quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A 'autoridade' de um condenado

 


Inelegível por abuso político, e com um prontuário de processos de fazer inveja a muito marginal, o presidente regional do PT e prefeito de Maricá saiu pelas redes sociais cometendo mais um crime na cara da Justiça: incitação à violência. Como sempre valentão, armado de todas as bravatas, porque protegido fisicamente pelo computador e por um destacamento de seguranças pagos com dinheiro público, se vê com a autoridade concedida pelo chefão Lula de também conclamar a porrada como solução para o país, ainda mais que é o único meio de blindar suas “peteroubalheiras” de Maricá a Brasília, passando por todo o resto do Brasil.

Depende...

Quando uma escola de samba tradicional é financiada por uma ditadura estrangeira, chegamos ao fundo do poço

“O Brasil está na idade da tramela!”, dizia um grande intelectual. Tendo estudado nos Estados Unidos e lá, como dizia Monteiro Lobato, fora lapidado, pois jamais rejeitara o seu lado brasileiro (o qual foi, ironicamente, intensificado na convivência por contraste com o que, àquela época, chamava-se de “países adiantados”), ele era capaz de enxergar o que todo mundo simplesmente via como as nossas arqueológicas tramelas.

Quem saiu do Brasil para as “Europa” ou “América” até os anos 60 (como foi o meu caso), ficou espantado com a ausência das “tramelas” e das gigantescas chaves de ferro; esses instrumentos dos superiores que permitiam abrir ou fechar portas, cadeias, porões, dispensas e gavetas. Esses compartimentos que até hoje são vedados a quem continua a ser tratado como “povo”, pois jamais foi lapidado ou visto como cidadão.

Quando visitei os Estados Unidos pela primeira vez, recebi a chave não só do meu modesto escritório mas — eis o susto — a do prédio do famoso Departamento de Relações Sociais de Harvard!

No Brasil, receber essas máquinas “depende”.

O ministro tem a chave de todos os prédios e somente ele abre a sua porta. Nas democracias, todos têm precisamente a chave da porta dos que governam, já que presidentes, ministros, governadores, senadores e deputados servem ao povo. É, pois, do povo a propriedade das chaves!

Não há, nenhum “depende...” a condicionar a transparência. Não existe o famoso, lamentável e onipresente “eu não sabia” ou a divisão permanente entre “público interno e externo”, rotineiros na ditadura militar e no lulopetismo.

O roubo público, o assalto irresponsável em escala bíblica e pornográfica aos bens coletivos e à Petrobras — símbolo de independência econômica que suicidou quem teve honra e foi incestuosamente agredida por quem não sabe o significado dessa palavra — continuam sujeito ao “depende...”

Depende de quem. Se foi do tempo deles vale, se foi nessa nossa década de poder, não vale. Na Alemanha nazista, todos os males eram atribuídos aos judeus vistos como agentes de impureza diante da superioridade indiscutível da raça germânica. Os judeus eram o veneno ao lado dos homossexuais, dos ciganos e dos deficientes. Eles conspurcavam a “raça superior” — emblemática de uma integração perfeita porque seria biológica, entre o indivíduo e a coletividade. Esse problema de todas as nossas antropologias e sociologias que, em geral, leem o individuo como algo separado do grupo quando de, fato, seja nas suas formas mais ativas (como na América sem tramelas) ou brandas, como no Brasil relacional das trancas e frestas, o individuo é a expressão de uma cosmologia ou ideologia. A redução individualista é dominante na vida moderna que, conforme sabem alguns, não é, como o jazz, tão moderna assim.

Sem o “depende” não se entende a hipocrisia política dominante. Ela é a chave que abre ou fecha os baús de escândalos que, de tão rotineiros, chegaram ao carnaval, uma celebração aberta a tudo, mas hoje manchada pelo financiamento questionável.

Leia mais o artigo de Roberto DaMatta

E não estamos?

Ele (Michel Temer) relatou que um ministro da equipe econômica falou que estamos dançando na beira do precipício
Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), depois de reunião da cúpula do PMDB

Lula se tornou a maior ameaça à democracia

Depois dos 'gorilas' da ditadura, aparecem os 'soldados' petistas 
Desde 1939, quando foi inaugurada no centro do Rio de Janeiro, a revolucionária sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) tem sido palco de um número enorme de eventos em defesa da democracia, dos direitos civis, dos interesses nacionais e da liberdade de imprensa e de expressão.

Na noite de terça-feira, dia 24 de fevereiro, pela primeira vez a sede da histórica e lendária ABI foi palco de um atentado à democracia, praticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se julga no direito de conclamar sindicatos, movimentos sociais e estudantis para saírem às ruas e enfrentar todos os que se manifestarem contra a corrupção na Petrobras e contra o governo petista.

É claro que a ABI nada tem a ver com isso, apenas cedeu o auditório para que se realizasse um simples ato público em prol da Petrobras, o que não representa nenhuma novidade, pois desde sua fundação a entidade máxima dos jornalistas tem como um de seus principais objetivos justamente a defesa da exploração do petróleo em benefício dos brasileiros.

O que ninguém esperava é que o ex-presidente Lula, jogando seu passado na lata do lixo da História, tivesse a ousadia de defender posturas absurdamente ditatoriais, em evento realizado justamente no mais tradicional e respeitado palco de defesa da democracia. O pior é que ele fez esse tipo de pronunciamento radical e suicida pouco depois de militantes do PT terem espancado diante da ABI manifestantes que defendiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O evento estava marcado para as 18 horas, mas Lula foi avisado de que estava havendo esse confronto e só chegou às 19h20m, escoltado pela Polícia Militar, que fez questão de proteger o ex-presidente, mas esqueceu de oferecer proteção às dezenas de cidadãos e cidadãs que estavam pacificamente exercendo seu direito de expressão e manifestação, ao defenderem a saída de Dilma.

Depois, no auditório, imagine-se o constrangimento de cidadãos como o produtor Luiz Carlos Barreto e sua esposa Lucy, o professor Pinguelli Rosa, a jornalista Hildegard Angel, o ex-ministro Roberto Amaral e outras personalidade de destaque, ao presenciarem o discurso de Lula, que apoplético, fez a seguinte ameaça ao país: “Quero paz e democracia, mas eles não querem. Mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas!”

Sabia-se que o governo e o PT estavam convocando as centrais, os sindicatos, a UNE e organizações sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), para promoverem manifestações a favor do governo, como a que está sendo organizada para 13 de março. Mas ninguém poderia prever que o radicalismo pregado por Lula chegasse a tanto ponto.

O pior é que o líder do PT não tem freio, não aceita conselhos de ninguém, pensa que é o dono do Brasil e até se comporta dessa forma. Como todos sabem, sonhar ainda não é proibido, mas pode voltar a ser. Portanto, é melhor Lula consultar um terapeuta, porque tem dado mostras de que está fora de si e seu radicalismo ameaça tirar o país dos eixos. E a quem interessa isso?

Para maioria nao há democracia verdadeira na Alemanha

Estudo mostra que um em cada quatro cidadãos acredita que o país está no caminho de uma nova ditadura. Para um terço dos entrevistados, capitalismo inevitavelmente leva à pobreza e à fome.
Mais de 60% dos alemães consideram que não há uma democracia verdadeira na Alemanha. A culpa seria da influência da economia, que teria mais força do que os eleitores. Este é o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto Infratest Dimap, a pedido da Universidade Livre de Berlim, e publicada na terça-feira.

Segundo o relatório, uma a cada três pessoas está convencida de que o capitalismo inevitavelmente leva à pobreza e à fome. Além disso, 37% dos residentes do lado ocidental da Alemanha e 57% do lado oriental classificam o comunismo e o socialismo como uma boa ideia, mas que, até agora, foi mal executada.

Um quinto da população alemã pede por uma revolução, sob o argumento de que as reformas políticas não melhoraram as condições de vida. Devido ao aumento da vigilância dos cidadãos, a Alemanha estaria no caminho de uma nova ditadura, responderam 27% dos entrevistados.

No entanto, de acordo com os autores do estudo, o resultado mais surpreendente é que apenas 46% dos entrevistados são favoráveis à manutenção do "monopólio de violência" - que reserva ao Estado o uso ou a concessão do emprego da força.

Além disso, o estudo chegou à conclusão de que 14% dos alemães no lado ocidental e 28% dos do lado oriental mantêm uma postura de esquerda radical ou esquerda extremista, somando um total de 17% da população do país.

Avaliados como extremista pelos pesquisadores são aqueles que desejam instaurar comunismo ou "democracia real" em detrimento do pluralismo e da democracia parlamentar. Aproximadamente 1.400 pessoas participaram da pesquisa. O estudo completo foi impresso em um livro.

Apodrecendo no caminho


Trabalhador precisa conquistar novos direitos e não perder

O problema do ajuste fiscal está na falta de ajustes sociais que substituam direitos velhos por novos direitos estruturais, assegurando bem-estar social permanente aos cidadãos. Ao longo dos últimos anos, o Brasil optou por uma verdadeira folia de gastos públicos, consumismo exacerbado, baixo nível de poupança e investimento, irresponsabilidade fiscal, preços administrados, contabilidade criativa escondendo a realidade, e desonerações fiscais em dimensões escandalosas. Ignorando os alertas, os partidos no governo comemoravam euforicamente os benefícios de curto prazo. De tanto repetirem a própria publicidade, as lideranças fizeram o povo acreditar nas ilusões: o pré-sal resolveria tudo, empresas como o grupo X colocariam o país no cenário mundial, o BNDES construiria a nação emergente mais dinâmica do século XXI.

A realidade desfez as ilusões, os alertas se mostraram proféticos, mas a eleição não permitia que se admitisse a crise. A folia econômica que se esgotava chegou à política, e as ilusões foram ampliadas pelo marketing. Os eleitores passaram a acreditar que nunca o Brasil fora tão rico, dinâmico e sem pobreza e que o país daria passos para trás se não reelegesse o grupo no poder.

O resultado é que a economia brasileira chegou a 2014 em uma situação de crise de proporções catastróficas: déficit em transações correntes de 4,2%, déficit nominal de 6,7% e dívida pública bruta de 6,3% (em relação ao PIB); além de inflação persistente acima da meta.

Agora, passadas as eleições, o governo faz tudo que acusava seus opositores de pretenderem fazer contra o povo e o país: elevação da taxa de juros, controle de gastos, redução de direitos e realismo nos preços passaram a ser defendidos como ajustes necessários. A fala do novo ministro da Fazenda, carregada de medidas antifolia, passou a ser aceita pelos que as criticavam, enquanto outros que antes se beneficiavam da folia começam a criticar os ajustes.

O problema das últimas medidas não está na fala do ministro Levy, controlando ou eliminando direitos trabalhistas, mas na falta de falas ousadas dos demais ministros, como os do Trabalho, da Educação e da Saúde, oferecendo novos direitos. Alguns ajustes nos chamados “benefícios sociais” são necessários para corrigir os desastres criados pela folia fiscal, mas, em vez de repudiá-los ou de se conformar a eles, é preciso atualizá-los e fazê-los avançar. Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados.

Alguns dos atuais direitos precisarão ser moralizados, modificados e substituídos por direitos contemporâneos, como direito do filho do trabalhador à mesma escola de qualidade do filho do patrão; licenças periódicas para efetiva capacitação; direito do trabalhador à licença para ir à escola do filho e para cuidar preventivamente de sua saúde. 

Agressividade o grande pecado

A falha humana que eu mais gostaria de corrigir é a agressividade. Ela pode ter sido uma vantagem na época dos homens das cavernas, para que eles pudessem obter mais comida, território ou uma parceira com quem se reproduzir, mas, agora, ela ameaça destruir todos nós.

O líder se protege do povo


“Quero paz e democracia, mas eles não querem. Mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas!”
 (incitação à violência é crime, Lula)

O convescote promovido pelo PT e entidades afiliadas, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, na noite de terça-feira, no Rio, num ato em defesa da Petrobras, fez Lula sentir que não é o mesmo Cara de outros tempos.

O que deveria ser uma demonstração de força política e popular se mostrou apenas uma tímida reunião para o chefão falar suas costumeiras banalidades. A plateia, composta pela velha turma de descarados, aplaudiu certamente o espetáculo de um ex-presidente envilecido, que não passa de um pelego.

Nem as lideranças fluminenses afiliadas foram lá prestar suas condolências por um carismático líder sindical que hoje parece aqueles ditadores das antigas republiquetas.

Nas ruas, o que se viu foi a militância petista partindo para o pau, como ordenou o chefão que disse também saber brigar. E não é a primeira vez que o partido mostra suas tendências "militares" .

O velho líder, abrigado em carro blindado, com escolta policial, para não ter que se sujar com a manifestação na rua, talvez tenha tido tempo suficiente para pensar sobre o destino que deu à própria biografia. Dentro do blindado, talvez pensasse que não é mesmo aquele que comandava as massas. Hoje se protege do povo como aqueles tiranos latinos. Sem tirar nem por, é um fantasma de caudilho. 

Talvez agora pense melhor na herança que vai deixar, a mesma que aqueles deixaram: o desprezo pelos descendentes. Uma punição eterna nas páginas da História como criminoso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Psicopetismo

Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira.

Finalmente vimos a cara verdadeira da Dilma, carregada de ódio, acusando o governo anterior do FH, porque lá teria havido também corrupção. Claro que sempre houve; corrupção existe desde a fundação da cidade de Salvador, desde 1550, quando Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil criou o “bahião”, roubando tanto que quase quebrou Portugal. Dilma tenta responsabilizar outros governos, esquecendo-se de que estão no poder há 13 anos e só fizeram m... ah, “malfeitos”.

Os mais espantosos escândalos do planeta foram provocados por uma corrupção diferente das tradicionais: com o PT no governo, a corrupção foi usada como ferramenta de trabalho, quando o nefasto Lula chamou a turminha dos ladrões aliados e disse: “Podem roubar o que quiserem, desde que me apoiem e votem comigo”. Mas, neste artigo não quero mais bater no governo, pois tudo já está dito, tudo provado, tudo batido.

Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira.

Como se forma a cabeça de um sujeito como Dirceu, Vaccari, a cabeça do petismo, esse filho bastardo do velho socialismo dos anos 1950?

Havia antigamente uma forte motivação romântica nos jovens que conheci. Era ingênuo, talvez, mas era bonito.

A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses “detalhes mixurucas” para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores “peões” de Lênin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da Republica, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.

Quando o PT subiu ao poder, eu achava que havia um substrato generoso de amor, uma crença na “revolução”, que era a mão na roda para justificar tudo, qualquer desejo político. Nada disso. Só vimos uma “tomada do poder”, como se os sindicalistas estivessem invadindo o palácio de inverno em São Petersburgo.

Seus vícios mentais eram muito mais óbvios e rasteiros do que esperávamos. Foi minha grande decepção; em vez da “justiça social”, o que houve parecia uma porcada magra invadindo o batatal.

E aí, me bateu: como é a cabeça do petista típico?

Em primeiro lugar, eles são inocentes, mesmo antes de pecar. Estão perdoados de tudo, pois qualquer fim justifica seus meios, vagamente considerados “nobres” no futuro.

Para eles não existe presente — tudo será “um dia”. Não sabem bem o quê, mas algo virá no futuro.

Eles têm a ideia assombrosa de que o partido pode se servir do Estado como se fosse sua propriedade; assim, podem assaltar a Petrobras, fundos de pensão, outras estatais com a consciência limpa, porque se a Petrobras é do povo, é deles. Não é roubo, em sua limitada linguagem de slogans — é “desapropriação”.

Aliás, e o silêncio dos intelectuais simpatizantes diante dos crimes óbvios? Está tudo caladinho...

Outra coisa: o petista legítimo, “escocês” (como o Blue Label 30 anos, único que o Lula toma), acha que “complexidade” é frescura e que a verdade é simplista, um reducionismo dualista. Para eles, o mundo se explica por opressores e oprimidos, tudo, claro, culpa do “capitalismo”, tratado como uma pessoa, com crises de humor: “Ih, o capitalismo está muito agressivo ultimamente”.

Para eles, na melhor tradição stalinista, deve-se ocultar da população questões internas do governo, pois não confiam na sociedade, esse aglomerado de indivíduos alienados e sem rumo.

Podem mentir em paz, sem dar satisfações a ninguém. Eles têm ausência de culpa ou arrependimento, têm o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmeram na mentira.

Na prática têm as mesmas motivações do velho stalinismo ou do fascismo: controle de um sobre todos e o manejo da Historia como uma carroça em direção ao “socialismo” imaginário em que creem ou fingem crer.

Ser esquerdo-petista é uma boa desculpa para a própria ignorância (como o são!) — “não preciso pensar muito ou estudar, pois já sou um militante do futuro!” Entrar no partido é sentir-se vitorioso, escondendo o fracasso de suas vidas pessoais, por despreparo ou incompetência.

Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 1940. Não precisam estudar nada profundamente, por serem “a favor” do bem e da justiça — a “boa consciência”, último refugio dos boçais.

Aliás, vão além: criticam a competência como porta aberta para a direita; competência é coisa de neoliberal, ideia que subjaz por exemplo na indicação de Joaquim Levy — “neoliberal sabe fazer contas”, pensam. Se não der certo, por causa de suas sabotagens, a culpa é dos social-democratas. Como não têm projeto algum, acham que os meios são seus fins.

A mente dos petistas é uma barafunda de certezas e resume as emoções e ações humanas a meia dúzia de sintomas, de defeitos: “sectários, obreiristas, alienados, vacilantes, massa atrasada e massa adiantada, elite branca” e ignoram outros recortes de personalidade como narcisistas, invejosos, vingativos e como sempre os indefectíveis filhos da puta. Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como “burgueses”.

Obstinam-se com teimosia nos erros, pois consideram suas cagadas “contradições negativas” que se resolverão por novos acertos que não chegam nunca. Há anos vi na TV um debate entre o grande intelectual José Guilherme Merquior e dois marxistas que lamentavam erros passados: derrota em 1935, 56 na Hungria, 68 na Tchecoslováquia, 68 no Brasil, erros sem fim que iriam “superar.” Mas nada dava certo. Merquior não se conteve e replicou com ironia: “Por que vocês não desistem”?

Não pode haver dúvida da loucura contida nisso tudo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele. Muitos são psicopatas, mas a maioria é de burros mesmo.

Arnaldo Jabor

Não vai dar certo

Como pode dar certo um governo cuja base está dividida e se assemelha a uma Torre de Babel?
A cabeça da presidente deve estar azucrinada de tantos conselhos. O que não faltam nos círculos petistas são engenheiros de obras prontas, com soluções mágicas e contraditórias.

Wladimir Pomar, por exemplo, coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, escreveu um alentado artigo sobre o “desafio da retirada estratégica”.

Sem papas nas línguas, o autor diz que os dirigentes envolvidos em caso de corrupção, deveriam pedir desculpas ao povo brasileiro e à militância, ”ao invés de viverem reiterando sua inocência, ou levantando o punho em sinal de luta”.

Dilma, claro, não deu atenção às palavras de Pomar ou não leu o seu artigo. Preferiu seguir o conselho de seu marqueteiro e jogou, com a maior desfaçatez, a responsabilidade da corrupção na Petrobrás para as costas do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A tática do punguista que grita pega o ladrão denunciada por FHC não vai dar certo. Não resistirá à lógica implacável dos fatos. Tanto que já virou motivo de piada.

Para manter sua versão o palácio do Planalto depende do mutismo dos diretores de construtoras presos na Polícia Federal. Um deles, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, já sinalizou o tamanho do estrago que poderá causar.

O problema do governo Dilma não é de marketing, é de credibilidade. É da falta de um discurso consistente com respostas para a crise ética, econômica e política.

Leia mais o artigo de Hubert Alquéres

Legenda de caminhão


Beijando ditador

O recente triunfo da Beija-Flor ilustra bem esta visão seletiva, e a seletiva falsificação da realidade. Assistindo ao desfile da Beija-Flor, há quem só tenha visto a riqueza dos trajes, as cores das plumas, a profusão de máscaras africanas, a ala dos ancestrais celebrando as tradições de um pequeno país africano. Porém, olhando melhor, não há como não ver o cinto do caubói. No caso, o rosto crispado de um dos mais terríveis e corruptos ditadores do nosso tempo: Teodoro Obiang.
“O dinheiro não tem cor” — argumentam alguns: “o importante é que a festa foi bonita.”
Errado. Uma coisa é aceitar apoio financeiro de Cabo Verde, Botswana ou Namíbia, para citar apenas três países africanos com democracias sólidas, outra é vender a alma ao diabo. Obiang está comprando consciências. O ditador da Guiné-Equatorial já conseguiu que o seu regime fosse aceito na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, generosa ideia do embaixador José Aparecido de Oliveira, entretanto muito aviltada. Agora quer mais. Hoje paga a festa, amanhã irá cobrar.
“Posso convidá-lo para jantá-lo?” — pergunta o lobo ao cordeiro. E o cordeiro vai.Leia mais o artigo de José Eduardo Agualusa 

O que o Brasil pode aprender com a Itália com o Petrolão

O que a abertura da fatal caixa de Pandora das investigações pode causar ao mundo político brasileiro ainda é uma incógnita
O Brasil está à espera para saber os nomes de políticos e partidos escondidos na caixa de Pandora do Petrolão. Na mitologia grega, essa caixa, que era na verdade uma ânfora de barro, guardava “os males que afligem a humanidade”.

Pandora era a mulher que Zeus havia criado “para introduzir os males na vida dos homens”. Como a antecessora de Eva, Pandora era a que carregava todos os problemas do mundo.

Hoje a sociedade moderna redimiu a mulher do estigma de ser a grande sedutora e a origem de todas as desgraças. A política é um substantivo feminino e sua finalidade é a de criar bem-estar e felicidade aos cidadãos.

O possível resultado político dos males que a abertura da fatal caixa de Pandora pode causar ao Brasil ainda é uma incógnita. Há quem já fale de escorregões no abismo e quem prefira ver nessa atitude de coragem de juízes, promotores e policiais um sinal de ressurreição de um novo modelo de política, um modelo que rompa com os velhos esquemas do passado para dar vida a um novo rumo histórico.



 Que o Brasil seja capaz de esvaziar a velha caixa de Pandora da mitologia grega para enchê-la de novas esperanças. Que nela possam entrar, depois da tragédia do Petrolão, novas forças, políticos mais conectados com a voz das ruas, menos preocupados em enriquecer, e que ressuscitem esse país da crise à qual foram arrastados pela mitológica e trágica grega Pandora
Neste momento é, no entanto, imprescindível olhar para a Itália de 1992, onde houve uma abertura da caixa de Pandora mais parecida com a brasileira. Foi quando, depois de um período de decadência da política tradicional, o promotor Antonio Di Pietro lançou a operação Mani Pulite ou Tangentopoli, na qual a nata dos políticos dos partidos mais importantes acabou na prisão, ao lado de dezenas de grandes empresários cúmplices por terem enriquecido ilegalmente, e também seus partidos.

O juiz Sergio Moro, protagonista da Tangentopoli brasileira, a Lava Jato, já havia lembrado, há dez anos, que o Brasil caminhava para algo parecido ao vivido na época pela Itália.

E também é possível que aqui, juntos, políticos e empresários acabem condenados e que os grandes partidos que até agora governaram o Brasil possam ser duramente punidos nas urnas, como aconteceu na Itália, onde a Tangentopoli abriu caminho para novas legendas nascidas do nada.

Leia mais o artigo de Juan Arias

Titanic brasileiro leva Oscar


Dinheiro na mão

Com US$ 550 milhões do BNDES, Dilma renova fôlego da Odebrecht na crise, que expõe empreiteiras atropeladas pela ganância em negócios com a Petrobras
A decisão do governo Dilma Rousseff de financiar a construção de térmicas a carvão na República Dominicana levou alegria ao Palácio Nacional, em Santo Domingo, e à sede da Odebrecht, na Praia de Botafogo, no Rio. Os seis mil quilômetros que separam os edifícios foram abstraídos no mapa de interesses dos governos e da empreiteira brasileira.

Dilma ajudou a revigorar a campanha do presidente dominicano Danilo Medina em sua batalha doméstica para mudar a Constituição, para poder disputar novo mandato em 2016.

E renovou o fôlego da Odebrecht em plena crise, detonada pelas investigações sobre corrupção na Petrobras, que expõe as construtoras em indigência de caixa e de crédito.

O empréstimo de US$ 550 milhões do BNDES Social à República Dominicana foi autorizado na terça-feira, 30 de dezembro. Negócio regular, mas peculiar. Em valor ultrapassa a soma do apoio dado pelo BNDES nos últimos 17 anos às exportações para países vizinhos como o Chile. Equivale à metade dos financiamentos do banco à Venezuela durante os governos Hugo Chávez e Nicolás Maduro, até setembro.

É pouco mais de meio bilhão de dólares para duas usinas térmicas a carvão. Créditos a esse tipo de indústria, altamente poluidora, estão praticamente banidos do cardápio de instituições internacionais, como o Banco Mundial
.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A 'maçã' e a Justiça

A política da "maçã podre" é danosa para o combate e a prevenção à corrupção. (...) A corrupção não decorre só de fatores individuais, mas também organizacionais. Não queremos só medidas em relação aos indivíduos, mas também às empresas, a aparatos organizados que contribuíram para que isso acontecesse
Deltan Dallagnol

No Oscar do Brasil

Filme B


Neste faroeste do cerrado, bandido que se presa sai (e às vezes cai) atirando. Tenta convencer que sempre foi assim. Que é tudo igual. Que todos são o mesmo

Engana-se quem pensa que é pesadelo. Sonhos ruins duram pouco. Desaparecem com despertar sobressaltado, agitado, cheio de ansiedade. Tem vida curta e deixam poucos resíduos.

Também se engana quem já viu este filme. Não é filme antigo. Não se trata de reexibirão. O que não quer dizer que a historia seja original. O filme de hoje é refilmagem sem versão original.

Espécie de filme b que agride olhos; perfura ouvidos; ofende inteligências. Enfim, mesmo que tenha sobrado orçamento na produção da historia, falta qualidade a narrativa. Talento é coisa difícil de ser comprada.

Já faz tempo que o roteirista de dispensou da obrigação de produzir narrativas sem sentido. E, pior ainda, repete, em ciclos, a mesma sequencia narrativa. Nos primeiros momentos, esconde a realidade e vende castelos nas nuvens, contos de fada, ou historias desconectadas de qualquer sentido ou materialidade.

Baixada a poeira, a ilusão não mais se sustenta. E nosso roteirista abraça a negação. Faz de conta que o elefante não esta na sala. E diz que não existe, não viu, não sabe, ou não é com ele. Finge. Finge tão completamente que chega a se convencer de sua própria mentira.

Nem sempre a repetição da mentira parece verdade. Na maior parte dos casos, parece mentira velha mesmo. Diante disso, o dedo indicador parece começar a funcionar. Fabricar culpados é tarefa simples. Basta distender o indicador. Não precisa imaginação, talento, ou arte. Embora a falta de escrúpulos ajude muito, a falta de familiaridade com o idioma compromete.

O problema, neste caso, é que a eficácia do dedo indicador é diretamente proporcional a credibilidade de seu dono. E credibilidade é coisa rara neste ajuntamento de cérebros baldios. Na impossibilidade de culpar exclusivamente ao outro, as opções diminuem.

Neste faroeste do cerrado, bandido que se presa sai (e às vezes cai) atirando. No que vê e no que não vê. Invariavelmente acerta o próprio pé. Mas sempre espalha a lama. Pinta todos com a mesma cor. Tenta convencer que sempre foi assim. Que é tudo igual. Que todos são o mesmo.

Incapaz de levantar o nível investe em rebaixar o teto.

Pobre pobre

Amado seja aquele que tem percevejos,
o que anda sob a chuva com sapatos furados
o que vela o cadáver de um pão com dois fósforos,
o que prende um dedo numa porta,
o que não tem aniversário,
o que perdeu sua sombra num incêndio,
o animal, o que parece um papagaio,
o que parece um homem, o pobre rico,
o puro miserável, o pobre pobre! 
Cesar Vallejo