domingo, 12 de julho de 2026

A inteligência artificial polui mais do que se pensava

Os centros de dados, que estão se expandindo drasticamente devido ao avanço da Inteligência Artificial (IA), têm uma pegada de carbono muito maior do que a estimada anteriormente, de acordo com um estudo publicado pela Allianz Trade. Esses complexos extensos e com alto consumo de energia, usados ​​para abrigar infraestrutura crítica de TI, como servidores, estão sendo construídos em todo o mundo com investimentos multimilionários, à medida que os aplicativos de IA consomem cada vez mais poder computacional.

Isso contribuiu para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. O novo estudo da Allianz Trade estima que os data centers emitiram 286 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2025. Isso representa 57% a mais do que as estimativas da Agência Internacional de Energia, segundo a Allianz Trade, braço de seguros de crédito comercial da seguradora global Allianz, com sede em Munique. É também 51% a mais do que as estimativas do Instituto das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde.


A inteligência artificial já representa de 15% a 20% do consumo de eletricidade dos data centers, e essa proporção pode subir para 40% até 2030, observa o relatório. "Os data centers estão deixando de ser um fator marginal para se tornarem um motor estrutural da demanda de eletricidade em muitas regiões", disse Patrick Hoffmann, economista sênior de clima da Allianz.

Sem medidas para descarbonizar as redes elétricas, as emissões dos centros de dados mais que dobrarão até 2030, causando um prejuízo climático estimado em US$ 154 bilhões anuais, em comparação com os US$ 68 bilhões atuais, segundo o relatório. Os danos climáticos relacionados às cargas de trabalho de IA podem ultrapassar US$ 50 bilhões até 2030, acrescenta o documento.

O estudo também destaca a ineficiência de sistemas elétricos como os do Brasil, Índia e México, mas também do Reino Unido, o que aumentaria a necessidade de um fornecimento de eletricidade eficiente em 10% ou 15%, enquanto em países como Singapura ou Coreia do Sul, as perdas de transmissão e distribuição permanecem abaixo de 3%.

Os centros de dados também exercem uma enorme pressão sobre os recursos naturais: eles podem exigir entre 1,3 e 1,8 trilhão de litros de água até 2030, uma quantidade comparável ao consumo anual da Suíça, segundo o relatório. Embora a descarbonização do setor elétrico possa ajudar a moderar a demanda futura por água, os riscos relacionados à água estão cada vez mais concentrados em regiões com escassez hídrica, como a Coreia do Sul, que revelou um plano ambicioso para promover a inteligência artificial e a construção de centros de dados, a Índia, o México e partes da China.

Deutsche Welle

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