É inútil a tentativa de colocar em campos opostos e conflitantes o trabalho do capital, este é trabalho acumulado, portanto com interesses complementares. O verdadeiro e inconciliável conflito ocorre entre processo produtivo (trabalhadores e empresários) e burocratas/políticos – ou produtores de riqueza e predadores da riqueza gerada, que só será superado pela separação entre governo e economia.
Fortalecer a demanda agregada através de impostos e taxas, apenas transfere recursos sob a invariável lei de mercado para o questionável domínio da vontade humana. Cria-se mais empregos na burocracia de governo, subtraindo aqueles da iniciativa privada, ou ainda, cria-se um grande sistema parasitário, totalmente sustentado com os nossos impostos. Algo como:“tudo pelo povo, mas sem o povo” ou despotismo esclarecido.
Aqueles que defendem manutenção de empresas sob controle do governo não são de direita nem esquerda, são, em minha opinião, ideólogos do atraso.
“Aquele que deseja paz e harmonia nas relações humanas deve sempre lutar contra o estatismo.” Ludwig von Mises
“O arranjo de bens e serviços que o estado atualmente oferta pode ser dividido em dois subconjuntos: aqueles bens e serviços que devem ser eliminados e aqueles que devem ser privatizados.” Murray N. Rothbard
A Decisão de políticos em assuntos de economia são invariavelmente equivocadas, não que seja ligeiramente errada, são erradas em seus fundamentos, trazem profundos impactos na vida das pessoas pois políticos imaginam ser possível gerenciar preços como se isso fosse um número arbitrário passível de manipulação pelo governo sem consequências na vida econômica. A definição de salario mínimo é um exemplo incontestável desta impossibilidade – políticos bem intencionados querem que as pessoas ganhem mais, porém a nefasta consequência disto é a perda de empregos para aqueles sem qualificação, exatamente os que mais precisam.3
Temos que nos curvar a verdade inexorável: economia obedece leis que não podem ser manipuladas e sequer gerenciadas. Esse é o motivo pelo qual regimes ditatoriais geram enorme frustração na sua população, e populistas de toda ordem se elegem propondo milagres inalcançáveis. Reconhecer isto constitui importante passo na busca de soluções: a economia não obedece vontade humana. Ditaduras ou regimes de força só são defendidos por aqueles que gostariam de estar do lado do cabo do chicote; se estiverem do outro lado, defendem a democracia com toda convicção.
Assistimos atualmente, perplexos e impotentes, a atuação do mundo politico em fraudes, abusos, negligência profissional ou crimes contra a economia com profundo impacto na vida de milhões de vitimas inocentes.
Especialistas e intelectuais com muita frequência e injustamente apontam o dedo para os homens de negócios como os responsáveis pela miséria, frustrações e desapontamentos da atual condição humana. Nada mais injusto e longe da verdade. Homens de negocio operando no livre mercado ganham dinheiro satisfazendo a necessidade dos outros, totalmente distinto de políticos e burocratas que não desdenham, em certos casos, parceria com fraude, trapaça e corrupção. Um CEO ou executivo de empresa é apontado pelos méritos e resultado ao invés de promessas inúteis e mentiras de políticos. Enfim, nada mais digno e moral do que manter um nível de vida através de votos dos consumidores que, em última analise, são decisivos na manutenção de empresas operando no livre mercado – cada centavo gasto num supermercado são votos dados e estímulos para planejar a produção e distribuição de bens e serviços. Homens de negócio trazem progresso e empregos, ao contrario de políticos que asfixiam com impostos e paralisam o progresso. Investidor deve ser recebido com tapete vermelho, algo muito importante para a geração de empregos. A liderança empresarial abrange integridade, disciplina e qualidade de caráter ao enxergar e atender as necessidades da comunidade.
A grande miopia que ainda domina a mente obtusa de certos intelectuais é imaginar que economia tem nacionalidade – como se buscar ganhar dinheiro em qualquer lugar que isto seja permitido fosse um problema. Imaginar nacionalidade para economia é semelhante a supor que a lei de gravidade só vale para determinados países!!!
Apenas no livre mercado a democracia se exercita, com interferência de governo o sistema converge para autocracia, onde a sorte de governados depende da virtude de governantes.
Consenso e não coerção é a marca registrada do livre mercado, onde consumidores de forma voluntária podem dizer sim ou não para uma oferta ou troca de bens e serviços, com regras simples: não roubar, não matar e não trapacear, ao contrario do mundo politico. Humildade, honestidade e liberdade são as únicas formas de vencer no mundo competitivo de livre mercado, estrada ética para a dignidade humana e mútua prosperidade.
Vejamos como podemos separar politica de economia:
O trabalho humano é um processo de transformação de energia: para que possa manifestar-se a energia humana: nutrição, saúde e educação devem ser asseguradas a priori e não como pagamento do trabalho executado. Tal como o veículo precisa de combustível e manutenção para trafegar.
Estes três setores constituem a interferência considerada legítima do governo na economia: governos do mundo inteiro, quer socialistas quer capitalistas, precisam subsidiar de alguma forma a agricultura (nutrição), saúde e educação, em outras palavras, são estes setores que igualam oportunidades em qualquer sociedade. Um novo Pacto social onde estes três setores passem a ser de responsabilidade do processo produtivo privado, comprados a livre preço de mercado e com a redução da tributação correspondente. Com isto teremos a almejada separação entre economia e politica, a partir dai, laisser fare, laissez passer – livre mercado agindo de forma ampla, abrangente e livre – pleno emprego produtivo é o fiador deste Pacto Social.
Em 1758, Francois Quesnay, um dos lideres dos fisiocratas, combinando seus conhecimentos de agricultura e medicina apresentou ao rei Luis XV sua tabela econômica mostrando a interdependência e fluxo de bens e dinheiro através dos vários setores da economia: agricultores, proprietários de terras, industriais e comerciantes. De acordo com o Conselho de Quesnay ao rei de França Luis XV: não há necessidade do governo regular preço dos bens e serviços, somente a competição pode regular preço com justiça. Nada mais atual do que seguir este sábio conselho de Quesnay. – deixe o ser humano livre para tomar suas próprias decisões.
A iniciativa privada não apenas é mais competente para produzir automóveis ou eletroeletrônicos, mas também para a gestão de saúde e educação. É uma miopia politica deixar isto nas mãos do governo, pois pela importância destes setores, a iniciativa privada deve ser o mecanismo para produção destes serviços essenciais.
“Ninguém gasta o dinheiro dos outros com tanto cuidado como gasta o seu próprio. Se quisermos eficiência e eficácia, se quisermos que o conhecimento seja bem usado, isso precisa ser feito por meio da iniciativa privada.”Milton Friedman
Com iniciativa privada atuando, estudantes e famílias deverão ter total liberdade de escolha da profissão, agregando uma conexão indispensável – empresário só vai investir na formação de profissionais que interessam ao processo produtivo.