quarta-feira, 24 de junho de 2026

Flávio se oferece para apagar o incêndio que ele mesmo estimulou

Foi Donald Trump, em setembro do ano passado, quem disse ter rolado “uma química excelente” entre ele e Lula ao se cruzarem pela primeira vez no prédio da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York:

– “Ele parece um cara muito legal. Ele gostou de mim, eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem gosto. Quando não gosto, não gosto”.

Lula respondeu, fazendo questão de exagerar:

– “Não foi uma química, foi uma indústria petroquímica”.

Menos de um mês depois, Lula e Trump conversaram por telefone durante quase uma hora. Em pauta estava o tarifaço de 50% aplicado aos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, em vigor desde agosto. Voltaram a se falar no início de dezembro sobre o mesmo assunto e sobre o combate ao crime organizado.

Em 7 de maio último, finalmente, Trump recebeu Lula na Casa Branca com direito a tapete vermelho, reuniões de trabalho e almoço. Trump classificou o encontro como “muito bom” e descreveu Lula como um “presidente dinâmico”. Chamou-o de “bom homem” e “inteligente”, destacando que as reuniões de trabalho se concentraram principalmente em tópicos como comércio e tarifas.

Como sempre, Lula foi mais efusivo. Disse a Trump não querer “guerra” entre os países e aproveitou a ocasião para sugerir que ele sorrisse mais, no que foi atendido por Trump, que sorriu.


Vendo aquilo, os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro decidiram intervir com a ajuda de secretários do governo americano contrários à aproximação entre Trump e Lula. Cavaram uma sessão de fotos com Trump no Salão Oval da Casa Branca, o que aconteceu 19 dias depois de Lula ter posto os pés por lá. E foram embora admitindo que desancaram Lula e que cobraram novas intervenções dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.

Uma delas seria a promoção das organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) à categoria de organizações terroristas. Outra, o monitoramento das eleições de outubro para evitar a ocorrência de fraudes que possam beneficiar Lula e o PT. A primeira já foi atendida por Trump.

Flávio e Eduardo juram, porém, que nada têm a ver com o novo tarifaço anunciado pelo governo Trump no último dia 2 de junho. Pegou mal para eles. Pegou tão mal que Flávio antecipa que voltará a Washington para falar na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos contra o tarifaço:

– “Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula. Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. Ele acredita que isso pode beneficiá-lo em outubro, mesmo que custe quebrar as empresas brasileiras”.

Em resumo: Flávio, agora, se oferece para apagar o incêndio que ele mesmo estimulou. O que lhe importa é livrar-se da pecha de traidor da Pátria.

Ricardo Noblat

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