quarta-feira, 20 de agosto de 2014

É preciso matar o medo


Só tem medo quem receia perder as regalias ou teme ver seus crimes desvendados
 As últimas pesquisas fazem prever que os marqueteiros vão recomendar o discurso do medo e a utilização de chavões como falta de preparo e um risco Brasil para conter a qualquer custo o fortalecimento de Marina Silva na corrida eleitoral, após a morte de Eduardo Campos. Esse surrado discurso, que enche bolsos criminosos com dinheiro público, precisa ser rejeitado para que se estabeleça uma discussão política sem penduricalhos fabricados em estúdios.  

Qualquer eleitor com credibilidade, honesto em seu voto, renega essas arapucas que só fazem imenso mal. Nossas eleições não destacam o valor político, suplantado pela arrumação de profissionais da maquiagem. Se tornou um vício, condenável, o eleitor se socorrer nas pesquisas e marquetagem para definir-se.

Foi-se o tempo da discussão livre, leve e solta, do debate para se concluir. Resta-nos acompanhar marionetes, quando não têm o que dizer, manipuladas por publicitários. Uma visão aterradora para qualquer democracia que se considere séria por mostrar que tudo não passa de uma mascarada para apenas manter o que já está.   

Uma das “armas” arquitetadas para o combate será uma falta de preparo que o PT pretende imputar a Marina, uma cidadã formada em História, integrante das lutas de Chico Mendes, ex-queridinha de Lula, ex-ministra e atual senadora. Como o eleitor honesto, não corrompido pela lavagem petista, pode alegar falta de preparo diante de tal currículo?

Evangelismo também é cotado para diminuir o potencial da candidata. Mas o que fazem tantos evangélicos, altamente participantes e captalizadores de votos fiéis, que não seja catecismo politiqueiro, e estão aí disputados a tapa pelos próprios petistas?

Qualquer eleitor que deseje sinceramente acompanhar uma eleição, escolher seu candidato sem o excesso de maquiagem das campanhas, precisará se livrar desses chavões surrados que marcam as últimas eleições.

E principalmente deve rejeitar o medo, esse fantasma que usam como se assustassem criancinhas, e o eleitor assim se deixa levar como um cidadão infantil. O uso do medo é mais um jeito fascista de dirigir as eleições, que se tem que rejeitar com veemência. Nenhum cidadão pode ter medo de votar em quem acha o mais preparado. Se apropriar do medo como ingrediente para afugentar eleitores de um determinado candidato, é uma das maiores cafajestadas seja contra quem for.

Está no direito do eleitor errar ou acertar. Como nos últimos 12 anos quando por duas vezes errou feio, e sem medo. E está pagando caro por dar com os burros n’água. Mas vai aprender um dia sem precisar ser um medroso incapaz como querem os marqueteiros do continuísmo. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dilma na TV


Estrela se apagando




Quando há dois anos Lula colocava a campanha nas ruas, era o cappo de tutti cappi e idolatrado como a mais sagaz raposa política do país. Único mestre dos mestres no tabuleiro político brasileiro a antecipar campanha para assegurar de pronto a reeleição de seu poste, então iluminado por uma economia que caminhava bem, ainda que com poucos passos.

E esse deus se preparava para acender novos postes como um funcionário da antiga Light, o acendedor de candeeiros. Acendeu um que já quase se apagou e outro sequer ainda conseguiu sair do chão. Mas o maior deles mantém acesso através de manobras, manipulações e mentiras.

O bruxo do PT articula por trás dos panos ou no próprio palácio presidencial, no maior achincalhamento do símbolo que é o prédio, tornado um comitê petista. De onde, inclusive, foram feitas alterações em perfis de jornalistas. Os hackers comissionados dentro de palácio não seriam imagináveis sequer em tempos de Watergate. Mas tudo pode na terra do sacode.

O país seguia como por ordem magnânima do grande chefe tupiniquim. Mas veio o destino e fez o que quis. Há um poder mais forte que ninguém pode afrontar ainda mais um mortal petista, mesmo idolatrado.

Lula não é mais aquele que pode tudo, acima de tudo, contra tudo e todos. O coronel que pretendia fazer do país um único curral eleitoral, manobrando a bel-prazer os ungidos, ainda está na luta contra os fados. E a História será implacável com quem quer ser mais do que foi.

Os anos de ódio, corrupção, nepotismo, do nós contra eles – versão lulista da Inquisição e das tiranias – parecem com os dias contados. E o grito de “Chega” vem do próprio berço do endeusado coronel. Aquele que seria o “poste” de 2018, para festejar os 20 anos de poder, disse não e, morto, pode espalhar ainda mais e melhor os novos ventos. A ditadura pelega, que há 12 anos toma os ares brasileiros, pode começar a se diluir. O deus da taba verá, enfim, que nada mais foi e é do que um nome da História, e olhe lá, com as poucas cinzas que deixará no futuro.

As páginas lá na frente podem ser mais duras, mas bem realistas, do que foi e ainda é o reinado do coronelismo pelego. E não serão reescritas por marqueteiros.

Solução da dívida pública


Enquanto a luz não vem

Nunca gostou de livros. É um fato. “Ler dá um sono danado”, sempre disse. Em seu benefício, nunca mentiu, pelo menos no que se tratava de seu desprezo natural, quase patológico, pelos livros.

O destino, sendo irônico e talvez carecendo de bom gosto, quis que a vida lhe entregasse o poder. Caminho difícil, possivelmente admirável, durante o qual teve o apoio justamente daqueles que tiveram na leitura a razão do seu sucesso. Coisas da vida.
No poder, revelou seu desapreço também pelos jornais. Causavam, segundo ele, desarranjos estomacais. “Dá azia”, diagnosticou. Havia alguma controvérsia sobre a veracidade do diagnóstico.

Os aliados, talvez atribuíssem a sensibilidade gastrointestinal a uma possível alergia a tinta ou ao papel. Hipótese eventualmente desmentida quando a palavra impressa passou a chegar por meios digitais.

Na inexistência de explicações clinicas, restou o fato de que a causa da azia eram as ideias. Ou melhor, o horror a sua diversidade. Ficou evidente o asco que lhe causava ver impressas, expostas e lidas, as ideias, opiniões e fatos que pudessem de alguma maneira, contraria-lo.

A inteligência e o espirito prático, mais uma vez não lhe faltaram. Para combater diversidade de ideias, concluiu ele, a melhor estratégia seria desestimular o pensamento. Iniciou o culto à ignorância.
Ignorância, não seria obstáculo a ser superado. Ao contrário, seria característica ou virtude a ser preservada ou mesmo cultivada. Desestimulou a leitura, o estudo e a cultura como ferramentas necessárias ao sucesso individual ou coletivo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O sistema


Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.

Eduardo Galeano 

Tema para Genoino

Os réus do mensalão receberam, aos olhos da opinião pública, penas adequadas à gravidade do mais sério escândalo político da História recente do país

O sistema penal brasileiro reserva aos réus do precioso colarinho branco — ou seja, fazem parte de algum setor da chamada elite nacional — vantagens e benesses que ficam longe das normas impostas aos condenados que pertencem, digamos assim, à grande massa dos colarinhos sujos. São considerados sujos, não se deve esquecer, porque quem os usa simplesmente não tem recursos para lavá-los.

Há menos de um ano — nove meses — o ex-deputado José Genoino e um pequeno bando de outros réus começaram a cumprir penas razoavelmente severas por suas participações no chamado “processo do mensalão”, um dos escândalos políticos mais sérios da História da política brasileira. As penas decididas pelo Judiciário mereceram o aplauso da opinião pública. Seria interessante saber se a plateia continua batendo palmas, em face do episódio mais recente dessa triste novela.

Favoritismo do mau humor

 
A consultoria Rosenberg Associados considerou que Dilma ainda é a favorita, mas emendou: “O cenário mais provável é a continuidade da mediocridade, do descompromisso com a lógica, do mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum”. 

FT aponta liderança de Marina


A ex-senadora Marina Silva poderá liderar o voto de "todos contra a presidente Dilma Rousseff" em um eventual segundo turno da eleição presidencial, disse o jornal britânico Financial Times em editorial nesta segunda-feira.

"A popularidade de Marina diminui a esperança de Dilma de conquistar a eleição (no primeiro turno)", diz o jornal. "No segundo turno, Marina poderá, então, liderar um voto de 'todos contra Dilma'", avaliou o jornal britânico.

"Se Marina concorrer, a bandeira de 'renovação política' e de 'terceira via' terá um grande apelo em um país marcado pela insatisfação com o status quo, como os grandes protestos de rua do ano passado mostraram", disse o editorial.

Segundo o jornal britânico, "a morte trágica de Campos tornou a eleição em uma corrida de três cavalos" ao alçar Marina como potencial kingmaker, termo em inglês que se refere à pessoa que escolhe o próximo rei.

domingo, 17 de agosto de 2014

Ketelbey

Albert W.Ketelbey(1875-1959)

Tragédia fortalece gana para mudar


O episódio dramático pode levar a um fechamento desse 'gap' entre a sociedade e a classe política
A violenta e inesperada saída de cena de Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência que morreu na última quarta-feira num acidente aéreo, foi penosa e chocante não só para a sua família e seus correligionários mais próximos. Eleitores e não eleitores do presidenciável se sentiram consternados e obrigados a refletir sobre a processo eleitoral e sobre quem era o político que vinha persistindo em terceiro lugar nas pesquisas com uma mensagem de mudar o modo de fazer política no país.

Por isso, a morte de Campos pode ter um alcance maior do que se supõe para o eleitor brasileiro, acredita a socióloga Fátima Pacheco Jordão. “A morte trágica de Campos reduz a distância entre a sociedade e a classe política”, avalia ela, que é diretora da D'Fatto pesquisa em Jornalismo. A última mensagem do presidenciável, numa entrevista ao Jornal Nacional, da rede Globo, um dia antes, “Não desistam do Brasil”, poderia ter um efeito importante para a juventude brasileira que anda tão refratária à política. “A ideia de renovação está escrita na sociedade. É uma mensagem que Eduardo Campos encampou”, afirma. A sua morte, explica, fortalece a gana de mudança do eleitor.


Com amor...


Tantas pessoas votaram na Dilma e se frustraram, pois viram agora um governo que valoriza no seu centro a velha política, deixou a inflação voltar, derreter os empregos. (...) Nós vínhamos nos afastando do governo, porque esse governo é o único que vai entregar o país pior do que recebeu, seja na economia, na segurança, na logística, na política externa
Eduardo Campos

Não desistam do Brasil


Eduardo teria sido eleito? Como teria governado? Silêncio. O que não quer dizer que a esperança que despertava morra com ele
Quando um acidente fatal acontece instala-se um sentimento de absurdo. Aconteceu como poderia não ter acontecido. E, entre essas duas possibilidades, seja para uma família ou para um país, cava-se um abismo. A vida que poderia ter sido e a que, doravante, será. E, contra todas as expectativas, um aprendizado: o acaso tem sempre a ultima palavra.

A desgraça que se abateu sobre Renata Campos e seus cinco filhos é difícil de aceitar. O Brasil perde com a morte de Eduardo um dos raros homens públicos que despertavam entusiasmo em tempos em que políticos têm merecido da população indiferença, quando não asco. Sua última entrevista ao “Jornal Nacional” na véspera da tragédia mostrou, sob duro questionamento, alguém capaz de olhar nos olhos de seus eleitores. “Não vamos desistir do Brasil” foi sua última mensagem, que calou fundo mesmo em almas gastas pelos dissabores.

Eduardo teria sido eleito? Como teria governado? Silêncio. O que não quer dizer que a esperança que tinha e que despertava morra com ele. Renata, uma mulher forte, há de saber, com o poeta Drummond, que “as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”. Os filhos de Eduardo vão crescer — o mais velho, João, já se manifestou nas redes pró-candidatura de Marina Silva com um límpido argumento: não teria sentido apoiar Dilma, que era sua adversária, em detrimento de Marina, que seria sua vice. O que se lhes pode desejar é que não percam o gosto da política que trazem no sangue e o olhar atento sobre as injustiças.

Na recusa visceral aos políticos e à politica partidária há uma mensagem a ser decifrada. Essa juventude não diz, como diziam seus pais, que “um outro mundo é possível”. Acredita que “outra vida é possível”. Vivencia a política no cotidiano, ancorada em escolhas existenciais. Seu espaço e tempo são aqui e agora. A experiência vivida é o seu horizonte.

sábado, 16 de agosto de 2014

O grande dilema

A urna está caçando eleitor ou o eleitor está correndo da urna?

Unidos, sempre, pra rachar

Reunião de rumos de campanha do partido
dentro do Planalto. Esqueceram?
Dilma, a condoída presidente na morte do candidato Eduardo Campos, e o ex Lula, que lamentou a morte do "companheiro e amigo", com quem não falava há mais de seis meses, em dois dias já esqueceram o respeito aos mortos e começaram a tratar de impedir qualquer crescimento do PSB como adversário do PT. 

Para rachar ou minguar a força peessedebista, telefonaram para o vice Amaral, ex-ministro lulista, a fim de dar condolências (sic). O termo pretende esconder a realidade de mais uma tramoia petista para limpar os caminhos da reeleição, uma vez que os dois deveriam dar condolências à família, como amigos que disseram ser do falecido, não ao vice-presidente do partido.

Mais uma mascarada petista que só tem objetivo de fortalecer a caminhada para o continuísmo. 

Um arrastão de desiludidos e indecisos às urnas

Analistas profetizam que esta poderia ser uma das eleições com maior participação
 Um dos primeiros frutos do sacrifício da vida do candidato socialista, Eduardo Campos, poderia ser revitalizar as eleições presidenciais e arrastar às urnas milhões de eleitores indecisos e desiludidos com a política.

Um dia antes da tragédia aérea, a imprensa destacava a “apatia” existente no Brasil em relação às eleições. Um desânimo que pressagiava uma das maiores abstenções na história política do país. As pesquisas previam 40% de votos nulos, brancos e abstenções.

Hoje, ao contrário, analistas políticos profetizam que esta poderia ser uma das eleições com maior comparecimento às urnas.

Às vezes, o destino, quando revestido de tragédia, como foi a morte inesperada de Campos, um personagem descoberto de repente pelos cidadãos como um político que sonhava em produzir uma reviravolta na cansada e desprestigiada política partidária, pode mudar em questão de minutos o destino de um país.

A reeleição e a Petrobras


Voltas que o mundo dá. A presidente Dilma agora acha que a Petrobras deve ser preservada da campanha eleitoral. “Se tem uma coisa que tem que se preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade."

Quem agora diz isso é a mesma candidata que, a partir de 2009, transformou a partidarização do papel da Petrobras no pré-sal em plataforma de lançamento de sua candidatura à Presidência. É difícil que alguém já tenha se esquecido da sua campanha eleitoral em 2010, saturada por cenas em que a candidata aparecia, em sondas, plataformas e navios, com mãos lambuzadas de petróleo, envergando indefectíveis capacetes e macacões da Petrobras.

O problema é que, desde então, a Petrobras converteu-se em inesgotável poço de temas espinhosos, que a presidente preferiria não ter de tratar na campanha da reeleição. O Planalto tem boas razões para estar preocupado. O potencial de desgaste político é, de fato, grande.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Esperança ainda que pouca


Até de morto se aproveita

Casal "dono de Maricá" em Nice, numa de
suas viagens internacionais à Europa
A cretinice, no Brasil, não tem medidas. Nem luto se respeita, mas se aproveita para, quem sabe, abiscoitar uns votinhos a mais para campanha de madame. Assim fez o prefeito de Maricá e presidente regional do PT, conhecido por se achar mais do que é. E num gesto “presidencial”, com o ego inflado, decretou luto de três dias pela morte do ex-candidato do PSB, o mesmo que se pudesse achincalharia durante as eleições. Afinal, quem não está com o PT ou aliados, como pensa o inquisidor, está com o diabo e deve ser excomungado.

O decreto é outra farofada do prefeitinho, que também decretou luto oficial pela morte do próprio irmão, numa consagração da família. E o morto, alcunhado de “Rato”, nunca fez nada pelo município, mas saiu no lucro pós-morte dando nome a duas “obras”, com recursos dos governos estadual e federal. Para orgulho mafioso e aplausos dos puxa-sacos, quem era um zero à esquerda ganhou placa.


Agora o “prefeitalha” resolve, do alto das sapatilhas de reizinho da pocilga, “homenagear” político respeitável como se esse precisasse da homenagem de gentinha para ser maior do que foi.    

O filho adotivo?

Pouco antes das eleições municipais de 2012, Sigmaringa Seixas, ex-vice-governador do Distrito Federal pelo PT, foi despachado por Lula ao Recife com uma tarefa que o ex-presidente considerava difícil, mas não impossível: convencer Eduardo Campos, então governador de Pernambuco pela segunda vez, a desistir da ideia de se lançar candidato à sucessão de Dilma dali a dois anos.

Até então ainda não se falava de público na candidatura de Eduardo pelo partido que ele presidia – o PSB. Eduardo recebeu Sigmaringa no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Conversaram sozinhos durante mais de duas horas. Sigmaringa retornou a Brasília no mesmo dia. Orientado por Lula, acenara para Eduardo com a hipótese de ele compor como vice a chapa de Dilma à reeleição.

Eduardo recusou a proposta. Alegou que não deixaria o governo para ser vice. Os pernambucanos não entenderiam seu gesto. Então Sigmaringa jogou na mesa o que imaginou que fosse um trunfo: Lula estava disposto a apoiar Eduardo para presidente em 2018. Em troca, Eduardo fecharia com a reeleição de Dilma.
- Obrigado, mas não topo – descartou Eduardo.
- Mas por quê? – insistiu Sigmaringa.
- Confio na palavra de Lula, mas não confio na palavra do PT – respondeu.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um drible do destino

O destino driblou as eleições brasileiras e a esperanças de muitos, mais do que se imagina. A morte do candidato Eduardo Campos enlutou politicamente uma região inteira – só em Pernambuco tinha uma aprovação recorde superior a 90%. Não era pouca coisa a que se destinava em sua corrida presidencial. 

Articulador nato e perito em compor aliados, Campos foi o diferencial na campanha, que agora volta ao cotidiano exaustivo do dilema entre PT e PSDB. O brasileiro perdeu uma grande chance, por culpa de um acidente aéreo, de contar com uma grande influência, mesmo perdendo as eleições, para agitar uma renovação política indispensável, quando é grande o desinteresse popular pelos rumos políticos.

Resta-nos retomar a bandalha politiqueira, que já era grande, monstruosa, com a incógnita da performance de Marina Silva. A saída de cena de Campos deixou o cenário eleitoral mais pobre do que parecia. Infelizmente o país ainda terá de conviver com essa miserabilidade política por mais tempo. Miserabilidade que já se vê com canalhas costumeiros se aproveitando do momento para crescer diante da morte do candidato. Um sinal de quanto há de podridão, crescida nos últimos anos, na política brasileira. 

Agora o eleitor vai tentar acertar, quase às cegas, em meio ao analfabetismo eleitoral e a sujeira politiqueira, os caminhos de renovação. Que o destino, desta vez, ajude.       

Imagem de pelaí


O crime é o mesmo

Aqueles que corrompem a opinião pública são tão funestos como aqueles que roubam as finanças públicas
Adlai Stevenson (1835–1914) foi vice-presidente dos Estados Unidos entre 1893 e 1897 

A Opinião em Palácio


O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública.

― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais.

Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de frequentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse:

― Preciso de ti.

A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não exercitá-lo. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, se acreditava em discos voadores, horóscopos, correção monetária, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião.

― Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável.

E virando-se para os serviçais:

― Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais. E que ela só volte aqui depois de decorar bem as apostilas.
Carlos Drummond de Andrade, "Contos plausíveis" 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Socorro!


A força de muitos

Charge do Amarildo
Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores. Vamos votar, está combinado?
Eles são 24%, quase um quarto do eleitorado brasileiro. Tenho simpatia por esse exército de deserdados, órfãos, ou qualquer nome que se queira dar aos 34 milhões de brasileiros aptos a votar, mas dispostos a abrir mão de escolher o próximo presidente. Os dados são da última pesquisa do Ibope, divulgada na quinta-feira.

Tenho simpatia, mas, diante da encruzilhada em que se encontra o Brasil, sinto vontade de dizer: escolham um candidato, mesmo que não estejam totalmente convictos, mesmo que tenham de cobrar depois. Sou contra o voto obrigatório, por considerar o voto um direito e não um dever. Mas, se assim é a lei em nosso país, vamos votar em alguém, está combinado?

Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores, não se apoiem na falsa comodidade de pensar que nada têm a ver com isso que está aí. Numa democracia, somos todos responsáveis, em algum grau, pelos rumos da cidade, do Estado e do país.

São vários os sentimentos por trás da vontade de anular ou deixar branco o voto, cara a cara com a urna. Desencanto, revolta, indiferença, impotência, desinformação, desconfiança. Vontade de não se misturar à corja de políticos que só sabem aumentar os impostos e roubar a educação, a saúde, a habitação, o transporte, a segurança. Mentem com desfaçatez. E roubam até dos pobres.

Assim é...


“O partido é a loucura de muitos em proveito de poucos”
Alexander Pope (1688-1744)

Uma ferida na esperança


O Brasil deveria estar alarmado com uma notícia do Tribunal Superior Eleitoral: só um de cada quatro jovens entre 16 e 17 anos com direito a voto nas próximas eleições se preocupou este ano em tirar o título eleitoral, o que pressupõe um desinteresse que beira o desprezo pela política.

O fato é duplamente grave, porque esses jovens não sofreram as garras da ditadura, da falta de liberdade, da miséria e da ausência de oportunidades, nem conheceram o horror das guerras. Seria demasiado fácil, no entanto, criticar esses meninos por sua falta de “sensibilidade política”, como escreveu um deputado federal. A crítica deve ser feita ao atual sistema político, que toda manhã espalha por todo o país montanhas de notícias sobre corrupção, violações à liberdade, feios exemplos éticos de quem deveria ser guia e mestre dos jovens em uma sociedade que se vangloria de ser democrática e liberal.

Uma das primeiras coisas que leio todo dia nos jornais são as cartas dos leitores, geralmente sérias, agudas, sóbrias, atuais e bem escritas. Na manhã de 10 de agosto, domingo, interrompi a redação desta coluna para dar uma olhada no jornal O Globo, que chega à minha porta às cinco e meia da manhã.


Entre as cartas dos leitores, impressionou-me a de Paulo Henrique Coimbra de Oliveira, do Rio. Não o conheço, mas sua carta intitulada “Desesperança” me confirmou o que tinha começado a escrever aqui. Diz Coimbra que, nos últimos dez anos, ele colecionou em um armário de quatro metros quadrados recortes de jornais que ilustravam escândalos políticos distribuídos pelos três poderes do Estado. Fez alguns cálculos: cinco escândalos por dia e uma corrupção que, segundo ele, é “superior ao PIB da maioria dos países do G-7”. Sua última frase é dura e obriga a refletir: “Depois não sabem (os políticos)”, escreve, “porque a sociedade não acredita neles. Dias atrás resolvi queimar tudo, inclusive o armário. E minha esperança de dias melhores foi queimada junto com ele”.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Silêncio de governo

Nani Humor

Não se meta, Dilma!


O que essa gente do governo Dilma Rousseff, ela incluída, imagina mesmo que somos? Um bando de idiotas? Ou de ignorantes? Incapazes de distinguir entre o falso e o verdadeiro?

Vai ver parecemos dispostos a ser enganados desde que não nos apertem os bolsos. Nem revoguem direitos e benefícios obtidos a duras penas. Ou que nos foram concedidos em troca de votos.
Pois é...

Os aloprados estão de volta!

Perdão. Os aloprados não estão de volta. Estão de volta aqueles que a cada eleição tentam por meios escusos influenciar seus resultados.
Lula chamou de aloprados os membros de sua campanha à reeleição que montaram um falso dossiê para enlamear a imagem dos candidatos do PSDB a presidente da República (Geraldo Alckmin) e ao governo de São Paulo (José Serra).

Aloprado é um tipo inquieto. Ou amalucado. Sem juízo. Apenas isso.
Na época, ninguém contestou o uso impróprio do inocente adjetivo para identificar, de fato, manipuladores da vontade popular. Sinto muito, mas era disso que se tratava.

Agora será diferente?

Falou, senador!


Mal feitores e aloprados


Diferentes jornais colocam entre aspas frase da presidenta Dilma que diz: "Eu repudio integralmente esse tipo de ação ( manipular biografias na Wikipédia ), como fiz diante de todos os vazamentos. Nesse caso específico, é algo que quem quiser fazer individualmente que faça, mas não coloque o governo no meio."

Com essá frase, vinda do alto do máximo cargo do país, vem a idéia de que não há problema em cometer-se crime, desde que não se deixe impressão digital envolvendo outras pessoas.

A presidenta está errada, porque ao dizer isso deseduca a população, especialmente os jovens, e ainda incentiva ou mesmo insufla militantes a continuarem fazendo manipulações de biografias, desde que não usem computadores vinculados ao Planalto, nem outros órgãos públicos. Que sejam mal feitores, mas não aloprados.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A reciclagem política


A grande mídia custou a descobrir a mascarada que os políticos brasileiros vem aplicando para cima dos eleitores.  Apesar de ser uma velha estratégia, principalmente utilizada pelo petismo, quando está em jogo a reeleição, os jornais deram novo nome para a prática de propaganda enganosa depois que o PT reabilitou e deu nova formatação a velhos projetos, praticamente arquivados.

Quem vive fora dos grandes centros e sob o jugo petista, conhece há tempos a palhaçada de apresentar “novidades” que nada mais são que a ressurreição de antigas promessas que nunca saíram do papel. Essas nem foram postas em prática porque eram e ainda são apenas um recheio de campanha, uma cobertura adoçada, para regalar os incautos, sempre dispostos a ficar de joelho e de mãos postas a qualquer anúncio dos meliantes partidários.

Ninguém que se engane que vale tudo na política para se manterem cargos e poderes. Então não é de se espantar que apareçam agora, na boquinha da urna, uma enxurrada de promessas, sempre elas, para cima do eleitor desavisado ou, digamos, “encantado” pela varinha mágica de um troquinho à frente.

Em meio a tal reciclagem política, continua a proliferar a propaganda factóide, que agrada demais aos correligionários, sempre dispostos a divulgar a boa nova. Não importam os dados, as cifras, tempo de conclusão ou viabilidade das obras e projetos. Para esses pobres coitados, que estão ajudando na manutenção de um caos político, nada importa que não seja manter seus santos do pau-oco nos altares de câmaras e prefeituras.


De tanto rezarem para obter uma dádiva, esperam que sejam atendidos um dia para infelicidade geral. É que o egoísmo da pilantragem tem repercutido mais no bolso do honesto, que não tem onde se socorrer em bolsas de caridade duvidosa ou comissões que secam o Erário. 

Saneamento perde de goleada

Nani Humor

Testes para saídas no ensino


De um lado, adolescentes pouco estimulados pelos estudos, muitas vezes cursando séries atrasadas. Do outro, um currículo escolar extenso porém desconectado da realidade, em aulas excessivamente teóricas e incapazes de suprir deficiências anteriores dos alunos.

Esses são, segundo especialistas, alguns dos ingredientes que levam a altos índices de evasão no ensino médio brasileiro, ciclo que é considerado hoje o principal gargalo da educação no país.

O tema voltou a entrar em evidência neste mês com um relatório do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) apontando que, entre os jovens mais pobres, menos de um terço conclui o ensino médio no Brasil.

"É no ensino médio que desembocam todos os problemas anteriores da formação", explica à BBC Brasil Andrea Bergamaschi, gerente de projetos da ONG Todos Pela Educação.

Números do ensino médio brasileiro

*O número de matrículas no ciclo aumentou 120% em 21 anos, para 8,37 milhões de matrículas em 2012, segundo o Ministério da Educação

*Apenas 51,8% dos jovens de 19 anos haviam concluído o ensino médio em 2012, segundo o Anuário da Educação (da ONG Todos Pela Educação, com informações do IBGE)

*31,1% dos alunos do ensino médio estavam cursando série não ideal para sua idade em 2012


domingo, 10 de agosto de 2014

Sonhos


O filme “Sonhos”(Yume), de 1990, um dos últimos do japonês Akira Horosawa (1910-1998) é baseado em sonhos do cineasta em momentos diferentes. Com base em imagens mais do que no diálogo, divide-se em oito histórias distintas de sonho. Na história “O vilarejo dos moinhos”, jovem mochileiro chega a um pacato vilarejo cercado por correntezas. O viajante encontra um velho ancião da vila, muito sábio, que está consertando a roda quebrada de um moinho. O ancião explica que as pessoas do seu vilarejo decidiram há muito tempo atrás abrir mão da influência poluidora da tecnologia moderna e retornar para uma sociedade mais feliz e limpa. Escolheram a saúde espiritual a despeito da conveniência, e o mochileiro fica surpreso e intrigado com esta noção. No final da sequência que é também o final do filme, a procissão de um funeral de uma mulher ocorre no vilarejo, que ao invés de estar de luto, celebra contente o fim de uma boa vida. O ancião, que até então conversava com o jovem viajante, resolve acompanhar a procissão, não sem antes contar-lhe sobre algo que o jovem presenciou ao entrar na vila - crianças colhendo flores e colocando-as sobre uma pedra ao lado da trilha. O ancião diz que há muito tempo um homem havia morrido ali depois de muito sofrer, e desde então o ato de colocar flores sobre a pedra debaixo da qual foi sepultado se faz uma tradição do vilarejo. O viajante se despede do lugar repetindo o gesto das crianças.

Tem quem pague

Gasto do Planalto com comunicação cresceu 30% no primeiro semestre. A Secom teve uma despesa de R$ 109,3 milhões com propaganda no semestre passado 29,7% do que o mesmo período de 2013 que foi de R$ 84,3 millhões

Nossa Casa da Mãe Joana


  
“A falta de honradez no governo é problema de todos os cidadãos. Não é suficiente para fazer seu próprio trabalho. Não há nenhuma virtude nela. A democracia não é um prazer. É uma responsabilidade"
Dalton Trumbo (1905-1976)

Não é de hoje que o Planalto vem revelando que deixou de ser uma das representações máximas da República para se tornar a central sindicalista do PT, que gere a pelegada instalada por todo canto do país.

O escândalo das alterações nas informações de jornalistas dentro do Wikipédia, feitas de dentro do palácio governamental, são tão escandalosas como os casos do tiro no pé de Carlos Lacerda, quando de dentro do Catete, saiu a ordem para o atentado, ou aquele do edifício Watergate, com a invasão de escritório democrata. Parece exagero, mas em todos a ordem foi de dentro do governo, independente de quem fez ou quem ordenou. E os casos citados geraram enormes consequências para os governos envolvidos. 

A denúncia de que agora nova alteração foi feita através de um computador do Serpro, órgão governamental, só vem enfatizar que estamos sob o comando de uma ditadura de fachada “democrática”, que promove a perseguição política e desrespeita direitos civis.

A alteração mostra que o PT, no governo, está disposto a fazer de tudo, e isso inclui qualquer ilegalidade, para assegurar o comando do país, não bastando a famigerada “regulamentação da mídia”. Embora possa parecer um excesso de algum funcionário “mais dedicado”, ou conhecidos aloprados, não passa de um crime contra a individualidade. E em qualquer nível, por menor que seja – mesmo uma calúnia ou difamação, como qualificam o ocorrido -, contra o indivíduo por um agente do governo, é crime de ditadura.

Espanta é que o atual caso não mereça a mesma revolta de outros tempos. Uma atrocidade dessas, que pode acometer qualquer cidadão em qualquer canto do país, só merece repúdio que não se está vendo, na devida medida. Estaremos já silenciosos ante as atrocidades petistas, acostumados ao crime como os que vemos diariamente no noticiário, que nem já reclamamos mais? Uma atitude perigosa é o silêncio conivente ou complacente diante da injustiça. Quem cala pode estar tornando mais negro o próprio futuro e dos seus, prostituindo seus direitos, em favor de uma gentalha autoritária, fascista, com nítidas intenções de manobrar dados que favoreçam companheiros e achincalhem adversários como é costume dos governos ditatoriais.    


Ao longo dos três anos e meio do governo Dilma, o IP da Presidência foi usado para realizar cerca de 170 alterações na Wikipédia. Muitas modificaram verbetes relativos a órgãos ligados à Presidência e de ministros e ex-ministros como Moreira Franco, Antonio Palocci, Thomas Traumann, Ideli Salvatti e Alexandre Padilha, além do assessor especial da presidente, Marco Aurélio Garcia, e do vice-presidente, Michel Temer". Leia mais sobre o assunto 

sábado, 9 de agosto de 2014

Vote certo


Semelhanças há

Que fim pode esperar um reino que premia delatores, alimenta quadrilhas de ladrões, desterra vassalos, destrói bens, exalta libelos, não ouve as partes, cala as testemunhas, paralisa a população, ama arbítrios, rouba os povoados, vende nobrezas, condena inocentes, alenta gabelas (*tributo pago ao senhor feudal) e arruína o direito de muitas pessoas?”
Juan Eslava Galán

Congresso de ouro

Nani Humor

O Brasil, com sua imensidão continental, também dá show na estatística dos super-ricos. Eles hoje são 172 mil. Entraram para a categoria, no último ano, 7 mil abençoados. Para ocupar a categoria, é necessária uma carteira mínima de R$ 1 milhão apenas para aplicação, independente de patrimônio. E isso acontece num país em que o governo se vangloria de enfim ter reduzido, com certas maquiagens, que não admite, as desigualdades sociais. Esse é mais um queijo furado que oferecem de bandeja seus ratos de sempre. Famintos por uma lasquinha do suíço, o melhor do mercado. 

Assim, neste país em que os miseráveis já não existem, para o governo, esses super-ricos proliferam assustadoramente, ainda mais na chocadeira que se tornou a política. Tanto que os suplentes de candidatos ao Senado são os mais ricos desta eleição. Quase todos estão na categoria super-rico de lambuja. Na média, os primeiros-suplentes declararam ter fortuna de R$ 7,3 milhões - mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil candidatos registrados para concorrer neste ano. São esses super-ricos, a elite milionária, que vão discutir as leis para reger o país já solapado por tanto interesse monetário. 

Ah, os tempos em que, como na época de Machado de Assis, os senadores tinham no máximo um tílburi ou pegavam o bonde puxado a burro para ir ao Senado, na praça da República.      

O golpe municipal dos condomínios


Enquanto áreas verdes são desmatadas para os condomínios, projeto Minha Casa Minha Vida, saudado pelo governo petista, é construído em solo inadequado para edificações, sem sistema de esgoto, pois não há na região, em meio ao mato e isolado de qualquer serviço
Município que deveria investir em educação, saneamento, atração de indústrias, empregos, prefere reforço de caixa eterno com os impostos prediais através de condomínios. Quando não sabe encontrar saída para desenvolver o município, governos adotam a jogatina do “Banco Imobiliário”. Uma solução prática para angariar impostos ad eternum, gerar umas divisas extras quando da implantação e mostrar à população o “desenvolvimento” com a vinda de novos moradores. É uma varinha mágica que atende perfeitamente os desonestos governos incapazes, pois dá dinheiro e visibilidade. De quebra, ainda pode render uma “doação” para campanha bem adequada.

O PT não criou a fórmula, mas se tornou um usuário contumaz quando os seus governos não têm qualidade administrativa. E a jogatina começa mesmo antes das eleições, quando os maiores patrocinadores de campanha são imobiliárias. Como aconteceu em 2008, em Maricá. A invasão dos condomínios foi inclusive anunciada pela revista oficiosa do próprio prefeito como um grande passo no progresso municipal. De lá para cá, emergiram condomínios por todo canto num município que não tem rede de esgoto – apenas uns 4% com o in natura jogado nas lagoas – e sem abastecimento de água na maior parte da região.

Os problemas não foram empecilho para o surgimento de condomínios, a maior parte de médio para alto luxo, num município ainda mais com sérios problemas na saúde, na educação, na geração de empregos, no comércio. E com grave problema de, no futuro, contar com um aumento assustador da população de baixa renda, criando bolsões de favelização. 

O gestor municipal tão bem se saiu em capitalizar as imobiliárias que até trouxe investidores estrangeiros também enganados pelo desenvolvimento da região (?). Gastou fortunas, que poderiam ser aproveitadas em melhorias municipais, nas feiras imobiliárias na Itália e na França para conquistar os estrangeiros através de vídeos promocionais do “grande avanço” municipal. E saiu no lucro, das doações e de uma falsa média de renda no município dormitório, pois a maioria dos novos habitantes trabalha fora daqui.

Enfim, uma jogada de mestre da esculhambação que se acha magnânimo ao lotear até áreas naturais, que logicamente estão fora da seu espaço verde, ao troco de um dinheirinho como contrapartida para a administração, a fim de criar novos ilusionismos. Assim forma a base de uma futura cidade com massa populacional acima de suas posses, de seus serviços básicos, de seu atendimento social, sem educação e geração de empregos. A Nova Maricá cresce como um monstrengo para glória de comissionados e os eternos come-e-dorme correligionários. PT, saudações.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Político nunca decepciona

Nani Humor

Limites de presidente-candidata


Se a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff gastar tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara campanha da história: R$ 298 milhões. O montante previsto para as despesas, estabelecido como teto – portanto, não necessariamente precisa ser gasto em sua totalidade –, não é uma exclusividade da campanha do PT, mas, transcorrido o primeiro mês da corrida eleitoral, chama a atenção justamente por se tratar de uma candidata que faz uso do aparato público em todas as suas agendas políticas.

O futuro com aumento de desigualdades

“Se as elites políticas não reagirem, as coisas ficarão muito feias”
Nancy Fraser é esse tipo de mulher que parece avançar na idade sem mudar, acumulando sabedoria. Ao mesmo tempo entre a serenidade reflexiva e a paixão intelectual, analisa a crise do presente, sua complexidade, com um foco de grande alcance. Seus trabalhos no campo da filosofia política se centraram nos problemas da justiça social. Em seu livro “Escalas da Justiça” (Herder, 2008) ela aborda as três dimensões que considera essenciais, todas elas definidas por palavras que começam pela letra 'r': os problemas de redistribuição da riqueza no plano econômico; os de reconhecimento no âmbito dos direitos individuais e coletivos; e os problemas de representação, na esfera política.

A americana de 67 anos viveu e analisou o avanço do capitalismo de Estado organizado, a partir do qual surgiu o modelo social europeu que propiciou as maiores cotas de justiça social, e capitalismo neoliberal, que minou o Estado de bem-estar e nos levou à grave crise de 2008..

Nancy Fraser alerta sobre as consequências do aumento das desigualdades e sobre a obsolescência das formas atuais de participação política. Ela considera urgente encontrar novos mecanismos para a tomada democrática de decisões, também, em escala transnacional.

Leia mais sobre alerta das consequências doaumento das desigualdades

Mentir ou enganar? Tanto faz

Governo reforma prédio escolar para ser a sede de reserva ecológica 
O príncipe europeu tinha uma só questão. Era ser ou não ser. O consorte da nobreza petista, em Maricá, sempre está apenas com uma dúvida: Mentir ou enganar? Qualquer que seja a opção, estará felicíssimo com seu ego. Ambas são o único caminho para não mais voltar à miséria física, pois da miserabilidade moral nunca saiu.

É dessa maneira que saem os projetos mirabolantes da ratatuia, que sempre vêm embrulhados em grandeza social. Como da criação da área de reserva ambiental, da qual excluiu um costão em Ponta Negra por interesse na criação de um estaleiro. Um agrado comum para os poderosos endinheirados que possam contribuir para campanhas eleitoreiras. As mesmas que entronizam e eternizam o partidão aqui e em outras terras.

Em outra compensação de um condomínio fechado, em distrito sem escola, se destrói parte da área nativa e paga-se o contributo de R$120 mil para o educador transformar a escola antiga e abandonada pelos poderes numa sede de parque mais prestigiosa e de maior visibilidade. Uma merreca em termos de criminalidade ambiental, mas está em jogo a campanha da própria mulher ao legislativo estadual e um reforço no imposto predial. É mais um dinheiro que entra para a poupança eleitoreira do casal. E por um desses paradoxos, a candidata aparece como defensora da educação, mas vê com alegria o sepultamento de uma escola.

Assim vai para o espaço o atendimento escolar em detrimento de ambições políticas e interesses econômicos privados. Em troca, o município ganha mais um, o enésimo, factoide com que o governo municipal possa espalhar nas redes e jornais associados ou comparsas bem pagos.

Essa mesma escola, a qual prometeu, em 2009, revitalizar e inclusive doaria “uma estante velha”, que tinha em casa, para formação de biblioteca, será reformada enfim para sede de uma reserva municipal. O que deveria atender à educação será agora um prédio com quiosques, videoteca e biblioteca com até 5 mil volumes (!!) bem mais do que a própria biblioteca municipal entregue hoje às baratas e que sequer sonha com videoteca. É muita cretinice esbanjada em uma só propaganda enganosa.

Troca-se assim área nativa e escola para a população próxima por um projeto para encher páginas de jornais com publicidade de um governo que sempre fará mais, muito mais do que se imagina, para si do que para o contribuinte.