quinta-feira, 18 de outubro de 2018
O abismo é outro
Pergunta que começa com “se” não tem resposta. Por isso pode parecer inútil perguntar como teria sido a corrida eleitoral de 2018 se não tivesse ocorrido o atentado contra Jair Bolsonaro, se Lula não tivesse destruído a possibilidade de uma união inicial das esquerdas, se as forças ao “centro” do espectro político tivessem identificado lá atrás qual o eixo em torno do qual se alinhou a grande maioria do eleitorado (o repúdio ao sistema e o antipetismo).
Ocorre que o exercício do contrafactual (“o que teria sido se”) é útil, sim. Antes de mais nada, serve para demonstrar que não existe o “inevitável”. Que a política é, por definição, o terreno do imponderável e do acaso. E que escolhas feitas por agentes políticos – por Lula, Bolsonaro, Fernando Henrique, Ciro, ou quem você quiser – têm a condição de alterar o rumo das coisas dentro dos grandes limites impostos, por exemplo, pela herança do passado.
Pois sendo coerente com os princípios acima, nem está “garantido” que essa onda produza os resultados que Bolsonaro simboliza neste momento e nem sabemos que capacidade de articulação e liderança políticas ele será capaz de demonstrar – diante dos desafios e das encruzilhadas nos quais o País se encontra, vencer as eleições terá sido apenas a mais fácil de todas as tarefas.
Derrotar o petismo como agremiação política não significa derrotar as ideias que o partido defende e que, na minha opinião, estão na raiz do fato de o Brasil se encontrar perigosamente preso na armadilha dos países de renda média, ter sido complacente com corrupção, atraso e taxas horrendas de criminalidade. Essas características de mentalidade não foram inventadas pelo PT, que deve grande parte de seus sucessos eleitorais justamente por representá-las tão bem.
Essa mentalidade é o que chamei no fim do segundo parágrafo deste texto de limites impostos pela herança do passado. É neste ponto – na capacidade de rebelar-se contra os limites reconhecidos – que se destacam os verdadeiros agentes políticos da mudança e das transformações capazes de alterar o rumo de acontecimentos.
Do jeito que as coisas estão, o Brasil está à beira do perigosíssimo abismo da estagnação, paralisia e mediocridade.
Não é inevitável cair nesse abismo. Depende de escolhas humanas além daquelas que já parecem ter sido feitas pelos eleitores.
Ocorre que o exercício do contrafactual (“o que teria sido se”) é útil, sim. Antes de mais nada, serve para demonstrar que não existe o “inevitável”. Que a política é, por definição, o terreno do imponderável e do acaso. E que escolhas feitas por agentes políticos – por Lula, Bolsonaro, Fernando Henrique, Ciro, ou quem você quiser – têm a condição de alterar o rumo das coisas dentro dos grandes limites impostos, por exemplo, pela herança do passado.
Sendo enorme a probabilidade de que o tsunami político que empurrou Bolsonaro o elegerá presidente, essa onda, “inevitavelmente”, nos conduzirá até onde? Parece evidente que esse fenômeno social e cultural (o embate político tem as características da “guerra cultural” de valores, não importa se a gente aplaude ou repudia o que Bolsonaro e o PT dizem) alterou fundamentalmente nossa paisagem política, dando cara e voz a um nutrido eleitorado antes disperso e desorganizado (estou evitando colocar rótulos).
É um eleitorado que desconfia da imprensa, da Justiça, da política e que tem medo, sente-se órfão das instituições, acha que seu esforço individual é torpedeado pelo Estado, pelos impostos, pela burocracia e por “eles” em Brasília, e encontrou uma resposta (se você gosta ou não, é outra conversa) na figura de Bolsonaro. O que eu algumas semanas atrás chamava de “choque de placas tectônicas” entre o desejo de mudança e a velha política parece ter produzido o rompimento de um dique político e abriu uma enorme avenida de oportunidade ao mesmo tempo em que levanta um ponto de interrogação igualmente enorme.
É um eleitorado que desconfia da imprensa, da Justiça, da política e que tem medo, sente-se órfão das instituições, acha que seu esforço individual é torpedeado pelo Estado, pelos impostos, pela burocracia e por “eles” em Brasília, e encontrou uma resposta (se você gosta ou não, é outra conversa) na figura de Bolsonaro. O que eu algumas semanas atrás chamava de “choque de placas tectônicas” entre o desejo de mudança e a velha política parece ter produzido o rompimento de um dique político e abriu uma enorme avenida de oportunidade ao mesmo tempo em que levanta um ponto de interrogação igualmente enorme.
Pois sendo coerente com os princípios acima, nem está “garantido” que essa onda produza os resultados que Bolsonaro simboliza neste momento e nem sabemos que capacidade de articulação e liderança políticas ele será capaz de demonstrar – diante dos desafios e das encruzilhadas nos quais o País se encontra, vencer as eleições terá sido apenas a mais fácil de todas as tarefas.
Derrotar o petismo como agremiação política não significa derrotar as ideias que o partido defende e que, na minha opinião, estão na raiz do fato de o Brasil se encontrar perigosamente preso na armadilha dos países de renda média, ter sido complacente com corrupção, atraso e taxas horrendas de criminalidade. Essas características de mentalidade não foram inventadas pelo PT, que deve grande parte de seus sucessos eleitorais justamente por representá-las tão bem.
Essa mentalidade é o que chamei no fim do segundo parágrafo deste texto de limites impostos pela herança do passado. É neste ponto – na capacidade de rebelar-se contra os limites reconhecidos – que se destacam os verdadeiros agentes políticos da mudança e das transformações capazes de alterar o rumo de acontecimentos.
Do jeito que as coisas estão, o Brasil está à beira do perigosíssimo abismo da estagnação, paralisia e mediocridade.
Não é inevitável cair nesse abismo. Depende de escolhas humanas além daquelas que já parecem ter sido feitas pelos eleitores.
Quem pedia uma nova ditadura militar vai ganhar uma democracia militar
Tenho dúvidas de que Deus seja brasileiro, mas considero absolutamente compreensível que escreva certo por linhas tortas. Basta conferir o que está acontecendo agora no Brasil. Depois do mensalão, do petrolão, do impeachment e da ascensão de um governo formado quase que exclusivamente por corruptos (Temer, Padilha, Moreira, Gedell, Renan, Barbalho & Cia), uma enorme parcela da sociedade começou a defender a necessidade de uma intervenção militar não prevista na Constituição. Ou seja, exigiam um novo golpe, e o faziam abertamente, sem temer a Lei de Segurança Nacional.
Aqui na “Tribuna da Internet”, essa tese do novo regime de exceção ganhou adeptos entusiasmados, que alinhavam estranhos argumentos, alegando que seria uma intervenção apenas durante algum tempo, para clarear a situação, e depois os militares devolveriam o poder aos civis, como se fosse possível uma bobagem dessas.
Aqui na “Tribuna da Internet”, essa tese do novo regime de exceção ganhou adeptos entusiasmados, que alinhavam estranhos argumentos, alegando que seria uma intervenção apenas durante algum tempo, para clarear a situação, e depois os militares devolveriam o poder aos civis, como se fosse possível uma bobagem dessas.
O certo é que, com a aproximação das eleições, houve o crescimento da candidatura do deputado Jair Bolsonaro, e tudo mudou. O movimento a favor do golpe militar foi arrefecendo à proporção que aumentava a viabilidade da candidatura do deputado-capitão, que percorria incansavelmente o interior do país, conquistando apoio local para implantar outdoors nas estradas.
Em março de 2016, quando anunciou sua pré-candidatura, era filiado ao Partido Social Cristão (PSC), mas já sabia que não lhe dariam a legenda para disputar a eleição e teria de se filiar a outro partido.
Apareceu o PEN, que para homenagear Bolsonaro até trocou de nome, passando a se chamar Patriotas. Mas o candidato acabou se desentendendo com os dirigentes e não se filiou. Continuou a campanha sozinho, até iniciar as negociações com outro partido nanico, o PSL.
O partido nem interessava a Bolsonaro, porque o importante era a mensagem de mudanças. Manteve a rotina das viagens pelo país e sua aceitação foi crescendo, de forma espantosa.
Agora, Bolsonaro se prepara para chegar ao poder e traz consigo um grupo de oficiais-generais, que o ajudaram a montar o governo. Ou seja, quem defendia um golpe militar será atendido com um governo militarista, mas eleito democraticamente, vejam como Deus escreve certo com as linhas tortas.
Pessoalmente, o editor da TI continua achando que Bolsonaro é um idiota completo, mas tem condições de fazer um grande governo, se for bem assessorado. Se isso acontecer, prometo que passaremos a classificá-lo de o idiota que deu certo e foi conduzido por divinas linhas tortas, como as usadas genialmente por Garrincha.
Agora, Bolsonaro se prepara para chegar ao poder e traz consigo um grupo de oficiais-generais, que o ajudaram a montar o governo. Ou seja, quem defendia um golpe militar será atendido com um governo militarista, mas eleito democraticamente, vejam como Deus escreve certo com as linhas tortas.
Pessoalmente, o editor da TI continua achando que Bolsonaro é um idiota completo, mas tem condições de fazer um grande governo, se for bem assessorado. Se isso acontecer, prometo que passaremos a classificá-lo de o idiota que deu certo e foi conduzido por divinas linhas tortas, como as usadas genialmente por Garrincha.
O genocídio laboral de toda uma geração
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| Kazimir Malevich |
Se compararmos o exemplo artístico de envolvimento entre labor e lazer com a nossa própria experiência percebemos que algo está errado com a forma como trabalhamos. Se desejamos que termine porque nos está a destruir, não trabalhamos de forma correta nem saudável. Provavelmente o que está mais profundamente errado no sistema laboral tradicional prende-se com a exigência de elevadíssima produtividade. Esta não é amiga da perfeição porque não respeita o amadurecimento das ideias nem o resultado do processo laboral. Precisamos de trabalhar mais lentamente, com menos pressão, para que o trabalho não nos transforme numa bigorna do mercado.
No outro dia li na Imprensa que dos jovens trabalhadores recentemente entrados para o mercado de trabalho se exige que sejam capazes de trabalhar sob grande pressão, argumentado que esse tipo de exercício desenvolve as capacidades de raciocínio. Esbocei um sorriso cínico e doído. As organizações económicas e sociais sabem produzir os discursos que melhor servem os seus objetivos. Os discursos funcionam porque as ideias muito repetidas tornam-se verdades para quem ouve, sem tempo para pensar nas consequências, quanto mais nas origens, mas uma verdade-falsa nunca passará de uma mentira, por vezes de um crime de genocídio de toda uma geração.
Ele ganha. E como governa?
Há eleitores que estão assustados com a falta de segurança. E não gostam das lideranças e movimentos que criticam a ação da polícia quando esta se mete em confrontos e mata bandidos. Acham que é preciso mais e não menos polícia. Mas não são justiceiros. São pessoas que têm medo de sair de casa, ficam preocupadas com os parentes que demoram a voltar. Assim, compram o discurso que a polícia precisa endurecer, mesmo que Bolsonaro não diga como será a política de segurança. Também aprovam a redução da maioridade penal e uma maior liberação da posse de armas.
Mas, atenção, não são pessoas que estão prontas para comprar armas e sair matando bandido. Lembram-se do referendo do desarmamento? Uma imensa maioria manifestou-se contra a proibição da venda de armas. E não houve aumento na venda de armas.
Há uma classe média que está farta do peso do Estado e do governo em suas vidas. Gente que não consegue abrir um negócio legalmente sem pagar propinas ou mesmo sem pagar taxas abusivas antes de começar a trabalhar. Gente que paga imposto demais e ainda percebe que precisa colocar seus filhos em escola particular e comprar plano de saúde.
Há também na onda Bolsonaro os eleitores liberais no sentido amplo da palavra: liberais na política, na economia e nos costumes. Na economia, pedem um Estado menor e mais espaço para a iniciativa privada. Na política, apoiam as posições e grupos independentes de partidos. Nos costumes, não é que sejam contra a “agenda progressista” (raça, gênero, etc.), mas acham que o Estado não tem que se meter nisso e deixar que cada um resolva como quiser o seu modo de vida. Ou seja, são contra a imposição daquela agenda, ou por lei (cotas, por exemplo, que consideram injustas) ou por pressão das elites e formadores de opinião. Mas frequentemente, são favoráveis a agendas como a liberação da maconha.
Mas há também eleitores que simplesmente estão cansados da agenda progressista. Acham que não tem nada a ver com o dia a dia. Querem saber de emprego e bons serviços públicos.
Há ainda uma maioria difusamente conservadora, pela família, religião, Brasil. E que se assusta com a “libertinagem” da sociedade moderna e do que considera coisa das elites que não trabalham.
E, claro, os antipetistas, antipolíticos, anticorrupção – vertente na qual cabem todas as anteriores. Aqui encontram-se eleitores que dizem: não precisa de reforma da previdência, nem aumentar impostos, nem cortar gastos, nada; basta eliminar a roubalheira e os privilégios dos políticos.
Tudo considerado, essa grande maioria não é formada por fascistas, homofóbicos, autoritários ou violentos. Há os radicais, perigosos, certamente, mas no geral são pessoas de bem, que pouco a pouco foram ficando fartas de um país que não deslancha, que não cria bons empregos. Estão cansadas de viver em cidades em que passar perto de um tiroteio, ter o carro roubado ou ser assaltado na rua é tão normal que nem vale a pena chamar a polícia. Deve-se incluir aí uma classe média mais rica, assustada com a escassez de oportunidades para seus filhos.
Como esse povo todo foi parar em Bolsonaro? Por pura falta de opção.
Mais ainda: as pessoas, cada uma de seu lado, reconhecem as carências de seu candidato. “Sim, ele é fraco, mas se a gente aguentou tanto tempo o PT …” já me disseram.
Outras ainda têm certeza que sua agressividade é da boca para fora, que não haverá ameaça à democracia e à liberdade das pessoas.
Resulta daí um enorme problema. Com essa massa, Bolsonaro ganha a eleição, mas terá dificuldades para governar. Ele certamente está sendo eleito para fazer e para não fazer a reforma da previdência. Para privatizar e para estatizar – só para citar dois pontos cruciais. Ou seja, o governo vai incluir e excluir eleitores. E ainda não se sabe como.
Quase metade da população mundial vive abaixo da linha da pobreza
Segundo um relatório da organização sediada em Washington, 3,4 bilhões de pessoas, ou 46% da população mundial, vivem com menos de 5,50 dólares por dia – a quantia limite para uma situação de pobreza em países de renda média-alta, como o Brasil.
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| Brasil da miséria |
Em nações de renda média-baixa, estar abaixo da linha da pobreza significa viver com menos de 3,20 dólares diários. Segundo o Banco Mundial, mais de 1,9 bilhão de pessoas – ou 26,2% da população mundial – têm renda inferior a essa quantia.
Embora ainda "inaceitavelmente alta", a contagem total de pessoas vivendo na pobreza foi reduzida em mais de 68 milhões de cidadãos entre 2013 e 2015, "um número aproximadamente equivalente à população da Tailândia ou do Reino Unido", afirmou o relatório.
Além disso, a renda dos 40% mais pobres aumentou em 70 dos 91 países analisados pela instituição. Em mais de metade das economias, a renda dessa parte da população cresceu mais do que a média, o que significa que estão recebendo uma parcela maior dos rendimentos econômicos.
No Brasil, o índice de cidadãos abaixo da linha da pobreza foi menor do que a proporção global. Cerca de um quarto da população do país – ou 50 milhões de pessoas – vive abaixo desse limite, o que corresponde a uma renda mensal de 614 reais.
A proporção é semelhante na América Latina e no Caribe, onde 26% dos cidadãos têm renda diária inferior a 5,50 dólares, e 11% vivem com menos de 3,20 dólares. Segundo o relatório, a pobreza na região está mais associada a aspectos não monetários, como a falta de acesso a água potável, saneamento básico e eletricidade.
A região da Ásia Oriental e do Pacífico teve os melhores resultados em matéria de prosperidade compartilhada: a renda dos 40% mais pobres aumentou, em média, 4,7% entre 2010 e 2015.
Muitos países da Europa e da Ásia Central, por outro lado, sofreram recuos no crescimento dos rendimentos dos 40% mais pobres, principalmente por causa da crise financeira e do aumento da dívida, explicou o Banco Mundial.
Ainda assim, a região apresentou a porcentagem mais baixa de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Contudo, em relação ao acesso à educação, o desempenho foi pior do que em regiões como Ásia Oriental e Pacífico ou América Latina e Caribe.
Já a África subsaariana é a região com o maior número de pessoas vivendo na pobreza. Sua população quase duplicou entre 1990 e 2015, sendo que um dos maiores aumentos se deu entre as pessoas que vivem com menos de 3,20 dólares por dia.
O relatório destaca, porém, um avanço importante em nível global: menos pessoas vivem hoje em situação de pobreza extrema, ou seja, com menos de 1,90 dólar por dia. A proporção caiu de 36% da população mundial em 1990 para 10% em 2015.
"Erradicar a pobreza extrema até 2030 e promover a prosperidade compartilhada são os nossos objetivos, e continuamos comprometidos com eles", afirmou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em comunicado.
Deutsche Welle
'Ótoridade' de manda-chuva
Só o capitão poderá levar o deputado a perder a eleição

A pesquisa do Instituto Datafolha (59% contra 41%) já disse tudo. O brasileiro está de saco cheio do PT e, em grau igual, do PSDB (que sucumbiu e terá que ter forças para voltar a ser o que foi), mas, sobretudo, dessa narrativa demagógica e desonesta que diz a todo instante que Lula é preso político e o impeachment de Dilma foi golpe de Estado. Os mineiros, nas urnas, já desfizeram parte dessa narrativa e mudaram o rumo da ex-presidente, que sonhou com a ida para o Senado como mais uma representante de Minas. O duro castigo veio a cavalo.
Não teria sido melhor para o PT, mas, principalmente, para Fernando Haddad, seu candidato, reconhecer a verdade? Não seria melhor que já tivessem feito um exame público de consciência? Não é possível que nunca se toquem pelo mal que fizeram ao país! As acusações contra Lula constam de processo que obedeceu ao princípio do contraditório. Nele atuaram acusação e defesa, e esta através de advogados competentes – por sinal, aliás, muito bem remunerados. O impeachment de Dilma também passou por análises políticas e jurídicas.
Ah!, dizem os eternos defensores do líder/ideia, nossa Justiça não vale uma pataca furada! É corrupta, incompetente e injusta. Mas como, se Lula foi julgado por vários juízes, que se fundaram, para proferir sentença, em provas à mão cheia? As provas de corrupção, no seu governo e nos do “poste” que elegeu, não lhes bastam?
A atuação criminosa de Lula foi a maior responsável pelo surgimento da onda de antipetismo e, ao mesmo tempo, pelo desejo de alternância no poder, que é princípio indispensável ao regime democrático. Para conquistá-la, os eleitores disseram, nas urnas, que ela não depende em nada do eleito: “Se Bolsonaro não acertar, o tiraremos daqui a quatro anos. O que não se pode tolerar mais é essa comilança por parte dos atuais donos do poder”, disse-me um motorista de táxi.
Grande parte da classe média, responsável pelas eleições de Lula e Dilma, não tolera mais as agressões. E é a ela que a filósofa Marilena Chauí despejou incríveis xingatórios, no lançamento do livro “Dez Anos de Governos Pós-liberais: Lula e Dilma”. Disse, em gritos, que “odeia a classe média”. Disse que “a classe média é uma abominação política porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta e é uma abominação cognitiva porque é ignorante”.
Agora, tomem! Haddad, antes considerado “um bom quadro do PT” (por gente fora do PT, pois lá dentro nunca teve esse conceito, era considerado “tucano”), demonstrou sua pusilanimidade diante do presidiário de Curitiba. Quis desdizer o passado e apagar os malfeitos através de providências primárias de marketing político. Só conseguiu provar, com clareza, que esse instrumento é um desperdício nas eleições. Tornam-nas caras e facilitam o desvio de dinheiro público.
“E agora, José?”
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Vingança dos irmãos Gomes mostra ao PT que empulhação eleitoral tem limites
Ciro se picou para a Europa, e Cid usou toda a elegância típica do clãpara enterrar de vez o cadáver natimorto da tal "frente democrática" —a predileção do PT pelo monopólio da moral pública enquanto exerce prestidigitação é comovente.
Nada mais previsível. Mesmo quando, lá em 1815, Ciro e Fernando Haddad se encontraram para uma conversa que acendeu esperanças naqueles desejosos de ver algo que não fosse visto como uma candidatura teleguiada da cadeia por Lula, o teatro era ilusório.
Ciro não toparia ser vice de Haddad e vice-versa. Simples assim. O pedetista até acalentou o sonho, animado por Jaques Wagner e outros, de que Lula poderia apoiá-lo. Durou até o petista arrancar o PSB de seus braços, ofertando a cabeça de Marília Arraes em troca, um ótimo negócio para os pessebistas de Pernambuco ao fim.
Já Lula fez o que pôde, manteve seu pedaço fidelizado de eleitorado, manteve cidadelas nordestinas e garantiu a robustez possível para sua bancada federal sobreviver em temos incertos e fragmentários no Legislativo. Ser oposição a uma figura como Bolsonaro é oportunidade de sobrevida do partido, semelhante ao gás que o fracasso do governo Temer após o impeachment lhe deu.
Haddad, bom, Haddad está hoje muito perto de voltar a dar aulas, após cumprir o roteiro humilhante que lhe foi dado.
Se o campo conservador encarnado em partidos tradicionais foi destroçado pela onda Bolsonaro por incompetência de leitura da realidade, o PSDB que o diga, não se pode achar nada muito melhor da esquerda liderada pelo PT.
Apesar do entusiasmo de gente de boa fé, assustada com tudo de regressivo que vem associado a Bolsonaro, o partido foi o de sempre na costura da tal "frente democrática", aspas compulsórias. Agiu como bedel moral do eleitor, atribuindo o voto ao deputado do PSL apenas a uma bem fabricada campanha de "fake news". Esperou olimpicamente que todos os progressistas do país se unissem e virassem o jogo, desde que sob seu comando pois afinal chegou ao segundo turno.
Não deu certo de saída. Aí não adianta nada beijar a cruz constitucional na Globo, ir papar hóstia no dia de Aparecida, atenuar a Manuela, ter a Gleisi a defender adoção de outras bandeiras, cortar o Lula da campanha e dar uma mão de verde e amarelo sobre a parede vermelha.
É tarde, muito tarde. O eleitor pode ser enganado e é demonstrável que isso ocorre em praticamente todas as eleições, mas há limites para a empulhação em espaço tão curto de tempo. O que Ciro começou e Cid terminou, noves fora a vingança, foi apenas um lembrete disso tudo.
Nada mais previsível. Mesmo quando, lá em 1815, Ciro e Fernando Haddad se encontraram para uma conversa que acendeu esperanças naqueles desejosos de ver algo que não fosse visto como uma candidatura teleguiada da cadeia por Lula, o teatro era ilusório.
Ciro não toparia ser vice de Haddad e vice-versa. Simples assim. O pedetista até acalentou o sonho, animado por Jaques Wagner e outros, de que Lula poderia apoiá-lo. Durou até o petista arrancar o PSB de seus braços, ofertando a cabeça de Marília Arraes em troca, um ótimo negócio para os pessebistas de Pernambuco ao fim.
Agora é relatório de danos. Ciro saiu maior politicamente do pleito, embora em fatia de eleitorado tenha basicamente repetido seus desempenhos de 1998 e 2002. Por outro lado, vai ter trabalho para manter-se na ribalta política sem mandato ou cargo —haja meme.
Já Lula fez o que pôde, manteve seu pedaço fidelizado de eleitorado, manteve cidadelas nordestinas e garantiu a robustez possível para sua bancada federal sobreviver em temos incertos e fragmentários no Legislativo. Ser oposição a uma figura como Bolsonaro é oportunidade de sobrevida do partido, semelhante ao gás que o fracasso do governo Temer após o impeachment lhe deu.
Haddad, bom, Haddad está hoje muito perto de voltar a dar aulas, após cumprir o roteiro humilhante que lhe foi dado.
Se o campo conservador encarnado em partidos tradicionais foi destroçado pela onda Bolsonaro por incompetência de leitura da realidade, o PSDB que o diga, não se pode achar nada muito melhor da esquerda liderada pelo PT.
Apesar do entusiasmo de gente de boa fé, assustada com tudo de regressivo que vem associado a Bolsonaro, o partido foi o de sempre na costura da tal "frente democrática", aspas compulsórias. Agiu como bedel moral do eleitor, atribuindo o voto ao deputado do PSL apenas a uma bem fabricada campanha de "fake news". Esperou olimpicamente que todos os progressistas do país se unissem e virassem o jogo, desde que sob seu comando pois afinal chegou ao segundo turno.
Não deu certo de saída. Aí não adianta nada beijar a cruz constitucional na Globo, ir papar hóstia no dia de Aparecida, atenuar a Manuela, ter a Gleisi a defender adoção de outras bandeiras, cortar o Lula da campanha e dar uma mão de verde e amarelo sobre a parede vermelha.
É tarde, muito tarde. O eleitor pode ser enganado e é demonstrável que isso ocorre em praticamente todas as eleições, mas há limites para a empulhação em espaço tão curto de tempo. O que Ciro começou e Cid terminou, noves fora a vingança, foi apenas um lembrete disso tudo.
Dona Esperança não é mulher de malandro
Esperança precisa ser tratada com carinho e atenção, não merece o que fizeram com ela. Se tornou bandeira para tudo de ruim: corrupção, bandalheira escancarada, enriquecimento desbragado dos Defensores do Povo, ganância desmedida em se imortalizar no poder, ruína da educação, da saúde, da segurança; mentiras e mais mentiras.
Viver na desgraceira com tanta mentira de que estão preparando o futuro (o deles, claro) fez com que muita gente trocasse na bacia da mediocridade a certeza do continuísmo pela incógnita. O Brasil se lançou no escuro, com coragem, muito maior do que muita gente "guerreira", porque não teme o futuro.
Quando se procura a todo custo uma explicação para a tal "guinada" à direita, com exemplos até estrangeiros, que não se comparam ao brasileiro, a grande esquecida é a Esperança. Foi ela tripudiada todo este tempo, trocada por milhares em todas as categorias por 30 moedas. Agora vem dar o troco.
Esperança está acompanhada do conservadorismo, que compõe o DNA do brasileiro, e um dueto de amor e ódio ao militarismo, que acompanha a República desde a sua fundação. Nada de retrocesso, fascismo, nazismo e outras peçonhas importadas que insistem em colocar nesta onda.
É que nunca viram Esperança com raiva, com fome, pronta para qualquer luta, principalmente para dar uma surra em todos os malandros que desejavam viver às suas custas.
Luiz Gadelha
Efeito Marina
Nunca antes na história eleitoral do país, a grande atração do segundo turno foi o esvaziamento do partido que saiu na frente das pesquisas e cada vez mais perde votos e é mais rejeitado. Conferir os números negativos de Haddad passou a ser o divertimento de muitos e a alegria de milhões.
Pode vir a tempestade que vier, mas parece que o chope vai rolar para saudar o desastre petista.
Pode vir a tempestade que vier, mas parece que o chope vai rolar para saudar o desastre petista.
Prioridades
Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.
Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranqüila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder.
Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento – não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais.
Lya Luft, "Pensar é Transgredir"
Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranqüila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.
Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.
Cada um que examine o baú de suas prioridades, e faça a arrumação que quiser ou puder.
Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento – não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais.
Lya Luft, "Pensar é Transgredir"
Bolsonaro e os debates

Haddad, então, não conhece seu adversário nem seus eleitores e já não sabe quem é. Por tanto tempo foi ventríloquo de Lula presidiário que quis continuar a usar a máscara com a face do chefe mesmo depois de ungido candidato a presidente. Aceitou ser chamado de “Poste” e – é claro – passou a ser tratado como tal. Haddad topava todas as postergações e humilhações porque ali adiante havia uma porta da felicidade que franqueava para os palácios presidenciais de Brasília. E tudo vale a pena, também quando a alma é pequena.
Ademais, as pesquisas, enganosas como são, vinham dando ao petismo a impressão de que o páreo estava corrido. Elas atribuíam a Bolsonaro um índice de rejeição incompatível com vitória eleitoral. Num segundo turno perderia para todos, incluído ele, Haddad. Bastava levar o adversário a um novo round e o PT voltaria às delícias do sítio de Atibaia da Praça dos Três Poderes.
O eleitor brasileiro, no entanto, “problematizou” a situação e “desconstruiu” essa narrativa, como diria um petista treinado nos ardis da novilíngua. O PT ficou reduzido a um único grande eleitor, o Lula. Nestes últimos dias, então, o atrapalhado Haddad descalçou o Lula; suprimiu a estrela, o PT e o PCdoB; fez desaparecer o vermelho. Adotou as cores da bandeira e ficou com jeito de “coxinha”. E quer porque quer debater com Bolsonaro. Valem, aqui, dois conselhos quase seculares: Não se atrapalha adversário que está errando e não se ajuda adversário que está atrapalhado.
Para que conceder ao adversário algo que ele tanto quer? Num debate, Haddad usará as piores estratégias. Estatísticas e calendários, desempenhos de gestão e atos de corrupção irão para o moedor das conveniências e das versões. Não vem o PT repetindo que sua gestão foi um paraíso de bem estar e prosperidade? Não alega que foi Temer quem arrastou o Brasil para o precipício? Oportunizar esse tipo de discurso? É muito difícil debater quando a honestidade intelectual fica fora do recinto.
Só para lembrar: em 1989, no primeiro turno, Collor faltou a todos os debates e no segundo foi a apenas dois; FHC, que venceu dois pleitos no primeiro turno, compareceu a apenas um evento em 1994 e em 1998 sequer houve debates; Lula não compareceu a nenhum debate no primeiro turno de 2006. Comparecer ou não é juízo de conveniência.
A campanha eleitoral vai terminar sem que o PT entenda que está perdendo esta eleição para o antipetismo em todos os segmentos da vida nacional. O petismo vive uma situação como a do samba de Vinícius e Toquinho em que o sujeito tantas fez que agora tanto faz.
À espera da onda
Eu, medo do Bolsonaro? Depois de Sarney, Collor, FHC, Lulas, Dilma e Temer???
Aí veio o outro Fernando, que queria que a moeda brasileira valesse o mesmo que o dólar pelos restos dos tempos e que, ao contrário do seu sucessor, comprou o Congresso e pagou à vista, na hora, em dinheiro vivo e que não só foi preso porque estava blindado pelo Brindeiro e por um Supremo corrupto…
A seguir, tivemos a “gerentona” Dilma Rousseff, sempre de topete erguido como o de uma gansa choca em um quintal de patos; quando os seus serviçais eram indagados sobre esse rabujo, diziam que a sua arrogância e pouco tato com pessoas eram originários do fato dela ser uma “administradora” eficiente, uma “intelectual” que sacrificara a simpatia humana em prol da impessoalidade da máquina para bem gerir a Petrobrás…
Finalmente, veio o Michel Temer, acompanhado da quadrilha do MDB. Portanto, repito o que o cartunista Alfred. E. Newman sempre dizia: “Eu, me preocupar?”
Eu, me preocupar com o Bolsonaro, depois de passar trinta anos tendo a vida, a economia, a saúde, a segurança, o transporte, controlados pelos governantes acima mencionados – até o país chegar aonde chegou?
O mal-estar eleitoral
Com seu exagero ianque, o professor Moneygrand me assegura que o sistema político brasileiro foi desenhado para não escolher e que, para nós, brasileiros, o inferno é ser obrigado a tomar partido. Neste sentido, diz ele, somos sem querer o país no futuro, já que, na sua percepção, uma “ética da dúvida” será dominante neste planeta canibalizado pelo consumismo...
Não seria um paradoxo sermos apaixonados pela “política” — esse domínio no qual o público e não previsto se manifesta abertamente — quando somos criados para sermos obedientes e honestos em casa, mas treinados para esconder, mentir e ocultar na rua?
Quando foi que o falar (mal) dos outros deixou de ser o assunto mais importante do Brasil?
Americanos falam de coisas; nós, de pessoas, aprendi numa América mais para Alexis de Tocqueville do que para Joseph McCarthy.
De fato, em casa tudo nos é atribuído: somos pais, filhos, irmãos, sobrinhos, netos, cunhados... Nela, nada é escolhido, e o comportamento segue a velha e inconsciente hierarquia inibidora do nosso lado público, cidadão e individualista que surge com os amigos que escolhemos no mundo público quando (altamente culpados) estamos livres dos controles da nossa poderosa rede de carne e de sangue.
Em casa somos “educados” e, sobretudo, obedientes — quase reacionários, diz meu amigo Levy... Mas na “rua” assustamos (e escandalizamos) quando nossos “responsáveis” descobrem como um latejar de liberdade combinado a um grama de igualdade nos torna “moleques de rua” e “revolucionários”, desafiando não apenas “tudo isso que aí está” (o que é fácil de dizer e até hoje impossível de fazer), mas igualmente os sofridos corações maternos...
Criados para não discordar, a polarização eleitoral causa mal-estar quando legitima diabolizar adversários políticos mesmo quando eles são da nossa família. A repressão do dissenso em casa revela uma negação absurda da realidade na rua. Ela legitima classificar genitores, professores e amigos como nazistas e como apoiadores do fim do mundo — caso “ele” ou o “outro” seja eleito.
É normal que o período eleitoral apaixone. Não é, porém, normal que se transforme numa batalha bíblica entre anjos e demônios.
O que estou sugerindo aqui não é novidade para quem leu meus livros. Neles eu reitero que, para termos uma vida pública palatável, é fundamental dirimir a distância entre a casa e a rua. Só assim iremos entender as suas conjunções injuriosas, quando pedimos ao parente instalado no governo ou quando concebemos os presidenciáveis como as figuras paternas a quem queremos entregar o país quando, na verdade, o nosso papel mais básico como cidadãos não é o de continuar sendo “filhos” obedientes e seguidores, mas de governar o governo.
Algo complicado quando o domínio da casa é situado fora do mundo e quando se vive num planeta cada vez menor e mais dividido. Até onde tal divisão vai também permear a nossa intensidade afetuosa em casa e a nossa relativa indiferença na rua é — a meu ver — uma das questões centrais deste momento político.
Se não é cabível esquecer a linguagem violenta; também não é possível descartar a chocante denúncia de uma política de corrupção em nome do povo. Eis um dilema complexo numa sociedade onde se aprende, repito, a estar de acordo com os erros do pai e os exageros da mãe; e, no mundo político, adotou-se o vergonhoso lema de que os fins justificam os meios. Mas posso lhes assegurar que, por baixo de todas as discórdias, jaz um Brasil cujas razões conhecemos sempre parcialmente.
Repito que não estamos no fim do mundo. Estamos, sim, vivendo uma inesperada e imensa renovação. Dizem que é conservadora. Se Marx vivo estivesse e brasileiro fosse, diria que o certo seria chamá-la de revolucionária.
Peruanos punem nas urnas os envolvidos com a Lava Jato
Os vitoriosos nas urnas foram partidos regionais — formados por políticos locais nas diversas regiões do país — e os velhos partidos políticos que haviam ficado de escanteio nas últimas décadas, como o Ação Popular, outrora liderado pelo ex-presidente Belaúnde Terry (1963-1968 e 1983-1985). Os peruanos afirmam com ironia que alguns partidos antigos estavam tão esquecidos nos últimos 15 anos — o período mais intenso das propinas — que nem sequer foram levados em conta pela Odebrecht como ‘‘potenciais políticos a subornar’’.
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| Kuczynski fez partido dançar nas urnas |
Entre os grupos políticos envolvidos na edição peruana da Lava Jato derrotados nas urnas está o Peruanos pela Mudança, fundado pelo ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (2016-2017), partido que há dois anos aspirava a crescer graças à chegada de seu líder à Presidência.
Denunciado na Justiça no ano passado, Kuczynski tentou negar vínculos com a Odebrecht. Mas admitiu que sua consultoria havia realizado trabalhos de assessoria para a empreiteira quando era ministro do presidente Toledo. PPK, como é conhecido, foi alvo de uma tentativa de impeachment em dezembro, que fracassou. Em março, perante outra ameaça de destituição, renunciou.
Nestes últimos sete meses, seu partido encolheu e saiu arrasado das eleições municipais e departamentais, obtendo apenas 0,4% dos votos para a prefeitura de Lima, seu principal reduto político.
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