quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pão ou circo no Brasil


A Copa pode contribuir para reparar danos ou agravar o mal-estar entre os cidadãos
 A narrativa nacional brasileira era cristalina até um ano atrás. Mas o Mundial de futebol pode contribuir para reparar danos ou agravar o mal-estar entre os cidadãos, especialmente tendo em vista as eleições presidenciais de 5 de outubro.
Existe o risco de que a nação latino-americana fique como uma “potência emergente congelada”
O presidente Lula afirmava que estava sendo criado um novo país, no qual o progresso econômico e social assumiam o valor de uma refundação. As taxas de crescimento superavam 4% até chegar a 7%; 40 milhões de brasileiros tinham saído da pobreza para integrar-se nesse balaio de gato chamado “classe média”; a política externa era muito ativa, com forte investimento cultural e econômico na África; o Brasil era membro fundamental dos BRICS, o grupo das grandes potências emergentes; reivindicava um assento no Conselho de Segurança e entre suas pretensões mais intangíveis figurava a hegemonia e direção de um vasto bloco latino-americano.
A segunda fase dessa investida teria de ser desenvolvida pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff. Mas existe uma antinarrativa das massas que desencadearam um irado protesto em junho de 2013, inicialmente contra o aumento do preço do transporte, mas logo depois contra o esbanjamento e a corrupção da Copa, que custou, oficialmente, 28 bilhões de reais, e que em sua inauguração tinha oito estádios sem terminar e um rastro de acusações de desembolsos e reembolsos mal explicados.


Brasil piora em paz e segurança

O Índice Global da Paz divulgou nesta quarta-feira um novo levantamento sobre os países mais seguros do mundo. Com estatísticas que mesclam o impacto da violência na economia, e considerando ainda fatores como índices de democracia, transparência, educação e bem-estar material, além do nível de militarização e atividades criminosas ou terroristas, a organização constatou que a Islândia segue como o país mais seguro para se morar. Em contrapartida, a Síria apresentou uma drástica decaída em seus níveis de segurança e tomou a última colocação do ranking, ocupada anteriormente pelo Afeganistão. O Brasil caiu cinco posições no ranking em relação ao ano passado e ocupa a 91ª posição entre os 162 países analisados. No total, o índice é composto de 22 indicadores qualitativos e quantitativos.
Atrás de Bolívia e Guiana, por exemplo, a economia brasileira sofreu um impacto de 117 bilhões de dólares causado pela violência, conforme dados do estudo. Segundo Steve Killiliea, presidente executivo do Global Peace Index (GPI), “na preparação para a Copa do Mundo, o Brasil viveu um aumento de manifestações violentas”. Mas ele ressalta que “apesar da queda de cinco lugares na classificação no índice, o Brasil continua a ser o melhor entre os países do BRICS”.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Arte brasileira

Vilarejo com paisagem
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897/1976)

Tudo igual

"Hoje os jornalistas não fazem bem seu trabalho. Falta a eles imaginação e também olfato para saber onde estão as boas histórias. Dependem demasiado dos políticos e os políticos lhe oferecem uma versão manipulada da realidade. Os jornalistas estão aí para ajudar seus leitores a compreender melhor a realidade e não para deixarem-se leva pela propaganda do governo.(...) Hoje todos os jornalistas fazem o mesmo. Estão muito próximos do poder econômico, político ou militar. Não são suficientemente radicais, céticos ou independentes. Precisamos de mais jornalistas que desconfiem do poder"

Gay Talese 

Na falta de política, militares


“O Conselho Sul-Americano de Defesa é o único organismo da Unasul a registrar alguma atividade. Quem o estimula é o Brasil, que pretende isolar sua vizinhança dos Estados Unidos – os antigos reflexos anti-imperialistas do PT” 
Dilma Rousseff mobilizou os soldados brasileiros para blindar as 12 sedes da Copa. Durante a campanha colombiana que culminou na reeleição de Juan Manuel Santos, discutiu-se se a instituição militar estava sendo traída pela paz com a guerrilha. Há um mês, a Assembleia Nacional do Equador autorizou que os militares garantam a ordem pública. Desde 2011 o Exército argentino combate o narcotráfico na fronteira com a Bolívia. Nada que surpreenda colombianos ou mexicanos, acostumados a que essa luta seja um objetivo militar. O fenômeno se generalizou: as Forças Armadas, cujo recolhimento profissional foi decisivo para o processo de democratização, voltam a gravitar na América Latina.
A passagem da ditadura ao Estado de Direito implicou para a maioria dos países erguer um muro entre Segurança e Defesa. Essa delimitação está se tornando cada dia mais imprecisa.



terça-feira, 17 de junho de 2014

Ódio, teu nome é revolta


Depois de começar com uma campanha da “esperança para vencer o medo”, lembrando os idos de 2002, os petistas liderados pelo supremo guru Lula se lançam na luta da “esperança para vencer o ódio” em resposta aos xingamentos à presidente na abertura da Copa. Como de costume, são camaleônicos, vestem a camisa da vez, esbanjam o blábláblá, e criam motes aos borbotões. É mais uma alteração de última hora para camuflar, ou tentar, a queda presidencial nas pesquisas.
O chavão desgastado não emplacou se tão pouco durou. Era preciso colocar o trovejante e bom de boca ex-presidente para dar uma resposta ao ataque do estádio. E embora pareça que se saiu bem, em verdade tropeçou nas palavras para um mero entendedor.
Se já não era bom falar em medo de mudança de 12 anos de governos marcados por corrupção, agora inventou-se o ódio como mote de uma campanha que querem isenta de agressões.
Mas convém lembrar que ódio é gratuito quando seja de um psicopata. E estamos tratando de eleitores que não são delinqüentes mentais. O ódio em questão, muito mal expressado nos xingamentos, não é nada mais do que expressão, extrema e equivocada, da imensa revolta pelo destrambelado governo de Dilma e o petismo marcado pela corrupção, o conchavo, a cooptação, o toma lá dá cá, a farta distribuição de benesses aos mais ricos, tudo sob uma capa de socialismo à brasileira. Essa a revolta que não querem ver, nem muito menos admitir, para não influir na eleição.
Querem os petistas de qualquer forma esconder a revolta, em maioria no país, contra um governo e seu principal partido que estão pretendendo instituir uma ditadura de bananas, para que possam se locupletar por mais tempo até do que o previsto de 20 anos no poder. Mas definir os opositores como estandartes do ódio é simplesmente colocar num balaio todos os revoltados do país, e não são poucos. E se arriscam muito a que o balaio transborde nas urnas afogando suas esperanças de continuísmo acima de tudo, acima de todos e atropelando todas as leis.

"Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”
 Georg Lichtenberg (1742-1799)

A Copa ou o cálice da amargura


"O problema parece muito complicado, mas no fundo é muito simples: não há bala nem exército capazes de deter as vontades do povo"  
O ministro do Esporte brasileiro, Aldo Rebelo, disse que Dilma Rousseff não iria à abertura da Copa do Mundo. E a presidenta, mostrando ter uma mente aberta, que está incluída em seu salário, foi e ouviu o apito que deu início ao jogo entre Brasil e Croácia. E escutou também as vaias e xingamentos para os quais já estava preparada porque costumam acompanhar a comitiva presidencial.
São Paulo é como Madri e é também como qualquer outro lugar do mundo. O problema parece muito complicado, mas no fundo é muito simples: não há bala nem exército capazes de deter as vontades do povo.
Por isso, o que revelam as imagens do Exército nas ruas, seja ao vivo ou pela televisão, é que, na era do Twitter, os que têm medo são os uniformizados, representantes de uma ordem já insustentável porque a semente da desordem vem da desigualdade. Os incidentes do Rio, de São Paulo, Madri, Barcelona ou Paris não são lamentáveis; o que é lamentável é a linguagem, porque as promessas já ficaram para trás.

Dois legados da Copa


“Um legado da Copa é a percepção da corrupção nas prioridades; outro é descobrir que os candidatos estão sendo incapazes de perceber essa novidade”
 Ainda é cedo para saber qual legado da Copa ficará entre todos os que foram prometidos, mas é possível saber que um ficará: a percepção popular da corrupção nas prioridades. Faz anos, descobrimos a corrupção no comportamento dos políticos, mas ainda não tínhamos consciência da corrupção nas prioridades da política.
Horrorizamos-nos com o roubo de dinheiro público levado para o bolso de políticos, mas ainda não nos horrorizávamos com o desperdício de prioridades que desviam dinheiro sacrificando os interesses da população e do futuro.
É muito possível que seja descoberto roubo de dinheiro público durante as obras da Copa, mas desde já é possível perceber que houve desvio de outras finalidades mais úteis ao futuro do país e ao bem-estar da população de hoje. Um exemplo é o estádio de cerca de R$ 2 bilhões em Brasília.
Foi preciso fazermos a Copa para descobrirmos que desviar dinheiro para prioridades menos importantes é também roubo: mesmo se não houver apropriação privada do dinheiro público.
A população brasileira — tolerante com a desigualdade social, com forte preferência pelo presente, habituada ao uso do artifício histórico da inflação para financiar os gastos, e submetida à manipulação facilitada pela pouca educação, mesmo entre aqueles com nível de instrução superior — não costumava fazer as contas de quanto custava cada obra, nem o que poderia ter sido feito de diferente.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)
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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pergunta indiscreta


Política cultural do atraso

O atraso de uma cidade não se mede apenas pelo que falta. A medida também pode ser feita pelos projetos, na maioria, em desuso por outras administrações e até não conformes com o politicamente correto. O abuso constante das populações através de obras e ações nada mais do que demagógicas e eleitoreiras entram no cálculo desse atraso que assola a maioria das administrações municipais pelo país afora.
Embora sejam uma maravilha nos folhetos de propaganda, nas matérias pagas dos jornais, na boca dos correligionários cooptados pelo dinheiro, em discursos babosos, os municípios assim administrados estão mais do que atrasados. Estão mesmo enfiados num lodaçal de canalhocracia, pois a calhordice virou mel na boca de muitos.
Com a ignorância que lhes é peculiar, os governantes e seus asseclas disparam loas a projetos de meia pataca como se fossem as mais revolucionárias realizações. Não só por serem canastrões de marca inferior como ainda por cima desclassificados para os cargos comissionados que ocupam. A ignorância entre eles é crassa de modo que transferem essa carga miasmática de burrice aos propalados projetos.
Exemplo recente está com um secretário, ou secretino, como já se convencionou chamar a canalha governamental em Maricá. Desqualificado de carteirinha, fala de uma “política cultural que aposta na oferta de atrações gratuitas para todos”, que nada mais é do que a gastança de dinheiro público para apresentação de shows como se os artistas da arraia miúda fossem a única opção de cultura para o município acima da literatura, das artes plásticas, da música erudita e popular de qualidade. E tudo oferecido com a velha e desgastada chancela de gratuidade, que não passa de um engodo, mais um, quando se sabe que o dinheiro para os shows comerciais são tirados de setores importantes para a sociedade como saúde e educação.



"Continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento da língua e a manutenção do atraso e do privilégio"

Reflexão sobre a democracia social


A América do Sul foi, nestes anos, um laboratório político. Alguns países, o Peru entre eles, escolheram um caminho realista para o desenvolvimento econômico e social. Outros repetiram receitas errôneas e hoje devem pagar por seu equívoco. As cifras são contundentes. Segundo as projeções dos organismos mundiais (FMI, Banco Mundial) Peru, Chile e Colômbia podem crescer 5,5%, 4,5% e 4% em 2014, e em 2015 obteriam 5,5%, 4,5% e 4,5%, porque escolheram o caminho da abertura para o mundo, o investimento, a infraestrutura social e a educação como instrumentos da democracia para a redução sustentável da pobreza que, no caso do Peru, baixou de 48% para 28% em cinco anos, graças a um crescimento anual de 8%.
Outros, como a Venezuela, a Argentina e o Brasil optaram, em maior ou menor medida, pela regulação extrema ou o estatismo, o protecionismo, a distribuição de subsídios e o discurso confrontacional. Mas seu crescimento em 2014 será de 1,5%, -0,5% e 1,8% respectivamente, e em 2015 ficará em 1%, -1% e 2,7%. Por conseguinte, seus níveis de pobreza e de inflação aumentarão, sua infraestrutura decairá – e as massas brasileiras já denunciam isso –e crescerá seu endividamento público, que nos outros três países diminuiu. Tal é a consequência de dez anos de chavismo ou socialismo do século XXI e de torneios retóricos quase sempre acompanhados de limitações às liberdades democráticas.

Alan García foi presidente do Peru entre 1985-1990 e 2006-2011. Leia mais

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Imagem do Dia


É hora de a Fifa descer do pedestal


Finalmente a Copa vai começar! E, quando a bola rolar, todas as preocupações em torno da organização do espetáculo esportivo no Brasil serão coisa do passado, é o que esperam muitos aficionados pelo futebol. O que interessa são os gols, e o orgulho nacional dos torcedores cresce a cada vitória das suas seleções.
Mas essa expectativa será cumprida apenas em parte. Pois essa Copa mudou o Brasil antes mesmo do apito inicial. E ela também vai mudar a Fifa. A disposição de sediar uma Copa do Mundo dentro do "padrão Fifa" diminuiu muito, em todo o mundo, depois dos protestos no Brasil. Justamente no país do futebol, o padrão Fifa chegou aos seus limites, e é bom que seja assim.
O Brasil questionou o modelo de negócios da Fifa. Como é possível, indagaram muitos dos 200 milhões de brasileiros, que a Constituição e a legislação do país sejam parcialmente suspensas por causa de uma Copa do Mundo? Que uma lei especial aprovada às pressas suspenda a proibição da venda de álcool nos estádios? Como é possível que, para patrocinadores e dirigentes, existam leis diferentes daquelas válidas para a população? E que uma federação esportiva e seus parceiros fechem contratos às custas do bem coletivo e restrinjam a liberdade de circulação de milhões de pessoas?

É o que é


MPT fiscaliza condições em clubes

Sediar uma Copa do Mundo e ter novos estádios não significa que os clubes brasileiros oferecem boas condições em sua formação profissional de base. Foi o que constatou o Ministério Público do Trabalho em 29 inspeções realizadas em 22 clubes de futebol do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Roraima, Mato Grosso e Minas Gerais, entre eles Flamengo, Corinthians e Atlético Paranaense. Os principais problemas encontrados foram a formalização de contratos firmados com os adolescentes e existência de alojamentos insalubres e degradantes, com instalações sanitárias e vestiários precários.
As irregularidades nos contratos se referem à falta de documentação dos adolescentes e crianças e a autorização dos pais. Em alguns casos, faltam até contratos. Nos alojamentos de atletas adolescentes, há condições degradantes e insalubres, como falta de armários individualizados e condições de higiene inadequadas. Nem todos os clubes contam com estrutura de acompanhamento interno de médico, psicólogo e fisioterapeuta para atendimento dos atletas, por exemplo, em casos de grave lesão. Um dos quesitos que a maioria dos clubes tem de positivo é a alimentação, que segue padrão de higiene e  nutrição balanceada.
Para o procurador do Trabalho Rafael Dias Marques, coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do MPT, o relatório das inspeções demonstra que “a formação profissional de atletas no Brasil, em grande parte, ocorre em desrespeito aos direitos fundamentais da infância, o que deve servir de alerta ao sistema de garantia”. Segundo ele, os clubes serão chamados para ajustar suas condutas ilícitas, podendo, ainda, sofrer ações judiciais para reparação dos danos causados.
Foram inspecionados Botafogo, Fluminense, Flamengo (RJ);  Palmeiras, Nacional, Audax, Corinthians, São Paulo, Botafogo, Comercial, Guariba, Monte Azul, Olé Brasil, Sertãozinho (SP); Mamoré, Nacional de Nova Serrana e Patrocinense (MG); Atlético Paranaense e Centro de Excelência Alexandre Pato (PR); Genus (RO); Brasil Central e Cuiabá (MT).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O país da Copa

 

Alta de bolsas eleva patrimônio privado global

Os ganhos no mercado financeiro, em especial na China, elevaram o patrimônio global das famílias em 14% no ano passado, para um volume recorde de US$ 152 trilhões - o equivalente a cerca de dez vezes o tamanho da economia americana, segundo um relatório da consultoria Boston Consulting Group.
No Brasil, onde o patrimônio das famílias havia crescido 14% em 2012, a alta em 2013 foi menor - 5,6% - por causa do ritmo mais fraco do mercado de ações e títulos no ano passado.
O patrimônio é calculado levando em conta a poupança, depósitos em dinheiro, ações e outros ativos. Imóveis, artigos de luxo e empresas não são contabilizados.
“Pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
Almeida Garret

Brasil de outros tempos

Estrada do Mundo Novo com Pão de Açúcar ao fundo, Abigail de Andrade (1864/1890)

Perigosos

“Nunca ataco os escritores; os políticos são bons alvos porque são perigosos”
Gore Vidal, escritor norte-americano (1925 -2012)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Algo de podre no ar


Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”,
Trecho de um dos documentos dos dissidentes (41%) na convenção nacional do PMDB. Se o partido de base do governo diz isso, mesmo indicando diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma, é que a coisa está feia. Aliado de 12 anos agora vem revelar os podres?

Dica pra Copa


Abismo na educação entre Brasil e países ricos


O brasileiro trabalha mais do que a média dos habitantes dos países ricos, mas é mais pobre do que todos.
A explicação:o brasileiro trabalha, trabalha e no final produz pouco, pois é pouco instruído. Ou seja, seu suor não agrega muito à economia.
Um novo estudo da OCDE, espécie de clube dos países ricos, mostra que, apesar do zunzunzum "Brasil potência” da última década, o Brasil ainda tem muito chão a percorrer antes de comparar-se ao primeiro mundo.
Aqui, apenas 43% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. É muito menos do que a média da OCDE (75%) e bem menos do que o nosso vizinho Chile (72%).

Conta outra, presidenta


É piada pra rir ou lamentar, presidenta? De repente, não mais do que de repente, a senhora descobre a pólvora. com ares doutorais, com beca e capelo, estabelece que a distribuição de renda será estratégica na educação. Eureka! Eureka! E sai ela da banheira do Planalto em altos brados como uma Arquimedes em véspera de eleição, quando todas as bobagens são permitidas para arrancar um votinho do eleitor panaca. Com um dos piores índices de educação no mundo, a inteligência governamental descobre que aí está a saída para o progresso. Seria mais uma bobagem se não fosse tão calhorda a afirmação da presidenta. Não precisa ter os dotes presidenciais para se saber muito bem que a educação é estratégica para a distribuição de renda, em suma, para a economia.

Apesar das demagógicas medidas anunciadas, de um destrambelhada administração da dupla aloprada, Mercadante e Haddad, incapazes de qualquer medida realmente educacional no país, o tema está novamente em foco. Mas que foco será esse que continua a ser uma piada educacional? Qualquer néscio em educação sabe que a mínima medida adotada hoje no setor só terá resultados em 20 anos! E as erradas, eleitoreiras medidas, não têm qualquer sentido, ainda prorrogando indefinidamente o prazo para maiores conquistas no setor. O Brasil está rendido para mais três décadas, no mínimo, de falta de educação com o que os petistas organizaram o setor. E ainda fazem de tudo para aparecer bem na foto até inaugurando iniciativas privadas, alegando parceria entre empreendedores e universidades, como se isso fosse ação de governo.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Protesto das ruas






"Não importa o quão bem-sucedido seja o evento, e quão mágica será a atmosfera entre 12 de junho e 13 de julho, duas crenças básicas provavelmente não serão abaladas: uma significante parcela da população brasileira seguirá com a opinião de que a Copa do Mundo custou demais, e deu muito pouco retorno."
 Tim Vickery em O 'clima' de Copa está chegando, mas e os protestos?

Países sem excelências e mordomias



A série de reportagens para a televisão feitas por Cláudia Wallin agora se torna livro. "Um país sem excelências e mordomias" foi lançado pela Geração Editorial


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cobrança

"Depois da Copa, a gente volta a cobrar os políticos"
Daniel Alves, lateral direito da Seleção Brasileira

Governo nega projeto 'marxista'

Um projeto de pesquisa envolvendo três universidades públicas foi negado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), por utilizar o marxismo “cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa” como metodologia, segundo parecer da instituição.
O projeto intitulado “Crise do Capital e Fundo Público: Implicações para o Trabalho, os Direitos e as Políticas Sociais” foi apresentado para um edital da Capes por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduados da Universidade de Brasília (Unb), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
 "As ciências humanas vêm perdendo espaços nas agências de fomento em função da predominância da técnica em detrimento da crítica. O problema é ideológico. Ao negar o marxismo, estão negando pesquisadores como Florestan Fernandes, Octavio Ianni e Marilena Chauí"
  Elaine Behring, uma das coordenadoras

Leia mais Governo nega projeto por ser marxista e revolta pesquisadores da UnB, Uerj e UFRN

sábado, 7 de junho de 2014

O mito caiu







"Quando Lula trouxe a Copa para o Brasil, seria o coroamento de um ciclo dourado do governo Lula, mas o eleitor está percebendo agora que foi o fim de um mito, que o mito ruiu."



Dilma perde pontos


Vamos de valsa



Valsa-choro #1 (1950) de Francisco Mignone (1897/1986)

Austeridade, orgulho dos políticos uruguaios

O presidente Mujica sai de casa para mais um dia de trabalho

Com a substituição de José Mujica no comando da presidência do Uruguai, haverá, sem dúvidas, uma mudança em um estilo único de governar. Mas todos os candidatos eleitos no último domingo deverão manter a austeridade que tanto chamou a atenção do mundo. Sem dúvida alguma, o ex-guerrilheiro tupamaro levou até a última instância o perfil discreto característico da política uruguaia. Mas passando em revista os presidenciáveis, da esquerda à direita, nenhum se projeta fora do campo da igualdade social, tão apreciada pelos uruguaios.
“Ninguém é melhor do que ninguém” é um dito popular que os uruguaios levam gravado em seu DNA e que Mujica colocou novamente na moda.Políticos e eleitores se projetam como parte de uma democracia social.

Nesse contexto, as declarações de bens dos candidatos, publicadas recentemente pelo jornal El Observador, indicam a modéstia com que os políticos enfrentam o acesso à liderança de seus partidos ou a chegada às instâncias máximas do poder. O líder da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, principal favorito para as eleições presidenciais de 26 de outubro, tem uma das melhores situações financeiras no grupo de presidenciáveis. Médico especialista em oncologia, recebe uma pensão como ex-presidente (cargo que ocupou de 2005 a 2010) que não passa dos 1.900 euros mensais (cerca de R$ 5.875), além de continuar exercendo a medicina, com uma renda média de 1.800 euros. Seu patrimônio total não chega a meio milhão de euros.





"Eu não sou pobre, pobres são os que crêem que eu sou pobre. Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas só para poder ser rico. Quero ter tempo para dedicá-lo às coisas que me motivam. Pois se temos tempo para o que realmente nos entusiasma, não somos pobres"
José Mujica, presidente do Uruguai

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Transposição só em 2016


Um representante do Ministério da Integração Nacional admitiu à BBC Brasil que existe a possibilidade que a obra de transposição do rio São Francisco, cuja previsão de conclusão é de até 2015, só termine em 2016.
Frederico Meira, Coordenador Geral de Acompanhamento e Fiscalização de Obras do Ministério da Integração Nacional, fez a afirmação em Salgueiro, cidade no sertão pernambucano, durante a realização de uma série de reportagens sobre a obra.
Meira disse que o prazo de conclusão para dezembro de 2015 é "factível e real", mas admite que pode haver mais atrasos.
"Vamos dizer que a gente tenha um nível de chuva, como que a gente teve neste ano, no próximo ano. Se a gente mantiver, certamente compromete o ritmo da obra", disse.
Questionado se as obras poderiam então se arrastar para 2016, reconheceu o risco.
"Pode acontecer, mas num intervalo pequeno de um, dois ou três meses, não mais do que isso. Mas infelizmente pode acontecer", afirmou.

Oitava maravilha

'O consumo não é um "remédio" universal'

Aos 88 anos, Zygmunt Bauman viu alguns dos maiores horrores da história recente. Como polonês de origem judaica, sofreu com o nazismo. Depois, sob o regime comunista, suportou a repressão da Primavera de 1968 e, de novo, o antissemitismo soviético. E, já instalado na Inglaterra, suas lúcidas reflexões sobre a “modernidade líquida” chocaram o thatcherismo e outras manifestações da realidade contemporânea. O pensador, Prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades em 2010, todavia não pensa em calar a voz e acaba de publicar um ensaio intitulado com uma pergunta retórica( "A riqueza de uns poucos beneficia a todos?”) em que tenta desvendar as chaves de por que essa ideia se instalou na sociedade moderna.

“Cada vez que há uma crise econômica, sempre há um político que sai a dizer que os consumidores mostrarão o caminho para sair da depressão, que quando as pessoas voltam às lojas, tudo retomará a normalidade. É uma questão difícil, porque cada vez somos mais conscientes de que as assertivas em que se baseia essa afirmação são incorretas” 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

TSE evita novos testes em urnas


O Tribunal Superior Eleitoral não vai realizar novos testes públicos na urna eletrônica nesta véspera de eleições, como vinha sendo uma tradição desde o pleito de 2010. Por uma incrível coincidência, a decisão vem depois que uma equipe da UnB quebrou o sigilo da urna nos últimos testes, há dois anos.
Segundo o tribunal, “o objetivo do TSE é a realização periódica destes testes, porém não há um calendário fixado para tanto”. Além disso, “considerando tratar-se de um ano eleitoral, não haverá teste de segurança neste ano” – curiosamente isso não impediu a realização de testes em 2012.
No lugar dos testes públicos, o TSE decidiu criar um grupo de trabalho sobre a segurança da urna eletrônica. O grupo é constituído essencialmente por integrantes da Justiça Eleitoral, além do professor Mamede Lima Marques, da Universidade de Brasília.
Marques, no entanto, não fez parte do grupo da UnB que teve sucesso em violar o sigilo dos votos nos últimos testes – ele integrava o grupo responsável pela avaliação dos testes e entende que a urna brasileira é suficientemente segura, sendo desnecessária, inclusive, a reintrodução da impressão do voto.

Por que eu não quero a Copa no Brasil


Excelentíssima Presidenta Dilma. Em julho de 2011 eu lhe enviei uma carta onde pedia para cancelar a Copa do Mundo e passasse para a História como uma estadista e heroína do nosso povo. A diferença entre um estadista e um político comum é que o estadista se preocupa com a próxima geração e um político só se preocupa com a próxima eleição.
A senhora deveria ter utilizado todo dinheiro dessa Copa para a saúde, a segurança, a educação, estradas e outras centenas de obras que fazem falta para o nosso povo. Infelizmente, a senhora preferiu esbanjar o dinheiro de nossos impostos em estádios e obras superfaturadas e entregar o nosso país para a FIFA.
Eu gosto de futebol, mas eu não quero essa Copa da FIFA, por esse preço. Ela está custando vidas, pois o povo continua morrendo nos hospitais por falta de médicos, leitos, remédios, mas os estádios estão aí, como uma afronta ao bom senso. Na verdade, o nosso dinheiro foi para o ralo e nós continuamos sem o essencial. Pior, também estamos perdendo a dignidade, no meio de tanta corrupção.
Curiosamente, no auge dessa discussão, vimos o ex-presidente Lula, um dos autores desta infame Copa do Mundo, falar que é “babaquice” de brasileiro querer chegar de metrô até os estádios, uma vez que as linhas não ficaram prontas. Disse ainda que nós nunca tivemos problemas de andar a pé. Que o brasileiro vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa.
Já no próprio Portal da Copa, órgão do Governo Federal, o discurso é diferente e o governo ressalta as obras de Mobilidade Urbana, entre elas os metrôs nas cidades-sedes.Voltando ao tema principal, eu não quero a Copa, assim como milhares de manifestantes nas ruas também não a querem, pelo simples fato de constatarem que faltam coisas muito mais importantes.
Perguntem para quem está morrendo numa fila de espera aguardando uma cirurgia que nunca chega, se ele prefere a Copa. Perguntem para um pai que vê seu filho sem escolas se ele prefere a Copa. Essa Copa seria bem vinda se não faltasse nada para o povo, se estivesse tudo funcionando muito bem, desde um hospital decente até uma linha de metrô que vai até os estádios, e não precisássemos de jumentos como solução de transporte público.
No passado víamos o povo decorar as ruas com as cores da nossa bandeira, nos dias de jogos; agora, vemos passeatas plenamente justificáveis, querendo mais brasilidade e menos circo com nosso dinheiro.
 Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço 

Notas sobre a Copa do Mundo


Aumentou consideravelmente o fluxo de prostitutas para a cidade de São Paulo. De garotas de programa que estipulam seu preço em até 800 reais por encontro até as que cobram 50 reais por cliente, muitas estudaram inglês ou espanhol para melhor desempenhar seu papel. O turismo sexual, que contou sempre com o aval oficial nas propagandas do Brasil no exterior, por meio da venda da imagem do país relacionada a mulheres seminuas, deve se constituir no principal legado desta Copa do Mundo. Triste legado.
Mais de um mês antes do inicio dos jogos, inúmeros sites já estavam colocando à venda, com descontos de até 70%, camisas e bonés da seleção brasileira. Em outros tempos, essa seria uma noticia inimaginável. Estampar o orgulho exibindo a bandeira nacional nas janelas ou pintando-a no chão de asfalto ou colando-a no vidro dos carros era quase uma obrigação. Torcer pelo uniforme canarinho, um privilégio. Já existem, no entanto, muitas pessoas que questionam nas ruas, em conversas privadas, ou publicamente, em entrevistas, se vale a pena toda essa dedicação. O que ganhamos com isso, perguntam?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Produto pirata


Reescrevendo a história

Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo Os Sertões, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. Deve ser porque, de fato, não leram, senão a grita ia poder começar até mesmo por Itaparica, onde somos todos, de acordo com a visão dele, mestiços neurastênicos do litoral. A antropologia da época tinha convicções que pode hoje ser qualificadas de racistas, mas era a ciência de então e no mesmo barco estão outros cuja obra haverá de merecer ser reescrita ou banida, como Oliveira Vianna ou Sílvio Romero. Imagino que devemos até nos surpreender por ainda não terem começado uma reavaliação da figura de Machado de Assis, sob a acusação de ele ter sido um mulato alienado metido a branco, ou uma condenação da crítica, por não o haver qualificado de maior escritor negro do Brasil.

"...Continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento                                    da língua e a manutenção do atraso e do privilégio"
Mas, no caso de Machado, dizem as novidades, não se trata de racismo, trata-se da elaboração, com a chancela e o apoio do estado, de versões populares, ou acessíveis à maioria de obras dele. Segundo o que saiu nos jornais, concluíram que os jovens e pessoas menos cultas não leem Machado porque não entendem as palavras e não percebem o que querem dizer certos arranjos sintáticos. Ou seja, o problema é com Machado, cujos textos obsoletos são preservados supersticiosamente e já não têm serventia para as gerações presentes. Urge, portanto, que nos livremos dessa tralha inútil e elitista, corrigindo o muito que clama por atualização.

O pequeno negócio

"Fabricai, pois, uma estátua qualquer; uma vez que a estátua se fez ídolo, uma vez que o pedestal se fez altar, dai o exemplo, prosternai-vos. Não vos resta mais do que um trabalho a executar, e um progresso a efetuar, é o de persuadir esta honesta massa de homens que esta pedra ou este bronze é o Eterno ou o Infinito. Pequeno negócio. Para persuadir a massa, basta amedrontá-la; um milagre ou dois cumprem o mister"
Victor Hugo, em "Pós-escrito de minha vida"

Estátua de Lula ficará exposta nos EUA por três meses com apoio do governo chinês 
que celebra 12 líderes das Américas, entre eles, Abrahan Lincoln e Gabriel García Márques

Queda na satisfação

Pesquisa do instituto americano Pew Research Center, um dos maiores dos Estados Unidos, mostra que problemas na economia e frustração com políticos derrubam humor da população em níveis comparáveis ao do Egito e de nações que passaram por crises institucionais.

"O nível de frustração expressado pelos brasileiros em relação à direção de seu país, sua economia e seus líderes não tem paralelo em anos recentes", diz o texto de apresentação da pesquisa que tem como responsável a brasileira Juliana Horowitz, que analisou 82 países desde 2010.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Vermelho da mentira


O filósofo esloveno Slavoj Zizek, em um banco de praça em Nova Iorque, certa vez contou uma historinha: Um tipo da Alemanha do Leste foi enviado para trabalhos forçados na Sibéria. Sabia que os censores leriam sua correspondência e assim combinou com os amigos: “Se a carta que enviar estiver escrita em tinta azul, o que disser nela será certo; se estiver em vermelho, será mentira”. Um mês depois chegou a primeira carta. Estava escrita em azul e dizia: “Tudo é maravilhoso aqui. Os bares estão repletos de boa comida. Os cinemas passam bons filmes ocidentais. Os apartamentos são grandes e luxuosos. A única coisa que não se pode comprar é tinta vermelha.”      
                                                              ***
No Brasil de hoje a situação é bem diferente. O país, em particular Maricá, está pintado de vermelho e o que falta é tinta azul.

Disse tudo sem falar


“Não é que eu não queira, eu não posso falar”
Graça Foster, presidente da Petrobras

Transparência zero no Rio de Janeiro


Nenhum dos 91 municípios fluminenses fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado-RJ cumpre integralmente as normas de transparência. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo assessor da Coordenadoria de Auditoria e Desenvolvimento do tribunal, Sergio Lino de Carvalho, durante o seminário A transparência na gestão dos recursos públicos municipais, realizado no auditório do TCE-RJ. “Mais de 60% das prefeituras estão no nível inicial de implementação dessas leis e apenas 5,6% figuram no nível avançado”, afirmou Sergio Lino, lembrando que a capital do Rio é fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Município.
 Segundo ele, em 2013, o TCE-RJ analisou, por meio de auditorias, os portais de transparência dos governos municipais, considerando planejamento estratégico de Tecnologia da Informação (TI); números de profissionais capacitados e requisitos tecnológicos disponíveis. Segundo ele, esses processos serão votados, em breve, no plenário e vai exigir uma série de providências das cidades fiscalizadas.
 Coordenador do Núcleo de Prevenção da CGU-Regional/RJ, Marcelo Paluma Ambrózio, ressaltou que apesar dos dois anos de vigência da Lei de Acesso à Informação, muitos municípios brasileiros não estão obedecendo às normas de acesso à informação. “Precisamos sair do discurso para a prática. Não tem como fazer uma gestão transparente sem portal de transparência, sem a regulamentação da lei e sua plena execução”, disse Ambrózio diante de prefeitos, assessores, servidores municipais e gestores de diversos setores.
Segundo ele, o programa Brasil Transparente, da CGU, desenvolvido em parceria com a Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ, tem apoiado os municípios fluminenses no processo de regulamentação e implementação da Lei de Acesso à Informação (LAI). Conforme explicou Marcelo Ambrózio, basta o município ou o estado assinar um termo de adesão para ter acesso à capacitação presencial e virtual oferecida pelo programa.  “Também fazemos a cessão do código fonte do e-SIC, além de fornecer um rol de material técnico, check list e manual sobre portal e sobre a lei de acesso”, resumiu.
Ainda segundo o coordenador da CGU, em janeiro de 2014, a CGU elaborou um mapa e verificou que 73% dos estados regulamentaram a lei. Do total de capitais, 65% também adotaram essa medida. Já com relação aos municípios com mais de cem mil habitantes, o número verificado foi de apenas 24%. “Não tem como falar em transparência sem disseminar para estados e municípios, tem que ser para todo o país”, concluiu.
Em palestra sobre o tema Atuação do MPRJ para o controle do atendimento da Legislação, a promotora Patrícia do Couto Villela, do Centro de Apoio à Promotoria de Justiça e Tutela Coletiva da Cidadania, destacou a importância do Termo de Ajustamento de Conduta na Administração Pública (TAC) como instrumento efetivo de negociação de título executivo extrajudicial. “O objetivo da TAC é criar obrigação adequada para afastar ou reduzir o risco do dano ou sua reparação, ou promover políticas públicas”, ensinou.
 Além de garantir segurança jurídica para o gestor, a TAC é também fator de economia para os gestores, que muitas vezes se veem às voltas com inúmeros processos judiciais individuais, como em casos de desapropriações, por exemplo. “O Termo traz benefícios para o administrador público na concretização do interesse público”, pontuou Patrícia.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não deu na mídia



Dilma foi xingada por aproximadamente 40 mil pessoas no final da apresentação da banda Rappa, no sábado, em Ribeirão
Preto
(SP), durante a 13ª edição do Festival João Rock,
considerado o maior festival de música pop e rock do interior. A sessão de
xingamento se deu quando da fala de protesto do vocalista e líder da banda,
Marcelo Falcão.
 

Basta de fingir


O Brasil comemora sua posição de sétimo maior PIB do mundo, mas o PIB per capita rebaixa o país para a 54ª posição no cenário mundial; no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ficamos em 85º lugar. Fingimos ser ricos, apesar da pobreza.
Nos últimos 20 anos, passamos de 1,66 milhão para 7,04 milhões de matrículas nos cursos superiores, mas quase 40% de nossos universitários sabem ler e escrever mediocremente, poucos sabem a matemática necessária para um bom curso nas áreas de ciências ou engenharia, raros são capazes de ler e falar outro idioma além do português. Fingimos ser possível dar um salto à universidade sem passar pela educação de base.
Comemoramos ter passado de 36 milhões, em 1994, para 50 milhões de matriculados na educação básica, em 2014, sem dar atenção ao fato de termos 13 milhões de adultos prisioneiros do analfabetismo; 54,5 milhões de brasileiros com mais de 25 anos não terminaram o Ensino Fundamental e 70 milhões não terminaram o Ensino Médio. Fingimos que os matriculados estão estudando, quando sabemos que passam meses sem aulas por causa de paralisações ou falta de professores.

Do golpe à Comissão da Verdade


A Editora Instituto Vladimir Herzog está lançando o livro “50 Anos Construindo a Democracia – Do Golpe à Comissão da Verdade”, de Mário Sérgio Moraes, professor e doutor da Faculdade de Comunicação da FAAP e Universidade Mogi das Cruzes. A obra é uma análise da democracia durante o último meio século e da influência da ditadura militar ainda nos dias de hoje.
Por meio de entrevistas com presos e líderes políticos, operários, jornalistas da imprensa alternativa e membros da classe artística, a obra registra o cenário político do período, assim como os resquícios da ditadura, sob a ótica dos Direitos Humanos. Para o professor Mário Sérgio, ainda há uso de tortura e grande fragilidade nos direitos civis. “Nosso objetivo é trazer informações de politização para ajudar os jovens a desenvolverem a consciência política focando nos direitos humanos.”
A ideia para o desenvolvimento do livro foi impulsionada pelas manifestações que ocorreram em diversas capitais brasileiras em junho e julho de 2013 e pelo anseio de maior consciência política e maior respeito aos direitos humanos. Outro fator que motivou a produção da obra foi o interesse do Instituto Vladimir Herzog em disponibilizar às escolas brasileiras conteúdos que abordem o período mais repressivo da ditadura no Brasil. 

sábado, 31 de maio de 2014

Uma perda injusta para o Brasil


As razões pessoais às vezes podem ser muito injustas com a sociedade, e quando envolvem ameaças pessoais, preocupante. A saída de Joaquim Barbosa da presidência do Supremo Tribunal Federal é um exemplo. Quem acompanhou o trabalho dele, no caso do mensalão, sabia que a cada julgamento os bandidos iriam encontrar pela frente um rochedo, que não se punha em dúvida sobre ser colarinho branco bandido como outro qualquer. Nunca vacilou em recusar dádiva judicial para os corruptos. Foi inflexível ao máximo para não tornar o tribunal um reles palco para momices petistas. Afinal, juiz não nunca pode bancar palhaço de picadeiro.
Fez jus com sobras ao adjetivo de durão com a Justiça ao lado, como devia, ao tratar com criminosos que sempre se fizeram acima da lei e imunes ao rasgar constituições. Brigou muito para defender seu ponto de vista de cidadão que não compactua com a criminalidade imperante dos petistas.
Sua saída do STJ deixa o país mais órfão de caráter em postos chaves da sociedade. É menos um nesta tão pequena companhia que ainda insiste em defender ética e moral no país contra batalhões de “soldados” a defender o aparelhamento do Estado e mesmo da Justiça para melhor trabalho dos “companheiros”.

"O grande problema nosso, como organização social, é não saber escolher prioridades. Investe-se muito em benefício de poucos. Joga-se o foco numa coisa e deixa-se outras ao deus-dará. E isso se repete agora na Copa do Mundo"Joaquim Barbosa



O único temor, e bem grande, é o esvaziamento do tribunal de uma justiça plena com sua saída. Teme-se, e com razão, que o STJ fique entregue a juízes flexíveis que se enganem nas decisões mais importantes contra os colarinhos brancos, os políticos safados, os correligionários bandidos, os comissionados corruptos. Juízes que deixem fora da prisão a marginalidade instituída, decretem, nos casos petistas e de aliados, sigilo de justiça para suas investigações e outras atitudes vexatórias de um tribunal que deve ser o maior defensor da ética no país. É por temer que os tribunais também se aparelhem que se lamenta a saída de Joaquim Barbosa.
Torcemos todos para que outro paladino, ou quem sabe muitos, contra a politicalha se apresente neste país tão carente de gente que cumpra a justiça, a lei e a ética. E o governo não mais deixe expostos os juízes às ameaças, que blinde a esses como blinda aos companheiros, no mínimo.   

Prefeituras descumprem Lei de Acesso à Informação

Grande parte das prefeituras fluminenses está descumprindo as regras da Lei de Acesso à Informação quanto à divulgação de dados sobre a gestão municipal. A conclusão é de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que avaliou o grau de transparência das prefeituras estaduais. O assunto será um dos temas do programa TCE-RJ Notícia que vai ao ar na TV Alerj (canal 22 da Net) neste fim de semana (hoje, às 12 horas, e amanhã, às 21 horas). O programa ainda vai divulgar as principais atrações do seminário "A transparência na gestão dos recursos públicos municipais" a ser realizado na segunda-feira no auditório do TCE, no Centro do Rio. Os entrevistados são a diretora-geral da Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ, Paula Nazareth, e o assessor da Coordenadoria de Auditoria e Desenvolvimento (CAD/TCE-RJ), Sergio Lino de Carvalho. 

Somos todos coniventes

Dia desses, um taxista do ponto da minha rua comentou, entediado, Este ano tem eleição... Aí os políticos vêm com aquela conversa mole, querendo nosso voto... Eles só lembram da gente de quatro em quatro anos... E eu respondi, Mas você também só se lembra deles de quatro em quatro anos... O Poder Público reside tão distante da realidade da maioria dos brasileiros que perdemos completamente a noção não só de para que servem os mandatos que delegamos a vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República, como também esquecemos que somos nós os responsáveis pela qualidade dos políticos que elegemos. A composição dos poderes legislativo e executivo de alguma maneira é um espelho fiel no qual nos recusamos a nos ver refletidos.
A corrupção da qual acusamos os políticos é um câncer que corrói toda a sociedade brasileira, sem distinção, por mais que teimemos em, individualmente, rechaçar essa acusação. É sempre mais fácil lidarmos com algo que encontra-se no horizonte, como possibilidade, que admitirmos nossa participação efetiva em algo que condenamos. Por isso, aceitamos que existe uma grossa corrupção “lá” em Brasília, mas nos ofendemos quando alguém ilumina-a em nosso cotidiano.