sábado, 18 de julho de 2026

Racismo. Quem não é contra é a favor

Nunca entendi o absurdo do racismo, por isso sempre o odiei. Tive a sorte de ter como melhor amigo desde a infância e por toda a vida, como um irmão e parceiro em vários empreendimentos vitoriosos, um negro, um dos melhores seres humano que conheci, que a cada dia me mostrava o absurdo do racismo.

Em 25 de março de 2026 a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que declara o tráfico transatlântico de escravos africanos e a escravização racializada como “crime mais grave contra a Humanidade”. A resolução foi aprovada por123 votos a favor e 3 contra: Estados Unidos, Israel e Argentina.

Não muda nada, mas diz tudo. Depois de importar e usar milhões de escravos africanos, metade da população, a Argentina libertou-os para deixá-los morrer de fome e de doenças, abrindo caminho para o projeto de branqueamento do país com a importação em massa de italianos e espanhóis. Eliminaram os negros, hoje 1% da população, mas não conseguiram exterminar os índios, que continuam “sujando” a sua branquitude com mestiços como vários craques argentinos.


Nos Estados Unidos, dizimaram os indígenas e escravizaram milhões de negros, 600 mil americanos se mataram na Guerra Civil, com o Sul rural e o Norte industrializado lutando pelo fim da escravidão. Hoje os negros americanos são 12% da população e conquistaram imenso poder político e social numa luta permanente contra a discriminação e o preconceito. E muita gente morreu por isso. Mas a cultura negra americana do século XX, nas artes, no esporte, no comportamento, na moda, tornou-se um fenômeno cultural que mudou o mundo, numa colossal derrota do racismo. Mesmo que os supremacistas brancos de Trump digam que qualquer caipira idiota do Texas pode se achar melhor do que o negro mais brilhante.

Mas o que esperar de assassinos como Trump e Netanyahu e um idiota como Milei? Interessante, porque o povo judeu foi vítima do maior holocausto da História. Racismo no rabo dos outros é refresco.

É irônico, porque a combinação de maior sucesso na indústria musical americana foi de artistas negros com executivos judeus, que se harmonizavam na discriminação para conquistar qualidade, vendas e prêmios.

Sempre amei a América, por sua cultura, seu progresso, sua modernidade e liberdade. No more. Hoje o mundo odeia a América de Trump, e a maior parte dos americanos também. E o seu racismo se manifesta no ódio e na inveja patológica de Obama, mas qualquer comparação entre a educação, cultura e elegância do estadista negro com um “white trash” de reality show grosso, ignorante e autoritário é uma fragorosa derrota do racismo.

E também sempre amei a Argentina, por seus escritores e artistas, por seu cinema, seu rock and roll e seu futebol, por seu humor e sua loucura: Buenos Aires é a cidade com mais psicanalistas per capita do mundo. A Argentina não é um bando de racistas ignorantes numa arquibancada de futebol, mas a omissão de suas vozes mais fortes, como o gênio Messi, na luta contra o racismo, diz tanto sobre preconceito como covardia.

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