sábado, 25 de abril de 2026

A política errática de Trump

A política errática de Trump não é errática, mas racional. As idas e vindas de políticas extremadas criam pautas alternativas no limite de decisão e de ação, e as variações de políticas intermitentes, como “guerra” ou “não guerra”, geram variações em ativos financeiros que possibilitam ganhos de curto prazo por grupos específicos. Isto é possível quando você tem capital, que possa ser usado de forma especulativa.

A Forbes indica que o patrimônio de Trump quase que dobrou em seu primeiro ano de governo, indo, segundo a revista, de US$ 4,3 bilhões para US 7,3 bilhões. O aumento do patrimônio se deveria ao lançamento de sua nova empresa World Liberty Financial (WLFI), venture capital em criptomoedas, e de merchandise e licenciamentos.


A lógica do assim hoje chamado de “populismo”, com Viktor Órban, Trump, Milei e Bolsonaro, dentre outros, é uma versão moderna do que se pode caracterizar como “fascismo” na década de 1930 e 1940, com Hitler e Mussolini, modelos caracterizados por lideranças radicais de direita que se apropriam do poder, supostamente em prol das classes médias economicamente declinantes em seu poder de compra, com as classes dominantes, em verdade, se regendo pela apropriação do produto social. As classes dominantes ficam com o produto econômico, e as classes supostamente representadas ficam com a ideologia e o discurso. Esse tipo de poder, também, pode não durar a longo prazo. O principal motivo da derrota de Viktor Órban para Péter Magyar na Hungria, após 16 anos de sua “democracia iliberal”, foi o fraco desempenho na economia, sem a geração de benefícios para a população, e a corrupção.

Como diz o dito popular, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”.
Ricardo Guedes

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