estabilização da economia está se desfazendo. Se alguém tinha alguma dúvida, o dado que acaba de ser divulgado pelo Banco Central eliminou todas elas: quatro meses de déficit primário! É um déficit gigante, o maior de que se tem registro. Quando a conta é feita em 12 meses, o superávit primário é menor do que o necessário, mas ainda é apresentável. Mas o dado do ano é lamentável, de apenas 0,3%, mesmo com os truques como os dividendos maiores de empresas estatais, que desconsidera a necessidade de investimento delas.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dá para acreditar?


A sociedade foi a grande ausente do debate


Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?
Por incrível que pareça, a palavra “educação” não foi pronunciada nem uma vez em todo o debate.

Será que os candidatos pensam que o Brasil poderá um dia sair de seu atraso, que os filhos da nova classe média vinda da pobreza poderão construir um país melhor, mais moderno do que aqueles em que seus pais viveram – muitos deles ainda hoje vítimas do analfabetismo –, sem uma mudança radical no ensino?

Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?

E, no entanto, os países cujas sociedades hoje desfrutam de melhores condições de vida, e que se desenvolveram economicamente e socialmente com rapidez, foram os que souberam colocar a educação no centro nervoso do interesse público.

Será que os candidatos à Presidência não sabem que o Brasil, que aspira ser líder no continente, ainda aparece entre os últimos na lista mundial de qualidade de ensino?

A fantasia da vez

Em meio à tempestade de corrupção que flagela o país, com a revelação de que os integrantes das quadrilhas frequentavam livremente os poderes da República, eis que como um relâmpago surge uma nova personagem de HQ em pleno Planalto. Ninguém esperava que em um passe de mágica a presidente se transformasse rapidamente na SuperDilma, a justiceira contra a corrupção.

Só mesmo como uma gozação se pode encarar a palhaçada marqueteira que a presidente virou uma justiceira. Isso depois de conviver durante anos com os criminosos e até mesmo convidar alguns para festa de aniversário, receber em palácio, etc.


Dilma se presta para qualquer fantasia que a campanha exija. Tudo em nome da enorme fome de poder. Não será nada para o bem do povo e felicidade geral da nação que quer repetir o “Fico”.   

Engavetou de novo


Em país sério, os candidatos apresentam suas propostas para serem debatidas, discutidas.

No Brasil, quando apenas uma candidata faz o correto, o que se espera de seriedade, chovem abutres para distorcer cada item em proveito próprio. Longe de mostrarem ao eleitor suas metas, indicarem mesmo possíveis assessores, vê-se gente em palco como se comportando como se estivesse numa rinha. O importante é bater. No caso, esculhambar o máximo possível com o adversário, mentir, mentir, mentir.

Os marqueteiros, com aval de candidatos gananciosos de poder - aplaudindo - destroem o debate democrático em prol das artimanhas publicitárias. É o conluio da arte de enganar.

Os políticos até se acham num picadeiro. Deixam de lado o debate, pois não interessa que mostrem suas ideias, base de uma política de Estado, que verdadeiramente está em discussão. Preferem os tais programas de governo que nada são do que meros papeluchos rasgados e enfurnados no lixo na primeira oportunidade.

É por temer ataques arrasadores, que despencariam sua escalada eleitoral, e também por não ter política de Estado sequer esboçada que Dilma resolveu engavetar todas as propostas preparados pelo próprio partido como em 2010. E repete o feito preferindo levar os eleitores no bico.


A engavetadora foge ao debate a que nunca foi afeita, inclusive por seu viés ditatorial, para contar com a mãozinha salvadora do guru João Santana, mestre em ilusionismo. Assim terá mais quatro anos para fazer o diabo no governo com toda a arrogância de santinha do pau oco - onde não por acaso se escondem todos os escândalos - acobertando com propaganda seus malfeitos.   

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Pobre país

Meu pobre país pacóvio que só te babas para o imbecil ou o charlatão; mas porque um está à tua medida e o outro àquela que queres ter e julgas que ele tem
Vergílio Ferreira

Dilma e o pacto com o diabo

 
Campanhas eleitorais costumam ser mais emoção do que razão. São sempre criticadas por não se aprofundar em temas urgentes, por abusar dos ataques e contra-ataques. Mas nunca antes na história deste país uma campanha foi tão infame e deseducadora. O retorno da presidente Dilma Rousseff à liderança isolada da disputa depois de artilharia intensa – tendo a mentira como principal arma – não deixa dúvidas. Corrobora com a maquiavélica tese do vale tudo, de se fazer o diabo.

Marina Silva foi bombardeada por Dilma e Aécio Neves. Mas até o capeta se assustou com a tática usada pelos petistas para desconstruí-la.

De uma hora para outra, a ex-ministra de Lula virou defensora do capital e dos banqueiros, companheira de tucanos neoliberais que querem aniquilar com as estatais, acabar com o Bolsa Família e com a CLT.

Vencida a primeira batalha, a campanha de Dilma tratou de proteger o flanco que poderia sangrá-la: a roubalheira na Petrobrás, que começou a ganhar forma e endereço com a delação premiada de Paulo Roberto Costa.

Especialistas em transformar os males que os afligem em virtudes, os petistas rapidamente produziram uma nova Dilma contra a corrupção. Não aquela Dilma-faxineira que chegou a fazer sucesso no primeiro ano de mandato e que sucumbiu. Outra personagem, desta vez encarnando a líder no combate à impunidade.


Há duas semanas, em todas as entrevistas e discursos – incluindo a fala eleitoral na abertura da Assembleia da ONU –, Dilma empunha a bandeira anticorrupção. Na sexta-feira, prometeu endurecer contra agentes públicos que prevaricam, além de reformar a Justiça e criar leis para facilitar a perda de bens adquiridos de forma ilícita.

Medo de perder conquistas favorece Dilma


Apesar de 70% dos brasileiros afirmarem que querem “mudar”, na hora de votar, o conhecido inspira mais confiança
Nem sempre a História se repete. Nessas eleições, por exemplo, está acontecendo o oposto do que ocorreu em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva conquistou a Presidência da República.

Naquela época, os brasileiros tinham medo de Lula. Era a esquerda que chegava ao poder e o sindicalista havia ganhado com a estratégia de “vencer o medo com a esperança”.

Hoje, o PT trouxe de volta às eleições aquele medo que tinha impedido Lula de vencer três vezes a disputa pelo cargo. E, ao contrário do que houve antes, a arma de difundir entre os eleitores de classe baixa o medo em relação à candidata rival, a ambientalista Marina Silva, apresentada como a amiga dos banqueiros, a preferida pelos ricos e aquela que poderia retirar dos mais pobres o que já conquistaram, está dando resultados positivos para Dilma Rousseff.

A já mítica classe C, formada por esses mais de 30 milhões de brasileirosque conseguiram saltar a linha da pobreza e passar para o mundo do consumo, aparece ainda, de maneira geral, sensível ao medo de perder o que já conquistaram.

Apesar disso, os filhos dessas famílias, que já estudaram, são mais críticos que seus pais e já demonstraram, durante as manifestações de 2013, que querem não só programas assistenciais, mas melhorias estruturais para poderem dar um verdadeiro salto social.

Esse medo de perder as conquistas sociais está, efetivamente, dando resultados entre os eleitores dos estados mais pobres como os do Nordeste, para os quais a maioria dos debates eleitorais teóricos, como os da independência do Banco Central, o maior ou menor crescimento do PIB e a flutuação cambial do dólar têm muito menos importância do que a vida real das famílias.

domingo, 28 de setembro de 2014

Imbatíveis


Petrolão para todos


Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar
 Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa despenca, e lá vêm os gigolôs da bondade denunciar a trama capitalista contra o governo do povo. Mas o que dizer então da bolsa eleitoral? Quanto mais apodrece o escândalo da Petrobras, mais Dilma se recupera nas pesquisas. Será que o eleitor está querendo virar sócio do petrolão?

Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em cana. E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os comparsas.

Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas.

Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as relações certas).

Debate de propostas se perde em ataques e escândalos

Debates se tornaram ringues de dois contra uma, a única a fazer certo
Com tom da campanha cada vez mais agressivo e centrado em ataques mútuos entre os candidatos, discussão sobre o conteúdo dos programas de governo é deixada de lado. Quem perde é o eleitor.

Com as pesquisas de intenção de voto indicando uma disputa acirrada, a campanha eleitoral deve ficar ainda mais agressiva nos próximos dias, à medida que se aproxima o primeiro turno. Esse foco nos ataques pessoais e na tentativa de desconstruir adversários ofusca, porém, o debate construtivo de propostas para solucionar os problemas do país.

Especialistas avaliam que o conteúdo programático foi pouco debatido até aqui e alertam: essa situação não deve mudar – ao contrário, a agressividade vai aumentar ainda mais no segundo turno.

"A campanha tem ficado em acusações. Se discute o medo, a incompetência ou a experiência, mas não os projetos para o Brasil: política econômica, questão trabalhista e previdenciária, a retomada do crescimento, os programas sociais. É um debate cifrado, pobre e incompleto", diz o cientista político Antonio Carlos Mazzeo, da Unesp e da PUC-SP.

"A disputa será mais acirrada, e os ataques vão piorar. Isso é ruim para a democracia e para o eleitor", opina o historiador e sociólogo Marco Antonio Villa.

Um fator até mesmo curioso e que dificulta a possibilidade de debate de propostas entre os candidatos é a falta de programas de governo disponíveis para consulta do eleitor.

Até agora, Marina Silva (PSB) foi a única dos três principais candidatos a apresentar uma versão final do seu programa de governo. Entretanto, enfrentou graves críticas por ter recuado em alguns pontos do documento, como os direitos LGBT e a política energética.


Já Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) entregaram documentos genéricos no início de julho, com a promessa de divulgar a versão detalhada e consolidada até as eleições, o que ainda não ocorreu.

sábado, 27 de setembro de 2014

Terror dos corruptos


O valor da resistência


Filme de 1957, dirigido por David Lean, "A ponte do rio Kwai" ganhou 7 Oscar. É baseado no romance de Pierre Boulle “Le pont de la rivière Kwai”, de 1952. Filme também popularizou a "Colonel Bogey March", escrita em 1914 pelo major dos Royal Marines, F. J. Ricketts (1881-1945)

A mentira como método


Vaidosos, nós nos cremos os únicos capazes de lavrar, caminhar e gravar os nossos traços de Narciso; e, quando ouvimos a voz tácita das coisas, a sufocamos rapidamente sob a imundície das nossas insensatas disputas sem valor.
Michel Serres
Mentir, engambelar, imputar aos adversários o que não falaram, citar dados errados, esconder outros. De tudo praticar, mesmo eticamente incorreto, vale quando se trata de garantir mais uma gestão de permanência no governo para manter a meta de 20 anos no poder, como determina a cartilha ditatorial do PT.

O corolário de atitudes descreve bem o caráter de uma candidata que se diz do povo, quando na verdade é o maior exemplo de que a dominação a qualquer meio, mesmos ilegais, é válida e deve ser incluída na agenda da corrida eleitoral.

Nunca uma candidata ou candidato conseguiu reunir numa campanha tantas mentiras e factoides como Dilma, que só não consegue mesmo superar a própria arrogância de querer ser o que nunca será. Aquela que foi estrelada pelo poder hoje se acha acima do bem e do mal, imaculada a receber beijos como santa. Dilma trafega incólume, como vestal, em meio ao lodaçal criado pelos próprios companheiros com um nada vi, um nada sei.

É patética a figura presidencial maquinando dados a favor, quando tudo indica a péssima administração, e o conluio com um comissariado e uma politicalha cretina, medíocre. Em palanques apregoa sua luta pelos pobres e famintos, quando no trono arquiteta as maracutaias que possam favorecer empresas muy amigas, os conglomerados bancários, os cofres partidários.  


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Por que será?


Marina Silva apanha pelo que faz e pelo que não faz. Pelo que diz e pelo que deixa de dizer. Apanha se corrigir o que disse. Apanha se não corrigir. Está repleta de escoriações. É o maior saco de pancadas desta eleição

Ricardo Noblat

A semana do homem



O homem vem a este mundo para lutar:O escravo pela sua liberdade, o livre pela sua perfeição                                                                                     Yane Sandanski
O primeiro dia é para nascer e crescer lutando,
o segundo para trabalhar e sofrer lutando,
o terceiro para amar e odiar lutando
o quarto para acreditar e duvidar lutando,
o quinto para destruir e construir lutando,
o sexto para escrever e suar lutando,
o sétimo para cantar e cair lutando,
o oitavo para levantar-se e avançar lutando,
o novo para viver e morrer livre
Rumen Stoyanov 

Dilma sabia de irregularidade desde 2009

Denúncia foi repassada à CGU, que alegou falta de pessoal para investigar
 Documentos obtidos pelo jornal O Globo revelam que a presidente Dilma Rousseff foi informada em 2009 sobre “indícios de irregularidades graves” nas obras da refinaria Abreu e Lima, quando era ministra da Casa Civil. Na época, ela pediu para a Controladoria Geral da União (CGU) apurar o caso, mas o processo acabou arquivado sem punir ninguém.

A CGU apenas requereu informações da Petrobras sobre os indícios de superfaturamento apontados em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e mandou o processo ao arquivo em janeiro de 2014, sem qualquer avanço. Outro processo havia sido arquivado pela CGU em 2012. Ontem, o Palácio do Planalto afirmou que a CGU “acompanha” as deliberações do TCU e as providências adotadas pela Petrobras.

A CGU deu duas justificativas para arquivar o processo que tem como origem informações levadas a Dilma. A primeira foi o “avanço físico” das obras em Pernambuco, com 80% da refinaria construída até o dia do arquivamento. A outra foi uma nota informativa elaborada pela área técnica da CGU responsável por acompanhar os processos da Petrobras.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Cara de Marina


Lembrou algum país?

Formalmente, Cingapura é uma democracia. Na prática, nem um pouco. Qualquer crítico do governo se arrisca a um processo criminal, pesadas multas, processos por calúnia, ameaças e cadeia. O líder do partido oposicionista certa vez disse eufemisticamente que o governo estava metido em negócios escusos. Foi processado. (...) Críticos ou políticos iniciantes em Cingapura são perseguidos nos tribunais com zelo fanático, processados com uma severidade que os leva à falência. Os juízes são nomeados pelo governo e o obedecem cegamente. Destruídos financeiramente, os políticos de oposição não conseguem disputar eleições – mal conseguem viver.

Paul Theroux

Você viu Lula por aí?


Localizar Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, desaparecido desde que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, há mais de um mês, citou seu nome como envolvido no escândalo que abala a empresa e o governo?

Ou localizar Lula, que mora em São Bernardo do Campo, São Paulo, e tem sido visto com frequência em compromissos das campanhas de Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e de Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista?

Depende de quem esteja à caça de Lobão e de Lula. À caça de Lobão ninguém está – a não ser, talvez, algum jornalista curioso. E ainda assim por sua conta e risco – não por encomenda da empresa onde trabalha.

À caça de Lula deveria estar a Polícia Federal. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ela tenta ouvir Lula há sete meses sobre confissões feitas por Marcos Valério, um dos operadores do esquema do mensalão, preso e condenado a mais de 40 anos de cadeiaa.

Valério acusa Lula de juntamente com o ex-ministro José Dirceu ter tramado a doação ilegal de dinheiro ao PT pela Portugal Telecom. O ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, já foi ouvido a respeito pela Polícia Federal. Negou tudo, naturalmente. E Lula?

Ora, pois sim. Lula sabe que a Polícia Federal quer ouvi-lo. A Polícia Federal sabe que Lula sabe. Mas não o intima – como faria com qualquer mortal comum. Espera que Lula, um dia, admita depor. E a procure.

Isso tem nome. Para dizer o mínimo, negligência, da parte da Polícia Federal. Ou cumplicidade.

Ricardo Noblat

***
Segundo o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve falar com a Polícia Federal após o término da eleição na avaliação da cúpula do PT. Desde fevereiro, Lula é convidado pela Polícia Federal (PF) para colaborar nas novas investigações instauradas sobre o esquema do mensalão. O medo dos petistas é de que o interrogatório seja vazado à imprensa e prejudique a tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Escolheu?


Dilma destaca avanço e esconde aumento

 

Em discurso na Cúpula do Clima da ONU, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil é um exemplo de que é possível aliar desenvolvimento industrial com respeito ao meio ambiente. “Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível”, afirmou.


A mandatária brasileira destacou que em dez anos (2003 e 2013) o desmatamento do país foi reduzido em 79%. Rousseff, contudo, escondeu o fato de que entre 2012 e 2013 a taxa de destruição da floresta amazônica cresceu 29%. No ano passado, 5.891 quilômetros quadrados da região foram devastados, segundo dados obtidos no Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite. A área desmatada equivale a quase quatro vezes o município de São Paulo, o mais populoso do Brasil. No ano retrasado, o desmatamento tinha atingido a menor taxa desde o ano de 1988, quando os dados passaram a ser monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Na ocasião, a devastação atingiu a marca de 4.571 quilômetros quadrados.

Por quê?

Por que o governo Dilma pune o servidor que usa de seu cargo para espalhar mitos contra adversários, enquanto a campanha de Dilma faz o mesmo contra sua principal adversária? Vale tudo para ganhar uma campanha eleitoral?

Somos perdulários

Com tanto estímulo desde criancinha, o brasileiro é um gastador nato. Chavões como país do futuro, gigante Brasil, terra abençoada por Deus, em se plantando tudo dá, país que vai pra frente, fizeram a cabeça das massas no país. A maioria ainda acredita que são infindáveis os recursos e que pode, sem qualquer trabalho, colher frutos gigantescos.

É essa visão de grandeza que faz dos governos eternos aproveitadores da crendice popular. Acredita-se que sempre se vai sair de uma enrascada com um jeitinho.

Os políticos se fartam da ignorância. Em plena ditadura, com a crise mundial do petróleo, se falava que tínhamos petróleo para dar e vender. Pagamos muito caro pelo abuso interno dos cretinos. Recentemente, com a bolha estourando nos Estados Unidos, nosso máximo guru prometia que só sentiríamos uma marolinha, que nem daria para molhar a canela, e prometeu que tinha no bolso a receita para conter crises de fora. Continuamos a pagar a conta que cada vez aumenta mais. Como da outra vez perdemos tempo para crescer, acreditando piamente nos profetas governamentais.

Depois do pibinho, estamos frente a um mini-pib e saudamos as maquiagens governamentais com que vão nos tirar do poço. As perspectivas internacionais já apontam em crescimento no próximo ano de 1,4%, com tendência de queda, sem incluir aí as turbulências econômicas e os problemas ambientais. No entanto, o governo insiste, como na fala do vice-presidente, que estamos crescendo fantasticamente. Só se for em estatísticas de corrupção, em que somos quase imbatíveis.

Gastamos absurdamente até a rapa do tacho para que os governos saiam bem na foto em eleição, camuflando o nepotismo, os ganhos escusos, o desperdício em obras inacabadas ou o superfaturamento, a altíssima taxa de desocupados, conhecidos na era petista como comissionados (nunca se viu tanto desses comes-e-dormes). Enfim, esbanjamos com mediocridade o futuro de gerações para que a marginalidade se locuplete. E ainda por cima saímos às ruas, com militância de aluguel, infringindo leis eleitorais, para que ainda se gaste mais absurdamente a fim de manter o continuísmo.

Somos perdulários até a raiz dos cabelos até quando escolhemos políticos que nada mais fazem do que gastar o dinheiro público com o sorriso dos hipócritas. E ainda adoram apertar a mão dessa cambada, ou por ser sem vergonha de berço ou imbecil de nascença.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Faltará brejo

Não há dúvida de que a vaca está indo para o brejo. A questão
é saber a distância do brejo e a velocidade da vaca”

A mancha do petróleo

A principal vítima do escândalo causado pelas confissões explosivas de Paulo Roberto Costa é o Partido dos Trabalhadores. Sempre que sentiu um perigo eleitoral, o PT escudou-se na Petrobras. 

O Governo do Brasil está ferido por uma novidade que percorre a região: a bonança internacional, que permitiu a distribuição das receitas extraordinárias, começou a diminuir. Na última década, os que exerciam o poder pareciam imbatíveis. Hoje estão vulneráveis. Também estão em risco a Frente Ampla no Uruguai e o kirchnerismo na Argentina. O declínio vem sempre acompanhado de escândalos de corrupção. Nada surpreendente. Quando os recursos escasseiam, as sociedades se tornam mais sensíveis à ética.

O Brasil está emperrado

A economia brasileira, exemplo de estímulo durante uma década, começa a ficar paralisada devido ao cansaço do consumo interno, bem quando acontecem as eleições gerais
Muitos especialistas previam isso já faz algum tempo e por fim aconteceu há duas semanas: a economia brasileira, a sétima do mundo, enfrentava o segundo trimestre consecutivo de retrocesso do PIB e entrava no que, no jargão dos economistas, é chamado de “recessão técnica”. Paralelamente, a agência classificadora Moody’s baixou, na semana passada, a nota do país em um ponto, passando de “estável” a “negativa”. Nem as cifras, nem a chamada de atenção da agência são alarmantes, mas são significativas: de janeiro a março, o PIB brasileiro recuou 0,2%. Nos últimos três meses o recuo foi de 0,6%. Mais que o alcance, o importante é a novidade. Nos últimos anos, o Brasil só tinha registrado números vermelhos no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, quer dizer, nos piores dias do turbilhão da crise planetária que sacudiu o mundo financeiro.

Outros países ficaram aí, no buraco, mas o Brasil, animado por um consumo interno vigoroso, pelas exportações à China e um ciclo econômico em alta, se recuperou em seguida. Até agora. Hoje, sem fôlego, o país parece condenado a parar a fim de conseguir recuperar suas forças. A maioria dos especialistas coincide que é uma parada quase técnica, um tipo de tempo morto para recompor suas linhas antes de recomeçar. Mas, no meio de uma disputada campanha eleitoral entre três candidatos cujo primeiro assalto será resolvido no próximo dia 5 de outubro, a notícia da recessão teve o efeito de um tijolo jogado no meio de um tanque. Os candidatos Marina Silva, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Aécio Neves, do mais conservador Partido Social-Democrata Brasileiro (PSDB) se apressaram a acusar a presidenta Dilma Rousseff de não reconhecer seus erros e de ter levado o país a um beco sem saída. Neves foi explícito: “A senhora vai entregar um Brasil pior do que encontrou e isso acontece pela primeira vez em nossa história moderna.”

Gestão sem ética é indigestão

 

A ferramenta de monitoramento das redes da Fundação Getulio Vargas tem mostrado com eloquência que os temas da transparência e do combate à corrupção vieram para ficar.

Assim, análises que atribuíam a ascensão de Marina Silva à sua superexposição de mídia ficaram prejudicadas. O buraco é mais embaixo.

Além de uma demanda histórica por ética na política, há a figura da própria Marina. Sua biografia é mais eloquente que qualquer discurso ou marquetagem eleitoral. Querem um teste? Suprimam o som dos debates televisivos e perguntem a um popular quem lhe parece mais confiável entre os candidatos.

Assim como qualquer cidadão brasileiro que vive de sua profissão, Marina foi seringueira, doméstica e professora antes de ser política. Como qualquer um de nós, que vive de seu trabalho e tem um nome a zelar, ao contrário do “caçador de marajás” ou do que denunciou “os 300 picaretas” antes de se juntar a eles. Como diz o ditado popular, “diz-me com quem andas, e eu te direi quem és!"

O eleitor resolveu cobrar o que fizeram Lula, Collor, Dilma e até mesmo Aécio Neves, noves fora a vida de políticos profissionais. Já buscaram o pão com o suor do rosto ou sempre viveram às custas do poder público?

Quanto mais os analistas criticam a candidata por não ter jogo de cintura e não abrir mão de seus princípios e valores, mais a sua figura ascética ganha adesão. Não consideram que talvez o país esteja cansado de indistinção moral, da geleia geral das coalizões espúrias e das alianças de bordel.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Urna na visão política




O papel de Dilma


Petrobras, Correios, IBGE. Maltratadas pela ingerência do governo, instituições que até pouco tempo eram sinônimos de orgulho, confiança e credibilidade, foram postas na berlinda. Roubadas, abusadas e desrespeitadas, elas sofrem as consequências do perverso modus operandi do PT que, em seu benefício, se apossa do patrimônio do país.

A mancha do petróleo


A principal vítima do escândalo causado pelas confissões explosivas de Paulo Roberto Costa é o Partido dos Trabalhadores. Sempre que sentiu um perigo eleitoral, o PT escudou-se na Petrobras. 

O Governo do Brasil está ferido por uma novidade que percorre a região: a bonança internacional, que permitiu a distribuição das receitas extraordinárias, começou a diminuir. Na última década, os que exerciam o poder pareciam imbatíveis. Hoje estão vulneráveis. Também estão em risco a Frente Ampla no Uruguai e o kirchnerismo na Argentina. O declínio vem sempre acompanhado de escândalos de corrupção. Nada surpreendente. Quando os recursos escasseiam, as sociedades se tornam mais sensíveis à ética.

O tamanho do pré-sal



Não usar a riqueza do pré-sal seria uma estupidez, usá-la para iludir a Nação é uma indecência. As estimativas para as reservas do pré-sal podem não ser exatas, mas não são mitos, são resultados de pesquisas geológicas; a exploração na sua profundidade não é um mito, a engenharia dispõe de ferramentas; a crença de que pode ser feita sem riscos para a ecologia não é um mito, embora haja exemplos de vazamentos em campos similares; a expectativa de que a demanda e os preços continuarão altos não é um mito, apesar das novas fontes.

Mito, contudo, é a afirmação de que o pré-sal mudará a realidade brasileira.

Se tudo der certo, em 2036 a receita líquida prevista do setor petrolífero corresponderá a R$ 100 bilhões, aproximadamente R$ 448 por brasileiro, quando a renda per capita será de R$ 27,8 mil, estimando crescimento de 2% ao ano para o PIB. Apesar da dimensão da sua riqueza, o pré-sal não terá o impacto que o governo tenta passar. Explorá-lo é correto, concentrar sua receita na educação é ainda mais correto, mas é indecente usar o pré-sal como uma ilusão para enganar a Nação e como mecanismo para justificar o adiamento de investimentos em educação.