sexta-feira, 24 de abril de 2015
O poste e o presidente
A governanta do Brasil põe as mãos na cintura, com porte militar, e troveja: "Sou 'presidanta' de todos os brasileiros". Quem acredita? Só mesmo puxa-saco com gorjeta garantida.
Nem tem cacoete de dirigente, no máximo, finge por estar no cargo e assim se fantasia. Conhecida pela arrogância de quem sabe de tudo, e na verdade ignora tudo, inclusive a gentileza e a educação pertinente ao cargo. Se alguém pensa que tem presidente, tem mesmo um poste criado pelo deus Lula. E contente-se.
Barack Obama esta semana deu exemplo, a todos os brasileiros, do que é ser presidente, respeitar o cargo e os cidadãos do seu país. Pôs a cara a tapa, e por ser presidente chamou a si a responsabilidade pelo erro militar na morte de dois reféns no Afeganistão. Se a CIA, errou, Obama chamou para si o erro.
Quando se viria Dilma ter um gesto semelhante?
Alguma vez se responsabilizou pelo rombo da Petrobras? E tinha muito mais responsabilidade, o caso, porque há 12 anos é responsável pela empresa. Foi ministra da Energia, ministra da Casa Civil, presidente (não presidenta) do conselho da Petrobras e presidente do país. Mesmo tendo sido tão responsável, nunca se responsabilizou pela péssima gestão, mas procurou sempre encobriu a maracutaia.
Foi e é um poste a serviço do PT e de seus marginais para desespero de um país, desgovernado. Ou não deveria estar quando se tem na maior governança um poste?
Nem tem cacoete de dirigente, no máximo, finge por estar no cargo e assim se fantasia. Conhecida pela arrogância de quem sabe de tudo, e na verdade ignora tudo, inclusive a gentileza e a educação pertinente ao cargo. Se alguém pensa que tem presidente, tem mesmo um poste criado pelo deus Lula. E contente-se.
Barack Obama esta semana deu exemplo, a todos os brasileiros, do que é ser presidente, respeitar o cargo e os cidadãos do seu país. Pôs a cara a tapa, e por ser presidente chamou a si a responsabilidade pelo erro militar na morte de dois reféns no Afeganistão. Se a CIA, errou, Obama chamou para si o erro.
Quando se viria Dilma ter um gesto semelhante?
Alguma vez se responsabilizou pelo rombo da Petrobras? E tinha muito mais responsabilidade, o caso, porque há 12 anos é responsável pela empresa. Foi ministra da Energia, ministra da Casa Civil, presidente (não presidenta) do conselho da Petrobras e presidente do país. Mesmo tendo sido tão responsável, nunca se responsabilizou pela péssima gestão, mas procurou sempre encobriu a maracutaia.
Foi e é um poste a serviço do PT e de seus marginais para desespero de um país, desgovernado. Ou não deveria estar quando se tem na maior governança um poste?
Conto do vigário: culpa do ebola, da dengue, e eu não sabia nada do Petrolão
Voltou a moda a satanização de doenças e bichinhos. Conheço pelo menos dez pessoas que contraíram dengue, nos últimos dois meses, em São Paulo. A culpa é do mosquito da dengue, o novo satã.
A culpa não é obviamente do mosquito: é dos governos cuja infraestrutura e saneamento deram condições a que o mosquito se proliferasse.
Esse mesmo filme era “passado” nos cinemas midiáticos da Inglaterra do começo do século 19. Vou colocar alguns números: na Inglaterra daquela época, no início da Revolução Industrial, trabalhava-se16 horas por dia. A média de habitação era de 26 pessoas por casa. Em 1821 um trabalhador lograva 16 shillings por semana, dez anos depois eram apenas 6 shillings. A esperança de vida era inferior a 40 anos.
As condições de saúde e infraestrutura eram abjetas. Veio a tuberculose em massa. O Times londrino satanizava em suas manchetes o Bacilo de Koch: ele era o monstro a gerar tudo aquilo. O Timeslondrino tirava a culpa da falta de condições sociais dadas aos migrantes do campo e metia a culpa no pobre bacilo.
O que estão fazendo com o mosquito da Dengue é o mesmo. Ele é o culpado e ponto final: nada de discutir a torpe estrutura sanitária das grandes cidades…
Na África as coisas não tem sido diferentes. A culpa pelo miserê generalizado foi deslocada para o Ebola.
Na África as coisas não tem sido diferentes. A culpa pelo miserê generalizado foi deslocada para o Ebola.
Governantes, ali, mantem-se no poder alimentando o velho babalaô místico-mágico africano. Tio Freud já havia alertado para isso em seu Totem e Tabu: o barato que o feiticeiro dá a sua clientela não é diferente do folguedo infantil. Crianças inventam jogos que simulam o mundão, e seus personagens, para terem, no folguedo, o protagonismo, o controle da situação. Bruxos simulam o mesmo em seus encantos: dão de barato a ideia de que uma macumbinha nos dará o poder de protagonismo sobre aquilo que nos parece incontrolável: e isso Freud chama de “totalitarismo do pensamento mágico”.
O ebola sobrevive na África porque interessa manter o povão engessado nesse psiquismo macumbeiro. No século 16 Descartes já havia destruído a ideia de que objetos têm alma ( anima mundi). De nada adiantou. O babalaô da varinha de condão ainda grassa solto.
Um aluno me informa que uma vidente sua vizinha já está benzendo contra a dengue. Cuma?
Vamos colocar em perspectiva: o cérebro humano contém aproximadamente dez bilhões de neurônios, cada um fazendo milhares de conexões. Cada neurônio age como o sistema binário de um computador, ligando e desligando. E dessa forma nossos pensamentos, emoções e decisões são transmitidos à vasta rede que somos nós. Neurônios são ligados por aqueles rabinhos, os axônios, que não se tocam. Os sinais passam de axônio para neurônio numa vala de sinapses, no espaço de um milésimo de segundo. Esse impulso tem carga elétrica de 120 milivolts. Se há telepatia, como passar uma informação à outra sem que haja esse complexo de toques, voltagens, axônios?
Como benzer contra o Ebola, Dengue ou o diabo?
O cérebro produz ondas, medidas em ciclos por segundo, ou hertz (Hz). Cérebro relaxado ou em descanso produz um ritmo alfa, entre 8 e 14 hertz. Ritmos beta, que predominam durante o trabalho ou o caminhar, por exemplo, se dão entre 13 e 30 hertz. Durante o sono, produzimos ondas delta, que oscilam entre 1 e 4 hertz. Os ritmos chamados theta, produzidos no transe ou sono profundo, estão entre 4 e 7 hertz. Mestres zen e iogues dizem que podem mudar voluntariamente as ondas de seus cérebros e se curarem.
Vamos colocar em perspectiva: o cérebro humano contém aproximadamente dez bilhões de neurônios, cada um fazendo milhares de conexões. Cada neurônio age como o sistema binário de um computador, ligando e desligando. E dessa forma nossos pensamentos, emoções e decisões são transmitidos à vasta rede que somos nós. Neurônios são ligados por aqueles rabinhos, os axônios, que não se tocam. Os sinais passam de axônio para neurônio numa vala de sinapses, no espaço de um milésimo de segundo. Esse impulso tem carga elétrica de 120 milivolts. Se há telepatia, como passar uma informação à outra sem que haja esse complexo de toques, voltagens, axônios?
Como benzer contra o Ebola, Dengue ou o diabo?
O cérebro produz ondas, medidas em ciclos por segundo, ou hertz (Hz). Cérebro relaxado ou em descanso produz um ritmo alfa, entre 8 e 14 hertz. Ritmos beta, que predominam durante o trabalho ou o caminhar, por exemplo, se dão entre 13 e 30 hertz. Durante o sono, produzimos ondas delta, que oscilam entre 1 e 4 hertz. Os ritmos chamados theta, produzidos no transe ou sono profundo, estão entre 4 e 7 hertz. Mestres zen e iogues dizem que podem mudar voluntariamente as ondas de seus cérebros e se curarem.
Século 21 e ainda caímos no conto da benzedeira e da satanização dos bichinhos.
Da mesma forma que caímos no conto do vigário de que 6 bilhões foram desviados da Petrobas sem que Dilma e Lula soubessem de nada…
Da mesma forma que a Igreja jamais soube da pedofilia que corria solta…
E quem chegar por ultimo nessas respostas, é mulher do padre…
Da mesma forma que a Igreja jamais soube da pedofilia que corria solta…
E quem chegar por ultimo nessas respostas, é mulher do padre…

Filosofia dos Sibás
Conforme a presidente Dilma já declarou, nenhum de nós viu sinal de corrupção na Petrobrás. Se não vimos sinal de corrupção, a corrupção não existiu. Se a corrupção não existiu, a prisão de nossos companheiros foi por motivação política. Se não houve corrupção, então o dinheiro se autorroubou para nos incriminar.”
Líder do PT na Câmara,Sibá Machado defende que o próprio dinheiro é o culpado por sua subtração
Festa na ilha da fantasia
Nesse caleidoscópio de sonhos, delírios e fugas da realidade, o V Congresso do PT vai sair em busca da legitimação de uma hegemonia que a sociedade recusa conceder-lhe
O novo presidente da Petrobras, convenientemente constrangido, pede “desculpas” à população ao apresentar, com 5 meses de atraso, um balanço auditado com 6 bi de buraco por corrupção e 21,6 bi de prejuízo por erros de gestão.
O ministro Joaquim Levy percorre agências de risco prometendo que vai colocar as contas em ordem e pedindo, por favor, para não rebaixar o grau de investimento do Brasil para não atrapalhar ainda mais o que atrapalhado já está. E tenta convencer os condestáveis do Congresso, Cunha e Renan, que sem ajuste o futuro será negro.
O panorama visto da ponte não é nenhum campo de girassóis como aqueles que Van Gogh pintava. O governo ainda rumina os 13% de popularidade, a inflação ameaça, o crescimento fica adiado para quando der, e bomba da Lava Jato não para de espirrar lama.
Isso não impede que o senhor Roarke, com seu prestimoso auxiliar, o simpático anãozinho Tatoo, continuem alimentando a sua particular ilha da fantasia, onde qualquer desejo pode ser realizado.
O senhor Roarke prepara agora para junho, em Salvador da Bahia, o V Congresso do Partido dos Trabalhadores. (Usamos algarismos romanos para dar a devida pátina de respeitabilidade ao evento. Trata-se, nada mais e nada menos, de decidir o futuro do Brasil, e en passant, o da Humanidade. Não é coisa pouca).
Sabe-se Deus de que recantos do Brasil surgirá esse exército de sonhadores, envergando seus estandartes vermelhos, com a missão de construir “um partido para tempos de guerra”. O que os guerreiros pretendem decidir é qual tipo de socialismo estão reservando para guiar nosso futuro rumo ao paraíso na Terra.
Eles vão decidir isso entre 11 e 13 de junho, mas nós, os burguesotes comuns, já podemos ir tomando conhecimento e consultar o menu que nos preparam. Está aqui, é só clicar em cima: as diversas tendências internas do PT exibem as teses que apresentarão no V Congresso.
Ao contrário do Partido Social Democrático Alemão, que renunciou ao marxismo e à luta de classes no longínquo ano de 1959, no Congresso de Bad Godsberg (vocês viram a tragédia que foi para a Alemanha essa infausta decisão, não é?), o PT ainda tem uma vasta coleção de fantasmas para mobilizar as suas tropas.
Com mais ou menos adereços de mão, ressuscitando o linguajar das assembleias estudantis dos anos 60 (“correlação de forças”, “flanco histórico” , “arco de apoios” e outras relíquias retóricas),as diversas tendências do PT caminham juntas na contramão da História, cada uma percorrendo sua via particular de acesso ao luminoso futuro.
Para algumas, como a “Virar à Esquerda-Reatar com o Socialismo”, é preciso meter o pé na porta, demitir ministros “capitalistas”, como Joaquim Levy, Gilberto Kassab, Armando Monteiro e Kátia Abreu e estatizar a rede Globo e, claro, dar um jeito nessa direita “fascista”. (É bom ressaltar; tudo o que não sejam eles, é “fascista”).
Para outras, como “O Partido que Muda o Brasil”, para quem o PT perdeu “o frescor da juventude”, ele precisa “reinventar-se”.
Nesse caleidoscópio de sonhos regressivos, delírios e fugas da realidade, o V Congresso do PT vai sair em busca da legitimação de uma hegemonia que a sociedade recusa conceder-lhe.
Pior para a sociedade, dirão eles.
Aviso
Quem gosta muito de dinheiro tem que estar na indústria, no comércio. Não na política."
José Mujica, ex-presidente do Uruguai
BBC Mundo
Uma fábula da modernidade

Os governantes inauguram bibliotecas, os empreiteiros e a privataria tomam conta. A patuleia que paga, dança
O grande poeta Cacaso (1944-1987) fez um versinho que pareceu datado e revelou-se eterno:
“Ficou moderno o Brasil,
ficou moderno o milagre.
Água já não vira vinho.
vira direto vinagre.”
A modernidade do século XXI tem os velhos toques de arquitetura futurista, mais privataria e terceirizações. Somando-se a isso, cria-se uma boa página da internet e, tchan, o futuro chegou.
Quem passa pela Avenida Presidente Vargas, no Rio, vê um lindo prédio prédio branco. É a Biblioteca Parque, do governo do estado. Foi uma joia da coroa da campanha do candidato Pezão, que prometeu construir mais 11. Inaugurada em 2013, foi entregue à empresa Instituto de Desenvolvimento e Gestão, o IDC. Funcionava ali outra biblioteca pública, resultado de uma iniciativa de Dom Pedro II. Às vezes ia bem, depois ia mal. Darcy Ribeiro remodelou-a, mas no governo Sérgio Cabral decidiu-se passar o Rio a limpo. O velho prédio foi demolido. No lugar, ergueu-se o outro, moderno e lindo (com isso os empreiteiros e fornecedores de serviços faturaram pelo menos R$ 71 milhões). Com o milagre, a água viraria vinho.
Virou vinagre. Um ano depois de sua festiva inauguração, o IDC resolveu reduzir o horário de atendimento. A instituição funcionava das 10h às 20h. Funcionará das 12h às 18h30m, de terça a sexta, e não abrirá mais nos fins de semana. A empresa tem seus motivos, pois Pezão lhe deve R$ 10 milhões. Vale notar que o novo horário exclui todos aqueles que trabalham na região e que o IDC acha problemático abri-la no fim de semana. São muitas as grandes cidades brasileiras que não têm bibliotecas abertas aos domingos, mas se o Rio quiser mudar de patamar, não fecha a sua.
Construir ou reformar bibliotecas rende imediatos faturamentos e cerimônias. Mantê-las é outra história, coisa que depende de recursos e servidores dedicados. Pezão tropeçou nessa ponta dessa equação. Em outros casos, piores, caiu-se na primeira, na qual paga-se parte da obra e deixa-se a instituição à matroca. A Biblioteca Nacional de Brasília, construída em 2002, tornou-se um excelente salão de leitura e centro de exposições, mas biblioteca nacional não é. A Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul está fechada para reformas há oito anos. A Câmara Cascudo, de Natal, e a Pública de Maceió estão em reformas, fechadas há quatro anos. A Biblioteca Municipal de Manaus, fechada há três anos, foi ocupada por moradores de rua e depredada em setembro do ano passado. Isso para não se falar do Museu do Ipiranga, fechado desde 2013, com reabertura prevista para 2022. De tempos em tempos, a cripta onde deixaram Dom Pedro I vira mictório.
Muito mais importante do que construir novos prédios e contratar administradores privados é cuidar direito do que já existe, com os servidores que lá estão. Uma das Bibliotecas Parque do governo do Rio, logo a da Rocinha, foi apanhada num lance de superfaturamento.
Numa trapaça da vida, a única biblioteca criada nos últimos meses funcionou, inclusive aos domingos, na carceragem de Curitiba, onde os empreiteiros presos pela Lava-Jato compartilharam sua leituras de bordo.
Elio Gaspari
Palavras, palavras, palavras...

Na semana passada, quando saía da academia onde sou visto como um velho que inutilmente combate a velhice, topei com o sempre zangado Mario Batalha, e com um jovem com o qual falamos de Brasil (e não apenas do Brasil) entre um e outro exercício.
O treino de compreender (de interpretar com simpatia, como se faz quando se canta uma música ou se lê um poema) esse Brasil pós-moderno, avacalhado pelo lulopetismo, requer um esforço tão intenso quanto se aventurar a correr uma maratona.
"Acho que essas prisões são 'políticas'", disse o moço.
"Mas tudo é 'político'!", retrucou, furioso, Mario Batalha, meu velho amigo de ginástica sueca, revoltas aeróbicas e revoluções políticas planejadas e inevitáveis na praia de Icaraí. Se acabamos com a religião e matamos Deus, só nos resta o idealismo da ética. Isso apreendemos aos 19 anos, ao lado de alguns amigos "conscientizados" - "não alienados", conforme dizíamos cheios de orgulho aos reacionários de todos os calibres que, como nossos pais, seguiam o catecismo capitalista da exploração e não o nosso nobre e ralo materialismo mágico-marxista filtrado pelos russos. Até a decisão de tomar café com leite é política, dizíamos bebendo cerveja (ainda não existia essa frescura dos vinhos) e fumando nossos aristocráticos cigarros Luiz XV.
"Concordo. Não há como defender essa coroa de roubos que refazem o mensalão com a mesma forma e com os mesmos atores, como o Zé Dirceu."
"Ele é uma metáfora do PT. Aliás, eu me pergunto", Mario Batalha olhava para mim com olhos duros como diamantes, "quem ele realmente é. Seria o líder estudantil ou o personagem operado plasticamente em Cuba que volta ao Brasil como um outro. Numa insólita duplicidade, casa-se, constitui família e, na oportunidade exata, reassume-se no que, suponho, seja a sua máscara original e, em seguida, torna-se o 'Capitão do Time' do governo Lula. Dono do 'poder', revela abertamente que o governo petista projetava ficar no Alvorada por décadas. Mas ele é também e, sobretudo, um bem sucedido empresário (de direita ou de esquerda?), cuja empresa faturou R$ 36 milhões enquanto a família, amigos e companheiros arrecadavam mais de R$ 1 milhão numa subscrição pública destinada pagar a multa que lhe fora imposta pelo STF. Revolucionários, reformadores, milenaristas, capitalistas, socialistas, sindicalistas, impostores, biliardários, excelentes atores..."
Quem são esses caras que, entrementes, fazem versos na prisão?

A marca do mundo contemporâneo seria o dinheiro. Tal era a opinião do hoje esquecido ensaísta Erich Fromm, um autor muito lido e amado pela minha geração. Casamentos, filhos, títulos, doenças, paixões. Tudo podia ser monetarizado.
Quanto, pergunto eu, com Fromm, custa uma "revolução"? Essa revolução que foi um destino, um ideal e uma palavra mágica da minha juventude?
Lembro-me de um ensaio clássico, escrito por Richard Moneygrand, o famoso brasilianista, justamente intitulado: "Qual é o preço de uma Revolução?". Revoluções, argumenta o professor, têm um alto custo. Exigem capital monetário e um belo volume de "capital simbólico", conforme ensinava com redundância típica, Pierre Bourdieu, que, na mesma época, descobria uma formidável "teoria da prática".
Eu diria que as revoluções precisam ainda mais de poesia. Seus instrumentos usuais: guilhotinas, fuzilamentos, confiscos, banimentos, tortura e arbítrio são o oposto da tola harmonia da noite com o dia. Daí a necessidade de versos e de música. Despotismo de um lado, festivais da canção de outro. "Se levanta a cabeça/ duro com ele/ Fidel!/ duro com ele." Essa era letra-palavra de ordem de uma sedutora música vinda de uma Cuba carismática. Foi com gosto que ouvi essa barbaridade cantada. A rima musicada aplaina e estimula as agressões sangrentas. Ela é uma fábrica de mártires. Todo radical é, no fundo, um poeta.
No ensaio, Richard Moneygrand pondera: num sistema capitalista globalizado no qual surge uma indesejável interdependência, seria possível planejar e comprar "revoluções"? Mas não vendemos manuais de felicidade e de emagrecimento?
Seria a revolução mais um manual? Ou seria ela, como pondera Moneygrand na sua complicada teoria, um golpe de morte nos manuais? Um manual para acabar com todos os manuais. Exatamente como aquela guerra que iria acabar com todas as guerras. Ou aquele governo que não podia errar e liquidaria a corrupção, a fome e a pobreza no Brasil?
Roberto Damatta
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Longa e gloriosa vida ao instituto do impeachment!
Impeachment é o preceito constitucional que faz saber ao governante quem tem as rédeas do poder.
O instituto do impeachment é uma arma posta nas mãos da sociedade, para ser usada através de suas instituições, como proteção ante o governo delinquente. É uma proteção necessária. Não é a única, mas é a mais poderosa e efetiva. Sua simples existência produz efeito superior ao da lei penal porque além de ser um instrumento jurídico, ele é, também, um instrumento político. Presente no mundo do Direito, opera como freio à potencial criminalidade dos governos.
Imagine, leitor, se, como pretendeu o colunista mencionado acima, governantes fossem inamovíveis por quatro anos. A vitória eleitoral abriria porta a toda permissividade, a todo abuso do poder. Regrediríamos a um absolutismo monárquico operado, sem restrições, nos conciliábulos partidários.
Felizmente, no Brasil, quem põe no peito a faixa presidencial veste, também, o cabresto e a embocadura da sempre possível sujeição a um processo de impeachment. A nação, efetiva titular do poder, o mantém com rédea frouxa, até o momento em que precisa acioná-lo para retomar o comando e trocar de montaria.
Percival Puggina
O transtorno obsessivo-compulsivo do lulopetismo

Segundo o médico Drauzio Varella, “uma doença dos domínios da psiquiatria que acomete pessoas em qualquer idade, descrita por especialistas e denominada TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)”, embora sem confirmação científica, parece acometer com certa frequência os políticos e tende a expandir-se pelos seus amarra-cachorros. É definido como provocadora de “obsessões, que persistem até o exercício da compulsão que alivia a ansiedade”, maltratando o infeliz portador do mal.
Quando se observam os movimentos político-partidários do lulopetismo, verifica-se que os surtos de compulsão são comuns nos portadores da doença, que, vítimas de impiedosa ansiedade diante do descobrimento de um fato desabonador, entram a fazer manias estimuladas pela imaginação, sem qualquer base na realidade, para espantar os sintomas. Uma pesquisa empírica, utilizando como fontes veículos de informação, mostrará desvios até grosseiros desses adoradores de crenças, cujas citações lhes iluminam argumentos não raro fantásticos.
À falta de espaço, limitar-me-ei a evidências notórias que povoam a nação nos tempos de hoje. Falo do inédito escândalo que tisnou como nunca a história da nação, o assalto escabroso à Petrobras, único nas dimensões do atrevimento e da ousadia. Excitados pela implacável ansiedade do medo, os adoradores da síndrome lulopetista não se fadigam de trazer à colação o argumento de que a sra. presidente da República não tinha conhecimento do que se passava, nem antes, nem depois.
Escabrosos como têm sido mostrados, graças aos trabalhos de gigantes do Ministério Público e da Polícia Federal e mercê da imensa coragem, determinação e competência de um juiz federal, assemelham-se a segredos de polichinelo que já vinham circulando em certos meios há muito tempo. Ademais, tendo sido a então a ministra Dilma Rousseff presidente do Conselho de Administração da mais aureolada empresa da União, integrado, assim, por ministros de Estado e vitoriosos empresários da iniciativa privada, como poderia ser ignorado, por essas figuras de escol, o artigo 138 da Lei 6.404/1976, a Lei das S/A, que obriga o colegiado a velar pelo cumprimento do dever de “fiscalizar a gestão dos diretores, elegê-los e destituí-los, fiscalizar-lhes a gestão, examinando a qualquer tempo os livros e papéis da companhia e solicitar informações sobre contratos celebrados ou em vias de celebração e quaisquer outros atos”? Falta de tempo?
Mas trata-se de crime típico de omissão, descrito e punido por nossas leis. Ou não tinham tempo sequer para se demitirem? Demais disso, a sra. Rousseff não era a maior “gerentona” brasileira? E acontecer tudo o que até agora investigações e inquéritos mostraram equivaler a pesadelos, ocorrências de outro mundo! Em poucas palavras: não é menos que um dos mais tenebrosos contos fantásticos de Kafka? Só a sua monumental imaginação criaria acontecimentos tão espantosos quanto maléficos para agredir a mais emblemática empresa que o Brasil, em qualquer época, teve ou terá. O corvo da rapina de Poe a estraçalhou. “Never more”.
Onde mora o perigo
Dados à mão e ideia nenhuma na cabeça
Tiradentes foi o primeiro grande bode expiatório da História do Brasil. Era, digamos, o menos valido dos inconfidentes das Minas Gerais. Pagou com a vida pela loucura de, não sendo abastado, ter comprado a briga da elite das ricas regiões mineiras, revoltada com a "derrama", obrigação de dar um quinto do ouro garimpado à Coroa d'além-mar. Enforcado, esquartejado, com as partes do corpo despedaçado espetadas em postes, a cabeça em Vila Rica, hoje Ouro Preto, foi esquecido no Império e celebrado na República como Protomártir da Independência. Hoje o Estado republicano leva em impostos, no mínimo, 50% mais do que a "derrama" colonial e o martírio dele é lembrado neste tempo nefasto em que, como se diz vulgarmente, "não está fácil pra ninguém" - seja para a nobreza, seja para a plebe.
Os fidalgos contemporâneos são a elevada hierarquia do governo federal e a elite partidária e sindical, que mandam na República com que Joaquim José da Silva Xavier sonhou. A situação de dona Dilma é tão precária que, num rasgo de altruísmo alienado, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice da oposição ao poder petista de mais de 12 anos, condescendeu em deixá-la "sangrar", como se, neste processo vil, nossa hemorragia não tivesse de desatar antes. "Inocente", diria compadre Washington. "Nem tanto", retrucaria o bêbado cético da piada que, à porta da Igreja no ofício fúnebre da Sexta-Feira Santa, resmungou ao ouvir o relato da paixão do Cristo: "Alguma ele fez".
O desavisado tucano pode até ter razão pelo menos num detalhe: a situação também não está fácil para a "governanta", que cada vez governa menos, embora isso não queira dizer que não governe mais. Governa, sim! E sua situação é tão aflitiva que não pode ser definida como de "pato manco", como se diz na América do Norte dos senhores que mantêm o título, mas perdem o poder de fato. Talvez seja o caso de compará-la com o corvo de asa quebrada à janela, da bela e triste canção de amor de Bob Dylan.
A semana que finou antes das honras de praxe ao alferes herói cheirou a incenso de exéquias para os petistas. Ela começou com a entrevista do ex-diretor da empresa holandesa SBM Jonathan David Taylor à Folha de S.Paulo, informando que delatou propinoduto entre sua firma e a Petrobrás em agosto e a Controladoria-Geral da União (CGU) deixou para investigar depois da reeleição de outubro. "Repilo veementemente", clamou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, repetindo o mantra que agora lembra as juras de inocência de João Vaccari Neto, preso nessa semana fatídica, ecoadas pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão. É como se dissessem: "Fecha-te, Vila Sésamo!"
Sim, há um quê de programa infantil de televisão em nossa chanchada trágica. Por exemplo: enquanto a presidente mentia para se reeleger na campanha oferecendo Shangri-lá ao eleitorado, seu Mágico de Oz, Guido Mantega, lidava com a contabilidade pública, tratada com rigor nas democracias com vergonha, como se fosse um conto sem fadas só de bruxas. Os truques de mágico de circo "tampa de penico" adotaram o nome de um drible desmoralizante no futebol, as "pedaladas" que o craque Robinho, do Santos, deu no desajeitado zagueirão Rogério, do Corinthians, em final de campeonato. O desconcerto contábil deu a segunda grande dor de cabeça da véspera da data consagrada ao herói martirizado: o Tribunal de Contas da União (TCU), incorporando de forma inédita a lógica dos fatos, definiu-o, unanimemente, como "crime". E não podia ser diferente, pois é crime. E grave!
Só resta conferir se o TCU, além de ouvir o óbvio de Nelson Rodrigues ulular, confirmará seus técnicos. E se o Congresso, a que ele serve, terá súbito e improvável pudor de refutar algo tão simples e óbvio, negando aval às contas do último ano do primeiro mandato de Dilma, incriminando-a.
Se a lógica patente substituir a obscura tradição, os rebelados contra o mandarinato petista que vão às ruas terão razão para confiar que a "gerenta" não chegará ao fim de sua malfadada gestão, pois haverá razões legais, além do mero fato de ela ter-se revelado "incompetenta". Mas esta é, por enquanto, apenas uma hipótese remota. Impeachment de presidente só pode resultar de um processo de responsabilidade efetiva e comprovada de crime contra os bens e o interesse públicos, com aval, primeiro, da Câmara e, depois, do Senado. Até Marina Silva pulou da rede para lembrar que não basta impedir, é preciso assumir.
A monjinha trotskista contribuiu para o debate político consequente de forma mais racional do que os tucanos que ela apoiou, timidamente, no segundo turno da última eleição. Estes realizam a proeza de ser, a um tempo, omissos e "oportunistas", como definiu o historiador José Murilo de Carvalho em entrevista ao Estado de domingo 12. Do alto de 51 milhões de votos, Aécio Neves acenou para os manifestantes do apartamento em Ipanema em 15 de março. E em 12 de abril convocou seguidores para um protesto ao qual não foi.
Essa omissão com pretensão a liderar, com dados à mão e ideia nenhuma na cabeça, só não superou em desfaçatez o oportunismo de aderir ao impeachment após pesquisa do Datafolha constatar o apoio de 63% da população à medida. Não estando autorizado por Carvalho a interpretar o que disse com brilho, este escriba desconfia que os oportunistas não se limitam a apreciar o sangramento de Dilma sem lhe ter dado, ao contrário de Brutus em Júlio César, nenhuma punhalada. O problema é que, como registrou neste espaço o tucano Roberto Macedo, economista de escol, o PSDB ainda não apresentou ao eleitorado sequer sua posição sobre os ajustes propostos por Levy.
O desgoverno Dilma não sabe o que fazer e a oposição não conta o que propõe para quando ele acabar: antes de apoiar o impeachment, devia dizer o que fará no dia seguinte.
José Nêumanne
O desavisado tucano pode até ter razão pelo menos num detalhe: a situação também não está fácil para a "governanta", que cada vez governa menos, embora isso não queira dizer que não governe mais. Governa, sim! E sua situação é tão aflitiva que não pode ser definida como de "pato manco", como se diz na América do Norte dos senhores que mantêm o título, mas perdem o poder de fato. Talvez seja o caso de compará-la com o corvo de asa quebrada à janela, da bela e triste canção de amor de Bob Dylan.
A semana que finou antes das honras de praxe ao alferes herói cheirou a incenso de exéquias para os petistas. Ela começou com a entrevista do ex-diretor da empresa holandesa SBM Jonathan David Taylor à Folha de S.Paulo, informando que delatou propinoduto entre sua firma e a Petrobrás em agosto e a Controladoria-Geral da União (CGU) deixou para investigar depois da reeleição de outubro. "Repilo veementemente", clamou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, repetindo o mantra que agora lembra as juras de inocência de João Vaccari Neto, preso nessa semana fatídica, ecoadas pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão. É como se dissessem: "Fecha-te, Vila Sésamo!"
Sim, há um quê de programa infantil de televisão em nossa chanchada trágica. Por exemplo: enquanto a presidente mentia para se reeleger na campanha oferecendo Shangri-lá ao eleitorado, seu Mágico de Oz, Guido Mantega, lidava com a contabilidade pública, tratada com rigor nas democracias com vergonha, como se fosse um conto sem fadas só de bruxas. Os truques de mágico de circo "tampa de penico" adotaram o nome de um drible desmoralizante no futebol, as "pedaladas" que o craque Robinho, do Santos, deu no desajeitado zagueirão Rogério, do Corinthians, em final de campeonato. O desconcerto contábil deu a segunda grande dor de cabeça da véspera da data consagrada ao herói martirizado: o Tribunal de Contas da União (TCU), incorporando de forma inédita a lógica dos fatos, definiu-o, unanimemente, como "crime". E não podia ser diferente, pois é crime. E grave!
Só resta conferir se o TCU, além de ouvir o óbvio de Nelson Rodrigues ulular, confirmará seus técnicos. E se o Congresso, a que ele serve, terá súbito e improvável pudor de refutar algo tão simples e óbvio, negando aval às contas do último ano do primeiro mandato de Dilma, incriminando-a.
Se a lógica patente substituir a obscura tradição, os rebelados contra o mandarinato petista que vão às ruas terão razão para confiar que a "gerenta" não chegará ao fim de sua malfadada gestão, pois haverá razões legais, além do mero fato de ela ter-se revelado "incompetenta". Mas esta é, por enquanto, apenas uma hipótese remota. Impeachment de presidente só pode resultar de um processo de responsabilidade efetiva e comprovada de crime contra os bens e o interesse públicos, com aval, primeiro, da Câmara e, depois, do Senado. Até Marina Silva pulou da rede para lembrar que não basta impedir, é preciso assumir.
A monjinha trotskista contribuiu para o debate político consequente de forma mais racional do que os tucanos que ela apoiou, timidamente, no segundo turno da última eleição. Estes realizam a proeza de ser, a um tempo, omissos e "oportunistas", como definiu o historiador José Murilo de Carvalho em entrevista ao Estado de domingo 12. Do alto de 51 milhões de votos, Aécio Neves acenou para os manifestantes do apartamento em Ipanema em 15 de março. E em 12 de abril convocou seguidores para um protesto ao qual não foi.
Essa omissão com pretensão a liderar, com dados à mão e ideia nenhuma na cabeça, só não superou em desfaçatez o oportunismo de aderir ao impeachment após pesquisa do Datafolha constatar o apoio de 63% da população à medida. Não estando autorizado por Carvalho a interpretar o que disse com brilho, este escriba desconfia que os oportunistas não se limitam a apreciar o sangramento de Dilma sem lhe ter dado, ao contrário de Brutus em Júlio César, nenhuma punhalada. O problema é que, como registrou neste espaço o tucano Roberto Macedo, economista de escol, o PSDB ainda não apresentou ao eleitorado sequer sua posição sobre os ajustes propostos por Levy.
O desgoverno Dilma não sabe o que fazer e a oposição não conta o que propõe para quando ele acabar: antes de apoiar o impeachment, devia dizer o que fará no dia seguinte.
José Nêumanne
O roubo foi de R$ 6,2 bi. Alguém sabe o que são R$ 6,2 bi?
É incrível como a roubalheira virou algo banal. A maior estatal do país, aquela que já foi uma das dez mais entre as petroleiras do mundo, anuncia que perdeu R$ 6,2 bilhões para a corrupção. E isso não causa comoção.
São R$ 6,2 bilhões. O costume é fazer contas de quantas casas populares – seriam mais de 160 mil -, postos de saúde e escolas poderiam ser construídas com o montante. Proponho outra conta: daria para fazer 195 campanhas eleitorais tão milionárias como a de Dilma Rousseff, que declarou gastos oficiais de R$ 318 bilhões em 2014.
R$ 6.200.000.000,00 surrupiados sem que autoridade alguma desconfiasse. Presidente e diretores da Petrobrás, integrantes do Conselho da empresa, presidente da República. Ninguém jamais notou nada de anormal antes de a estatal apresentar prejuízo superior a R$ 40 bilhões (R$ 6,2 da corrupção + R$ 22 bi operacional e outros R$ 12 bi em obras paradas que nunca deviam ter começado).
Em um país em que só tolos são honestos, ainda sobra para esses mesmos tolos as contas a pagar.
Meus parabéns a Lula e Dilma

A rigor, deveria dar os parabéns também ao povo brasileiro – mas a frase de Gláuber Rocha me persegue: “A culpa não é do povo”, e então restrinjo os parabéns aos dois gênios, Lula e Dilma.
São gênios. Mereceriam o Nobel, o Pulitizer, o Oscar, o Globo de Ouro.
Qualquer honraria a eles seria menor do que eles merecem.
Luiz Inácio Lula da Silva é o maior vendedor de ilusões que já existiu na história da humanidade.
Conseguiu vender até mesmo Dilma Rousseff – e o país comprou. E comprou de novo!
Dilma Rousseff é a maior nulidade que já existiu na história da humanidade. Nunca, ninguém, em época alguma, foi tão incompetente, em todas, todas, todas as suas ações, quanto Dilma Rousseff.
Ela não conseguiu manter uma loja de 0,99! Levou a loja à falência!
Ela conseguiu levar à lona um país que tinha até boas chances de se dar bem.
Mas, sobretudo, especificamente falando, neste histórico dia em que a Petrobrás apresenta com absurdo atraso seu balanço de 2014, ela conseguiu ser os três macaquinhos ao mesmo tempo. Ela não viu, ela não ouviu, ela não falou nada ao longo de 12 anos enquanto a Petrobrás era roubada em R$ 6,2 bilhões.
Ela era a ministra das Minas e Energias no primeiro governo Lula, e, portanto, a chefona da Petrobrás, já que, nos governos petistas, as estatais pertencem ao governo da vez, e não ao Estado brasileiro, ou ao público. No segundo governo Lula, ela era a chefe da Casa Civil, a gerentona do governo todo. Mandava em tudo.
E não foi capaz de ver, de ouvir, nada. O partido dela roubou da maior estatal do governo dela R$ 6,2 bilhões – e ela não estava sabendo de nada!
Oscar é pouco, Nobel é pouco. Qualquer homenagem é pouca Nunca houve na história gente como Lula e Dilma. Ah, não. Nunca houve, e jamais haverá, nada como Lula e Dilma.
Por que Dilma não pede desculpas pelo saque à Petrobras?
Dilma não tem o talento de Lula para mentir. Seu silêncio numa hora como essa só torna sua situação ainda mais incômoda

- Faço um pedido de desculpa em nome dos empregados da Petrobrás, porque hoje sou um deles – disse Aldemir Bendini, na ocasião em que anunciou o balanço auditado da empresa referente a 2014. O endividamento total da Petrobras aumentou 31%. A corrupção engoliu R$ 6 bilhões.
Caberia à presidente Dilma pedir desculpas. Ninguém mais do que ela mandou tanto na empresa nos últimos 12 anos. Mandou enquanto era ministra das Minas Energia. Depois chefe da Casa Civil da presidência da República. Em seguida, presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Por fim, presidente da República.
Não se limitou a mandar à distância. Nomeou para a presidência da Petrobras uma amiga sua, Graça Foster. Nada ali dentro trocou de lugar sem que Dilma fosse informada a respeito.
Se Dilma é inocente no caso da roubalheira que desqualificou aquela que foi uma das maiores empresas de petróleo do mundo, não importa. A empresa foi saqueada do segundo governo Lula para cá. E Dilma tem responsabilidade política nisso. E também moral.
Como Lula teve no caso do mensalão.
Com medo de ser deposto, ele convocou uma rede nacional de rádio e de televisão e pediu desculpas ao distinto público. Alegou que fora traído. Mas escondeu o nome dos traidores. Uma vez reeleito, deu o dito pelo não dito. Passou a dizer que o mensalão jamais existiu.
Dilma não tem o talento de Lula para mentir. Seu silêncio numa hora como essa só torna sua situação ainda mais incômoda.
Tempos de murici-cascudo
Murici é uma árvore do serrado imune às intempéries. A do
tipo cascudo, que serve para nome de jumento, tem as folhas grandes e peludas,
resistente como a peste. E o que tem a ver uma coisa com a outra? Bem, a outra
é a situação nacional, cascuda e peluda como o nosso murici...
Penso que a oposição e a Polícia Federal começam a perder a tramontana. Eu, que não estou me rasgando para nada que não seja o Brasil como um todo, e isso é muito, estou ficando preocupado com a quantidade de frentes de trabalho que a Polícia Federal está abrindo sem fechar nenhuma delas.
Já passa do tempo de ter alguém julgado e preso pra valer, ou isso tudo vai ficar como os mensaleiros: famosos, livres e vagantes como folhas secas do cerrado no mês de agosto, mês de cachorro doido.
Parece que só existe Polícia Federal lá no Paraná e, sem querer, ou querendo, sinto cheiro de diversionismo. Com tantos inquéritos abertos e tanta gente depondo e com prisões temporárias, essa coisa pode melar como rapadura, principalmente porque, até agora, só pegaram inocentes.
A exceção dos delatores é incrível que nenhum “petrolão” abra o bico e assuma que é culpado. “Senvergonhamente”, todos se dizem inocentes, com as caras mais lambidas do mundo... Afinal, ninguém roubou nada, nem mesmo o Palocci. Quem sabe não foram ratos caianos viventes no cerrado do planalto central? Falo de ratos de duas pernas que são mais atrevidos, são pensantes.
Prestem atenção na minha preocupação: concomitantemente aos trabalhos da operação Lava Jato, tramita, também a jato, a tal lei da terceirização, que já, provavelmente hoje, será submetida à segunda votação. Gente, esse será o maior dos absurdos que esta e todas as demais legislaturas até o final do século votará. Vou dizer o que penso: isso é, sem dúvida, a maior sacanagem que esses come-dormes de Brasília fazem com todos – todos mesmo – os que trabalham e vivem neste país. A Câmara está imitando aquele piloto que, dizem, suicidou-se e levou todo mundo com ele. Depois de consumada a questão, restará o que a fazer?
Caramba! Antes que os mal informados comecem a achar alguma coisa, vou avisando que sou “visceralmente contra o impeachment” de Dona Dilma, que “toda vez que vê uma criança enxerga, ao lado dela, também um cachorro”. Pode parecer esquisito, mas foi ela quem disse isso, um tipo de visagem que só acontece com pessoas de QI elevadíssimo ou videntes, presumo. Aliás, a presidente é bem chegada a um devaneio e, às vezes, “se contende pelas protuberâncias conexas das excentricidades congêneres da apologética nos epítetos escalenos de filisteus e trogloditas”. E isso não é defeito. Na verdade, também não sei o que é. Sei mesmo é que nossos legisladores precisam se investir de responsabilidade e assumir sua missão com seriedade, deixando de lado interesses pessoais e rusgas políticas que não levam a nada, mas podem levar, como estão levando, o Brasil para o buraco. Pronto, falei...
Tucanos ainda enxugam gelo e ensacam fumaça
Já os favoráveis escudam-se na opinião do Tribunal de Contas da União, que identifica crime de responsabilidade por parte de Dilma, por haver maquiado números para equilibrar receita e despesa no governo, quando na realidade os cofres públicos ficaram no vermelho, nos dois últimos anos.
Pesquisa reservada feita junto à maioria do Congresso revela que a maioria parlamentar não se sensibiliza pela proposta do impeachment, coisa admitida mesmo pelos tucanos mais inclinados na tese do afastamento da presidente da República.
Em suma, sem uma acusação direta e óbvia a respeito da probidade de Dilma, a discussão sobre o impeachment continuará inócua. Servirá para municiar os oposicionistas extremados, mas redundará em nada.
A pergunta que se faz é se o PSDB ficará girando em círculos, demonstrando que o debate envolve mais do que a por enquanto inviável tentativa de afastamento da presidente. No caso, uma operação conduzida pelos tucanos paulistas para enfraquecer o mineiro Aécio Neves, hoje o líder da oposição e provável candidato ao palácio do Planalto em 2018. Pretendem, os paulistas, recuperar a hegemonia da indicação presidencial, eles que venceram com Fernando Henrique e perderam com Geraldo Alckmin e José Serra.
Não deixa de espantar muita gente a centralização em torno do impeachment. Mais do que ficar discutindo esse samba de uma nota só, os tucanos precisariam desde já estar preparando uma alternativa de governo para o desgoverno do PT. Acima e além, até, das denúncias de corrupção que envolvem os detentores do poder, a hora seria de uma discussão profunda a respeito do que fazer para o país recuperar-se do caos que nos assola. O diabo é que são, por essência, neoliberais, sabendo que a maioria da opinião pública rejeita as fórmulas de aumento de impostos, desemprego, extinção de investimentos sociais e até redução de direitos trabalhistas. A opção que não apareceu afugentaria, mais do que reuniria o sentimento nacional. A conclusão é de que o PSDB continua enxugando gelo e ensacando fumaça.
AJUDA IMPOSSÍVEL
Talvez bafejado pelos eflúvios sentimentais de nossos laços com Portugal, em visita ao país de nossos avós, o vice-presidente Michel Temer declarou que a oposição serve para ajudar o governo a governar. Só se for no reino dos sonhos. Primeiro, porque os donos do poder jamais aceitariam dividir a administração com seus adversários. Depois, porque esses em momento algum concordariam em desgastar-se por conta da incapacidade daqueles.
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