segunda-feira, 14 de julho de 2014

Acabou mesmo?

A "santa" protetora  dos pobres que dá ricos estádios para as elites

A Copa acabou no campo. Mas será quer acabou mesmo? Ao menos para os brasileiros, os anfitriões que tanto empenharam o otimismo e imensamente os próprios bolsos, a Copa vai render muita coisa para pagar e ainda mais para se discutir fora dos gramados, que dentro deles quem deve cuidar são os que vivem do esporte.

O governo precisa agora prestar as contas, na ponta do lápis, sobre os gastos exorbitantes, a propaganda enganosa de vender o que seria um espetáculo e um lucro para o futebol brasileiro. O desperdício foi muito maior, imensamente maior do que despejaram na mídia como conquistas.

Se não presta aquelas, o governo aproveita para despistar novamente para evitar que as derrotas em campo não façam a bola cair no colo da presidente, que vem dando cabeçada para evitar gols, até contras, em outubro. Há uma investida em se livrar da bola quente que revelaria que o time em frangalhos dos campos também se repete na administração pública.

Como uma perna de pau de time de várzea, derrotado até pelo famoso Íbis, o pior time do mundo, Dilma tem dado sinais de que tropeça a cada investida ao ataque. Escorregou, quando anunciou a necessidade de ingerência governamental no esporte como se não bastassem as bicas sempre abertas para verbas quando do interesse político. Pior ainda foi catar cavaco quando, com sua autoridade técnica, defendeu maiores oportunidades para assegurar a permanência dos craques no país. Lembrou, como sempre, falas dos tempos ditatoriais, reformas do esporte que nunca levaram a nada ou nem sequer passaram de blábláblá. E a presidenta ainda cometeu falta grave ao defender o Estado como gestor do futebol privado.

A craque dos tropeções foi mais longe ao denunciar que as vaias da abertura da Copa partiram de 90% da “elite branca” que lá estavam. A furada de bola colocou em pauta o dualismo na sociedade, algo bem ao gosto dos petistas, que defendem com unhas e dentes um trabalho contra o racismo, mas se esquecem, às vezes, e estimulam o choque racista.

Nas entrelinhas, quer dizer que o governo que defende os pobres, os negros, os miseráveis, gastou fortunas para construir estádios onde a “elite branca” poderia confortavelmente, no padrão Fifa de qualidade, assistir aos jogos? E por que não usou os bilhões para promover maior assistência aos pobres, negros, miseráveis que tanto defende? Está aí uma questão em que Dilma trocou as pernas e deu sua maior furada. Confessou a presença em massa de uma elite branca para quem fez a festança, e de quem esperava aplausos, mas recebeu o troco devido por deixar os brasileiros desfavorecidos, e negros, fora do espetáculo. 

Custo da bagunça


A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia), quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade desta bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado e o aparelho do Estado caótico.

Esta bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito Eduardo Paes e pelo deputado Alfredo Sirkis, tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro, os professores tão pouco, e os candidatos precisam ser ricos ou comprometidos com ricos financiadores de suas campanhas ou as duas coisas.

O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à presidência propondo reforma eleitoral que reduza este custo.

Você sabia?


Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição,  como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral. O volume de publicidade é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular. 

domingo, 13 de julho de 2014

A máscara do gigante


Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, e sim uma miragem que agora começa a se dissipar

Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.
(...) não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento.

Sobre a nova 'Futebras'

Nani Humor

'Elefantes brancos' só para show


O planejamento de construções da Copa, principalmente os estádios, foi bastante específico para o futebol. Cem por cento dos estádios foram única e exclusivamente para uma única atividade esportiva, afirma Paulo Roberto Masseran, especialista em arquitetura para espetáculos da Unesp em Bauru. Masseran, em entrevista ao Minuto Unesp, dá como exemplo o Mané Garrincha, ainda incompleto, que foi demolido, mas apresentava características de porte olímpico, podendo abrigar outros esportes no espaço. Segundo o especialista, restará às “arenas”, em particular nas cidades onde há pouca atividade futebolística, receberem apenas futebol e shows.

Masseran ainda comenta o caso do estádio do Pan-Americano, no Rio, outro elefante branco, inadequado para as Olimpíadas, determinando outro gasto para a construção de um outro estádio para essa competição de 2016. 


sábado, 12 de julho de 2014

O des-milagre brasileiro


O 7-1 não será assumido como uma anomalia futebolística, mas como a confirmação de um estado de coisas, de um fim de ciclo

(...) A aposta política no futebol foi de alto risco, mas ao final foi a única coisa que Rousseff podia se comprometer. Os cerca de 25 bilhões de reais investidos na festa, tão duramente criticados, teriam sido legitimados no ânimo popular com uma vitória da seleção. Como em toda aposta de alto risco, os dividendos do triunfo eram tão categóricos como as consequências que a derrota acarreta. O problema é que as autoridades nunca imaginaram um desastre esportivo de tal magnitude. O futebol é uma religião no Brasil; agora se transformará em política. Uma variável de consequências imponderáveis que não se encontra nos manuais de teoria política. Se o des-milagre econômico era mal recebido pelos brasileiros, o des-milagre futebolístico pode ser letal para a presidenta Dilma. Veremos.

Quando pagaremos?


A festa acabou, E agora, Josés? Vocês já calcularam o prejuízo? Essa conta não se pagará em crediário.
Durante um mês os aeroportos funcionaram mesmo inacabados, houve mobilidade urbana apesar de nem 10% das obras estarem prontas. O país se esmerou e empenhou tudo dentro do governo . E deu certo. Ou quase. Mas existe uma conta que não fecha.

Até vilarejos a léguas das sedes fecharam portas, deram feriado e ponto facultativo a seus comissionados. A farra foi tanta que esbanjaram em telões e shows para exibir jogos do Brasil ao populacho nessas vilas. Tudo com o financiamento popular, dinheiro que serviria para obras públicas fundamentais, educação e saúde. Quem vai pagar a esbórnia que políticos promoveram de olho em outubro?

O governo de d.Dilma se aplicou em divulgar lucros exorbitantes, empregos em penca e melhorias com o padrão Fifa. O Centro Aberto de Mídia foi uma verdadeira máquina com produção diária de releases divulgando os grandes sucessos da Copa. Foi o show dos milhões e bilhões como anunciou até uma geração de R$ 30 bilhões à economia. No entanto, não há livro-caixa para conferir o que o país lucrou.

Certeza é que a Copa foi um milagre brasileiro, mais um. De ser o único país até hoje a lucrar com grandes eventos esportivos, fato que não aconteceu, com o perdão da palavra, nem com a Alemanha. O que acontece só mesmo no Brasil, aquele deitado em berço esplêndido, de onde jorram os mananciais da dinheirama pública para regalo dos políticos, ainda mais em véspera de reeleição.

Podem agora os especialistas até afirmarem que não haverá um efeito Copa em outubro. Analisam outras Copas, outras derrotas, mas se esquecem de quanto foi especialíssimo este evento para o país, que gastou fortunas e durante um mês envolveu o governo de tal forma que se esqueceu até de governar. No embalo, aproveitou para distribuir benesses eleitoreiras. O país ficou inteiramente em recesso como os parlamentares, mas precisou trabalhar para pagar as contas, o que não aconteceu com os meliantes das casas legislativas.

A derrota na Copa em casa pode pesar mais do que calculam, porque o país também perdeu dinheiro que será o contribuinte a recolocar tudo em caixa. Algo que os marqueteiros governamentais querem afastar da imagem santa da presidente. Afinal Copa e Olimpíadas, no Brasil, foram ideia de alguém muito esperto e louco para usufruir de juros eleitorais com sua tacada. Como surgiu uma Alemanha no meio do caminho, o jeito é tirar da reta o governo e deixar a contar se pagar por si mesma. Ou seja, o débito fica para aquelas crianças que choraram a derrota e, quando forem cidadãos produtivos, começarão a pagar o choro de hoje.          

Comensais


'Vencedores e perdedores' na economia


Quando a última bola rolar em campo, neste domingo, a Copa do Mundo terá deixado vencedores e perdedores também na economia.
Apesar das promessas do governo de que o evento geraria milhares de empregos e ajudaria a impulsionar a economia, ainda não está claro qual será seu impacto geral nesta área. Consultorias sondadas pela BBC Brasil, como a Tendência e a Capital Economics, preveem um efeito nulo ou insignificante sobre o PIB.

Mas se o saldo total do torneio ainda é incerto, está cada vez mais evidente que alguns setores devem comemorar a "taça" das vendas, enquanto outros amargarão resultados mais fracos.

Entre os mais beneficiados, segundo o economista Juan Jensen, da Tendências, estão negócios ligados a segmentos de lazer e turismo, como bares e os hotéis das cidades-sede. Produtores de cerveja e fabricantes de televisores também saíram ganhando. E ainda na fase de preparação para os Jogos, grandes empreiteiras lucraram com as obras ligadas ao Mundial.

Do lado dos perdedores parecem estar a indústria em geral e o varejo não ligado ao torneio - que sofreram com os feriados e paralisações provocados pelos Jogos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

As frases

Nani Humor

Ser ou não ser

"Ser contra a maioria. Ter uma opinião própria e aguentar. O conforto e a defesa do grupo, do bando, do correligionário. Estar só, privado do suporte para a nossa opinião e a nossa glória durante uma vida inteira. Porque uma reputação é feita pelos outros. E os outros fazem-na enquanto existe o motivo dela, ou seja o reputado"
Vergílio Ferreira 

Querem também aparelhar o futebol

Os homens de governo, os que têm a responsabilidade dos destinos
dos povos, devem abster-se de proteger os clubes esportivos, sobretudo os nossos
Lima Barreto, Feiras e Mafuás

Numa corrida em defesa da presidente, dentro do esquema tático de retranca em torno da candidata, Aldo Rebelo (PCdoB), agora conclama que o governo “não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”. Grande financiador da Copa com quase R$ 10 bilhões públicos investidos para uma competição de financiamento inteiramente privado, como foi anunciado, o governo agora tenta outra jogada nesta prorrogação da derrota para os alemães.

O ministro sugere o aparelhamento do esporte que em boa parte, como admitiu, financia sem quase nenhuma ingerência na regulamentação e na gestão dos clubes. Para Aldo, apenas agora "o futebol e o esporte são matérias de interesse público", e o Estado deve "retomar algum tipo de protagonismo" nessa questão.
Mesmo sabendo de tal situação, o próprio governo, sob o comando de Aldo Rebelo literalmente abriu as pernas para a Fifa, que lucrou bilhões livres de impostos, e para suas “exigências”. Foi o porteiro comunista que escancarou as portas do país para a monopolista Fifa, em nome do povo, para o povo, pelo povo, que paga muito bem porteiros dessa laia.

Com que caráter o mesmo vai defender uma gerência maior sobre o futebol e outros esportes se escancara o país em nome de grandes eventos esportivos só para ter a primazia de capitalizar os juros eleitorais? É mais uma cortina de fumaça para esconder os interesses escusos que fizeram o PT, aliados e seu guru supremo defenderem essas competições como alavancadoras do progresso. Pílula dourada que os brasileiros terão de pagar agora a peso de ouro.

A coletiva do ministro só reforçou nas entrelinhas que a Copa foi um evento inteiramente dedicado a reforçar a administração petista e de aliados, como o PC do B do ministro, para assegurar com vantagens o continuísmo de poder. Ninguém é burro o suficiente para ignorar que esses eventos esportivos, que tanto serviram a ditaduras no passado, não seriam usados pela pseudo democracia do presente para louvar seus governantes. Ou ainda acham que Lula só trouxe a Copa para dar um Itaquerão de graça ao Coríntians, seu clube de coração que não tinha estádio?


A defesa do ministro de um aparelhamento do esporte - contrário à liberalização e privatização dos clubes como nos Estados Unidos, Alemanha e outras democracias – abre brecha para as aberrações que já são criadas pelos governos petistas. Como a daquele prefeito, torcedor do Vasco, que doou área pública na margem lagunar para seu clube do coração instalar um centro de treinamento. A doação, aprovada pelos vereadores, foi feita em nome de se oferecer uma escolinha à garotada local, quando se sabe que CT é um espaço particular. Em suma, o aparelhamento proposto pelo ministro bem pode ser mais um atalho para “iniciativas” dessa laia para privilegiar uns e outros dos governos. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pra um, tudo; pra milhares, migalhas

Dilma faz gesto de apoio a Neymar, mas esqueceu de lembrar nas redes sociais o sofrimento de milhares de desabrigados no Sul. Aliás, é uma característica da presidente que só vai a desastre às vezes até com 40 dias de sofrimento. Mas nem pensar em pisar no molhado.

(E lembrar da primeira-ministra da Austrália que no dia seguinte de uma grande inundação já estava na área com um exército de ajuda, mantimentos, socorro)

Quem se defende


Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
Bertold Brecht

Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo

Cerca de 7,5 milhões de adultos não sabem ler e escrever no país

A Alemanha é o país dos grandes filósofos, escritores e... analfabetos. Uma pesquisa divulgada na semana passada revela que 7,5 milhões de alemães não sabem ler e escrever. Segundo Urda Thiessen, professora de alfabetização para adultos entre 18 e 64 anos de idade, o sistema alemão favorece os melhores e oferece poucas chances aos mais fracos. Quem termina o primeiro ano escolar sem saber ler ou escrever corre o risco de ficar analfabeto para sempre.

— No sistema de educação regular, não há nenhuma chance de recuperação desse déficit no início do período escolar, provocado muitas vezes por doenças ou crises familiares, como a separação dos pais — diz Thiessen.

Frequentemente, os analfabetos têm um QI normal ou até mais alto do que a média da população. Quer dizer, eles não deixaram de aprender a ler por falta de inteligência, mas sim por problemas que não foram observados pelo professor.

— Na Alemanha, há escola gratuita para todos, mas os professores da escola primária, em classes com 30 ou mais alunos, não têm tempo para se ocupar com alunos problemáticos — explica.

 Apenas começamos a atacar o problema de frente — diz, embora a associação onde trabalha exista há mais de 20 anos.
Urda Thiessen

  Leia mais Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo


E naquele país lá embaixo...

Um relatório divulgado este ano pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que o Brasil aparece em 8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o estudo avaliou a situação de 150 países.

De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e divulgada em setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos no país.

Nos tempos de Cinelândia

Um dos grandes números dos musicais cinematográficos, refilmagem de “Gold Diggers of 1935” com Fred Astaire e Ginger Roger’s. Nessa nova produção Gene Nelson e, principalmente, Doris Day fazem o espetáculo em “Lullaby of Broadway”  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Governo mexe pra ficar bem na foto

Ideia é explorar imagem da presidente vinculada somente à organização do evento

A humilhante derrota do Brasil na Copa do Mundo, fora de qualquer prognóstico, acendeu, no Palácio do Planalto, o alerta sobre o efeito político do 7 a 1 na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Se até o momento Dilma estava explorando politicamente as vitórias da seleção brasileira, a estratégia agora é tentar colar sua imagem apenas à organização do evento, considerada um sucesso pelo governo.

Logo após a derrota, a presidente tentou se colocar como uma torcedora comum, afirmando por meio de sua conta no Twitter que estava “muito, muito triste” com a derrota da seleção brasileira, e tentou passar uma mensagem de motivação para a população.

O perfil institucional do Palácio do Planalto no Facebook adotou imediatamente a linha de defender a organização do evento: “Valeu Brasil! Vamos continuar mostrando ao mundo que, mesmo sem nossa seleção na final, batemos um bolão fora de campo”.

O perfil da presidente Dilma no Facebook, que é administrado pelo PT, foi ainda mais explícito: “Perdemos a taça, mas a #copadascopas é nossa”, afirmou, repetindo o bordão adotado pelo governo para referir ao Mundial.

Imagem do Dia

Pra frente, Brasil!

A ovelha negra


Em um país distante existiu faz muitos anos uma Ovelha negra.

Foi fuzilada. Um século depois, o rebanho arrependido lhe levantou uma estátua equestre que ficou muito bem no parque. Assim, sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente passadas pelas armas para quer as futuras gerações de ovelhas comuns e vulgares pudessem se exercitar também na escultura.
Augusto Monterroso (1921-2003), escritor hondurenho

Os desiludidos da República


Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda
A proximidade das eleições permite uma breve reflexão sobre o processo de formação de uma cultura política democrática no Brasil. A República nasceu de um golpe militar. A participação popular nos acontecimentos de 15 de novembro de 1889 foi nula. O novo regime nasceu velho. Acabou interrompendo a possibilidade de um Terceiro Reinado reformista e modernizador, tendo à frente Isabel como rainha e chefe de Estado e com os amplos poderes concedidos pela Constituição de 1824.

A nova ordem foi edificada para impedir o reformismo advogado por Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay e André Rebouças, que incluía, inclusive, uma alteração no regime de propriedade da terra. Os republicanos da propaganda — aqueles que entre 1870, data do Manifesto, e 1889, divulgaram a ideia republicana em atos públicos, jornais, panfletos e livros — acabaram excluídos do novo regime. Júlio Ribeiro, Silva Jardim e Lopes Trovão, só para recordar alguns nomes, foram relegados a plano secundário, considerados meros agitadores.

O vazio no poder foi imediatamente preenchido por uma elite política que durante decênios excluiu a participação popular. As sucessões regulares dos presidentes durante a Primeira República (1889-1930) foram marcadas por eleições fraudulentas e pela violência contra aqueles que denunciavam a manipulação do voto.


O processo eleitoral reforça este quadro de hostilidade à política. A mera realização das eleições — que é importante — não desperta grande interesse. Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda. De que toda eleição é sempre igual, recheada de ataques pessoais e alianças absurdas. Da ausência de discussões programáticas. De promessas que são descumpridas nos primeiros dias de governo. De políticos sabidamente corruptos e que permanecem eternamente como candidatos — e muitos deles eleitos e reeleitos. Da transformação da eleição em comércio muito rendoso, onde não há política no sentido clássico.

Leia mais "Os desiludidos da República", de Marco Antonio Villa

E se o Brasil fosse mais do que uma Copa?

As vitórias das novas Copas sociais e políticas, que toda a sociedade deve disputar, serão as que colocarão este país nos trilhos da verdadeira modernidade.

O Brasil do futebol se apagou entre milhões de lágrimas, mas este país é hoje mais do que a alegria de uma bola marcando gols. O Brasil tempos atrás, em uma tarde nefasta como esta em que escrevo, mais negra talvez do que a do maracanazo de 1950, teria sido um país em total depressão. Hoje pode talvez estar indignado com Felipe Scolari ou com raiva contra aquele que deixou Neymar de fora da Copa, mas esta noite os brasileiros não se atirarão pela janela.

Haverá quem queira fazer de bode expiatório da tremenda derrota o jogador colombiano que empurrou o herói Neymar. Não é o caso, é que simplesmente o Brasil não conseguiu jogar, foi dominado pelos alemães.

E se fosse verdade, o que não é, que a derrota teve origem na ausência do ídolo Neymar, o Brasil tem de recordar as palavras de Bernard Shaw: “Desgraçados os povos que necessitam de heróis”. Referia-se aos que continuam depositando sua fé em seus caudilhos mais do que na força e criatividade de seus povos, dos não heróis, ou melhor, dos heróis anônimos, os que se forjam na luta dura do cotidiano, os que sustentam nas suas costas, com seu trabalho, o peso da nação.


Os brasileiros deveriam agora ser capazes de ver nessa derrota a luz no final de um túnel para fazer deste maravilhoso país não só o salão do futebol mundial, mas uma oportunidade de bem-estar e justiça para todos, onde o futebol, como nos países já desenvolvidos, possa ser somente um jogo que às vezes nos faz tocar o céu e outras nos devolve tristes à vida real, que é a que conta. 

Leia mais o artigo de Juan Arias "E se o Brasil fosse mais do queuma Copa?"

terça-feira, 8 de julho de 2014

Marinha

Emiliano Di Cavalcanti (1897 - 1976)

Lance a lance, tudo igual


O futebol toma o país, e com ele toda nossa hipocrisia. Vibramos em estádios superfaturados, torcemos por vitórias que não levam a nada em nossa melhoria social, mas nos esbaldamos com o orgulho de ser brasileiros. Ufanistas desde criancinhas com a mentirinha de que aqui é o país do futebol, quando já deixou há muito de ser. O último grande futebol apresentado em Copas, aplaudido de pé como maravilhoso, aconteceu há 30 anos, e ainda assim foi derrotado.

Também já não detemos mais nenhuma liderança em estádios, que mesmos sem padrão Fifa não conseguem ser enchidos pela paixão nacional. Perdemos longe para os Estados Unidos, que estão lotando seus estádios com o “soccer”. Aqui ainda há apenas 1% de mulheres registradas como jogadoras, mas lá elas já são 40% das registradas.

Vivemos de clichês alimentados pela mídia, que “joga pra cima” como bem conhece quem labutou nas redações esportivas. Sobra farofa no que servem. E o brasileiro fica entupido de misturar a farinha ao chope da festa que se esparrama como se vivêssemos num país dos paraísos. Enche a boca e bate no peito de melhor do mundo, que deixou de ser e não sabe, porque não interessa a seu egocentrismo. Mais vale a fantasia, que esconde tudo de todos e a cara de uma realidade de desastres, de infortúnios.  

As explicações, ou o que se entende como desculpas pelo pouco jogo apresentado, ou o ufanismo da última vitória, são ingredientes muito usados também no campo político. Tudo é o óbvio, mas que os jogadores e comissão técnica da seleção brasileira defendem como observações inteligentes. Tal no campo como no Planalto. Pareceram nas coletivas de imprensa estar jogando para uma plateia de eleitores como no jogo político.

O espetáculo das coletivas mostra o quão vazios, ou cretinos, somos em futebol como em política quando temos que dar explicações. Dessas fugimos como o diabo da cruz para não nos embananar nas respostas e perder o eleitorado.

À exaustão, falam do ídolo, contundido, pedem a cabeça do adversário “criminoso”, quiçá querem até sua extradição para julgamento popular em praça pública. Pois somos ridículos, e até racistas, quando defendemos o que apelidaram de país, ou os “ídolos” nacionais, mas não nos mexemos para salvar a Pátria e a pele dos compatriotas quando os políticos esculhambam tudo até as empresas criadas com o suor do trabalhador, se lixam para a saúde, brincam de oferecer educação.

Como no futebol, tentam de todas as formas driblar o público em arenas políticas espalhadas pelo país a custos exorbitantes como os estádios modelitos Fifa, que refletem muito bem os gigantes espalhados pela ditadura para exaltar o futebol pós-Copa de 1970. Ou já se esqueceram dos Geraldões e Castelões construídos na época para exaltar o famigerado Pra frente, Brasil?

Embora muitos defendam que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, aqui se misturam as coisas. A Copa, fora de torneio de futebol, tem servido, e muito bem, para escusos interesses eleitoreiros. Ou o governo não já está tirando seus lucros para investir nas eleições? E pode ser a competição o fiel da balança para assegurar o continuísmo. 

A Copa não é dela

"Mas nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha. Sem computar o legado muito aquém do prometido: das 100 obras previstas, mais da metade não estão prontas e 20% ficaram para as calendas"

Ataque à mídia

"Agora, com o Estado aparelhado, o Congresso ameaçado pelo decreto de Dilma que inaugura a governança via conselhos, obviamente controlados pelo governo, e a imprensa fustigada, o lulismo mostra sua verdadeira cara: o rosto do caudilhismo"
Leia mais o artigo Ataque à mídia, de Carlos Alberto Di Franco 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Diferença fundamental



Não basta
que os pobres te conheçam
e te saibam o nome:
É importante
que tu os conheças
e lhes saibas a história
e lhes saibas o nome


D. Hélder Câmara (1909-1999)

A periferia na televisão brasileira


A quase ausência de negros e mestiços nas arquibancadas dos estádios reproduz um fenômeno muito antigo: a invisibilidade dos pobres

A imprensa internacional já se deu conta da discrepância entre a composição racial brasileira e os rostos que vemos pela TV nas arquibancadas dos estádios, durante os jogos da Copa. A julgar por essas imagens, os desavisados poderiam até pensar que o Brasil é um país de brancos.

Na verdade, a quase ausência de negros e mestiços nas arquibancadas dos estádios reproduz um fenômeno muito antigo: a invisibilidade dos pobres na televisão brasileira.

Até a década de 1970, a TV se voltava a um público quase exclusivamente composto pelas elites e classes médias altas. As tramas e ambientes da telenovela, por exemplo, tinham uma clara função pedagógica: dizer como deviam se comportar e consumir os membros daquelas classes, tanto os mais antigos quanto aqueles que ascendiam socialmente aproveitando-se dos postos de trabalho e oportunidades de negócio abertos pela intensa modernização capitalista do período.

Elites vermelhas


Lula inventou uma bizarra luta de classes, em que não são os pobres que odeiam os ricos por sua opressão, exploração e privilégios, são os ricos que não suportam que os pobres comam, tenham um teto e, suprema afronta, viajem de avião pagando em dez vezes.

E não se contentam em explorá-los e desprezá-los, amam odiá-los, logo eles, que vão consumir os bens e serviços que os ricos produzem para ficarem ainda mais ricos. Isso não é coisa de rico, é de burro, e Lula, rico, de burro não tem nada.

Com o país vivendo uma era de prosperidade desde o Plano Real, os três governos petistas não só tiraram milhões da miséria e alçaram milhões da pobreza à classe média, como criaram uma nova classe de ricos, ocupando milhares de cargos no governo, nas estatais, nos estados e nas prefeituras. É o pleno emprego, partidário.

A taça é deles (e a conta é nossa)

"A Copa no Brasil tem tido jogos realmente emocionantes. É o triunfo do único inocente nessa história — o futebol. Viva ele. Os zumbis que ficavam gemendo pelas ruas que “não vai ter Copa” sumiram na paisagem do congraçamento das torcidas.
Mas é claro que isso será entendido pela geleia geral brasileira como... gol da Dilma! É a virada dos companheiros, a vitória dos oprimidos palacianos sobre as elites impatrióticas etc. A taça é deles. E a conta é nossa.
Se você não suporta mais essa alquimia macabra, que faz qualquer sucata populista virar ouro eleitoral, faça como os atletas do Felipão: chore.
A taça é deles (e a conta é nossa)"

sábado, 5 de julho de 2014

Legado da Copa


Depois do tiro se desenha o alvo

   

 Nos velhos alfarrábios sempre há parábolas que nos ensinam mais do que se pensa. Pequenas pérolas podem nos fazer pensar muito até sobre certos gestos de chamados grandes homens, ou como são adjetivados na mídia de hoje. E mesmo tanto tempo passado estão elas a nos advertir sobre as aparências que podem enganar.
     Conta uma velha história que o imperador do Japão, em visita às províncias, encontrava em cada cidade um alvo com uma flecha cravada bem no meio. Intrigado e curioso por conhecer o emérito arqueiro, soube pelas autoridades locais que esse era apenas um idiota.
- Idiota? Mas como um imbecil pode disparar com essa habilidade um arco?
    E qual não foi sua surpresa ao descobrir o “segredo” do extraordinário arqueiro:
- Primeiro ele dispara a flecha. Depois desenha o alvo.
(Qualquer semelhança não é mera coincidência em se tratando de Brasil)

'Depósito humano' de mendigos acumula denúncias no Rio

     

Um verdadeiro "depósito de seres humanos". É como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro se refere ao Abrigo Rio Acolhedor (Paciência) – cujas funções seriam o acolhimento e reinserção social da população em situação de rua – após o local acumular ações judiciais e denúncias de falta de higiene, transmissão de doenças, superlotação e negligência.
     Em funcionamento há três anos, o abrigo pode estar prestes a ser alvo de nova petição do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que insiste no fechamento total após uma polêmica visita às instalações no início de junho que verificou uma série de irregularidades.
     Entre elas estariam a presença de percevejos nos colchões - responsáveis por lesões de pele -, insalubridade, falta de encaminhamento dos abrigados para programas de trabalho, banheiros sem portas, falta de protocolos de atendimento ambulatorial e mau estado das instalações de forma geral, além da presença de insetos e baratas.

Haja máscara para se tirar

     Aos poucos, voltamos a tirar a máscara. A Copa vai-se esfumaçando e deixa a reluzir novamente nossa cretinice. Os focos da mídia já não são tantos para jogadores e torcida e assim afloram aqui e ali esses sinais de sem-vergonhice padrão Brasil. Ainda pequenos em espaço, mas sem dúvida bem significativos dessa cultura sempre babosa pelo poder.
     O governo solta foguetório para um país livre de mazelas, que é só festa, onde tudo funciona bem e cretinos são os que querem lembrar que a realidade do desprezo com a população não muda. Faltam remédios, inclusive para tuberculose, com graves riscos para os doentes. Mas que problema tão reles para uma presidente que inaugura casa por videoconferência, a R$ 2 milhões pela publicidade e mais R$ 1 milhão para espalhar sete ministros em aviões da FAB para os locais de inauguração?
     A mesma ladainha não voltou, apenas esteve em pausa com as doses cavalares de um futebol a trocar as pernas em campo. Se faltou mais garra no gramado, a “segurança” esbanjou e até se esmerou internamente no ataque contra “revoltados” sentindo o peso do cassetete – ah, os velhos tempos de volta! Nem faltou uma agressão desmedida a jovem universitária no metrô, que de vítima virou ré. “Parece que vivemos em um estado de exceção”, declarou a estudante “Joana”, sem nome para não ser identificada. Voltamos ao tempo do codinome para não sofrer com o tacão das botas?

     O país é o mesmo de sempre, apesar da cantoria de que mudou para melhor, porque “eles” assim quiseram e fizeram. Pois sim! Aos poucos tudo retoma à normalidade no quartel de Abrantes. Os políticos presos e condenados já não são tão perigosos à sociedade e bem podem desfrutar das regalias que o poder oferece. Como reocupar cargos, trabalhar (sic), serem cidadãos honestos e cumpridores da lei, mesmo que seja com o requinte de carro de luxo com chofer para levá-los ao trabalho (?), onde continuarão a comandar, mandar e desmandar, sobre a sujeira política de sempre para infelicidade geral da nação. Como assim já fizeram bem protegidos pelas grades do xadrez de onde comandaram mexidas políticas no melhor estilo dos chefões do tráfico.      

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Será?


Estupidez sagrada


Leve para longe de mim essa inteligência perigosa, porque minha estupidez é sagrada
(De um pequeno conto árabe sobre a inteligência e a burrice)


Deveriam os corruptos devolver o que roubaram?


Se o Brasil levasse a cabo essa revolução, estou certo de que sua imagem mundial sairia muito mais engrandecida do que se ganhasse várias Copas juntas
     O Papa Francisco introduziu um novo elemento, revolucionário, eu diria, na luta contra a corrupção, ao dizer que não basta "aos políticos, empresários e religiosos corruptos" pedir perdão: eles devem "devolver" à comunidade o que roubaram.
     O papa fala aos cristãos e diz aos corruptos que já não é suficiente pedir perdão a Deus, precisam devolver o fruto da corrupção. A Igreja antes de Francisco absolvia esses pecadores, mas não lhes impunha, como penitência para poderem ser absolvidos, devolver o fruto de seu pecado.
     Se, de acordo com Francisco, os cristãos que se apossam do dinheiro público em qualquer das esferas do poder têm agora a obrigação de devolver o roubado, não poderia e deveria a justiça civil exigir o mesmo dos condenados por corrupção? Hoje, em quase todo o mundo, basta os condenados por corrupção passarem, no melhor dos casos, meses ou anos na prisão para, depois, saírem e continuarem tão ricos como entraram.
Leia mais o artigo de Juan Arias 

Brasil ainda demora para alcançar os ricos

Aumentar a produtividade é um dos desafios para países em desenvolvimento

     Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 dos países mais industrializados do mundo, afirma que o Brasil não conseguirá atingir o nível de renda média dos países desenvolvidos até 2050 caso sejam mantidas as taxas de crescimento atuais.
     A previsão distancia o Brasil de outros países cujo crescimento chamou atenção nos últimos anos, como a China. Segundo o relatório, China, Panamá e Cazaquistão estão no caminho certo para equiparar sua renda à de países desenvolvidos nos próximos 35 anos.
    Assim como o Brasil, ficaram para trás o México, Colômbia e a África do Sul, entre outros.
"Muitos dos países que esperávamos que se aproximariam das economias avançadas até a metade do século não vão conseguir com as taxas de crescimento de hoje", disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.