sábado, 20 de dezembro de 2014
Marido também levou os seus milhões
A presidente não pode negar, por exemplo, que não é da sua responsabilidade a nomeação de Graça Foster para a Petrobrás, uma dirigente que se mostrou incompetente e desastrada no comando da empresa. No período de dezembro de 2010 a dezembro deste ano, Foster conseguiu até então o inimaginável: desvalorizou a Petrobrás em 80,4%. Além disso, ainda mentiu cinicamente na CPI quando disse desconhecer as falcatruas na empresa, agora desmascarada pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca que diz que ela foi informada de tudo por mensagens na internet.
Graça, que é chamada carinhosamente de Graciosa pela presidente, conheceu a Dilma quando ela exercia o cargo de secretária de Energia do Rio Grande do Sul, quando ambas cuidaram do gasoduto Bolívia/Brasil (Gasbol), parceria que envolveu a BP e a Shell. De lá pra cá viraram amigas e confidentes.
Dilma também é amiga de Colin Vaughan Foster, marido de Graciosa, de quem herdou o sobrenome. Colin é figura carimbada na Petrobrás. Frequenta com intimidade e desenvoltura os gabinetes dos diretores no suntuoso prédio da Avenida Chile, no Rio. Só nos últimos três anos, a C. Foster assinou 43 contratos com a estatal, dos quais 20 sem licitação para fornecer componentes eletrônicos para a área de tecnologia, exploração e produção.
Graça Foster, se sair amanhã da Petrobrás por causa dos escândalos, não tem do que se queixar. Além de gozar de todos os benefícios de uma rica aposentadoria com direito a bônus e salário integral, ainda terá uma vida confortável ao lado de Foster. A empresa do maridão, a C. Foster Serviços e Equipamentos faturou R$ 614 milhões com a Petrobrás nos 43 contratos assinados.
Colin Foster circula livremente pelos corredores da empresa apresentando-se como marido de Graciosa. Faz lobby em todos os setores e a sua empresa alimenta uma série de outras que formam um cartel no fornecimento de equipamentos. O casal é íntimo da presidente.
Leia mais artigo de Claudio Humberto
E dizem Natal sem fome
A desnutrição ainda atinge cerca de 52 milhões de pessoas (25,8% dos brasileiros) sem contar os 7% famintos
Parlamentares brasileiros $uperam europeus
Aumento salarial aprovado pela Câmara dos deputados faz com que parlamentares brasileiros não só ganhem mais que presidente, como também superem os deputados do Parlamento italiano, os mais bem pagos da Europa.
O projeto de reajuste salarial de deputados e senadores, aprovado nessa quarta-feira pela Câmara dos Deputados eleva os vencimentos dos parlamentares dos atuais R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil. A proposta ainda tem que receber aval do Senado para que os reajustes passem a vigorar em 2015. Caso aprovado, o reajuste fará com que os deputados brasileiros tenham pagamento básico bruto anual equivalente a quase 130 mil euros, cerca de 5 mil euros anuais a mais que os vencimentos brutos básicos dos deputados do Parlamento italiano, os mais bem pagos da Europa.
No continente, os integrantes do Bundestag, o Parlamento alemão, também estão bem colocados na lista dos que recebem os melhores salários básicos (que não inclui os benefícios, como verba de gabinete , assessores, viagens e outros extras, que diferem de acordo com o país). Os alemães recebem 8.020,53 euros mensais, somando 96.240 euros no ano em vencimentos básicos brutos. Em janeiro de 2015, a quantia será reajustada para 9.082 euros, perfazendo um salário anual de 108.984 euros brutos – dos quais cerca de 43% são descontados em imposto de renda.
Os legisladores austríacos também não podem reclamar. Eles ganham anualmente quase 104 mil euros em vencimentos básicos brutos, sendo que recebem aumento em 2015, quando passam a ganhar 120,62 mil euros anuais. Os britânicos ganham o equivalente a cerca de 84,5 mil euros por ano.
França e Suécia pertencem aos países cujos salários dos deputados estão na faixa média europeia, com, respectivamente cerca de 85 mil euros e 85 mil euros brutos anuais.Leia mais
Desfecho melancólico
Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial.
A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.
Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.
A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.
Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.
Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.
Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.
No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.
Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”
No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.
Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”
Quem blinda quem?
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| Ilustração de John Vernon Lord |
Humpty
Dumpty sat on a wall.
Humpty Dumpy had a great fall.
All the king’s horses and all the king’s men
Couldn’t put Humpty together again.
Humpty Dumpty, o ovo com rosto, braços e pernas, sentava
muito pimpão no muro alto, apesar dos conselhos para que não o fizesse, dada
sua fragilidade.
Mas teimoso e arrogante, não havia meio do bom senso ocupar
por um átimo que fosse, sua cabeça. E deu no que deu: caiu, espatifou-se e nem
todos os cavalos do rei e nem todos os homens do rei puderam juntar seus
pedaços outra vez.
Quem já leu Alice no País das Maravilhas com certeza sabe
que Humpty era presunçoso e, certamente, procura não copiar seus malfeitos. Mas
há quem tenha lido e sofra do mesmo mal, teimosia misturada com arrogância.
Esses certamente cairão do muro.
Já em Lula no Brasil das Maravilhas quem foi colocada no
alto do muro foi a Petrobras: inesquecível a cena de Lula com as mãos sujas de
óleo a dizer ao Brasil que daquele momento em diante seríamos autossuficientes
em petróleo.
E o pré-sal? Que Lula anunciou como se fosse tão simples
retirá-lo do fundo do oceano que os estados e municípios “pre-saleiros” quase
entraram em guerra para saber quem ficaria mais rico?
A essa altura não cabia à Graça Foster refutar o presidente
da República, mas quando dona Dilma assumiu a Presidência da República e a
nomeou para a presidência do Conselho da Petrobras, aí ela passou a ser responsável
por todos os comunicados que se referissem à empresa e devia ter explicado
porque não somos autossuficientes em petróleo e porque o pré-sal ainda é sonho
distante.
A Imprensa, tratada como inimiga da hora, quando foi ela que
fez o Lula, passou a ser vista como a aloprada que precisa ser regulada. É
sempre assim: os nossos defeitos são dos outros.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Covil da quadrilha
Pior do que o atual, só o próximo
E a reforma política, cantada em prosa e verso durante a recente campanha presidencial? Saiu pelo ralo, porque nem Dilma Rousseff tocou outra vez no tema, nem o Congresso aproveitou o final de mandato senão para votar, ao menos para equacionar o trabalho da próxima Legislatura. Sequer o Supremo Tribunal Federal deu continuidade ao julgamento que proíbe empresas privadas de doarem recursos para as campanhas. Os três poderes da República demonstraram não falar a sério quando levantaram a ponta do tapete da reforma política, preferindo deixar a sujeira debaixo dele.
A presidente da República chegou a anunciar a disposição de ver convocada uma Assembleia Constituinte exclusiva, aliás, uma grossa bobagem, mas sentindo a impossibilidade jurídica da proposta, esqueceu da reforma propriamente dita.
Deputados e senadores reeleitos sob a promessa de mudarem regras eleitorais e institucionais demonstram que não falavam a sério. Afinal, seria suicídio alterar a legislação que serviu para preservar seus mandatos.
Na mais alta corte nacional de justiça, quatro votos já haviam sido dados pela proibição das doações empresariais, mas há mais de seis meses que o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e engavetou sua opinião.
Em suma, nada de novo sob o sol. As campanhas continuarão à mercê de operações de compra e venda, quer dizer, os eleitos beneficiados pelas doações pagarão aprovando projetos de interesse dos doadores. A diminuição do número de partidos esbarra na lambança do aluguel oferecido pelas pequenas legendas a quem se dispuser pagar mais. Do voto distrital não se cogita porque levará o eleitor a cobrar mais empenho dos eleitos.
Nem se pensa na revogação da reeleição, que como regra dobra o tempo de permanência dos governantes no governo, precisamente pelo uso imoral das estruturas do poder. Acabar com a triste figura dos suplentes de senador significa suprimir sinecuras e obrigar os senadores eleitos a trabalhar. Mudar a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal equivale a tirar do Executivo a possibilidade de escolher juristas amigos e amestrados. Trocar o presidencialismo pelo parlamentarismo seria fechar as portas para o caudilhismo.
E assim por diante, ou seja, ninguém quer mudar nada capaz de alterar privilégios e distorções. Razão tinha o dr. Ulysses quando sentenciou que pior do que o atual Congresso, só o próximo…
Posse pra 'cumpanheirada'
O PT prepara uma verdadeira operação de guerra para evitar um vexame de pouco público na posse do segundo mandado de Dilma, em 1º de janeiro de 2015.
Pelas redes sociais e nos blogs alinhados ao governo federal, o partido montou uma ostensiva campanha convocando os militantes a comparecerem a Brasília, além de determinar aos diretórios municipais que organizem caravanas. Segundo o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral, para contrapor as manifestações previstas da oposição, a meta é conseguir mais de 10 mil militantes.
O motivo do medo é a avalanche de notícias ruins para a presidente: escândalo de corrupção na Petrobrás, desempenho pífio na economia e a derrota de diversos aliados nas últimas eleições. Na avaliação dos petistas, não há clima para uma grande festa espontânea.
Ainda por cima, o Distrito Federal não deve ter o tradicional réveillon por falta de verba, devido à desastrosa administração petista de Agnelo Queiroz. A cada ano, Brasília reunia na Esplanada em torno de 200 mil pessoas. O cancelamento da festa ainda ajuda o esvaziamento das festividades da posse, que o PT garante que serão bancadas pelo partido, ou seja, pelos milhões das propinas. Partidão rico é outra coisa.
Dupla do barulho
Legado da Copa foi um tremendo 171
Parece que foi no Paleolítico, mas se passaram menos de seis meses. Lembram como fomos bombardeados por sucessivas falácias sobre a “Copa das Copas” (sic), enaltecendo legados e vantagens? Era dia sim, outro também. Os estádios seriam grandes gatilhos para o desenvolvimento regional, o turismo explodiria, a cultura descentralizaria (essa pérola, como muitas outras, foi do ministro dos Esportes, o mesmo parlapatão que elogiou recentemente Eurico Miranda, déspota sem freios).
Quem se atrevesse a questionar era tachado de derrotista, de vendido aos interesses da oposição e outras gracinhas. Não adiantava argumentar com números e dados assustadores sobre o custo da farra. O que importava era a festa e as imagens que ela geraria, armazenadas para a campanha eleitoral que se aproximava. Os 7 a 1 enterraram os megalomaníacos.
Levantamento feito pela Folha de São Paulo mostra o que aconteceu com os estádios construídos para a Copa. A Arena da Amazônia, por exemplo, construída pela bagatela de R$ 669,5 milhões, abrigou apenas 4 partidas depois da Copa, com ocupação média por jogo de pouco mais de 30%. O Mané Garrincha, em Brasília, teve 5 jogos, com ocupação média de 37%. E por aí vai. Com exceção do Mineirão e do Itaquerão, todos os demais estádios tiveram ocupação média por jogo inferior a 50%.
Nos lugares mais afastados, só se programam partidas por conta da maluquice suspeita dos responsáveis pelo futebol brasileiro. Tradução: foram superdimensionados, com farta aplicação de recursos públicos. Dois deles, no Amazonas e em Mato Grosso, vão ser privatizados. Para aguentar os pesadíssimos custos de manutenção, as administrações dos estádios estão alugando os espaços para festinhas infantis, casamentos coletivos, shows, encontros corporativos, etc.
A Arena Pantanal, em Cuiabá, chegou a ser alugada para lançamento de um condomínio! Tudo cheira mal, muito mal, como se, antes da Copa, não existissem equipamentos urbanos para a realização de bar-mitzvás e casamentos. Jogaram na goela do povo um paraíso esportivo que não se concretizou. Agora, bem no estilo nacional, estão tentando dar um jeitinho.
A goleada não foi apenas da Alemanha. Tomamos a maior surra da turma 171, sempre generosa com recursos de terceiros. Brasilsilsil!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Lula manda e Dilma tem que obedecer
A confusão no Triângulo das Bermudas (Planalto, PT e Instituto Lula) é como a antiga anistia – ampla, geral e irrestrita. Em meio à derrocada do esquema de sustentação do poder via corrupção na Petrobras e em outras fontes como o mensalão, a presidente Dima Rousseff agora se omite e deixa o barco ir à matroca, como se dizia antigamente, enquanto um desgastado e repetitivo Lula volta à cena para retomar indiretamente o poder e mostrar quem está no comando.
Depois do desmoralizante discurso do procurador-geral Rodrigo Janot, Lula já mandou a ex-gerentona demitir a diretoria da Petrobras e ela vai obedecer, claro. Mas Dilma está na mesma situação que enfrentou no Ministério da Fazenda. Também no caso da Petrobras, ela procura um nome de respeito, que inspire confiança e seja inacatável, mas não encontra ninguém que aceite o sacrifício. Portanto, da mesma forma como Lula mandou que Dilma aceitasse Joaquim Levy, que estava no terceiro escalão do Bradesco, agora ele vai indicar o novo presidente da Petrobras.
Ao mesmo tempo, o ex-presidente quer preencher todos os espaços, mudar a direção do PT e criar no partido o que ele intitulou de “gabinete da crise”, embora nem mesmo ele saiba o que seja isso e como funcionaria, é apenas um “factóide”.
O fato que desponta sem a menor dúvida é que Dilma Rousseff naufragou. Quando se pensava que ela enfim iria se consolidar no poder, livrando-se da incômoda e persistente influência de Lula, ocorre justamente o contrário. A criatura se mostra fraca e omissa, o criador agradece e retoma o poder.
Mas a realidade é dura. Por mais que Lula tente consertar as coisas, a situação já fugiu inteiramente ao controle, o prestígio do governo junto à opinião pública independente, digamos assim, já é zero. A grande imprensa mostra um governo em ruínas, em meio a uma gravíssima crise econômica e moral. O governo só é defendido pelos sites e blogs sustentados pela máquina federal, via Petrobras (olha ela aí de novo!), Banco do Brasil e Caixa Econômica. E a tendência é piorar.
Leia mais o artigo de Carlos Newton
Depois do desmoralizante discurso do procurador-geral Rodrigo Janot, Lula já mandou a ex-gerentona demitir a diretoria da Petrobras e ela vai obedecer, claro. Mas Dilma está na mesma situação que enfrentou no Ministério da Fazenda. Também no caso da Petrobras, ela procura um nome de respeito, que inspire confiança e seja inacatável, mas não encontra ninguém que aceite o sacrifício. Portanto, da mesma forma como Lula mandou que Dilma aceitasse Joaquim Levy, que estava no terceiro escalão do Bradesco, agora ele vai indicar o novo presidente da Petrobras.
Ao mesmo tempo, o ex-presidente quer preencher todos os espaços, mudar a direção do PT e criar no partido o que ele intitulou de “gabinete da crise”, embora nem mesmo ele saiba o que seja isso e como funcionaria, é apenas um “factóide”.
O fato que desponta sem a menor dúvida é que Dilma Rousseff naufragou. Quando se pensava que ela enfim iria se consolidar no poder, livrando-se da incômoda e persistente influência de Lula, ocorre justamente o contrário. A criatura se mostra fraca e omissa, o criador agradece e retoma o poder.
Mas a realidade é dura. Por mais que Lula tente consertar as coisas, a situação já fugiu inteiramente ao controle, o prestígio do governo junto à opinião pública independente, digamos assim, já é zero. A grande imprensa mostra um governo em ruínas, em meio a uma gravíssima crise econômica e moral. O governo só é defendido pelos sites e blogs sustentados pela máquina federal, via Petrobras (olha ela aí de novo!), Banco do Brasil e Caixa Econômica. E a tendência é piorar.
Leia mais o artigo de Carlos Newton
O cadáver global
A corrupção, com suas mais variadas e sofisticadas máscaras, é o cadáver global em fase de decomposição que mais aproxima os cidadãos de todo mundo.
J. Ernesto Ayala
Maior escândalo vai estourar no BNDES
É raro achar um político que goste do procurador Helio Telho Corrêa Filho. Além de já passado pelo Ministério Público Eleitoral em Goias, deixando estragos em várias candidaturas com gastos suspeitos nas eleições de 2004 e 2006, ele usa as redes sociais para dizer o que pensa — e geralmente o que ele pensa é o antônimo do que um questionável ocupante de cargo público consideraria um elogio.
Dessa forma, ele consegue a antipatia de partidários de todas as correntes. Ser tido por tanta gente diversa como “persona non grata” não parece lhe incomodar. Sobre a crise da Petrobras, Telho diz que o pior ainda está por vir, diz ele. “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU [Tribunal de Contas da União] investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”, alerta o procurador, que estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.
— O sr. diz que se surpreende que as coisas tenham crescido. A coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado, e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?
Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais. A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancando com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado. É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.
— E os financiamentos para obras no exterior?
O dinheiro para financiar obras em Cuba, por exemplo, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? Então, o que vemos é como se tivessem arando o terreno fértil, colocando adubo e semeando corrupção. Será que ela vai nascer? É evidente que vai! Portanto, nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção na República, desta vez no BNDES.
Leia mais a transcrição do Jornal Opção, de Goiás
Dessa forma, ele consegue a antipatia de partidários de todas as correntes. Ser tido por tanta gente diversa como “persona non grata” não parece lhe incomodar. Sobre a crise da Petrobras, Telho diz que o pior ainda está por vir, diz ele. “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU [Tribunal de Contas da União] investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”, alerta o procurador, que estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.
— O sr. diz que se surpreende que as coisas tenham crescido. A coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado, e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?
Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais. A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancando com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado. É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.
— E os financiamentos para obras no exterior?
O dinheiro para financiar obras em Cuba, por exemplo, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? Então, o que vemos é como se tivessem arando o terreno fértil, colocando adubo e semeando corrupção. Será que ela vai nascer? É evidente que vai! Portanto, nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção na República, desta vez no BNDES.
Leia mais a transcrição do Jornal Opção, de Goiás
Frases cretinas
O suicídio dos dinossauros
Jogando com um baralho viciado para assar a pizza, a Petrobras e as empreiteiras estão flertando com a ruína
Primeiro a má notícia: desde 2008, o valor de mercado da
Petrobras caiu de R$ 737 bilhões para R$ 114 bilhões. Virou pó uma quantia
equivalente a todos os investimentos previstos para a área de infraestrutura do
Brasil no segundo mandato da doutora Dilma. Agora, a péssima: a sangria vai
continuar. Investidores internacionais fogem do papel da empresa e o
contubérnio em que ela vivia com seus fornecedores abalou também as contas das
grandes empreiteiras nacionais. A Petrobras nunca mais será a mesma e pode-se
supor que alguns de seus grandes fornecedores nacionais deixarão de existir.
Desde o início do ano, quando apareceram as primeiras pontas
do escândalo, todos acreditavam que podiam assar a pizza jogando com um baralho
viciado. Essa crença foi resumida numa breve anotação de um diretor da Engevix.
Certo de que ninguém teria coragem de se meter com as empreiteiras, ele
escreveu: “Janot e Teori sabem que não podem tomar a decisão. Pode parar o
país.” Errou e seu vice-presidente está na cadeia. O procurador-geral Rodrigo
Janot e o ministro Teori Zavascki sabem quais decisões devem tomar. A
formulação da Engevix embute a ideia segundo a qual grandes empresas não correm
o risco de ter diretores na cadeia. É o too big to jail, uma variante do
conhecido too big to fail. Grandes corporações não podem quebrar (fail) nem
seus diretores acabar na cadeia (jail).
A fé na pizza teve sua razão de ser. A defesa das empresas
apanhadas no cartel ferroviário que agia em São Paulo conseguiu empurrar o caso
com a barriga por mais de dez anos. A Siemens, que denunciou a quadrilha da
qual fazia parte, chegou a ser ameaçada de processo pelo governo paulista. Bola
fora, pois a Siemens brasileira denunciou o cartel seguindo uma norma de
moralidade adotada por sua matriz alemã.
Até agora, a equipe do Ministério Público que cuida do caso
da Petrobras mostrou-se mais qualificada que as empresas. Se isso fosse pouco,
a investigação já tem três pontas no exterior. Uma na Holanda, outra na Suíça e
a terceira nos Estados Unidos. Essa foi a que pegou a Siemens, levando-a a se
tornar um padrão de nova conduta. O baralho viciado perdeu a eficácia. A
regulamentação da lei que trata da moralidade empresarial está na Casa Civil há
seis meses. Também não adianta.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
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