sábado, 10 de maio de 2014

Rede Pau nos Ratos

Cultura x manipulação

Ribeirão Preto, a 31ª cidade mais rica do país, com PIB per capita de R$ 30.209, abre este mês mais uma edição da tradicional Feira do Livro. Apesar do poderio econômico, o Cartão Livro entregue aos estudantes da rede pública não chega nem perto do que a prefeitura de Maricá ofereceu aos alunos. Enquanto os paulistas darão R$ 18 (Estado) e R$ 16 (prefeitura), a vilazinha fluminense esbanjou com farta distribuição de vale livro que ia de R$ 50 a R$ 200 numa apelidada Feira Literária, que custou R$ 1 milhão. Depois não se diga que foi mais uma manobra eleitoreira maricaense. Ainda mais porque a feira no Rio de Janeiro não tem mais seguimento.

Metrô de boca

A presidente Dilma, pela terceira vez consecutiva, em Curitiba, anunciou a liberação de verbas para o metrô curitibano. As demais visitas foram feitas em 2011 e em outubro do ano passado pelo mesmo motivo, mas agora com o governo aliado do pedetista Gustavo Fruet o custo da obra ficou mais vitaminado, passando para R$ 4,5 bilhões, quando já foi de R$ 1 bilhão, na primeira promessa, e de R$ 1,8 bilhão, na segunda. No entanto, apesar de ser o maior investimento da capital paranaense, ainda sequer saiu do papel. 

Arena de ouro

A Arena da Baixada,estádio do Atlético Paranaense e uma das sede da Copa, foi muito bem aquinhoada pelo governo. Foram financiados pelo poder público 88% da reforma, até o que se tem notícia. E quem disse que a Copa não custaria um centavo público? 


Mais candidatura

Apesar da vergonha mundial junto à Fifa, o Brasil, que não tem nenhuma, resolveu também se candidatar para sediar o Mundial de Clubes em 2017/2018 e de quebra o Mundial de futebol de areia em 2017. E tome de abrir a torneira do Erário para novas construções.

Merenda a preço de ouro

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) condenou o ex-prefeito de Belford Roxo, Alcides de Moura Rolim, a devolver aos cofres públicos o valor de R$ 47.938,56 (equivalente a 18.819,36 Ufir-RJ) pagos a mais em contrato superfaturado com a empresa I.R. Gomes Villar. Em 2009, para abastecer por 66 dias a merenda de escolas e creches municipais, o governo gastou R$ 1.121.136,04. Entre os gastos estavam o quilo da banana prata extra contratado por R$ 2,75, quando no mercado custava R$2,58. A prefeitura comprou 4.500 quilos da fruta, pagando um total de R$ 123.750,00 quando poderia ter desembolsado R$ 116.100,00 uma diferença de R$ 7.650,00 pagos a mais. O quilo da maçã extra, adquirido por R$ 3,95, custaria, segundo a pesquisa de mercado, R$ 2,54. A compra de 6 mil quilos da fruta custou aos cofres de Belford Roxo R$ 23.700,00 uma diferença de R$ 8.460,00 a mais se comparado com os preços cotados no mercado.

Mais ex-prefeito punido


Outro multado pelo mesmo TCE-RJ foi o ex-prefeito de Cabo Frio, Marcos da Rocha Mendes. A multa de R$ 12.736,50 se deveu por irregularidades no repasse de R$ 125 mil à Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio para realização do evento Feira Forte 2007. O ex-prefeito não apresentou documentos e esclarecimentos necessários à aprovação da subvenção concedida pela prefeitura à associação comercial  e também não soube explicar por que o dinheiro repassado pelo município foi integralmente usado na montagem do evento Feira Forte 2007. O art. 12 da Lei 4.320/64, só permite a transferência de recursos – por meio de subvenção – para cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas.

Revolução social de mentirinha


O PT tem enganado muita gente desde que assumiu o poder. O partido do social cada vez mais se tornou o partido do voto. Em vilazinhas como Maricá, chegou mesmo a emplacar o slogan de “Aqui o povo governa”. Só se for o povo da rua, empregado em massa para as quase 30 secretarias, e quase 96 subsecretarias, divididas em feudos entre os edis com uma reserva estratégica para atender aos privilegiados mais confiantes como secretaria de Governo e Gabinete do Prefeito.
O socialismo de fachada se tornou um chamariz para os incautos e emprego para os imbecis, dispostos a tudo pelo trocadinho mensal do Erário. E governos dessa laia se dispuseram a lotear terrenos, privilegiando imobiliárias, distribuindo fartamente moedas ditas sociais ou esmola anti-miséria como o bolsa família, cujo valor fica abaixo do considerado como ganho miserável pela Unesco.
O novo escândalo, entre os muitos por vir, revela a cafagestada de um partido de trambiqueiros em nome do social. O prefeitinho chegou a servir de garoto propaganda de uma imobiliária, abriu espaço na home da Prefeitura para anunciar o grande negócio de casas e apartamentos vendidos através do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Isso foi em 2011 e agora surge a notícia que a empresa tão privilegiada faliu.
As obras que deveriam começar em novembro daquele ano até hoje não se iniciaram e a incorporadora está fazendo propostas indecorosas para a devolução do dinheiro. Foi o primeiro dos muitos calotes previstos no setor, que está com vendas zero no município.
Essa é apenas uma parte da revolução socialista anunciada pelos petistas, que continuam a governar como outras gestões, apostando apenas no factóide, na mentira, no falso asfalto, na instalação de canos (para quando chegar a água), enfim, nas obrinhas de sempre que deveriam ser obrigação de quem está no governo, como em países sérios, e não dádivas governamentais a orgulhosos puxa-sacos. É a governabilidade de dar para receber, em votos.
O socialismo revolucionário, a ponto de nunca aplicar um centavo no verdadeiro atendimento à população, esbanja milhões em propagar uma maravilha de gestão. Não há hospital digno em instalações ou material para os doentes; há postos de saúde despencando e sem mínimas condições (alguns receberam uma demão de tinta, e só, para dar a sensação de mudança); não construiu novas escolas, adaptaram casas para tanto (contra a legislação é claro), distribuiu laptops, mas faltam material escolar, uniforme e o ensino é pra burro com cartilha cheia de erros. Insiste em estimular o emprego, mas apenas com promessas, pois nunca investiu em trazer indústrias ou em projetos de grande empregabilidade numa população que divulgam estar na casa dos 150 habitantes, muito maior do que grandes cidades no mundo.
O comércio foi entregue às moscas sem um programa de estímulo, organização de tráfego, fim da camelotagem, calçadas trafegáveis. O passo o ponto se tornou uma constante no atual governo, que insiste estar trazendo grandes nomes comerciais, mas sem qualquer contrapartida de uma melhoria urbana e transportes públicos adequados.
Fica difícil acreditar numa revolução social quando o que se tem é um saco de mentiras, outro saco de bobagens e muita ratazana comendo do bom e do melhor às custas do povo. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Cenário de incertezas

Se a primeira década do século favoreceu o crescimento econômico e promoveu as lideranças políticas da América Latina, o cenário de curto prazo para a região não será dos mais fáceis. A queda dos preços internacionais das commodities e a mudança da política monetária americana empurram países latino-americanos a uma encruzilhada. Mesmo com a atividade mais acelerada no México e nos Andes, a América Latina já não vive mais um "superciclo" favorável. Nenhum de seus países vai dispor da mesma margem de manobra macroeconômica que teve para enfrentar a crise financeira de 2008.
Leia na íntegra o artigo "Cenário econômico para a América Latina é de incertezas à frente"

Eureka!


Eco social

(Eco dum Fado roufenho na telefonia dum táxi)

Vede, vede
o triste sudário
desta gente que até suja as próprias dores!
Apenas musgo involuntário
numa parede
onde mijam os Senhores

José Gomes ferreira

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mais uma merreca de fantasia


O Centro de Artes e Esportes Unificados, obra do governo federal, em Maricá, ainda não foi inaugurado - ao menos não houve qualquer notícia sobre isso. São 3 mil m² de área que os governos pretendiam em janeiro que fosse aberta o mais rapidamente possível. Mesmo sem inauguração, o CEU já oferece cursos como o de capoeira, mas a biblioteca, que junto com o cineteatro e a sala de auviovisual compõe a base da unidade, continua às moscas literalmente com uma merrequinha de livros jogados em estantes. E a julgar pelo espaço destinado à biblioteca, haverá pouca oferta de livros, uma vez que o local possui apenas seis estantes modulares.

Nada consta


"Programa de partido ninguém lê e, se lê, perde tempo. Se lê e acredita, cretiniza-se"
Elio Gaspari

O Brasil está com ódio de si mesmo

O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento. Não é uma fase transitória; nos últimos 12 anos, os donos do poder estão a criar um sinistro “espírito do tempo” que talvez seja irreversível. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e agora um desenvolvimentismo fora de época. A velha “direita”, o atraso feudal de nossos patrimonialistas, sempre loteou o Estado pelos interesses oligárquicos.
Leia mais a íntegra do artigo de Arnaldo Jabor

quarta-feira, 7 de maio de 2014

PT saudações

“O passado petista - que imagina ser eterno presente - terá de ser enfrentado democraticamente, mas com firmeza, para que seja respeitada a vontade das urnas”.
Marco Antônio Villa, historiador, no artigo Adeus PT

Discurso em Se...


(para uma cidade em dó maior)

Se houvesse interesse do governo pela cultura
Se os projetos culturais
não se resumissem ao bumbum-baticubum
Se escolas tivessem bibliotecas
e mais dignidade para os professores
Se pais (ah! com salários mais dignos),
fossem incentivados a ler para os filhos
Se biblioteca municipal fosse ponto de encontro
para os de 2 aos 80 anos
Se cultura tivesse tratamento vip em local seis estrelas
e não se encampassem, como “popularização”,
os tais projetos de rua.
Se escolas, prédios limpos e abertos,
fossem verdadeiros pólos para ler, pensar e sonhar
Se não se cometessem tantos crimes
em nome da Cultura,
se os livros tivessem vez em todos os prédios municipais,
se governantes e políticos se orgulhassem
de possuir bibliotecas,
ou que ao menos gostassem de ler livros;
as leis teriam justiça e políticos, respeito,
as crianças não ficariam nas ruas ao Deus dará,
e com prazer iriam à escola.

Se ler não fosse obrigação e aprisionamento,
mas prazer e liberdade;
e se as livrarias tivessem vez e voto na cidade...
Os doentes teriam melhor tratamento nos hospitais
e os velhos mais respeito em toda cidade;
as obras públicas seriam mais transparentes e adequadas;
o meio ambiente seria saneado
até com ruas arborizadas.
Cultura seria fonte de renda como em cidades civilizadas,
o povo seria dignificado
para ocupar seu lugar de direito,
dono, patrão e senhor da vida pública
William Blake foi poeta, pintor
e tipógrafo inglês que viveu na época 
das revoluções Americana e Francesa

Eis a política

“...fingir ignorar o que se sabe e saber o que se ignora; entender o que não se compreende e não escutar o que se ouve; sobretudo, poder acima de suas forças; ter frequentemente como grande segredo o esconder que não se tem segredos; fechar-se num quarto para talhar penas, e parecer profundo quando se é apenas, como se diz, oco e vazio; desempenhar bem ou mal um papel; espalhar espiões e pagar pensões a traidores; amolecer sinetes, interceptar cartas e procurar enobrecer a pobreza dos meios pela importância dos objetivos: eis toda a política, ou então morra eu!”
Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732/1799) foi autor teatral francês, mas também secretário, diplomata e agente secreto de Luís XV

terça-feira, 6 de maio de 2014

Pra inglês ver



“Pobre Dilma Rousseff. A presidente do Brasil projeta a aura tediosa de eficiência da (chanceler alemã) Angela Merkel, mas com a performance dos Irmãos Marx. Os atrasos nos preparativos para a Copa do Mundo já embaraçaram o país, enquanto a preparação para as Olimpíadas de 2016 é ‘a pior’ que o comitê internacional já viu. A economia também está numa depressão. O Brasil, que já foi o queridinho do mercado, tem perdido o interesse do investidor. O país precisa de um choque de credibilidade. Se Dilma não o fizer, a eleição presidencial de outubro fará.”
Editorial de segunda-feira do jornal britânico Financial Times 

A fábula da corrupção

A que ponto chegamos!

Eu, como boa parte dos leitores de jornal, nem aguento mais ler as notícias que entremeiam política com corrupção. É um sem-fim de escândalos. Algumas vezes, mesmo sem que haja indícios firmes, os nomes dos políticos aparecem enlameados. Pior, de tantos casos com provas veementes de envolvimento em "malfeitos", basta citar alguém para que o leitor se convença de imediato de sua culpabilidade. A sociedade já não tem mais dúvidas: se há fumaça, há fogo.
Não escrevo isso para negar responsabilidade de alguém especificamente, nem muito menos para amenizar eventuais culpas dos que se envolveram em escândalos, nem tampouco para desacreditar de antemão as denúncias. Os escândalos jorram em abundância, não dá para tapar o sol com peneira. O da Petrobrás é o mais simbólico, dado o apreço que todos temos pelo que a companhia fez para o Brasil. Escrevo porque os escândalos que vêm aparecendo numa onda crescente são sintomas de algo mais grave: é o próprio sistema político atual que está em causa, notadamente suas práticas eleitorais e partidárias. Nenhum governo pode funcionar na normalidade quando atado a um sistema político que permitiu a criação de mais de 30 partidos, dos quais 20 e poucos com assento no Congresso. A criação pelo governo atual de 39 ministérios para atender às demandas dos partidos é prova disso e, ao mesmo tempo, é garantia de insucesso administrativo e da conivência com práticas de corrupção, apesar da resistência a essas práticas por alguns membros do governo.
 Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente e o único sociólogo a ocupar tal cargo em todo o mundo. Veja a íntegra aqui

segunda-feira, 5 de maio de 2014

É preciso mudar


"Você tem de sentir a dor e reformar ao mesmo tempo. Não dá para passar por uma desaceleração econômica sem mudar o comportamento das pessoas e do governo"
Stephen Jen, ex-economista do FMI, em entrevista aqui


Tudo se perdendo

Rede Pau nos Ratos

Merenda a preço de ouro

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) condenou o ex-prefeito de Belford Roxo, Alcides de Moura Rolim, a devolver aos cofres públicos o valor de R$ 47.938,56 (equivalente a 18.819,36 Ufir-RJ) pagos a mais em contrato superfaturado com a empresa I.R. Gomes Villar. Em 2009, para abastecer por 66 dias a merenda de escolas e creches municipais, o governo gastou R$ 1.121.136,04. Entre os gastos estavam o quilo da bana prata extra contratado por R$ 2,75, quando no mercado custava R$2,58. A prefeitura comprou 4.500 quilos da fruta, pagando um total de R$ 123.750,00 quando poderia ter desembolsado R$ 116.100,00 uma diferença de R$ 7.650,00 pagos a mais. O quilo da maçã extra, adquirido por R$ 3,95, custaria, segundo a pesquisa de mercado, R$ 2,54. A compra de 6 mil quilos da fruta custou aos cofres de Belford Roxo R$ 23.700,00 uma diferença de R$ 8.460,00 a mais se comparado com os preços cotados no mercado.

Mais ex-prefeito punido


Outro multado pelo mesmo TCE-RJ foi o ex-prefeito de Cabo Frio, Marcos da Rocha Mendes. A multa de R$ 12.736,50 se deveu por irregularidades no repasse de R$ 125 mil à Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio para realização do evento Feira Forte 2007. O ex-prefeito não apresentou documentos e esclarecimentos necessários à aprovação da subvenção concedida pela prefeitura à associação comercial  e também não soube explicar por que o dinheiro repassado pelo município foi integralmente usado na montagem do evento Feira Forte 2007. O art. 12 da Lei 4.320/64, só permite a transferência de recursos – por meio de subvenção – para cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas.

sábado, 3 de maio de 2014

O que não pode faltar


Pode-se passar sem pão. Não se vive sem dignidade

Anônimo tunisiano

Dois e Dois são Quatro


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

Ferreira Gullar

Câmara dos expertos


Sonho de qualquer sociedade é ter, com orgulho, câmara de especialistas, homens sóbrios, sábios, sabedores das necessidades do povo, de como provê-las e principalmente com disposição política para ter iniciativa de realizar o que for preciso. Sonho dos sonhos que muita cidadezinha por este mundão de Deus quase chegou lá. Foram bem pertinho, todas sem um respingo de corrupção ou uma escarrada de descaso na cara do eleitor.
Mas há aí outras que nem conseguem chegar ao calcanhar dessas, reúnem apenas os espertos de 1001 utilidades. Como aquela câmara lá da vila de fim de linha, terra dos Patos, onde os regabofes supimpas são custeados pelo dinheiro do povo. Às vezes se faz de casa da luz vermelha, se vendendo por patacas. Mas o mais das vezes arma o circo. Também pudera com os integrantes que tem, é fácil armar barraca, ou melhor, tendinha. Vendem como banca de camelô qualquer iniciativa. Tudo sob as vistas de uma arquibancada de palhaços.
Os espertos até se fazem expertos disso ou daquilo, mas não têm como disfarçar a falta de educação e de formação. Uns até se pintam de edis da saúde, mesmo que da saúde só saibam aquela que vendiam em seus quiosques. Outros bancam a educação, que nunca tiveram nem terão. Uns também copiam de cabo a rabo leis estaduais e federais, colocam debaixo a assinatura e as transformam em municipais como criação única. São edis xerox. Ainda há quem se arvore estrategista de segurança pública – aí aparecem os tais “xerifes” – com o problema resolvido: vamos recorrer a quem sabe.
A Casa parece mesmo um antro de piadistas. E é. Só que muito bem pagos pelo Erário, com presença em duas sessões semanais que muitas vezes somadas não chegam a meia hora de trabalho suado. Para bancar a palhaçada, estão na platéia os palhaços, pagando impostos e trabalhando para que a turba de calhordas continue a usufruir a boa vida e muita grana.  

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Arthur Rubinstein toca Chopin


Minute Waltz Op. 64 No. 1 in D flat

E tá correndo o tempo!


“Temos uma corrupção desenfreada. O governo que deveria dar exemplo está atolado na corrupção. É o governo que, se fizer o que a presidente Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela”.

Paulinho da Força, deputado federal, nas comemorações do 1º de Maio, em São Paulo

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os corruptos sentem alguma coisa?


Os políticos são capazes de ter sentimentos? E os corruptos? A política deveria ser uma das artes mais nobres, já que sua finalidade é a busca da felicidade dos cidadãos que depositam sua confiança em seus representantes. É assim? Existe nela sentimentos ou só é feita de negociações frias, compromissos, intrigas e corrupções?
Em razão das últimas denúncias contra a empresa brasileira Petrobras, que foi orgulho mundial, temos visto nos meios de comunicação uma verdadeira dança de cifras de milhões de dólares que em boa parte poderiam ter acabado no bolso de quem deveria ter protegido uma empresa criada com o esforço de milhares de cidadãos.
É uma dança de zeros que se repete a cada vez nas já rotineiras acusações de corrupção política. Uma dança que revela o pouco apreço que existe pelo dinheiro público, fruto do esforço cotidiano de tantos trabalhadores e de pequenos empresários que trabalham quatro meses de graça para o Estado para pagar impostos. Para receber o quê em troca?

Rede Pau nos Ratos

As comemorações Dia do Trabalho, tão gratas aos políticos e governos brasileiros que transformam o feriado num bundalelê, praticamente apagam outra data que deveria ser lembrada: o Dia da Literatura Brasileira, que homenageia o aniversário de José Martiniano de Alencar (1829/1877). O romancista, jornalista, advogado, cronista, dramaturgo também foi político aguerrido e sabia bem o que dizia: “Queremos acabar com a impunidade, por isso devemos encorajar as instituições que combatem o crime dentro da lei.” 


Trabalho!? 

A grande mídia, em colunas, noticiou que Lurian Lula da Silva, a filha de Lula, conseguiu trabalho na “Maricá Já”, empresa de comunicação e eventos de Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), e sua mulher, Rosângela Zeidan. É interessante esse “trabalho” numa empresa que não tem sede, endereço, registro funcional ou CNPJ, igualzinho a camelô. Será que Lurian estaria trabalhando na informalidade ? Quem diria, filha de ex-presidente operária informal de prefeitinho, a mais de 800km de casa!

Pouso do urubu

Depois do badalado vídeo promocional, prefeito de Maricá aproveita para visitar os locais das “grandes realizações” anunciadas. Posou mesmo no alto de Ponta Negra, local para o teleférico. Segundo promessas, tudo estará pronto até o final do ano. Quem não pode (fazer), trapaceia, já dizia o ditado velho.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Que falta faz!


“Parece que a tendência dos políticos é para desprezar as verdadeiras necessidades do povo, desbaratando os dinheiros públicos em gastos desnecessários e obras de injustificada realização. O bom senso parecer ser a faculdade que mais falta faz ao país!”

Antonio da Silva Mello  (1886/1973), médico e ensaísta brasileiro

Derretimento de uma campanha

O êxodo por um governo

Dá mesmo o que pensar o êxodo haitiano do Acre. O governador petista, aproveitando a desgraça da cheia, humanitariamente, resolveu oferecer melhor destino aos refugiados. E escolheu logo São Paulo, maior capital do país, com grande oferta de empregos. Pergunta-se porque a escolha daquela cidade e não de enviar gente para outras também capacitadas a receber refugiados?
O gesto pareceria despercebido se não fosse a estranha coincidência de que com a enxurrada de refugiados se criaria um problemão para o governo paulista, adversário, e daria chance para que o candidato petista, envolvido em suspeita de transação mal resolvida, pudesse deslanchar e aparecer como salvador dos haitianos. Seria assim um defensor intransigente dos direitos humanos como é o governo federal, que vem empurrando o problema com a barriga. Mais um caso de direitos humanos que passa longe de qualquer tratamento pelos petistas, que criam um rosário de cargos e funções no setor, mas tudo de fachada.
Como o governo acreano não recebeu qualquer apoio federal, do próprio partido - a presidência levou mais de 40 dias para visitar o local da calamidade -, parece ter decidido em causa própria ajudar o companheiro na candidatura próxima. Nada melhor para um defensor dos direitos humanos do que despachar gente como gado para criar um abacaxi de presente aos paulistas. Com a bomba na mão, o candidato Alkmim se veria enredado em resolver o problema para não ficar com a pecha de um governante mal qualificado ao dar soluções humanitárias.
A solução acreana é digna de página maquiavélica como só é capaz a mente petista do qualquer crime por um governo. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pensamentos (in)diferentes

A notícia é bem clara: 20% da população brasileira atual nasceu antes de 1964. É um orgulho pertencer a uma elite, que pela idade deve estar lá por volta dos 1o%. Somos os sobreviventes de um outro país que do alto das suas dezenas de anos podem apreciar o antes, com o sonho, lembrar tristes o durante do sofrimento, e o agora vivenciar uma sabedoria. Pequena e particular mas de cada um de nós.
Claude Louis Sangáde 

Roda de samba


Carybé, pseudônimo do argentino Hector Julio Páride Bernabó (1911/1997)
 foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, 
muralista, pesquisador, historiador e jornalista brasileiro naturalizado

O boom do encalhe

Os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobras não só afetam a imagem e os negócios da empresa. Muita gente de fora se vê num dilema com a série de notícias envolvendo a estatal. Um dos setores atingidos é o imobiliário, principalmente em cidades próximas a projetos da Petrobras. Não adianta nem mais a enxurrada de promessas de governinhos petistas sobre o petróleo como alavanca do progresso de suas cidadezinhas dominadas. A compra e venda de imóveis, por exemplo, em cidades como Itaboraí e Maricá, ambas no Rio de Janeiro, praticamente estancou. Se teme um encalhe ainda maior no negócio se persistir (e parece que ainda vai durar muito) a crise na Petrobras.
Depois do boom com a descoberta dos poços do pré-sal e com o anúncio dos governos municipais de grandes investimentos imobiliários estrangeiros, os corretores estão em polvorosa com o número de negociações no setor que beiram a zero. Os preços dos imóveis até subiram além da conta, em comparação a outros municípios bem mais saudáveis sócio-economicamente, mas não mais se vende.
Os empresários alertam para o excesso de promessas governamentais que estão indo pelo ralo como outro grande motivo para a queda. Isso sem contar com as revelações das farsas municipais sobre investimentos, o que tende a piorar o panorama imobiliário. 
Maricá, por exemplo, que tem anunciado investimentos estrangeiros no setor, em parte devido às viagens de negócios do prefeitinho, com dinheiro público, bancando agente imobiliário de negócios privados, está com as empresas do setor praticamente às moscas. E ainda há outros voos da dupla governamental na agenda para “vender” mais negócios da China sem qualquer contrapartida para o município.

Recado do poder


“(...) Estamos convictos de que são culpados*. Culpados de serem governados, é claro. Mas é preciso que vocês mesmos se sintam culpados. E não se culparão enquanto não se sentirem cansados. A gente está cansando vocês, é tudo. Quando estiveram exaustos, o resto vai por si”
Alberto Camus, em “Estado de sítio”
* “Preciso de culpados”, dizia o imperador em "Calígula", do mesmo autor

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bertold Brecht

Quem me defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar
ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
o mesmo parágrafo silencia
quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
não lhe é permitido se defender.

Arquitetura e o poder

Aquário municipal lembra o Congresso, outro símbolo do Poder

A recente divulgação de vídeo promocional de Maricá (RJ), essa Vila dos Patos, é um pequeno exemplo de como, através da arquitetura, o poder resolve se implantar de vez. A apresentação de obras como teleférico, com vista panorâmica, e aquário municipal não passam de mais uma aplicação da arquitetura que pode estar intimamente ligada ao poder para atender aos interesses de governo, e só dele. Bem esclarecedora sobre essa relação é a reportagem de El País, “A arquitetura e o poder”:
 “Há anos, Rem Koolhaas declarou estar convencido de que sua sede para a televisão chinesa em Pequim, um enorme arranha céu espetacularmente fotogênico, contribuiria para levar o progresso e a democracia à China. Não ocorreu a ele que se já se tem o símbolo não há necessidade de mudança. Pela mesma época, Normal Foster concluía em Astaná, a atual capital do Kazaquistão, sua primeira interferência urbanística na cidade: a imensa pirâmide do Palácio da Paz e Reconciliação. Bem mais do que Nursultan Nazarbaiev – o presidente do país que, em 1997, fez coincidir a fundação da nova cidade com o dia de seu aniversário -, Foster é o grande protagonista da operação urbanística que quer transformar o antigo país da estepe na primeira capital do século XXI. O último exemplo de como a melhor arquitetura está servindo a regimes totalitários para enviar uma mensagem de progresso adquire as formas curvas do novo edifício assinado por Zaha Hadid: o Centro Cultural Heydar Aliyev. Construído em Bak (Azerbaijão), quer contribuir para a modernização e, portanto, democratização, da antiga república soviética. (...) É difícil querer vender progresso em um país governado, há 40 anos, por uma mesma dinastia”.

A habilidade (deles)


"A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objetivos mais nobres será expulso, exceto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do “ruído e da fúria, que nada significam”. Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe". 
Bertrand Russell (1872/1970)

domingo, 27 de abril de 2014

Jornal da Dilma

Pra quem gosta ...


“O PT só engana mesmo quem quer ser enganado”

Ferreira Gullar

O alto risco Brasil, segundo a Alemanha


Quando faltam apenas seis semanas para o começo da grande festa esportiva que representa o campeonato mundial de futebol no Brasil, o ministério de Assuntos Exteriores alemão divulgou um novo relatório sobre um tema muito sensível: a segurança que o país oferece aos milhares de turistas que chegarão à nação para aproveitar a grande festa e, ao mesmo tempo, torcer pelos seus times.
O relatório do ministério, em sua seção “serviços ao cidadão”, que é lida com atenção por todas as grandes agências de turismo do país e pelos turistas que compram pacotes de férias, oferece uma imagem desoladora do Brasil: uma nação onde não as leis não são respeitadas e onde o turista corre o risco de ser vítima de ladrões, sequestradores ou simplesmente de se envolver em confrontos entre a polícia e grupos criminosos, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.
Leia na íntegra

Dez anos em queda


O Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu competitividade na última década, segundo um estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG) divulgado na sexta-feira. O estudo analisa a competitividade de 25 economias exportadoras e tem como base um novo indicador criado pela BCG para medir os custos de produção da indústria em cada país.
Ele mostra que enquanto em 2004 os custos da indústria brasileira eram 3% menores que os da indústria americana, hoje são 23% maiores. Com isso, estariam hoje no mesmo patamar da indústria italiana e belga e só seriam mais baixos que os de fabricantes australianos, suíços e franceses.
Leia na íntegra

sábado, 26 de abril de 2014

Assim será o futuro?


Mentirinhas em promoção


A prefeitura de Vila dos Patos armou mais uma arapuca – de muito custo e bem feita profissionalmente – para enganar os trouxas de sempre e servir para alarde na carteira dos comissionados. São 9 minutos de vídeo divulgado no site do governo sobre uma maravilhosa cidade, riquíssima com o dinheiro do pré-sal, a ponto de dedicar 1 minuto da peça ao desfile da Grande Rio, no sambódromo, falando da cidade. Mas a beleza é um saco de mentiras das mais cabeludas, quando não de engambelações politiqueiras das mais escandalosas.
A fantasia de estilo Second Life está à solta no vídeo promocional para dar a sensação de um futuro mais maravilhoso do que se pode ter em grandes cidades pelo mundo, que respeitam o cidadão. Mais ainda, a realidade da tela sugere que tudo aquilo será feito no tempo recorde, digno de registro do Guiness, de dois anos e meio. O infeliz que diz sim ao que vê só pode mesmo pastar em meio à lama e ao lodaçal, porque adora engolir mentiras.
Uma que está sendo propalada inclusive é da ligação de monotrilho, com “trens japoneses que já estão aí”, - segundo uns mais afoitos propalam para a grandeza do prefeito - com mais de 120 km como se tal obra pudesse ser feita nas coxas, a toque de caixa de um dia para o outro. Mais ainda, estariam os apressadinhos em vangloriar o “trabalho” do alcunhado prefeito divulgando mesmo os trabalhos da obra que só está mesmo na internet. 
O vídeo encanta os boçais com um toque de que tudo está sendo feito e em pouco tempo o município sairá da lama para o primeiro mundo. São amostras de encher os olhos: teleférico, ligação aquaviária e a urbanização de 46 km de costa, inclusive com um campo de golfe aberto ao público e um aquário municipal. Tudo aparece no melhor estilo virtual sem qualquer obra começada ou sequer estar no papel. Um vídeo, que custou os olhos da cara, para continuar a empulhação. 
Como anuncia o vídeo, esse “futuro já começou”, pois não há qualquer referência a construção de hospitais - ao menos um, digno – nem se fala em melhoria do fornecimento de água, tratamento das lagoas efetivo, ou instalação de usinas de tratamento de lixo e esgotos. Afinal, a maravilha de cidade, segundo o vídeo, não produz lixo nem cocô.
A apresentação é um corolário de engana que eu gosto. Há referência de investimentos de R$ 500 milhões para saneamento e distribuição de água quando ambos inexistem na cidade. Para ser ver o engabelamento dos números, a mesma quantia foi aplicada há mais de 25 anos, em recursos privados e públicos, no saneamento das lagoas de Araruama, que ainda continuam poluídas. No entanto, em Vila dos Patos, a quantia é considerada fabulosa e está resolvendo o problema. Chegam a anunciar crescimento sustentável e planejado! Quá-quá-rá-quá-quá.
São os investimentos virtuais que tapam os olhos. O tal saneamento não passa de instalação de canos para recolher água pluvial e esgotos que seguirão in natura para as lagoas, o que um bom cidadão sabe que é crime recolher as duas espécies de água num mesmo cano. E o abastecimento de água continuará por anos ainda muito precário. Talvez se torne ainda mais crítico com a instalação da cidade maravilha proposta na internet, uma vez que há propaganda de criação de inúmeros condomínios residenciais.
O que o vídeo não mostra são os asfaltos recém colocados, finos e aguados, que se rompem a qualquer chuva; as drenagens solucionadoras de enchentes que alagam tudo em segundos de chuvisco; o péssimo recolhimento de lixo e a falta de um aterro sanitário prometido; as servidões espalhadas no entorno das lagoas com tubulações secas por falta de ligações; dois grandes rios da cidade sem dragagem; a falta de calçadas dignas. Isso sem contar com as promessas que só serviram à campanha passada como o hospital, o centro cultural – já vai para dois anos em construção, e a escola técnica entre um colar de outras pérolas inventadas para continuar no poder.  

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Atraente



Chiquinha Gonzaga (1847 - 1935)

Duas em um

"- E qual é a posição dos deputados?
- Na aparência, sentados; por dentro de cócoras"

Eça de Queirós

Boa ideia: cinema sustentável


As cidades paulistas, a partir deste mês, estão contando com um novo ingrediente em suas agendas culturais. O Cinesolar, baseado em projeto holandês, é o primeiro cinema itinerante sustentável do Brasil. Patrocinado pelas empresas Votorantim Cimentos e Votorantim Energia e pelo Instituto Votorantim, o projeto realizará exibições de curtas e longas-metragens, além de oficinas de sustentabilidade voltadas para crianças e adolescentes. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.  
O Cinesolar é uma estação móvel equipada com placas solares que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para elétrica, a exibição de filmes e apresentações artísticas – tudo isso utilizando energia limpa e renovável. O diferencial desta iniciativa é que o próprio veículo possui toda a estrutura para realizar esse tipo de ações, desde cadeiras para o público até uma cabine de DJ.

O veículo percorrerá 20 cidades de São Paulo até junho. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma casa de tolerância


As relações espúrias, criminosas, são flagrantes no país. Merecem maior destaque na imprensa, mas menor tratamento quando se trata de punição. Chegam mesmo a desaparecer do noticiário com o tempo e ficam restritas a gabinetes da Justiça, sempre ocultos, nunca transparentes como deviam numa democracia.
As ligações entre corruptores e integrantes dos governos, em todos os níveis, são conhecidas, divulgadas aos quatro ventos. Mesmo um imbecil sabe quem corrompeu quem nos governos. Estão lá os nomes e os fatos, mas nunca merecem a devida atenção. Passam de passagem pelas páginas da mídia e se esfumam no ar empesteado do acobertamento.
Por onde andam os processos envolvendo empresários, políticos, contraventores, doleiros, que formam uma rede quase de sustentação aos cargos ministeriais e comissionados de grandes empresas estatais?
A rede de corrupção se tornou tão vasta dos pequenos aos grandes poderes da res publica a ponto de colocar todo o país no mesmo balaio, ou saco de gatos. Se antes se reclamava dos monopólios, das trustes, havia condenações por sua criação, quem hoje critica os grande aglomerados, os famigerados consórcios com os quais se consorciam de doleiros a contraventores? Às custas da República, mamam todos nas tetas que deveriam ser apenas para os cidadãos com vida mais digna, mas agora servem de canos jorrando para a corrupção. 
A delinqüência está à solta nos poderes com a mesma conivência descrita por Gabriel García Márquez, em “Memórias de minhas putas tristes”. Escrevia Gabo sobre a cafetina Rosa Cabarcas: “Nunca tinha pago uma única multa, porque seu quintal era a arcádia da autoridade local, do governador até o último bedel da prefeitura, e não era imaginável que à dona daquilo tudo faltassem poderes para delinquir a seu bel-prazer”. A situação hoje é idêntica nesta casa de tolerância em que se tornou o Brasil.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Terra do 'molha a mão'

Apenas uma fábula (imoral)


O pobre quis conquistar a cidade para se tornar rei. Juntou um grupo, mas nunca conseguiu abalar qualquer parte da muralha. Então se muniu de uma matilha de cães e um monte de abutres a quem prometeu uma fartura de comida. A promessa correu por todo o canto e mais cães famintos e muitas aves carnívoras se juntaram ao grupo. Assim as muralhas caíram.
Posto no trono, com bolsos engordados, sob muita proteção, assistiu cães e abutres disputarem a pouca comida que os cidadãos guardavam. Mas o pasto prometido não dava para tantas bocas e cães e abutres começaram a brigar pela carniça.

Os habitantes da cidade viram que se tornaram escravos de cães e abutres, mas então já era tarde. E passaram todos a brigar por um naco de comida, enquanto o rei, cada vez mais engordado por ver seu sonho realizado e financiado, apesar de custar muito aos cães, aos abutres e ao povo. 

Serenata cínica para o Bettencourt cantar


Menino que vais na rua,
não cantes nem chores: berra!
Cospe no céu e na lua
e aprende a pisar a terra.

Aprende a pisar o mundo.
Deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.

Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.

Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.

Pisa a lua sem remorsos,
estatelada no solo...
Não hesites! quebre os ossos
dessa criança de colo.

Pisa-a, frio, com coragem,
sem olhos de serenata;
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.

Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra!
ou então, salta pra lua
e mija de lá na terra.

José Gomes Ferreira (1900/1985), poeta e escritor português, publicou memórias, contos, ficção, estudos, diários e ensaios.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Valsa Triste

O grande roubo


“Os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões!"
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881/1922)

O segredo do poder

Um conto indiano fala do espanto do rei Asoka quando viu uma mulher, com gestos, fazer o rio Ganges subir contra a corrente. Soube então que a velha era uma prostituta muito conhecida em uma das suas cidades. Impressionado com o feito, mandou chamar a prostituta, que se apresentou diante dos sábios do reino para questionarem a façanha. Ficaram ainda mais impressionados, porque a velha confessou ter poder sobre as coisas como arrancar árvores e fazê-las rodopiar, ou virar montanhas de ponta cabeça. Podia mesmo tirar Asoka do trono e lançá-lo nos ares. Todos surpresos com as infinitas possibilidades da prostituta quiseram saber de onde provinha tanto poder.
- Conheci muitos homens mas não faço distinção entre eles. Não privilegiei, nem desprezei ninguém. A todos, apesar das diferenças, concedi os mesmos favores. Nunca demonstrei nem subserviência, nem desdém. O segredo do meu poder é só esse.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Voo de aloprados

Todos sabem que há governo na cabine de comando, mas não há piloto. Há lá dentro pelo menos dois maus elementos, mesmo que a Física nos informe que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A não ser, como na física nuclear, ambos sejam nêutrons, o que não é o caso. E a porta está blindada impedindo que se saiba o que andam fazendo. Mas certo mesmo é que colocaram o avião Republiqueta voando pelo piloto automático. Os passageiros sofrem horrores, porque não há como tirar os aloprados da cabine.
E o Republiqueta voa numa montanha russa. Sobe e desce, faz looping e o escambau, porque a turma da cabine fica apertando botão atrás de botão tentando acertar o rumo.
Sabe-se lá quando vão conseguir ao menos estabilizar o Republiqueta para continuar por pouco tempo um voo tranquilo.Também sequer pode-se pensar que pretendam pousar alguma vez, deixar as alturas dos urubus. Quem sabe queiram passear mais tempo como condores. Resta mesmo rezar para que alguma vez acertem nos botões, porque não se agüenta mais looping de aloprado.    

O partido oportunista

“Não sou adversário do PT, nem de Lula, nem de partido nenhum. Sou um cidadão que pensa e analisa a situação do país. Falo do que está diante de mim. Lula combateu toda a política de Fernando Henrique e depois adotou tudo, mas nunca disse que fez isso. Ao contrário, disse que era herança maldita. Ele não tinha projeto político, exceto aquela utopia comunista que havia fracassado no mundo inteiro. Ele inventou um jogo de mão dupla constante: Bolsa família para os pobres e empréstimos do BNDES para os ricos. Divulguei recentemente o manifesto de fundação do PT, cujo teor é quase igual ao Manifesto Comunista de Karl Marx, de 1848. Mas o que sobrou disso? Aliança com Paulo Maluf e o bispo Edir Macedo? Esse é o comunismo do PT? Virou um partido oportunista”

Ferreira Gullar, em entrevista para o jornal Cândido, do Paraná

Rede Pau nos Ratos

“Limpeza” in natura

Site dito jornalístico, integrante do jornalixo de Vila dos Patos, anuncia que estão sendo feitas a dragagem e a limpeza de um dos rios que desembocam nas lagoas da região. A obra serve para solucionar as enchentes na região. Também integram a primeira parte de um projeto de implantação do sistema de esgotamento sanitário. Essa primeira etapa, ao custo de R$ 60 milhões, atendendo dois bairros, será bancada pela Petrobras. O que não informa o jornalixo é que o trabalho não vai evitar as enchentes na região, que não têm como causa os rios, mas seu entorno, que vem recebendo água de outros locais. E a grande mentira é uma implantação de rede de esgotos, quando se sabe que a mesma foi “implantada” precariamente pelo governo municipal com o vazamento dos dejetos in natura e das águas pluviais numa mesma rede. Ao mesmo tempo, os esgotos sanitários não terão estação de tratamento. Em conclusão, a bosta vai continuar a poluir as lagoas e sujar a casa alheia nas chuvas. 

Novo dicionário

Os petistas estão mudando o significado dos termos do dicionário. Difamação pública virou mera liberdade de opinião quando aplicada aos adversários. Se o difamado for do partido, então é caso mesmo de crime. Assim também roubo, apropriação indébita, só se for referente aos outros. Ações desse tipo feitas por eles não passam de contribuição social. O importante, para eles, “é fazer a história mentir em proveito próprio”, segundo Jean-Claude Carrière    


Estrategistas de galinheiro

Com o surgimento das Unidades de Polícia Pacificadora, criadas pelo governo Cabral, no Rio de Janeiro, ninguém desconhece que a bandidagem resolveu emigrar para cidades pequenas sem qualquer aparato policial para contê-la. O problema vem se agravando rapidamente por falta de solução dos órgãos estaduais. Devido a isso os vereadores de uma dessas cidades resolveram jogar para a galera. Num festival de purpurina, discutiram por duas sessões, como se não tivessem mais o que fazer, as medidas que podem adotar para conter o tsunami de bandidos. É de uma deslavada cara de pau a atitude dos edis, porque muitos estão com fichas bem sujas de processos judiciais. Agora é descobrir como políticos bandidos podem dar uma solução à marginalidade que assola a vilazinha se não a mera fórmula de recorrer às autoridades policiais, o que levaram duas sessões para aprovar, depois de até bancarem estrategistas de ocasião.

Resposta engatilhada


Com a grita geral pelo aumento dos crimes em Vila dos Patos, o governo municipal, depois de uma “atitude” dos vereadores, ressuscitou o velho projeto de quatro anos atrás: um gabinete de gestão integrada com central de monitoramento de ruas. O custo está orçado em R$ 1,5 milhão – segundo alguns já sumiu - para um prédio de três andares e 20 câmeras de seguranças espalhadas pelas ruas do Centro. A derrubada de um antigo posto da Guarda Municipal para a construção do prédio do novo gabinete é uma “resposta” atrasada ao problema. Mais uma vez o governo municipal zela por manter engatilhado sempre um projeto miraculoso para resolver questões municipais que nunca serão resolvidas com paliativos.    

sábado, 19 de abril de 2014

O melhor (e mais atual) discurso



Este é talvez o melhor e mais atual dos discursos. E não foi feito por nenhum político, mas por Charlie Chaplin, em seu primeiro filme sonoro, “O grande ditador” (1940), numa sátira aos regimes totalitários da época. Mesmo tantas décadas depois, ainda defende e propala os ideais inerentes à Humanidade com maiúscula, contra a mascarada destes tempos. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O ministro cabeçudo


O ministro Wang Anshi (1021/1086), na China imperial, apesar de reformador, ganhou popularidade como o “Ministro Cabeçudo”, considerado que era de incapaz de aceitar bons conselhos e se recusar a admitir erros. Se implantou instituições de socorro popular, hospitais, dispensários, cemitérios públicos, baseando-se num modelo de fundações caritativas criadas pelos mosteiros budistas, ficou mesmo conhecido como o homem dos três não vale a pena: “Não vale a pena temer a ira divina, não vale a pena respeitar a opinião pública e não vale a pena conservar as tradições”.
Segundo Lin Yutang (1895/1976), escritor chinês muito conhecido no Ocidente, em “O sábio jovial”, o ministro tinha muita semelhança com certos administradores públicos de hoje. Wang Anshi não tolerava oposição de nenhuma espécie, viesse de amigos ou de adversários. Com grande capacidade de persuasão, sabia como fascinar o imperador com a ideia de um Estado forte e estava decidido a lutar por suas teorias sociais mesmo com “o esmagamento de toda oposição e em particular com a anulação da censura imperial, cujo primeiro dever era fazer a crítica da orientação política e da maneira pela qual se conduziam os negócios públicos”.
A grande curiosidade do relato de Yutang sobre o ancestral ministro é a semelhança com que hoje qualquer um pode esbarrar virando uma esquina brasileira. Wang Anshi se considerava um reformador e todo aquele de quem não gostava era um “reacionário”. “Acusava todos que o criticavam de pretenderem malevolamente dificultar as reformas”. O ministro até mesmo chegou a ser apontado de tentar fechar a boca do povo, “amordaçar toda a liberdade de crítica ao governo”. Parece longe a história do ministro cabeçudo chinês, mas há nela muita coincidência com certos governantes de hoje no Brasil. 

O mal do encantamento

“O homem deixa-se facilmente enlevar pelo encanto do maravilhoso, e é explorando este segredo da fraqueza humana que o charlatanismo abusa da simplicidade dos crédulos e à custa deles bate moeda na forja da impostura, ou sacrifica à sua corrupção as inocentes vítimas que loucamente espontâneas se precipitam nesse perigoso desvio da razão”
(Joaquim Manuel de Macedo , “As víctimas-algozes”, 1869)

Soube que vocês nada querem aprender

Valeriano Bécquer, "Gustavo Adolfo Bécquer lendo"  (1864), 
Biblioteca Nacional, Madrid


Bertolt Brecht
Soube que vocês nada querem aprender
então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido – à sua frente
Iluminado. Seus pais
cuidaram para que seus pés
não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
vocês nada precisam aprender. Assim como estão
podem ficar.

Havendo dificuldades, pois os tempos
como ouvi dizer, são incertos
Vocês têm seus líderes, que lhes dizem exatamente
o que têm a fazer para que fiquem bem.
Eles leram aqueles que sabem
as verdades válidas para todos os tempos
e as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
vocês não precisam levantar um dedo.
Sem dúvida, porém, se fosse diferente
vocês teriam muito o que aprender.
  

Eugen Berthold Friedrich Brech (1898/1956), além de poeta, foi um dos mais influentes dramaturgos e encenadores do século XX contribuindo com o teatro moderno criando principalmente o  conhecido Berliner Ensemble.