domingo, 21 de dezembro de 2014

Tomara que caia




Quem, em sã consciência, pode apostar que um grupo que se enraizou no Estado brasileiro para saqueá-lo fará tudo diferente agora?
Ao ser diplomada no TSE para o novo mandato, Dilma Rousseff propôs um pacto nacional contra a corrupção. Quase na mesma hora, a Controladoria-Geral da União afirmava que a compra da Refinaria de Pasadena não foi um mau negócio, foi má-fé. Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras, responsável pela aprovação da negociata. A dúvida é se os critérios para a compra da refinaria e para o pacto anticorrupção serão os mesmos.

O Brasil precisa saber urgentemente qual será o papel do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no pacto nacional contra a corrupção. Nas investigações da Polícia Federal, Vaccari é acusado de beneficiário do esquema do petrolão, e de injetar propinas na campanha de Dilma — essa mesma que foi reeleita e diplomada declarando guerra à corrupção. As faxinas da presidente deixariam o FBI de cabelo em pé.

Os EUA, aliás, já foram apresentados às entranhas do governo popular, com a chegada do escândalo da Petrobras à Justiça americana. O problema é que lá não tem um Lewandowski ou um Dias Toffoli para tranquilizar os companheiros na última instância. Também não tem um ministro da Justiça servindo de garoto de recados do marqueteiro petista. Como incluir os americanos, holandeses e suíços lesados pelo petrolão no pacto contra a corrupção? Será que o apoio deles custa mais do que os da UNE e do MST?

Uma das ascensões políticas mais impressionantes nos últimos anos foi a do ex-deputado André Vargas. Virou secretário de comunicação do PT e chegou a falar grosso com o STF no julgamento do mensalão — cuja transmissão televisiva ele queria embargar. Depois provocou Joaquim Barbosa publicamente, fazendo a seu lado o gesto do punho cerrado dos mensaleiros. André Vargas chegou à vice-presidência da Câmara dos Deputados, nada menos. Aos inocentes que não entendiam aquela ascensão meteórica, veio, enfim, a explicação: Vargas era comparsa do doleiro Alberto Youssef, o operador do petrolão.

Essa singela crônica de sucesso mostra que hoje, no Brasil, não há nada mais claro e seguro do que a lógica de funcionamento do PT. A qualquer tempo e lugar que você queira compreendê-la, o caminho é simples: siga o dinheiro.

Seguindo o dinheiro (farto) do doleiro, a polícia chegou a uma quadrilha instalada na diretoria da Petrobras sob o governo popular. Tinha o Paulinho do Lula, tinha o Duque do Dirceu, tinha o tesoureiro da Dilma, tinha bilhões e bilhões de reais irrigando a base de apoio do império petista. Um ou outro brasileiro mal-humorado se lembrou do mensalão e resmungou: mais um caso de corrupção no governo do PT. Acusação totalmente equivocada.

O mensalão e o petrolão não são casos de corrupção. Pertencem a um sistema de corrupção, montado sob a bandeira da justiça social e da bondade. Vamos repetir para os que seguiram o dinheiro e se perderam no caminho: trata-se de um sistema de corrupção. E as investigações já mostraram que esse sistema esteve ligado diretamente ao Palácio do Planalto nos últimos dez anos. Um deputado de oposição disse que o maior medo do PT não era perder a eleição presidencial, mas que depois Dilma fizesse a delação premiada.

Primeira lição


Na escola primária
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu a Eva
e aprendeu a amar.

E sendo homem feito
Ivo viu o mundo
seus comes e bebes.

Um dia num muro
Ivo soletrou
a lição da plebe.

E aprendeu a ver.
Ivo viu a ave?
Ivo viu o ovo?

Na nova cartilha
Ivo viu a greve
Ivo viu o povo.
Lêdo Ivo

Uma corda sobre o abismo

A vitória deu ao PT a oportunidade de corrigir erros que não foram poucos, mas não lhe garantirá salvo-conduto para continuar atentando contra a ética e a inteligência dos brasileiros
Senador Aécio Neves  

Cadeia neles!


Depois de milênios em conflito, Deus e o Capeta resolveram promover a paz universal e eterna no universo. Decidiram que para evitar a continuação de conflitos e desgraças, melhor seria construir uma ponte entre o Céu e o Inferno. Assim estariam prevenidos e garantidos. A combinação foi de que cada lado se encarregasse de metade da ponte. Logo o Capeta lançou-se na sua empreitada, mobilizando legiões de diabinhos e cumprindo rigorosamente o cronograma das obras. Quando olhava para cima, no entanto, via que nada estava sendo feito. Preocupado e tendo quase completado a sua obrigação, pediu uma audiência para reclamar. Afinal, meia ponte não resolveria nada em prol dos objetivos combinados.

O Padre Eterno ouviu calado as críticas sobre sua inação, mas no final falou: “Quer saber porque não iniciamos nossa parte da ponte? Por culpa sua! Aqui no Céu não encontramos um empreiteiro sequer, para contratar. Você levou todos para o Inferno!”

A anedota se ajusta bem à realidade que vivemos. Presos ou temerosos da prisão, não haverá um só empreiteiro, grande ou pequeno, contratado ou não pela Petrobras, que deixe de ser chamado a prestar contas, demonstrando sua lisura ou merecendo queimar até o fim dos tempos. O corpo técnico das empreiteiras é excepcional. Seus engenheiros, planejadores, mestres de obras e operários fazem milagres em matéria de hidrelétricas, portos, pontes, túneis e tudo o mais que envolva obras públicas e privadas. O diabo (com perdão de nosso personagem citado acima) são certos donos. Proprietários das empresas, pelo berço ou por malandragens, ávidos de multiplicar suas contas bancárias e seu poder. Responsáveis por uma injusta generalização.

É mentira dizer que não sabiam o que seus operadores faziam em matéria de superfaturamento, aditivos contratuais, propinas e compra de políticos e de altos funcionários do governo. Bobagem igual, só a do Lula ao proclamar que não tinha conhecimento do mensalão, ou da própria Dilma, para quem foi uma surpresa verificar a lambança na Petrobras.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Comemoração


Marido também levou os seus milhões


Não adianta só tirar o sofá da sala, exigir a expulsão de toda diretoria da Petrobrás e botar um monte de gente na cadeia. O Brasil vai continuar sendo dilapidado enquanto o governo petista estiver no poder. A Dilma está cada dia mais atolada nos escândalos. Criar factóides como o da Comissão da Verdade na tentativa de tirar a corrupção das manchetes, agora que a lama chegou na sala principal do Planalto, também é paliativo.

A presidente não pode negar, por exemplo, que não é da sua responsabilidade a nomeação de Graça Foster para a Petrobrás, uma dirigente que se mostrou incompetente e desastrada no comando da empresa. No período de dezembro de 2010 a dezembro deste ano, Foster conseguiu até então o inimaginável: desvalorizou a Petrobrás em 80,4%. Além disso, ainda mentiu cinicamente na CPI quando disse desconhecer as falcatruas na empresa, agora desmascarada pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca que diz que ela foi informada de tudo por mensagens na internet.

Graça, que é chamada carinhosamente de Graciosa pela presidente, conheceu a Dilma quando ela exercia o cargo de secretária de Energia do Rio Grande do Sul, quando ambas cuidaram do gasoduto Bolívia/Brasil (Gasbol), parceria que envolveu a BP e a Shell. De lá pra cá viraram amigas e confidentes.

Dilma também é amiga de Colin Vaughan Foster, marido de Graciosa, de quem herdou o sobrenome. Colin é figura carimbada na Petrobrás. Frequenta com intimidade e desenvoltura os gabinetes dos diretores no suntuoso prédio da Avenida Chile, no Rio. Só nos últimos três anos, a C. Foster assinou 43 contratos com a estatal, dos quais 20 sem licitação para fornecer componentes eletrônicos para a área de tecnologia, exploração e produção.

Graça Foster, se sair amanhã da Petrobrás por causa dos escândalos, não tem do que se queixar. Além de gozar de todos os benefícios de uma rica aposentadoria com direito a bônus e salário integral, ainda terá uma vida confortável ao lado de Foster. A empresa do maridão, a C. Foster Serviços e Equipamentos faturou R$ 614 milhões com a Petrobrás nos 43 contratos assinados.

Colin Foster circula livremente pelos corredores da empresa apresentando-se como marido de Graciosa. Faz lobby em todos os setores e a sua empresa alimenta uma série de outras que formam um cartel no fornecimento de equipamentos. O casal é íntimo da presidente.

Leia mais artigo de Claudio Humberto

E dizem Natal sem fome

A desnutrição ainda atinge cerca de 52 milhões de pessoas (25,8% dos brasileiros) sem contar os 7% famintos

Parlamentares brasileiros $uperam europeus


Aumento salarial aprovado pela Câmara dos deputados faz com que parlamentares brasileiros não só ganhem mais que presidente, como também superem os deputados do Parlamento italiano, os mais bem pagos da Europa.

O projeto de reajuste salarial de deputados e senadores, aprovado nessa quarta-feira  pela Câmara dos Deputados eleva os vencimentos dos parlamentares dos atuais R$ 26,7 mil para R$ 33,7 mil. A proposta ainda tem que receber aval do Senado para que os reajustes passem a vigorar em 2015. Caso aprovado, o reajuste fará com que os deputados brasileiros tenham pagamento básico bruto anual equivalente a quase 130 mil euros, cerca de 5 mil euros anuais a mais que os vencimentos brutos básicos dos deputados do Parlamento italiano, os mais bem pagos da Europa.

No continente, os integrantes do Bundestag, o Parlamento alemão, também estão bem colocados na lista dos que recebem os melhores salários básicos (que não inclui os benefícios, como verba de gabinete , assessores, viagens e outros extras, que diferem de acordo com o país). Os alemães recebem 8.020,53 euros mensais, somando 96.240 euros no ano em vencimentos básicos brutos. Em janeiro de 2015, a quantia será reajustada para 9.082 euros, perfazendo um salário anual de 108.984 euros brutos – dos quais cerca de 43% são descontados em imposto de renda.

Os legisladores austríacos também não podem reclamar. Eles ganham anualmente quase 104 mil euros em vencimentos básicos brutos, sendo que recebem aumento em 2015, quando passam a ganhar 120,62 mil euros anuais. Os britânicos ganham o equivalente a cerca de 84,5 mil euros por ano.

França e Suécia pertencem aos países cujos salários dos deputados estão na faixa média europeia, com, respectivamente cerca de 85 mil euros e 85 mil euros brutos anuais.
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Desde velhos tempos


Desfecho melancólico


Seis meses atrás, a presidente Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Continuava a se autocongratular por seu longo envolvimento com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos.” (“Folha de S.Paulo”, 2/7/2014)
Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial.

A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.

Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.

Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.
Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.

No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.

Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”

Quem blinda quem?

Ilustração de John Vernon Lord

Humpty Dumpty sat on a wall.
Humpty Dumpy had a great fall.
All the king’s horses and all the king’s men
Couldn’t put Humpty together again.

Humpty Dumpty, o ovo com rosto, braços e pernas, sentava muito pimpão no muro alto, apesar dos conselhos para que não o fizesse, dada sua fragilidade.

Mas teimoso e arrogante, não havia meio do bom senso ocupar por um átimo que fosse, sua cabeça. E deu no que deu: caiu, espatifou-se e nem todos os cavalos do rei e nem todos os homens do rei puderam juntar seus pedaços outra vez.

Quem já leu Alice no País das Maravilhas com certeza sabe que Humpty era presunçoso e, certamente, procura não copiar seus malfeitos. Mas há quem tenha lido e sofra do mesmo mal, teimosia misturada com arrogância. Esses certamente cairão do muro.

Já em Lula no Brasil das Maravilhas quem foi colocada no alto do muro foi a Petrobras: inesquecível a cena de Lula com as mãos sujas de óleo a dizer ao Brasil que daquele momento em diante seríamos autossuficientes em petróleo.

E o pré-sal? Que Lula anunciou como se fosse tão simples retirá-lo do fundo do oceano que os estados e municípios “pre-saleiros” quase entraram em guerra para saber quem ficaria mais rico?

A essa altura não cabia à Graça Foster refutar o presidente da República, mas quando dona Dilma assumiu a Presidência da República e a nomeou para a presidência do Conselho da Petrobras, aí ela passou a ser responsável por todos os comunicados que se referissem à empresa e devia ter explicado porque não somos autossuficientes em petróleo e porque o pré-sal ainda é sonho distante.

A Imprensa, tratada como inimiga da hora, quando foi ela que fez o Lula, passou a ser vista como a aloprada que precisa ser regulada. É sempre assim: os nossos defeitos são dos outros.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Para que serve o país


Covil da quadrilha


O edifício Solaris, no Guarujá, um dos poucos construídos pela Bancoop, obra assumida pela OAS, envolvida no Lava Jato, não só terá o convívio do poderoso chefão Lula. Outro condômino será o tesoureiro João Vaccari Neto, do PT, indiciado inclusive por formação de quadrilha, e procurado pela Justiça pelas falcatruas na Bancoop.

Pior do que o atual, só o próximo


E a reforma política, cantada em prosa e verso durante a recente campanha presidencial? Saiu pelo ralo, porque nem Dilma Rousseff tocou outra vez no tema, nem o Congresso aproveitou o final de mandato senão para votar, ao menos para equacionar o trabalho da próxima Legislatura. Sequer o Supremo Tribunal Federal deu continuidade ao julgamento que proíbe empresas privadas de doarem recursos para as campanhas. Os três poderes da República demonstraram não falar a sério quando levantaram a ponta do tapete da reforma política, preferindo deixar a sujeira debaixo dele.

A presidente da República chegou a anunciar a disposição de ver convocada uma Assembleia Constituinte exclusiva, aliás, uma grossa bobagem, mas sentindo a impossibilidade jurídica da proposta, esqueceu da reforma propriamente dita.

Deputados e senadores reeleitos sob a promessa de mudarem regras eleitorais e institucionais demonstram que não falavam a sério. Afinal, seria suicídio alterar a legislação que serviu para preservar seus mandatos.

Na mais alta corte nacional de justiça, quatro votos já haviam sido dados pela proibição das doações empresariais, mas há mais de seis meses que o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e engavetou sua opinião.

Em suma, nada de novo sob o sol. As campanhas continuarão à mercê de operações de compra e venda, quer dizer, os eleitos beneficiados pelas doações pagarão aprovando projetos de interesse dos doadores. A diminuição do número de partidos esbarra na lambança do aluguel oferecido pelas pequenas legendas a quem se dispuser pagar mais. Do voto distrital não se cogita porque levará o eleitor a cobrar mais empenho dos eleitos.

Nem se pensa na revogação da reeleição, que como regra dobra o tempo de permanência dos governantes no governo, precisamente pelo uso imoral das estruturas do poder. Acabar com a triste figura dos suplentes de senador significa suprimir sinecuras e obrigar os senadores eleitos a trabalhar. Mudar a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal equivale a tirar do Executivo a possibilidade de escolher juristas amigos e amestrados. Trocar o presidencialismo pelo parlamentarismo seria fechar as portas para o caudilhismo.

E assim por diante, ou seja, ninguém quer mudar nada capaz de alterar privilégios e distorções. Razão tinha o dr. Ulysses quando sentenciou que pior do que o atual Congresso, só o próximo…

Posse pra 'cumpanheirada'


O PT prepara uma verdadeira operação de guerra para evitar um vexame de pouco público na posse do segundo mandado de Dilma, em 1º de janeiro de 2015.

Pelas redes sociais e nos blogs alinhados ao governo federal, o partido montou uma ostensiva campanha convocando os militantes a comparecerem a Brasília, além de determinar aos diretórios municipais que organizem caravanas. Segundo o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral, para contrapor as manifestações previstas da oposição, a meta é conseguir mais de 10 mil militantes.

O motivo do medo é a avalanche de notícias ruins para a presidente: escândalo de corrupção na Petrobrás, desempenho pífio na economia e a derrota de diversos aliados nas últimas eleições. Na avaliação dos petistas, não há clima para uma grande festa espontânea.

Ainda por cima, o Distrito Federal não deve ter o tradicional réveillon por falta de verba, devido à desastrosa administração petista de Agnelo Queiroz. A cada ano, Brasília reunia na Esplanada em torno de 200 mil pessoas. O cancelamento da festa ainda ajuda o esvaziamento das festividades da posse, que o PT garante que serão bancadas pelo partido, ou seja, pelos milhões das propinas. Partidão rico é outra coisa.

Dupla do barulho

Não se tratou de mau negócio ou de erro de gestão. Houve má-fé, mesmo. Foram condutas intencionalmente cometidas

Legado da Copa foi um tremendo 171


Parece que foi no Paleolítico, mas se passaram menos de seis meses. Lembram como fomos bombardeados por sucessivas falácias sobre a “Copa das Copas” (sic), enaltecendo legados e vantagens? Era dia sim, outro também. Os estádios seriam grandes gatilhos para o desenvolvimento regional, o turismo explodiria, a cultura descentralizaria (essa pérola, como muitas outras, foi do ministro dos Esportes, o mesmo parlapatão que elogiou recentemente Eurico Miranda, déspota sem freios).

Quem se atrevesse a questionar era tachado de derrotista, de vendido aos interesses da oposição e outras gracinhas. Não adiantava argumentar com números e dados assustadores sobre o custo da farra. O que importava era a festa e as imagens que ela geraria, armazenadas para a campanha eleitoral que se aproximava. Os 7 a 1 enterraram os megalomaníacos.

Levantamento feito pela Folha de São Paulo mostra o que aconteceu com os estádios construídos para a Copa. A Arena da Amazônia, por exemplo, construída pela bagatela de R$ 669,5 milhões, abrigou apenas 4 partidas depois da Copa, com ocupação média por jogo de pouco mais de 30%. O Mané Garrincha, em Brasília, teve 5 jogos, com ocupação média de 37%. E por aí vai. Com exceção do Mineirão e do Itaquerão, todos os demais estádios tiveram ocupação média por jogo inferior a 50%.

Nos lugares mais afastados, só se programam partidas por conta da maluquice suspeita dos responsáveis pelo futebol brasileiro. Tradução: foram superdimensionados, com farta aplicação de recursos públicos. Dois deles, no Amazonas e em Mato Grosso, vão ser privatizados. Para aguentar os pesadíssimos custos de manutenção, as administrações dos estádios estão alugando os espaços para festinhas infantis, casamentos coletivos, shows, encontros corporativos, etc.

A Arena Pantanal, em Cuiabá, chegou a ser alugada para lançamento de um condomínio! Tudo cheira mal, muito mal, como se, antes da Copa, não existissem equipamentos urbanos para a realização de bar-mitzvás e casamentos. Jogaram na goela do povo um paraíso esportivo que não se concretizou. Agora, bem no estilo nacional, estão tentando dar um jeitinho.

A goleada não foi apenas da Alemanha. Tomamos a maior surra da turma 171, sempre generosa com recursos de terceiros. Brasilsilsil!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A equilibrista


Lula manda e Dilma tem que obedecer

A confusão no Triângulo das Bermudas (Planalto, PT e Instituto Lula) é como a antiga anistia – ampla, geral e irrestrita. Em meio à derrocada do esquema de sustentação do poder via corrupção na Petrobras e em outras fontes como o mensalão, a presidente Dima Rousseff agora se omite e deixa o barco ir à matroca, como se dizia antigamente, enquanto um desgastado e repetitivo Lula volta à cena para retomar indiretamente o poder e mostrar quem está no comando.

Depois do desmoralizante discurso do procurador-geral Rodrigo Janot, Lula já mandou a ex-gerentona demitir a diretoria da Petrobras e ela vai obedecer, claro. Mas Dilma está na mesma situação que enfrentou no Ministério da Fazenda. Também no caso da Petrobras, ela procura um nome de respeito, que inspire confiança e seja inacatável, mas não encontra ninguém que aceite o sacrifício. Portanto, da mesma forma como Lula mandou que Dilma aceitasse Joaquim Levy, que estava no terceiro escalão do Bradesco, agora ele vai indicar o novo presidente da Petrobras.

Ao mesmo tempo, o ex-presidente quer preencher todos os espaços, mudar a direção do PT e criar no partido o que ele intitulou de “gabinete da crise”, embora nem mesmo ele saiba o que seja isso e como funcionaria, é apenas um “factóide”.

O fato que desponta sem a menor dúvida é que Dilma Rousseff naufragou. Quando se pensava que ela enfim iria se consolidar no poder, livrando-se da incômoda e persistente influência de Lula, ocorre justamente o contrário. A criatura se mostra fraca e omissa, o criador agradece e retoma o poder.

Mas a realidade é dura. Por mais que Lula tente consertar as coisas, a situação já fugiu inteiramente ao controle, o prestígio do governo junto à opinião pública independente, digamos assim, já é zero. A grande imprensa mostra um governo em ruínas, em meio a uma gravíssima crise econômica e moral. O governo só é defendido pelos sites e blogs sustentados pela máquina federal, via Petrobras (olha ela aí de novo!), Banco do Brasil e Caixa Econômica. E a tendência é piorar.

Leia mais o artigo de Carlos Newton

O cadáver global


A corrupção, com suas mais variadas e sofisticadas máscaras, é o cadáver global em fase de decomposição que mais aproxima os cidadãos de todo mundo.
J. Ernesto Ayala

Maior escândalo vai estourar no BNDES

É raro achar um político que goste do procurador Helio Telho Corrêa Filho. Além de já passado pelo Ministério Público Eleitoral em Goias, deixando estragos em várias candidaturas com gastos suspeitos nas eleições de 2004 e 2006, ele usa as redes sociais para dizer o que pensa — e geralmente o que ele pensa é o antônimo do que um questionável ocupante de cargo público consideraria um elogio.

Dessa forma, ele consegue a antipatia de partidários de todas as correntes. Ser tido por tanta gente diversa como “persona non grata” não parece lhe incomodar. Sobre a crise da Petrobras, Telho diz que o pior ainda está por vir, diz ele. “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU [Tribunal de Contas da União] investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”, alerta o procurador, que estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.

— O sr. diz que se surpreende que as coisas tenham crescido. A coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado, e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?

Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais. A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancando com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado. É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.

— E os financiamentos para obras no exterior?

O dinheiro para financiar obras em Cuba, por exemplo, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? Então, o que vemos é como se tivessem arando o terreno fértil, colocando adubo e semeando corrupção. Será que ela vai nascer? É evidente que vai! Portanto, nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção na República, desta vez no BNDES.

Leia mais a transcrição do Jornal Opção, de Goiás

Frases cretinas


Eu preciso ser investigada, os diretores, nós precisamos ser investigados. E para isso precisamos das auditorias internas
Graça Foster
(Em nenhum momento pediu investigação da Polícia Federal ou do Ministério Público. Nesses não confia)

O suicídio dos dinossauros


Jogando com um baralho viciado para assar a pizza, a Petrobras e as empreiteiras estão flertando com a ruína
Primeiro a má notícia: desde 2008, o valor de mercado da Petrobras caiu de R$ 737 bilhões para R$ 114 bilhões. Virou pó uma quantia equivalente a todos os investimentos previstos para a área de infraestrutura do Brasil no segundo mandato da doutora Dilma. Agora, a péssima: a sangria vai continuar. Investidores internacionais fogem do papel da empresa e o contubérnio em que ela vivia com seus fornecedores abalou também as contas das grandes empreiteiras nacionais. A Petrobras nunca mais será a mesma e pode-se supor que alguns de seus grandes fornecedores nacionais deixarão de existir.

Desde o início do ano, quando apareceram as primeiras pontas do escândalo, todos acreditavam que podiam assar a pizza jogando com um baralho viciado. Essa crença foi resumida numa breve anotação de um diretor da Engevix. Certo de que ninguém teria coragem de se meter com as empreiteiras, ele escreveu: “Janot e Teori sabem que não podem tomar a decisão. Pode parar o país.” Errou e seu vice-presidente está na cadeia. O procurador-geral Rodrigo Janot e o ministro Teori Zavascki sabem quais decisões devem tomar. A formulação da Engevix embute a ideia segundo a qual grandes empresas não correm o risco de ter diretores na cadeia. É o too big to jail, uma variante do conhecido too big to fail. Grandes corporações não podem quebrar (fail) nem seus diretores acabar na cadeia (jail).

A fé na pizza teve sua razão de ser. A defesa das empresas apanhadas no cartel ferroviário que agia em São Paulo conseguiu empurrar o caso com a barriga por mais de dez anos. A Siemens, que denunciou a quadrilha da qual fazia parte, chegou a ser ameaçada de processo pelo governo paulista. Bola fora, pois a Siemens brasileira denunciou o cartel seguindo uma norma de moralidade adotada por sua matriz alemã.

Até agora, a equipe do Ministério Público que cuida do caso da Petrobras mostrou-se mais qualificada que as empresas. Se isso fosse pouco, a investigação já tem três pontas no exterior. Uma na Holanda, outra na Suíça e a terceira nos Estados Unidos. Essa foi a que pegou a Siemens, levando-a a se tornar um padrão de nova conduta. O baralho viciado perdeu a eficácia. A regulamentação da lei que trata da moralidade empresarial está na Casa Civil há seis meses. Também não adianta.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

'Limpeza' da empresa


Roubaram até a chuva


Espetaram na Petrobras uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização por chuvas no agreste pernambucano, mesmo quando o tempo estava seco e sereno

Em 1992, o escritor Otto Lara Resende caminhava por uma rua do Rio quando choveu dinheiro sobre sua cabeça. O caso foi contado com a suavidade de um clássico da bossa nova por Ruy Castro, autor de “O poder de mau humor” (1993), onde se aprende como o poder é cruel: “Antes de nos arruinar, quer primeiro nos enlouquecer.”

Aconteceu durante a desordem político-econômica do governo Fernando Collor. Apeado da Presidência no impeachment decantado por um coro petista, Collor renasceu na década seguinte aliado a Lula e, desde então, tem assento garantido na bancada governista, sob liderança do PT.
Otto recebeu um monte de moedas na cabeça. Não se machucou. Viu que nem mendigos se davam ao trabalho de recolher aquele dinheiro sem valor espalhado no chão, e escreveu: “Nem peso ou consistência material essa droga tem.”

Mantendo-se na inércia, Dilma Rousseff corre o risco de começar o segundo mandato presidencial sob uma simbólica chuva de títulos da Petrobras, que perdeu quase 55% do valor de mercado nos últimos dois anos.

Por trás da corrosão das moedas sob Collor e das ações da Petrobras sob Dilma, podem-se vislumbrar laivos da “fase 1”, para usar o jargão da burocracia, da crueldade do poder de enlouquecer, antes de arruinar.

A balbúrdia na estatal petroleira possibilitou, entre outras coisas, que fosse roubada a chuva no agreste nordestino. Aconteceu durante a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, negócio público que começou custando US$ 2,5 bilhões e já ultrapassa US$ 20 bilhões — mais de um terço acima de similares e contemporâneas da Índia (quatro), na China (três) e na Arábia Saudita (duas).

Em geral, uma obra de construção civil para quando chove e o custo dessa interrupção é normalmente absorvido pelo empreiteiro.

Em Abreu e Lima, a conta da paralisação por chuvas (raios, também) ficou com a petroleira estatal. As empreiteiras do “cartel de leniência” espetaram uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização pelas chuvas no agreste. O cálculo do tribunal de contas é preliminar.

Paisagens Brasileiras

Cláudio Vinícius, Rio Mambucaba (Angra dos Reis)

O monólogo vermelho

“ Eu sou de esquerda. E tenho muito orgulho disso. Eu sou bom, minha consciência é limpa. Eu sou tão superior a esta população de idiotas, alienados, que inflo o peito com alegria ao me ver pairando acima da massa de babacas tanto da pequena burguesia quanto da elite branca, que deve ser arrasada para que impere a verdadeira elite vermelha, que sou eu, somos nós. Como será maravilhoso o fim da propriedade privada, mesmo que para isso seja necessário enquadrar, prender, até matar reacionários como fizeram nossos chefes tão criticados pelos socialdemocratas, os maiores inimigos da Revolução. Lembro sempre as palavras de Trotsky: ‘quem foi que disse que a vida humana é sagrada?’

Claro que os dirigentes terão direito a apartamentos duplex ou triplex, automóveis oficiais, porque, afinal, ter o controle dos meios de produção, limitação da mídia, dá muito trabalho – e não são privilégios, não; são direitos nossos de comandantes na construção do futuro. Desde que entrei no Partido, sou parte de um olimpo do pessoas extraordinárias. Nos olhamos com o doce sentimento de pairar acima das multidões. Ai, que bom... participar de comitês revolucionários com discussões ideológicas que se estendem até o cu da madrugada, sair ao amanhecer e ver a multidão de operários indo para o trabalho, enquanto nós decidíamos seu futuro. Mesmo as brigas internas me emocionavam, aquela luta pela fome de subir no Partido, a vigilância do outro, o silêncio sobre os erros, as falsas autocríticas, até mesmo a alegria de injustiças feitas em nome do bem.

Eu sou um elo da cadeia que vai desde a revolução soviética, em 1917, até hoje na grande reconstrução da Venezuela feita pelos nossos irmãos bolivarianos. Ainda bem que o Putin está refazendo tudo que a URSS perdeu por obra dos agentes do imperialismo ianque, pois todos sabemos que o canalha do Gorbatchov foi treinado na CIA. Depois que eu virei um revolucionário do Partido, faço sucesso com as companheiras e mesmo as reacionárias, o que me dá, ao comê-las, uma mistura de prazer com vingança. Mas, o grande prazer é sentir-se na ‘linha justa’, é saber que nada é culpa nossa, mas do imperialismo norte-americano, esse dragão do mal que até instilou câncer no corpo do comandante Chavez, como ele próprio denunciou, na forma de um passarinho no ouvido do comandante Maduro.

Aí, ficam os neoliberais nos acusando de roubo das companhias estatais, como a Petrobras. Mas nós temos o direito de desapropriar instituições para financiar nosso futuro. A Petrobras sempre foi nossa, sempre foi um tesouro dos amantes do povo, sempre esteve ali como um motor para mover a revolução nacionalista. Armar grandes fontes de propinas que caem em nosso partido é um gesto revolucionário. Tudo bem que o valor da Petrobras tenha caído de 700 bilhões para 150 bilhões por causa dos escândalos, dos roubos, mas nos consola saber que esse dinheiro desviado foi para o bem do povo que professamos, pois não há bem sem verba.

Aliás, nem só a Petrobras, mas qualquer companhia pública do país nos favoreceu: aeroportos, portos, fundos de pensão (oh...maravilha!) podem ser desapropriados (ou predados, como dizem os neoliberais), pois estamos a criar num novo país. Ainda não sabemos como será, mas certamente queremos que o Estado seja dono de tudo, inclusive do desejo das pessoas, livres da sociedade alienada onde se acoitam os inimigos do povo.

Esse papo de democracia é muito sem ‘design’, muito falatório, muitas opiniões, muita liberdade e uma insuportável multiplicidade de desejos. Bom é o ‘um’, em vez do burburinho de opiniões diversas. Por isso eu amo a Coreia do Norte. Tudo bem que eles sejam um pouco radicais, mas há que reconhecer que vibro com o universo controlado que o Kim armou para organizar tudo. Os passos de ganso dos desfiles patrióticos, toda a população chorando e fingindo teatralmente quando morreu o pai do Kim. Como é belo tudo isso; parece haver só um homem, todos iguais como o próprio presidente Kim, com seu cabelinho cortado que todos devem copiar...

Ah.. que saudades dos velhos tempos de 1963... Agora estamos voltando a essa época. Por isso desenterramos o Jango para revigorar a boa ‘teoria da conspiração’ afirmando que ele foi envenenado pelo imperialismo. Minha fé no Partido me deixa muito feliz, porque o comunista não morre nunca; somos seres sociais como as formigas, e por isso, a morte individual pequeno-burguesa não me atingirá – sinto-me eterno.

Agora estamos sob ataque das forças da elite conservadora. Muitos supostos crimes foram delatados, e nos chamam de organização criminosa. Nada disso. Não temos medo das consequências jurídicas, porque sei que essas revelações são tantas que cairão na vala comum do Poder Judiciário, que não tem como julgar tanta coisa. Com chicanas e recursos e ministros petistas vai se criar um congestionamento de processos que vão virar uma massa informe que tem como aliada o esquecimento.

E mesmo que isso tudo signifique o desprestígio total do Brasil no mundo, me consola a certeza de que mudamos o Brasil, mesmo transformando-o num lixo porque, afinal, não acreditamos no conceito de ‘país’ – somos um sistema.

E tem muita gente que me pergunta como vejo o futuro do país.

Bem, eu imagino Brasília tomada de uma vez por todas. As praças e prédios do poder invadidos e aparelhados, com multidões na praça dos Três Poderes aclamando os líderes do nosso futuro, protegidos pelas milícias do MST e pela guarda pretoriana dos intelectuais orgânicos das universidades e pelos pelotões do Bolsa Família.

Já vejo com emoção a brancura dos monumentos e dos palácios cobertos de milhares de bandeiras vermelhas ao vento e o grande pendão da esperança vermelha tremulando no mastro central.

E mais: onde era o monumento do JK estará o grande caixão de cristal onde jazerá o Lula, embalsamado para toda a eternidade!”

Em dez anos, Brasil perde 217 bilhões em fuga de ilícito

Entre 2003 e 2012, expatriação de divisas oriundas de corrupção, fraude e outros crimes equivale a 10% do PIB nacional. Leis são rígidas, mas execução é dificultada pela morosidade da Justiça, dizem especialistas.
O resultado coloca o Brasil na sétima posição se for considerado o total de capital ilegal expatriado entre 2003 e 2012. China (1,25 trilhões de dólares), Rússia (973 bilhões), México (514 bilhões) e Índia (439 bilhões) são os primeiros colocados no ranking elaborado pelo instituto sediado em Washington, nos EUA. Em 2012, o Brasil ficou na oitava posição, com cerca de 34 bilhões de dólares.

"Os fluxos ilícitos são, em parte, relacionados com o valor do PIB. Como o país é a sétima economia mundial, quanto maior for ela, maior será a capacidade de gerar fundos ilícitos", comenta Dev Kar, economista-chefe do GFI. "O tamanho da economia informal do país, estimada entre 2010 e 2012 em 21,79% do PIB, também influencia. Quanto maior a economia paralela, maior é a capacidade de financiar fluxos ilícitos."

Para Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, a má posição do Brasil é explicada por uma combinação de dois fatores. O primeiro é a alta carga tributária interna, que faz com que muitos empresários busquem a evasão fiscal e a retirada de recursos do Brasil para países de menor tributação. O segundo é a corrupção e a consequente necessidade de esconder recursos em paraísos fiscais, que normalmente oferecerem anonimato e tributação mais baixa.
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Procura-se o refundador

'Faxinaço' na sede da Petrobras nesta terça-feira, em São Paulo
O nó da substituição de Graça só será desatado de vez quando Dilma encontrar um executivo de primeira linha que aceite o desafio de refundar a Petrobras.
Sim, porque a Petrobras precisa ser refundada.
Lula e o PT operaram o prodígio de desvalorizá-la em 80% nos últimos 10 anos. A empresa jamais voltará a ser forte e admirada no mundo como foi.

Ricardo Noblat, "Descanse em paz, Graça"

O Brasil ainda é o Brasil?


Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério. Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério. Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério. Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.

Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-presidente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério. Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério. Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.

Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias!

Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.

Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir “un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico”. Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das “lições caducas com que se formavam nossos militares”, as quais seriam “quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos”? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.

Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Vai sobrar pra alguém


Os filhos da nova esperança


Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”

O velho Brasil da corrupção e da impunidade pode felizmente terminar sepultado pelos chamados “filhos da esperança de um novo Brasil”, compostos por uma geração de jovens juízes, promotores, advogados, jornalistas e oxalá também de novos políticos, que não aguentam ver o país com a imagem que se forma dele dentro e fora de suas fronteiras. Essa imagem forjada por uma corrupção de cunho mafioso que, segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “envergonha” a nação.

São os filhos de uma geração de pais e mães espantados com o atropelamento da legalidade, com o assalto sistemático e programado do dinheiro público com a conivência de políticos e empresários.

Esses pais, muitos dos quais viram nestes anos passar aos seus olhos bilhões subtraídos do suor de seu trabalho por corruptos sem escrúpulos, parecem hoje querer se vingar por meio de seus filhos.

É emblemática, por exemplo, a reação da mãe do promotor Deltan Dallagnol, que com seus 34 anos encabeça a equipe de trabalho do escândalo das empresas coniventes com a corrupção da Petrobras. No Facebook, feliz com o trabalho de seu filho, a mãe escreve: “Sua postura ética nos enche de orgulho”. No plural, como que para indicar que esse orgulho é de toda a família.

Em outros momentos, por vezes tomados pelo medo de represálias ou pela incapacidade, muitos pais aconselhavam seus filhos a “não se meterem em encrencas”.

Hoje, ao contrário, incentivam-nos a ser corajosos e a enfrentar a fera da ilegalidade, que começa a se tornar insuportável mesmo para os mais acostumados à atávica impunidade brasileira.

Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”.

Parece cada vez mais claro que nem os velhos conchavos políticos nem as velhas ideologias nem talvez muitos dos desgastados partidos de hoje são capazes de passar a limpo, por mais esforços que façam para criar uma nova cara, em que cada vez acreditam menos os cidadãos.

A esperança de regeneração deve vir desses jovens ainda não comprometidos com as velhas práticas de corrupção e até enojados com elas. Eles ainda podem levar levá-la a cabo antes que a onda do conformismo ou da cumplicidade os contamine e os arraste também ao abismo.

Muito se tem falado nos últimos anos sobre a mítica classe média saída da miséria, hoje ameaçada pela crise econômica, em especial pela inflação e pelo fantasma do desemprego, que começa a rondar.

Serão provavelmente os filhos dessa nova classe, metade dos quais já navegam pela Internet, que ao contrário de seus pais agora estudam, conhecem melhor a semântica da linguagem, são menos ideologizados, são mais pragmáticos e por enquanto mais limpos eticamente, a esperança desse Brasil, nascido dos escombros do passado.

Por falar em pobreza

"Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia"
Nelson Mandela

O estranho caso de uma empresa que quebrou um país


O lulopetismo conseguiu outra proeza sem comparativos históricos: usar uma empresa estatal para quebrar um país. A Petrobras seria privatizada por tucanos irresponsáveis, diziam os companheiros. Foi privatizada pela quadrilha do PT. Antes da descoberta do pré-sal, tinha um valor de mercado superior ao atual. Chegou a valer 737 bilhões de reais. Agora, vale 127 bilhões.

A Petrobras hoje não tem crédito em nenhuma birosca financeira. E é a petrolífera mais endividada do mundo. Não terá com honrar encomendas e empréstimos. Os papéis da estatal na Bolsa de Nova York estão sendo “derretidos” por vendas de bilhões, às pressas, pelos investidores. Melhor do que ficar com o mico na gaveta.

Mais: prevê-se que, nos próximos dois anos, a cotação do barril no mercado internacional permaneça na faixa dos U$ 50. O patamar anterior era de U$ 120. (A causa principal é a guerra de preços entre o petróleo dos sheiks e o petróleo do xisto, mas isto é assunto para outro comentário). Só a extração do barril do pré-sal custa U$ 90.

A Petrobras também terá de pagar algumas centenas de milhões de dólares aos investidores americanos que foram enganados. Eles desconheciam o que o PT fez na empresa (e com a empresa).

E nós com isso? Simples. Quebramos juntos.

Qual empresa brasileira (privada ou estatal) terá acesso a financiamentos para a produção depois da descoberta dessa parte podre do país? Se a maior entre todas está falida, se deu garantias eque não cumpriu, se não consegue sequer apresentar um balanço (algo obrigatório no mundo inteiro), o que dizer das outras? Os recursos públicos (infindáveis, na lógica distorcida da seita petista) serão usados para salvar a Petrobras, como sempre aconteceu e continua acontecendo, via BB, CEF e BNDES?

Sinto informar: nossas reservas, que Dilma apresentava como uma prova de sucesso fenomenal, são menores que os buracos. Só conseguirão cobrir o rombo da Petrobras. Os bancos brasileiros estão expostos a riscos ,medidos em bilhões, decorrentes do Petrolão. Se a conta vai ficar no prejuízo do banco, ele tratará de transferir o espeto para quem? É óbvio que não haverá crédito para nenhuma empresa, seja qual for seu tamanho.

O mal dos tempos


A ignorância é a enfermidade de nosso tempo. Observo isso em determinados políticos. É como se o poder lhes tirasse a faculdade de fazer e dizer qualquer coisa, ainda sem ter a menor ideia do que estão dizendo. Creio que a ignorância é uma desgraça como é a indecência. O problema é que o indecente e o ignorante nos governam.

Há que ter claro que a política é fundamental. Como escreveu Aristóteles, é a mais arquitetônica das ciências, pois organiza o público e o coletivo, os estados e a justiça, e permite a luta pela igualdade
Emillio Lledó, que se considera um operário da filosofia aos 88 anos 

Dilma confunde autoridade com autoritarismo


É isso o que ela tem em comum com seus antigos carrascos
Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.

Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.

Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.

Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.

A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.

Quem quer sair - ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta - simplesmente sai, ora.

O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.

Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.

A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.

Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.

E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.

Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.

Falta de recursos ameaça medição de terremotos


Poucos meses após lançamento de uma plataforma que reúne dados sobre abalos sísmicos no país, projeto que consumiu 25 milhões de reais em recursos públicos pode acabar sucateado por falta de verba para manutenção.
 O recém inaugurado site da Rede Sismográfica Brasileira corre o risco de ficar desatualizado já no próximo ano, por falta de recursos. O financiamento do projeto que monitora e mapeia terremotos no Brasil termina este ano. Para manter o monitoramento, integrantes da iniciativa buscam novas parcerias.

O projeto iniciado em 2008, do qual fazem parte o Observatório Nacional, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, custou cerca de 25 milhões de reais, financiados pela Petrobras, e contou com a integração e instalação de estações sismográficas em todo o Brasil.

"A sismologia no país era fragmentada. Agora a rede permite fazer um monitoramento mais extensivo do Brasil, temos uma cobertura mais homogênea de estações que possibilitam entender aonde ocorrem os sismos", conta o geofísico da USP Marcelo Bianchi.

Os dados recolhidos por cerca de 80 estações espalhadas pelo país são disponibilizados, quase em tempo real, no site da rede, que foi inaugurado no final de novembro. Mas todo esse esforço para monitorar tremores de terra em território brasileiro pode acabar sucateado, caso o projeto não receba mais recursos.

"Os equipamentos estão comprados, mas precisam de manutenção. Além disso, é necessário dinheiro para pagar a transmissão de dados. À medida que não temos mais financiamento, o projeto vai começar a parar. Os sismos não acontecem sempre, mas de tempos em tempos. Por isso, precisamos ter um monitoramento constante para entender melhor esses eventos", conta Bianchi. 

Jogo da verdade


A verdade é um labirinto.

Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudoeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.

Roseana Murray