quinta-feira, 24 de julho de 2014

A violência campeia solta


Publicado em julho, o mais recente Mapa da Violência mostra que mais da metade dos municípios brasileiros com mais de 10 mil habitantes tem taxa de homicídios em nível epidêmico, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) — mais de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. Dos 3058 municípios pesquisados, 1932 (63%) se enquadram nesse diagnóstico.
A cidade brasileira mais violenta é Caracaraí, em Roraima, com a incrível taxa de 210,3, seguida por Mata de São João, na Bahia, com 149,3. A Bahia tem mais 4 cidades entre as 10 mais violentas do Brasil: Simões Filho, Ibirapitanga, Itaparica e Porto Seguro.


(...) No Brasil, são tantos os homicídios que é como se um avião da Malaysia Airlines fosse abatido em nosso território a cada 43 horas. Por um míssil chamado subdesenvolvimento, com a seguinte munição: impunidade, crueldade, omissão e abuso policial. E a crônica falta de educação
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Prisões ameaçam democracia


Especialistas veem ameaça à democracia e criticam fato de processo caminhar em segredo e o que seria um uso abusivo da prisão preventiva. Justiça do Rio afirma que há tentativa de "politizar uma questão de rotina".

As prisões de ativistas envolvidos nas manifestações anti-Copa do Mundo em várias cidades do Brasil geraram críticas de entidades civis, acadêmicos e organizações, gerando um debate jurídico no país.

Se de um lado seus defensores argumentam que as prisões são necessárias porque a violência gerou uma onda de crimes e prejudicou as próprias manifestações, os detratores dizem que elas não passaram de uma estratégia para, em plena Copa, enfraquecer os protestos e reduzir riscos à imagem do país.

As críticas se centram, sobretudo, no fato de o processo caminhar em segredo de Justiça e no que seria um uso abusivo do recurso de prisão preventiva.
“Temos a Constituição Federal que estabelece direitos fundamentais e parâmetros da atuação da Justiça. O que estamos assistindo de uma maneira estarrecedora é como isto vem sendo ignorado pelo poder público, nesse caso especifico, sobretudo pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público estadual”, argumenta a jurista Vanessa Batista, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Poder Judiciário determina que o processo deve correr em segredo de Justiça quando ele envolve menores ou quando envolve algo que signifique risco para sociedade. Qual é esse risco que nós estamos correndo? O risco quem está correndo somos nós, a sociedade democrática
Vanessa Batista, professora da UFRJ

Legado de Suassuna

Kinho
 "... é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos"

Ariano Suassuna (1927-2014)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Turismo eleitoral


A esbórnia tá nas ruas


“(...) e por toda a parte havia políticos e pistoleiros, debruçados nas janelas de suas prefeituras, cuspindo na pobreza lá embaixo” 
Graham Greene
Quem se pergunta ainda para aonde vai o dinheiro do brasileiro, depois de passar pelo superfaturamento de obras, pagamento do inflado funcionalismo público e a corrupção - só para citar umas poucas peneiras brasileiras -, é só olhar para as ruas com a abertura da temporada de caça ao eleitor. As cidades se embandeiram em comemoração à festa cívica tão ao gosto dos políticos e governinhos demagógicos, um espetáculo imperdível de cinismo.

É um escárnio, avalizado por lei com propaganda “patriótica”, que emporcalha e ainda, para cúmulo do gozação, implanta pobres coitados, a salários miseráveis, sacudindo bandeiras dos candidatos. Em Marícá uma avenida central se enfeita de gente com panos propagandísticos. São os zeidanetes ou fabianetes, que recebem quentinha e nem dois salários mínimos por mês. Baita salário para um país que se dispõe a acabar com a miséria mantendo um pibinho de menos de 1%, muito bolsa família para engordar os não necessitados e pagando aos conselheiros das contas públicas um salário moradia de até R$ 7 mil.        

No show de cinismo, promovido pelos poderes como espetáculo de cidadania, vale tudo. Os fichas-sujas se armam de advogados para driblar a lei, os caras de pau de sempre retornam às telinhas, os correligionários se travestem de querubins, ah, e os candidatos , depois de passarem por um photoshop, mostram caras bem nutridas e risonhas, com dentadura de anúncio!, em santinhos. O custo é o de menos. Tem gente para trabalhar e pagar.

As obras, superfaturadas até com adicionais quase no valor total da construção, são completadas a toque de caixa. Não importa inaugurar a porcaria, o que vale nestes dias é mostrar o que se fez, mesmo que isso seja um monstrengo de inutilidade ou já com prazo de validade vencido. Como não deu tempo, em Maricá, uma passarela sobre rodovia ficou inacabada sem uma das calçadas de acesso. Agora está sem “dono” porque ninguém pode dizer que fez. Mas quem liga pra isso? Coisas sem importância que não empanam a festa cínica que vem aí.


Enfim, mal terminou a gastança da Copa, a gente volta às ruas para fazer brilhar mais uma vez o poder político com direito a todos os gastos sem qualquer lucro para a população. Fizeram a limpa para a festa e precisam que fique algum para quando janeiro chegar. Ninguém é de ferro, e o início do ano tem muita conta pra pagar, principalmente o custo de campanha, que deve ser ressarcido pelo contribuinte.     

Nunca falha

Nani Humor

Alfabetização no Brasil não alfabetiza

Doutor em desenvolvimento da cognição e psicolinguística, o português José Morais defende o envolvimento da neurociência na alfabetização para reformar os pensamentos pedagógicos. Em agosto ele virá ao Brasil para VII Seminário Internacional, promovido pelo Instituto Alfa e Beto (IAB), em Belo Horizonte.
Em recente entrevista Morais fala sobre avalia a alfabetização brasileira. “Infelizmente, baseia-se na crença construtivista — chamo de crença porque contraria o conhecimento científico atual. No Pisa (programa internacional de avaliação de estudantes, na sigla em inglês), não houve variação significativa entre a primeira versão, de 2000, e a última, de 2012. O Brasil está muito abaixo da média dos países e quase 80 pontos abaixo de Portugal, que tem a mesma língua, o mesmo código ortográfico, e as diferenças de dialeto deveriam até ser mais favoráveis à alfabetização no Brasil. Só 1 em mil adolescentes brasileiros lê no nível mais alto de desempenho estabelecido pelo Pisa. A taxa de analfabetismo continua demasiado alta e, sobretudo, quase metade da população não lê de maneira competente. O Ministério da Educação não pode continuar a manter uma proposta de alfabetização que não alfabetiza”.

Ainda segundo o professor emérito da Universidade Livre de Bruxelas, que estuda a psicologia cognitiva associada à educação, o Brasil ainda não sabe que caminho escolher para a educação:
- É uma obrigação social e moral que o Estado fixe a idade de início da alfabetização. Se as crianças da elite aprendem aos 5 ou 6 anos na família ou em colégios particulares, não está certo que as do povo só sejam alfabetizadas (capazes de ler com compreensão e de escrever) aos 8 anos. Está se desviando a atenção daquilo que realmente é importante: a política certa, política de reprodução de privilégios ou política pública realmente democrática.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Apenas parecidas

Nani Humor

Velhos filmes em pobres cenários


Lá pelos idos de 1940 e até 1950, Hollywood produziu filmes, normalmente de classe B, em que o bandido quase sempre fugia para o Brasil. Aqui era o reduto da bandidagem cinematográfica na mesma época em que Havana era o refúgio da máfia norte-americana. O cinema convergia as cenas para o paraíso tropical a fim de não comprometer as aberrações criminosas sob o regime de Fulgêncio Batista. Colocar bandidos em Havana, na época, era contra os interesses nacionais (deles). Então que viessem para o Rio – “Yes, nós temos banana” também.

Os saudosistas podem ficar tranquilos. Os tempos estão voltando. Mas os bandidos não são os de cinema, nem vivem em Hollywood, também o paraíso da impunidade não fica no Rio dos cassinos, que já não existem. Agora a bandidagem, que não é cinematográfica, nem estrangeira, nem estrela, prefere uma pequena e desleixada cidade bem próxima ao Rio.

Depois de abrigar Marcelo Sereno e Maria Helena, prósperos asseclas de Zé “Mensalão”, por um bom tempo, na primeira gestão de Washington Quaquá, o grande nome das paradas já há algum tempo é Lurian Lula, dona de um extenso prontuário de atuações em governos municipais petistas. Depois de passear por São José, cidade vizinha de Florianópolis, onde abocanhou o cargo de secretária de Desenvolvimento Social, quando trocou as cestas básicas pela criação de um Cartão Cidadão, e ser figurinha na última campanha no Maranhão ferrando 13 candidaturas petistas no estado, parece que se encantou pela sujeira de Maricá, onde desde o ano passado vem participando da politicalha local, nos bastidores, como confessou há tempos sobre sua preferência de ação. E com tempo até para acompanhar o casal reinante em passeios internacionais e na passarela do samba.

Lurian teria trocado São Paulo, o apartamento em Florianópolis e as praias nordestinas pela suja e desleixada (pelo governo) cidadezinha fluminense encantada. Por que deixaria o bem-estar lá de fora por um muquifo em Maricá, sem ruas asfaltadas, saneamento básico, saúde, segurança? Ou será, dizem as más línguas, que é uma cidadã virtual podendo confortavelmente fazer seu trabalho através do mundo e receber tudo via internet? Pois Lurian agora é a jornalista responsável (sic) pela revista Maricajá, de propriedade do casal Quaquá, que tem como diretora nada menos do que a consorte Zeidan, candidata à Câmara federal.

O caso Maricajá, agora nas mãos de Lurian, é o mais escandaloso uso de verbas públicas para abastecer a empresa sem registro do prefeito, que se tornou órgão oficioso e de propaganda da Prefeitura. E no comando agora temos a sempre zelosa pelo bem do povo, Lurian, uma representante de sangue azul dos pelegos. É ou não é a volta dos velhos filmes classe B, em que pontuavam os mafiosos?       

E no cordão dos puxa-sacos...


"Presidentes temperamentais dizem o que querem, e os áulicos aprendem a fingir que concordam"
Elio Gaspari 

Altas contas dos TCEs

Benefícios como 14º e 15º salários são pagos como ‘aquisição de obras técnicas’
 Os salários ultrapassam R$ 26 mil. A eles, somam-se auxílio-alimentação que chega a R$ 1.000 por mês; auxílio-moradia que, em alguns casos, ultrapassa R$ 7 mil por mês; R$ 2.924 por abono de permanência, pago ao magistrado que, aposentado, continua trabalhando; e 14º e 15º salários camuflados sob a rubrica de “aquisição de obras técnicas”. É a folha dos conselheiros dos Tribunais de Contas dos estados no país.

Em Mato Grosso, por exemplo, o auxílio-moradia é de R$ 7.235 — mais que o dobro do que têm direito os deputados federais, que podem receber até R$ 3 mil. Mesmo com as regalias, há diversos casos de conselheiros acusados de desvios de verba pública, como mostrou O GLOBO neste domingo. Além disso, os tribunais, que cobram a prestação de contas de vários entes governamentais, não são transparentes.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O maior bem

"A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo" 

António Lobo Antunes

Parada pra poesia

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 – 2004)

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

“Ganharás o pão com o suor do teu rosto” Assim nos foi imposto
E não:
“Com o suor dos outros ganharás o pão”

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoais–lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem


Olho vivo com a morte lenta


As democracias, como registrou Guillermo O’Donnell, não só morrem de maneira súbita com golpes de Estado. Também perecem de maneira gradual quando se concentra o poder no Executivo, se restringem liberdades que permitem o pluralismo e o Estado coloniza a esfera pública e a sociedade civil. Os governos de Rafael Correa, no Equador, como de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, na Venezuela, dificilmente podem ser considerados como democracias liberais. Apesar de legitimados ganhando eleições, essas se deram em condições de inequidade que sistematicamente favorecem aos candidatos do governo. Na Venezuela e Equador, o poder está concentrado no Executivo e as cortes de Justiça, como as instituições de controle e regulamentação, estão subordinadas ao presidente.

Quando Chávez e Correa chegaram ao poder, as instituições políticas estavam em crise. O sistema partidário da democracia cooptada venezuelana, que se constituiu excluindo a esquerda marxista, se transformou em um regime corporativista e corrupto. Entre 1996 e 2006 nenhum presidente equatoriano pôde terminar seu período e o Congresso destituiu com artimanhas legais três mandatários. Neste contexto de desencanto e desconfiança com os partidos, parlamentos e cortes de Justiça, estes políticos se apresentaram como forasteiros que prometeram a reforma de todas as instituições e o fim do neoliberalismo.

Apesar de que Chávez e Correa redistribuíram a riqueza e reduziram a desigualdade, criaram regimes autoritários que colonizaram a sociedade civil e a esfera política. Criaram leis para regular as Ongs e os movimentos sociais foram cooptados e reprimidos. Os ativistas que resistem em subordinação ao regime são criminalizados como terroristas. Estes governos criaram instituições que regulam os conteúdos da mídia e o Estado, que controla canais de televisão, emissoras de rádio e jornais públicos, se converteu em principal comunicador. Nos países em que não se diferencia o público do estatal, os meios públicos funcionam como porta-vozes do Governo. Estrangula economicamente a imprensa crítica e fomenta grupos econômicos afins ao governo para que comprem os meios críticos. Como resultado, a qualidade dos debates na esfera pública se empobreceu, os meios se autocensuram e quase não há espaços para que investiguem os abusos de poder.

domingo, 20 de julho de 2014

Nem sempre séria

"Uma democracia não precisa ser sempre séria, embora possa competir com as ditaduras quando quer"
Graham Greene (1904-1991)

D. manteve tradição




Como já se tornou uma tradição no governo Dilma, a presidente enfim resolveu encontrar espaço na agenda eleitoreira para visitar os desafortunados das enchentes no Sul, mas só viu a desgraça do ar num sobrevoo de 12 minutos na área atingida pela cheia do rio Uruguai. E liberou, segundo alguns jornais – outros dão cifras maiores -, R$ 40 milhões para reconstrução de estradas.

A presidente teria aventado a hipótese de se utilizar o Minha Casa Minha Vida para atender aos milhares de desabrigados, mas com o prejuízo geral não há como se pagar as prestações do programa, que não é gratuito como se propala, com prestações até de R$ 600, custo impensável para quem já perdeu tudo, restando apenas a eles apenas a dignidade pessoal e a indignidade dos políticos. 

Tal lá como aqui

Repressão na Venezuela contra manifestantes continua e mantém presos em protestos. Mais de cem pessoas continuam presas na Venezuela por violência em protestos

A procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, disse hoje (17) que 101 pessoas permanecem presas por suspeita de participação em atos de violência registados em protestos contra o governo, desde fevereiro, no país. Segundo ela, entre os detidos estão 14 funcionários públicos e seis estudantes.

"Isso foi explicado durante uma reunião, entre funcionários do Ministério Público e representantes da Anistia Internacional, que manifestaram o desejo de se deslocarem à Venezuela para abordar o tema dos direitos humanos, especialmente os acontecimentos violentos ocorridos entre 12 de fevereiro e junho", disse.

De acordo com a procuradora, foram também discutidas as causas da morte de 43 pessoas durante os protestos. "Explicamos que nove [das vítimas] eram oficiais das Forças Públicas, uma era procurador do Ministério Público e que seis venezuelanos morreram tentando limpar barricadas colocadas por outro grupo que protestava violentamente".

Há mais de cinco meses que se registram protestos diários na Venezuela devido à crise econômica, inflação, escassez de produtos e medicamentos, insegurança, corrupção e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Alguns protestos acabaram em confrontos violentos durante os quais morreram pelo menos 43 pessoas. Mais de 900 pessoas ficaram feridas, e mais de 3,2 mil foram detidas. No total, 14 policiais continuam presos e estão em curso 197 investigações sobre violações de direitos fundamentais dos manifestantes.

sábado, 19 de julho de 2014

Você sabia?



Criada em 1965 pela ditadura militar, a propaganda política dita gratuita custou, nas eleições de 2010, R$ 850 milhões de desconto em Imposto de Renda para as emissoras, milhões que bem poderiam ser utilizados em benefício da população, mas que serve aos políticos para brigarem por minutos milionários .

Escolha seu ladrão vem aí



Roubo de duzentos milhões aqui eu acho que nem sai do jornal, de tão fichinha, aqui é roubo municipal no interior, esse inglês (Raymond Whelan) não tem qualificação nem para uma deputança. Esqueçamos o passado, vêm aí as eleições, hora de escolher democraticamente o seu ladrão!
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), da crônica "Maus perdedores"  

Congresso de R$ 1 milhão a hora


Mesmo em recesso branco, o Congresso Nacional custa aos cofres da União cerca de R$ 1 milhão por hora. Dispensados das sessões deliberativas até o dia 31 de julho pelo acordo, os parlamentares continuarão recebendo integralmente os seus salários de R$ 26.723,13 mesmo sem apresentar projetos ou participar de votações nas Casas.

Isto porque a ausência de sessões faz com que os dias não trabalhados não sejam interpretados como falta. O cálculo feito pela ONG Contas Abertas para obter o custo-hora dos deputados federais e senadores - dos demais serviços prestados ao Legislativo -, estando eles em exercício parlamentar ou não, levou em conta a soma do orçamento da Câmara e do Senado, chegando-se ao montante aproximado de R$ 23,9 milhões por dia.

Chega de panfletários


O sistema político brasileiro, desde há alguns anos, se transformou em uma arapuca. Pouco há como escapar dele que não seja destruindo a armadilha do continuísmo. Em nome de uma democracia, que muitos apelidaram de socialista, se aplicou um golpe branco para instauração de uma desavergonhada política, muito parecida com projetos semelhantes aos louvados e festejados na ditadura. Estão aí mesmo para confirmar essa “ditadura democrática” do petismo e aliados em inúmeros programas e obras. 

A lista grande serve para pensar sobre o que se está criando no país.
Mas não se deve apenas criticar a situação dos últimos anos, que deu exemplos de banditismo explícito. Teve espaço a oposição para se mostrar defensora de políticas honestas, e não politicamente incorretas, mas deixou tudo pelo caminho. Fez o jogo que jogava a situação. A mascarada foi geral sem que uma voz dissonante surgisse para anunciar um novo caminho. O beco ficou sem saída e restaram ao povo o direito de votar e o dever de ficar calado diante dos desmazelos de uns e outros.

Há a defesa do voto para se construir a democracia, mudar o país. No entanto, a mudança tem quer ser feita nas pessoas, aquelas que votam. E mudar só através de refletir, se informar, deixar de lado o panfleto partidário. Pensar como gente, como cidadão responsável por si e por todos os outros, já que o egoísmo do levar vantagem não leva ninguém, muito menos uma nação, à frente. E esse discurso partidário do “nós contra eles” é um atraso de anos, deixa o sujeito vivendo no século XXI com a cabeça retrógrada nos tempos do arranca-rabo do século passado, quando se dividia o mundo em dois, como se a Terra não fosse de todos. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nem precisa explicar

Nani Humor

Você sabia?


Segundo a revista Veja,que o índice de inadimplência na faixa de financiamento para o Minha Casa, Minha Vida, que inclui participantes com renda mensal mais baixa, até 1 600 reais, está em 20%. É um número dez vezes maior que a média dos financiamentos imobiliários no Brasil e 4 pontos mais alto que a porcentagem de atrasos em pagamento de hipoteca nos Estados Unidos em 2007, quando se acentuou a crise que serviu de gatilho para a pior recessão desde o fim da II Guerra Mundial. 

Vale tudo pelo troninho


Para reeleição de Dilma, PT incorpora parte da agenda de adversários. Temas como meio ambiente, combate à inflação e reforma federativa, ganha mais destaque no plano petista deste ano em relação há quatro anos.

Faz-se bandido antes do crime


“Há arbitrariedade. Tanto o juiz que expediu os mandados de prisão como o promotor, quanto o Governo Federal e o Estadual, que articularam a ação com a Justiça, estão sendo arbitrários. Eles estão fazendo com que o criminoso exista antes do crime. Eles prenderam pessoas diante de suposições de que elas realizariam atos ilícitos. Estão subvertendo a regra do direito penal”. A declaração é do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) em entrevista para o jornal espanhol El Pais sobre a prisão de manifestantes. Com essa e outras afirmativas – “O Brasil está fazendo a gestão da sua pobreza por meio do extermínio e por meio do encarceramento" – Wyllys analisa o momento brasileiro em particular com os casos jurídicos envolvendo os movimentos de rua.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sonho, será?



Mas um dia talvez tenhamos um governo genuinamente democrático, um governo disposto a contar ao povo o que está acontecendo, o que deve ser feito em seguida, quais os sacrifícios necessários e por que fazê-los. Ele então precisará de mecanismos para fazer isso, dos quais o primeiro são as palavras certas, o tom certo de voz
George Orwell, no livro "Como morrem os pobres e outros ensaios" 

Drummond e sua atualidade

“(...) Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições.

(...)E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?”

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu a crônica “Perder, ganhar, viver” para o Jornal do Brasil (21 de junho de 1982) logo após a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Quase uma profecia de cenas vistas em 2014.
O texto naíntegra pode ser lido aqui

O poeta e sua poesia

Vinicius de Moraes, autor e voz em "Pátria Minha"

A balela da sensação de cultura

Os brasileiros adotaram o jargão dos meteorologistas de vez até mesmo para ser usado em medidas de grande interesse público. E os petistas esbanjam em criatividade para tornar o país um sensitivo. É sensação de segurança, de saúde, de educação e de cultura. Usam e abusam dos projetos, por incapacidade de ir mais longe e, como gestores governamentais instalar uma política correta de cada setor. É que o projeto pode sofrer mudanças até sua instalação e até mesmo sumir de vez sem que seja implementado como acontece com o tempo meteorológico. Mas o melhor do projeto, como utilizam hoje, é criar a sensação de que algo está sendo feito, mesmo que nada se realize. É ovo que já entra gorado na chocadeira, mas que os governos descaradamente contabilizam como realizações.  

É o que mais uma vez acontece em Maricá com o lançamento de outro projeto, agora o Maricá que Lê, com objetivo de “mostrar que o livro é livre”.  A canalhice do governo está logo na cara com o anúncio do enésimo programa no setor livreiro que os petistas prometem para ocupar espaço na mídia. Tudo porque não têm nem nunca tiveram uma política para o setor cultural, o que deve ser princípio de qualquer administração com o mínimo de honestidade para cuidar de um município.  

Lançar um projeto de leitura onde poucas, e mínimas, são as bibliotecas escolares, a biblioteca municipal está entregue às intempéries, a poesia e o livro já foram destaque na boca maldita, serviram de show para as bebedeiras em frente aos bares, e outros mortos em feto, é mais uma canalhice com a chancela governamental. Sem falar na feira de livro, que esbanjou R$ 1 milhão a livreiros, para farta distribuição de vales-livro de até R$ 200 para comissionados.

Quando não se tem política para qualquer setor, os governos estão abertos para as safadezas que hoje são vistas por todo o país com desperdício de dinheiro público, sem contar com a insana e destruidora corrupção. Apenas governinhos de quinta categoria, ou com intenções nada abençoadas, são capazes de obrar tantos projetos para apenas dar a “sensação” de que há governança quando tudo não passa de gastança desbragada a uns e outros, arrombando os cofres públicos.


Se houvesse intenção clara de governar pelo povo, para o povo e com o povo, bastaria no mínimo que cumprissem as leis, ou ao menos parte delas. Existem para constar as leis federal, aplaudida de pé depois de anos de discussão, e estadual sem contar a lei de Lula, sancionada em 2010, para criação de bibliotecas em todas as escolas públicas e particulares do país. Mas nada disso preocupa governinhos que preferem apostar na sensação de cultura para levar lançar projetinhos de qualidade suspeita e estabelecer como meta cultural o bundalelê dos shows em praça, que há anos está provado que são o canal preferido de nove entre dez administrações corruptas.      

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Arraial do Cabo

Giuseppe Giannini Pancetti (José Pancetti)  1902-1958

Vozes em silêncio

No tempo da ditadura, se fazia calar o indivíduo, taxado de subversivo. Na democracia popular do PT, o indivíduo pode falar, mas dele se tiram todos os microfones e passam a tocar o samba de uma nota só. A cada regime totalitário, seu modelo de trabalho. 

‘Contas’ prestadas às pressas


A presidente Dilma ligeiramente reuniu 16 dos 39 ministros para fazer o seu balanço da Copa das Copas. Em mais um espetaculoso encontro para uso interno de campanha, com ampla cobertura, e os dizeres mais desbaratados, a presidente e asseclas enfatizaram que tudo correu bem mesmo que menos de um terço das obras tenham sido concluídas, com sete anos para serem feitas, dentro do acertado com a Fifa, e o que restou vai mesmo ficar para o futuro.

O evento se prestou para mais um rasga-seda dos puxa-sacos bem aplicados. Todos escondendo o que não se realizou nem sequer se discutiu como se pode manter o que deu certo. Foi mais um balanço para servir durante a campanha no horário eleitoral. Mais um palanque eleitoreiro divulgado pelo canal oficial do governo, com dinheiro público, nas barbas do TSE.

Famoso frasista desastrado do governo, o ministro Mercadante, da Casa Civil até ensaiou um brado: “Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou”. Bem claro fica que a perda da taça é de somenos importância diante da vitória do Brasil (deles). Afinal, assumiram que tudo foi construído, incorporaram mesmo a hospitalidade do brasileiro como coisa vitória deles. Ou seja, saíram anunciando que o país (deles) venceu o pessimismo, mas nunca a desorganização e a falta de empenho nas obras. Em outras palavras, mais certas, o brasileiro ganhou a taça do anfitrião, mas perdeu a Copa das conquistas na saúde, educação, mobilidade urbana, que não foram contabilizadas nem sequer discutidas.

Confirma com a nova reunião que a Copa nada mais foi do que um desejo de um partido para promover sua hegemonia no poder. Ou alguém ainda acredita que Hitler promoveu os Jogos Olímpicos de 1936 só porque eram bons para a Alemanha? Serviram, e muito bem, aos interesses do partido nazista de garantir ampla maioria na população, satisfeita em grandes feitos. Lá como aqui, apenas não deu para vibrar no esporte como queriam os governos. Hitler viu a supremacia alemã ser derrotada pelo atleta negro James Cleveland "Jesse" Owens (1913-1980), quando desejava que só festejasse vitórias alemãs. A presidente também ficou frustrada por ter de entregar a taça a outra seleção que não a brasileira, o que seria o coroamento majestoso para uma largada retumbante à campanha eleitoral.

Acabou mesmo




Terminada a Copa do Mundo, o setor de serviços pode dispensar até 37 mil trabalhadores temporários que permaneciam empregados desde o último verão, à espera do aumento na demanda durante o evento.

Esse é o número de contratados em regime temporário que permaneciam trabalhando em junho e julho nos hotéis, bares e restaurantes das cidades que receberam jogos do Mundial, segundo estimativas da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

terça-feira, 15 de julho de 2014

As lições da Alemanha


A hoje tetracampeã Alemanha deixou no Brasil, durante a Copa, lições   que os brasileiros, cidadãos, devem meditar e solicitar logo sua aplicação dentro e fora dos gramados. Nos campos de futebol, mostrou que é preciso mais do que falar, fazer.  O que não se faz, mas se promete sempre que o Brasil perde uma Copa, ou  outra competição de futebol: criar a base. O regime ditatorial sempre incensou essa mudança, mas nunca implementou. Nem a era petista foi capaz de pensar no problema, mais envolvida em assegurar o próprio poder. Se lixou para os campinhos de várzea, tão raros hoje, que precisariam de se transformar em escolas de esporte, todos e não só o futebol, para construir cidadãos, e não obrar craques de exportação.

Mas foi fora do gramado que a Alemanha deu suas maiores lições ao país, onde pouco se liga verdadeiramente para a construção de uma cidadania, que não se faz com oba-oba de palanque. Ao instalar um centro de treinamento, construído com fundos privados, para a sua seleção, os alemães mostraram claramente ao esbanjador de fundos públicos como a iniciativa privada pode colaborar com o país sem um centavo do Erário. O mesmo centro agora vai gerar os lucros dos empresários e não se tornará nenhum elefante branco em plena Santa Cruz Cabrália. Isso além de ser um centro de turismo de alta qualidade, gerando no futuro divisas para a população local, que só terá a lucrar com a vinda dos alemães, o que nunca lucrou ou lucraria se dependesse dos governos brasileiros.

Seria já uma grande lição alemã, se não fossem outras iniciativas que a própria seleção, leia-se aí também os jogadores, proporcionou aos habitantes locais, os índios Pataxós. Para marcar de vez sua estadia em terras baianas, os alemães ainda doaram verbas para a compra de uma ambulância, que os governos estadual e federal nunca se dignaram a dar ao povo, além de dinheiro para construção de um campo de futebol e ampliação da escola.  É que na Alemanha, como qualquer país civilizado, que não sobrevive às custas de promessas politiqueiras, esporte, educação e saúde são indispensáveis para o progresso, formação de novas gerações melhores e mais bem preparadas.

Os alemães, aqui, nunca ficaram no discurso, obrando material para encher páginas de jornais. Trabalharam para conquistar a Copa como sempre trabalharam para fazer da Alemanha o país com que sonham, e até melhor, se possível. Tudo com aplicação, organização. Em nenhum momento, por já saberem da sua inutilidade, aplicaram o jeitinho brasileiro, que conta mais com a sorte e o milagre do que com o trabalho, nem mesmo se socorreram de promessas de governo.

Vieram, fizeram, conquistaram o tetra e por isso tudo mereceram a torcida e a vibração da chanceler Angela Merkel. E, sem medo de ser feliz, deu show de como se comporta com naturalidade um governante, bem ao lado de quem sempre se mostra incomodada em estar onde está com aquele bico de muxoxo.

O brado retumbante


O povo que pôs fim à ditadura, que depôs um presidente na lei e na ordem e que venceu a inflação, convivendo com duas moedas, merece uma Seleção melhor, um governo melhor, uma oposição melhor, uma classe política melhor e um futuro melhor.

Já chegou a hora de aposentar a tese de que “todo povo tem o governo que merece”. A população brasileira já passou, e passa ainda, poucas e boas. Ainda assim, acredita no futuro, recebe bem quem vem de fora, luta — a esmagadora maioria ao menos — para ganhar a vida honestamente. Merece ser governado por uma classe política mais decente.

Esse povo está cansado, sim, de empulhação, de roubalheira, de um estado que não funciona. Quando pede “escola e saúde padrão Fifa”, está despertando para o fato de que é um dos maiores pagadores de impostos diretos e indiretos do mundo, sem que o Poder Público lhe dê o devido retorno.

No escurinho dos bastidores


 Para fugir de vaias, houve uma parte do cerimonial de encerramento da chamada Copa das Copas, que ocorreu nos bastidores e não foi transmitida ao vivo. Foi quando Dilma passou o evento a Vladimir Putin, presidente da Rússia, que vai sediar a Copa de 2018. Ainda ressabiada com as vaias, que podem se refletir nas eleições, a candidata à reeleição optou pela semiclandestinidade e, mesmo longe dos olhos da multidão, não conseguiu passar naturalidade, mas mostrou grande nervosismo, com pronúncias equivocadas, pausas atônitas e reticências. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Acabou mesmo?

A "santa" protetora  dos pobres que dá ricos estádios para as elites

A Copa acabou no campo. Mas será quer acabou mesmo? Ao menos para os brasileiros, os anfitriões que tanto empenharam o otimismo e imensamente os próprios bolsos, a Copa vai render muita coisa para pagar e ainda mais para se discutir fora dos gramados, que dentro deles quem deve cuidar são os que vivem do esporte.

O governo precisa agora prestar as contas, na ponta do lápis, sobre os gastos exorbitantes, a propaganda enganosa de vender o que seria um espetáculo e um lucro para o futebol brasileiro. O desperdício foi muito maior, imensamente maior do que despejaram na mídia como conquistas.

Se não presta aquelas, o governo aproveita para despistar novamente para evitar que as derrotas em campo não façam a bola cair no colo da presidente, que vem dando cabeçada para evitar gols, até contras, em outubro. Há uma investida em se livrar da bola quente que revelaria que o time em frangalhos dos campos também se repete na administração pública.

Como uma perna de pau de time de várzea, derrotado até pelo famoso Íbis, o pior time do mundo, Dilma tem dado sinais de que tropeça a cada investida ao ataque. Escorregou, quando anunciou a necessidade de ingerência governamental no esporte como se não bastassem as bicas sempre abertas para verbas quando do interesse político. Pior ainda foi catar cavaco quando, com sua autoridade técnica, defendeu maiores oportunidades para assegurar a permanência dos craques no país. Lembrou, como sempre, falas dos tempos ditatoriais, reformas do esporte que nunca levaram a nada ou nem sequer passaram de blábláblá. E a presidenta ainda cometeu falta grave ao defender o Estado como gestor do futebol privado.

A craque dos tropeções foi mais longe ao denunciar que as vaias da abertura da Copa partiram de 90% da “elite branca” que lá estavam. A furada de bola colocou em pauta o dualismo na sociedade, algo bem ao gosto dos petistas, que defendem com unhas e dentes um trabalho contra o racismo, mas se esquecem, às vezes, e estimulam o choque racista.

Nas entrelinhas, quer dizer que o governo que defende os pobres, os negros, os miseráveis, gastou fortunas para construir estádios onde a “elite branca” poderia confortavelmente, no padrão Fifa de qualidade, assistir aos jogos? E por que não usou os bilhões para promover maior assistência aos pobres, negros, miseráveis que tanto defende? Está aí uma questão em que Dilma trocou as pernas e deu sua maior furada. Confessou a presença em massa de uma elite branca para quem fez a festança, e de quem esperava aplausos, mas recebeu o troco devido por deixar os brasileiros desfavorecidos, e negros, fora do espetáculo. 

Custo da bagunça


A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia), quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade desta bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado e o aparelho do Estado caótico.

Esta bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito Eduardo Paes e pelo deputado Alfredo Sirkis, tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro, os professores tão pouco, e os candidatos precisam ser ricos ou comprometidos com ricos financiadores de suas campanhas ou as duas coisas.

O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à presidência propondo reforma eleitoral que reduza este custo.

Você sabia?


Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição,  como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral. O volume de publicidade é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular. 

domingo, 13 de julho de 2014

A máscara do gigante


Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, e sim uma miragem que agora começa a se dissipar

Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.
(...) não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento.

Sobre a nova 'Futebras'

Nani Humor

'Elefantes brancos' só para show


O planejamento de construções da Copa, principalmente os estádios, foi bastante específico para o futebol. Cem por cento dos estádios foram única e exclusivamente para uma única atividade esportiva, afirma Paulo Roberto Masseran, especialista em arquitetura para espetáculos da Unesp em Bauru. Masseran, em entrevista ao Minuto Unesp, dá como exemplo o Mané Garrincha, ainda incompleto, que foi demolido, mas apresentava características de porte olímpico, podendo abrigar outros esportes no espaço. Segundo o especialista, restará às “arenas”, em particular nas cidades onde há pouca atividade futebolística, receberem apenas futebol e shows.

Masseran ainda comenta o caso do estádio do Pan-Americano, no Rio, outro elefante branco, inadequado para as Olimpíadas, determinando outro gasto para a construção de um outro estádio para essa competição de 2016. 


sábado, 12 de julho de 2014

O des-milagre brasileiro


O 7-1 não será assumido como uma anomalia futebolística, mas como a confirmação de um estado de coisas, de um fim de ciclo

(...) A aposta política no futebol foi de alto risco, mas ao final foi a única coisa que Rousseff podia se comprometer. Os cerca de 25 bilhões de reais investidos na festa, tão duramente criticados, teriam sido legitimados no ânimo popular com uma vitória da seleção. Como em toda aposta de alto risco, os dividendos do triunfo eram tão categóricos como as consequências que a derrota acarreta. O problema é que as autoridades nunca imaginaram um desastre esportivo de tal magnitude. O futebol é uma religião no Brasil; agora se transformará em política. Uma variável de consequências imponderáveis que não se encontra nos manuais de teoria política. Se o des-milagre econômico era mal recebido pelos brasileiros, o des-milagre futebolístico pode ser letal para a presidenta Dilma. Veremos.