Pesquisa recente de opinião sobre as preocupações da população indica que em primeiro lugar está a violência (27%), seguida da corrupção (20%), dos problemas sociais (18%), da saúde (13%), da economia (9%) e, em último lugar, da educação (6%). Essa hierarquia mostra a lucidez da população no momento da pesquisa. Mas, se no lugar da foto fizermos um filme, a ordem se inverte. A luta contra a violência imediata depende da ineficiência do aparato policial e jurídico para reprimir e punir o crime, inclusive de menores de idade — mas também depende da qualidade e universalização da educação básica.
A saúde é muito mais urgente que a educação e depende de saneamento e da atenção médica, mas a pessoa educada cuida melhor da própria saúde e da saúde pública. A desigualdade no acesso à educação provoca ou acirra a desigualdade social, que, por sua vez, pressiona a violência nas ruas como meio de sobrevivência. A corrupção depende da impunidade com os corruptos eleitos, mas há uma correlação direta entre a universalização da educação e a prática política com valores éticos na escolha de prioridades e na conduta dos políticos.
Embora o emprego dependa do crescimento econômico e este dependa da infraestrutura eficiente e da estabilidade jurídica e monetária, sabe-se que a produtividade e a competitividade dependem do grau de educação da população e que uma pessoa educada tem mais chances de conseguir emprego. O desequilíbrio ecológico decorre de um propósito equivocado de crescimento e da falta de regras para um sistema econômico em harmonia com a natureza. Mas o desenvolvimento sustentável depende, sobretudo, de uma mudança de mentalidade proporcionada pela educação. A soberania precisa de Forças Armadas preparadas, mas, em sua base, está o povo educado. É difícil haver soberania efetiva com população despreparada e até incapaz de reconhecer a inscrição “Ordem e Progresso” na bandeira nacional.
Cada problema depende de outros fatores — o atraso científico e tecnológico decorre da falta de qualidade do ensino superior e da estabilidade no financiamento de pesquisas; a instabilidade democrática decorre da falta de solidez das instituições; o combate à pobreza depende de transferências de renda e da estabilidade monetária — mas a solução para esses problemas requer também educação para todos. Quando conhecemos a história, percebemos que a ausência da educação está na origem e na continuidade de todos os problemas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário