quinta-feira, 2 de julho de 2026

Ganhos bilionários de Trump com atividade empresarial durante o mandato não têm precedente nos EUA

A esposa do presidente americano Lyndon Johnson (1963-1969) era proprietária de um lucrativo grupo de comunicação. George W. Bush fazia parte do conselho de administração de uma empresa petrolífera enquanto seu pai ocupava a Casa Branca. Hunter Biden recebeu pagamentos de uma empresa ucraniana de gás natural enquanto Joe Biden era vice-presidente. Porém, não há paralelo com o caso de Donald Trump, que no primeiro ano de mandato faturou US$ 2,2 bilhões por meio de empresas — incluindo US$ 1,4 bilhão em receitas provenientes de negócios com criptomoedas, beneficiados por suas ações como presidente.

Historiadores e pesquisadores apontam que a regra geral entre presidentes americanos tem sido se afastar de negócios empresariais, mesmo levando prejuízo, para não configurar conflito de interesse. Trump e sua família fizeram o oposto: criaram novos empreendimentos, e não parecem se esforçar para esconder qualquer benefício alcançado.

A Casa Branca e a família Trump têm rejeitado questionamentos sobre os ganhos do presidente. As alegações de conflito de interesse têm sido rebatidas com o argumento de que os dois filhos mais velhos de Trump, Eric e Donald Jr., administram as operações da família. É uma mudança marcante de postura, mesmo em comparação ao primeiro mandato.


Quando Trump chegou a Washington em 2017, ele e a família concordaram em não fechar novos contratos internacionais, cientes de que isso poderia alimentar acusações de que estariam lucrando com o mandato. Ainda assim, surgiram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse devido a gastos de governos estrangeiros e lobistas em hotéis de Trump e em outros estabelecimentos pertencentes à sua família.

— No primeiro mandato fizemos tudo o que era imaginável para evitar qualquer aparência de conduta imprópria e, francamente, fomos atacados da mesma forma — disse Eric Trump no fim de 2024, pouco antes da eleição, argumentando que a Presidência havia custado ao pai "uma fortuna".

Os filhos de Trump de fato administram as operações empresariais da família, mas o presidente é o beneficiário dos fundos fiduciários criados após sua primeira eleição, e continua lucrando com as atividades empresariais. A maioria dos ex-presidentes da era moderna vendeu empresas e mesmo participações em negócios e ações individuais antes de assumir o cargo.

George W. Bush (2001-2009) vendeu sua parte no time de beisebol Texas Rangers, enquanto Jimmy Carter (1977-1981) transferiu a administração de sua produção de amendoim para um administrador independente.

Depois do assassinato de John F. Kennedy e da chegada de Lyndon Johnson à Casa Branca, sua esposa, Lady Bird Johnson, transferiu suas emissoras de rádio e televisão para um grupo administrado por um advogado e um executivo do setor de radiodifusão.

Mesmo quando filhos ou irmãos de presidentes realizaram negócios — em uma escala muito menor do que Trump — esses episódios tiveram forte reação pública. James Roosevelt, filho de Franklin D. Roosevelt (1933-1945), foi coproprietário de uma companhia de seguros que vendia apólices para empresas americanas e órgãos do governo enquanto ele trabalhava como assessor do pai. Depois que a revista The Saturday Evening Post e o jornal The New York Times publicaram sobre os negócios, o filho do presidente deixou o cargo no governo.
Eric Lipton

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