quarta-feira, 2 de julho de 2014

A bola da ordem

A bola que precisamos segurar

Por onde começar


Não devemos começar do fim para o começo, isto é, pela reforma dos governos e métodos políticos. Devemos, sim, partir do começo para o fim, vale dizer, pela construção de nossa personalidade, se queremos ter novamente grandes homens e verdadeiros gênios que nos assegurem algum futuro

Hermann Hesse

Anoitecer

Oswaldo Goeldi (1895 1961) foi desenhista, ilustrador, gravador e professor brasileiro.

Publicidade de 'Minha Casa' sobe para 800%


No orçamento da publicidade do governo federal, valores empenhados até o fim de setembro já superam o total de 2012
          O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para fazer propaganda dele.

     Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MT), mostram a repentina elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado 15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 823% na comparação com todos os gastos de 2012 – e de 5.900% em relação a 2011.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa: O poder também está em jogo


Enquanto os brasileiros estão nos estádios, os partidos oficializam as candidaturas
     No dia 27 de maio, quando Enrique Peña Nieto despediu-se da seleção mexicana que iria ao Rio de Janeiro, ele fez com que os jogadores jurassem à bandeira em um ritual de Estado. O fato inusitado confirma que o futebol é um dos fatores mais eficientes para agrupar uma identidade coletiva. Por isso, os técnicos criam metáforas com a nacionalidade. Os político buscam servir-se desta empatia para ganhar votos. Mas, como está demonstrando a Copa do Mundo no Brasil, nem sempre essa tática funciona.
     Quando conquistou para seu país o direito de receber a Copa e a Olimpíada de 2016, Luiz Inácio Lula da Silva pensou em dar uma dimensão esportiva a um protagonismo universal. Era 2007. A bonança brasileira fascinava os investidores. E a chancelaria ensaiava diálogos com o Irã, com o sonho de conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
     A história foi outra. Para a presidenta Dilma Rousseff, a Copa do Mundo tornou-se um jogo de lágrimas. O barulho das obras misturou-se ao dos protestos. No jogo de abertura, a presidenta, que é candidata à reeleição, foi submetida a insultos ensurdecedores vindos das arquibancadas. “Foi um ataque das elites brancas”, indignou-se Lula. Mas ele não convenceu. Segundo o Ibope, depois deste episódio, a confiança na presidenta Dilma caiu 5 pontos percentuais. O Governo temeu que a festa esportiva fosse o enterro de seu programa eleitoral.

Os ‘recados’ de Barbosa


É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição 



Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao deixar o cargo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Legenda


No princípio
Houve treva bastante para o espírito
Mover-se livremente à flor do sol
Oculto em pleno dia
No princípio
Houve silêncio até para escutar-se
O germinar atroz de uma desgraça
Maquinada no horror do meio-dia.
E havia, no princípio,
Tão vegetal quietude, tão severa
Que se entendia a queda de uma lágrima
Das frondes dos heróis de cada dia.
Havia então mais sombra em nossa via.
Menos fragor na farsa da agonia,
Mais êxtase no mito da alegria.
Agora o bandoleiro brada e atira
Jorros de luz na fuga de meu dia -
E mudo sou para cantar-te, amigo,
O reino, a lenda, a glória desse dia
.

 Mário Faustino dos Santos e Silva (1930 -1962), foi poeta, crítico, tradutor e jornalista

Estupidez e ingenuidade

"Felizes dos ingênuos que conseguem amar-se a si mesmo e odiar a seus inimigos! Felizes dos patriotas que jamais precisam duvidar de si próprios, pois nunca sentiram a menor culpa da desgraça e da ruína de suas pátrias! (...) Talvez até vivam invejavelmente satisfeitos e tranquilos dentro da couraça de sua estupidez ou de sua extrema e nojenta periculosidade"

Hermann Hesse

Sobre mordidas e legados

O mago Lula estava certo quando apostou as fichas para sediar a Copa. Já o estadista que atende pelo mesmo nome, elegeu um poste, porém não cuidou para que ficasse firme e ligado à rede
Em matéria de repercussão, sem dúvida, é a Copa das Copas. Obama, o cestinha, acendeu a luz verde ao posar para fotos a bordo do Air Force One assistindo ao embate da sua seleção com a Alemanha e a porta-voz do Departamento de Estado compareceu ao briefing matinal com a imprensa com o agasalho da seleção ianque.
Também no âmbito da geopolítica o resultado é superlativo: despachados de volta três gigantes (Inglaterra, Itália e Espanha), a Europa futebolística assemelha-se à Europa política, amarrada a velhos vícios, desfibrada. A esta altura do campeonato, Américas e África consolidam-se como as grandes reservas para o futebol do futuro. O que não impedirá que o Velho Mundo através da Alemanha, Holanda e França ainda venham a empalmar a Jules Rimet na final da 20a edição do Mundial de Futebol.
Submetidos às aflições de prazos rígidos e padrões impecáveis, saímos pela tangente oferecendo ao mundo a ideia da precariedade feliz, da transitoriedade permanente, do relaxar e gozar, do vai levando e deixa rolar.

sábado, 28 de junho de 2014

E aos que mordem a alma, o quê?


     O castigo dado ao jogador do Uruguai, Luis Suárez, por ter dado uma dentada no ombro de um colega de trabalho italiano foi rápido, exemplar, severo e sem direito a apelação. Um castigo que atinge toda a seleção, que fica fragilizada para seguir disputando a Copa.
     Não entro na polêmica sobre o possível excesso da Fifa. Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas já analisaram ativa e passivamente essa mania feia de Suárez por morder seus companheiros de profissão. É uma disfunção de comportamento da qual Suárez deverá se tratar. A justiça esportiva estava, no entanto, obrigada tomar uma atitude. E o fez com rapidez.
    O que eu gostaria é sentenças igualmente severas e fulminantes fossem aplicadas em nossa sociedade a todos aqueles, sejam pessoas ou instituições, que mordem nossa alma, nossos legítimos direitos e até nossos sentimentos mais íntimos. 
"Nossa sociedade melhoraria se a justiça fosse severa e inapelável, como foi com o jogador, com todas as mordidas morais, que não fazem sangrar, mas doem e humilham mais que as da boca"
Leia mais o artigo de Juan Arias 

Euforia com os juros


     O governo anda eufórico mesmo que a Copa das Copas, a grande jogada marqueteira, tenha se transformado na futebolística Copa dos Gols, bem mais adequada e nada política. Ainda assim saúdam os arautos governamentais que os prognósticos pessimistas não se confirmaram. Faz parte do jogo, quando uns se arvoram em profetas e até fazem, como no caso da mídia, um alerta. Mas é certo que, apesar da dedicação em pintar uma grande Copa em realizações para o povo, só se viu mesmo as arenas superfaturadas com dinheiro público envolvido.
     De resto, a mobilidade urbana acabou mesmo imóvel. Como bem disse a presidente, a Copa é para os brasileiros e como tal as obras que ficaram para depois serão concluídas no velho jeitinho, nas calendas ou ficarão de vez como promessas em ruínas.
    Tudo como dantes. As obras sairão um dia, quem sabe. Até lá é aproveitar os juros eleitorais do que não se fez para se reeleger. Velha manobra de raposas que a urubuzada aproveita para fazer revoada.

Desafiando as mudanças climáticas


A América Latina e o Caribe são zonas climáticas altamente vulneráveis aos impactos das mudanças no clima e, embora na atualidade sua emissão de gases de efeito estufa se mantenha baixa em relação aos níveis globais, suas demandas de energia crescem à medida que se industrializam e se urbanizam.
     É por isso que ambas as regiões decidiram tomar posição no assunto e apostar em projetos sustentáveis que garantam um desenvolvimento que respeite o meio ambiente e uma transformação econômica para o uso de energias limpas e programas de baixa emissão de gases de efeito estufa. Através de fundos provenientes do CIF, Climate Investment Funds (fundos constituídos por numerosos países europeus e os EUA para financiar projetos eco-sustentáveis), estão sendo desenvolvidos 39 projetos em treze países da América Latina e do Caribe. Juntos somam um investimento de 686 milhões de dólares (1,52 bilhão de reais), o que representa 8,5% dos 8 bilhões de dólares que o CIF destina aos países em vias de desenvolvimento.

 "O objetivo é impulsionar programas que promovam energias limpas, reflorestamento, práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente, restauração e preservação de ecossistemas degradados (como a barreira de coral na Jamaica e no Haiti) e o acesso à água, entre outros"

Túnel do Tempo


Versão completa da grande interpretação de Lena Horne
no filme homônimo "Stormy Weather" de 1943

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sempre pode piorar

Quem diria, hein?

Alerta para as muitas festas saudando a maquiagem de um grito de guerra que assolou o país e engessou a cidadania

     Há um vozerio pelas redes sociais bem interessante para o momento político do Brasil e, quem diria, promovido pelas fontes petistas, que sempre deram as caras como esquerdistas. Bastou uma empresária destacar o progresso do país nos últimos anos sob a gestão petista, com índices sempre de leves pinceladas dos marqueteiros, para se ouvir muitos vivas. E surpreendentemente quando anunciou a mesma que os “envergonhados” deveriam se mudar, aí muita gente aplaudiu de pé na plateia.
    Talvez seja o esquecimento que sempre circula nos ares brasileiros que gerou tanta festa. Os petistas sentiram–se mais patriotas do que todo mundo depois das declarações da empresária que até nem notaram a proposta embutida nas declarações. A empresária, curiosamente, ressuscitou o Ame-o ou Deixe-o dos tempos ditatoriais sem que um petista se levantasse contra. O que está acontecendo no país que a retomada de velhos gritos de guerra da repressão sejam retocados pelo PT sem receber um gesto de repúdio?
     O país, neste ano eleitoral, se tornou uma arena de vale-tudo. Inclusive como está fazendo o PT acenando até bandeiras que tanto defendeu no passado, esquecidas pela necessidade de manter o poder.  E fazendo retornar o passado acaba por ressuscitar os lemas da ditadura, até porque mesmo alguns de seus programas têm raízes bem lá atrás. E como qualquer coisa está servindo para garantir o continuísmo de um partido que quer se manter no Planalto por 20 anos, coincidentemente o tempo ditatorial, até vale um Ame-o ou Deixe-o com outras cores e em outras alegorias. Falta gritarem pra frente Brasil, pois não admitem em nenhum momento que o progresso de um país só se revigora com a renovação de ares. Se continuar sem aeração, o ar poluído faz estagnar qualquer democracia, ou desejo dela. Acaba um estado bolivariano de bananas podres sob o comando de títeres inqualificáveis.     

Preocupação com 'eles'


A presidenta Dilma deveria voltar aos estádios?


     Alguns jornalistas estrangeiros amigos meus não entendem por que a presidenta Dilma, mesmo com as vaias recebidas em São Paulo na abertura da Alguns jornalistas estrangeiros amigos meus não entendem por que a presidenta Dilma, mesmo com as vaias recebidas em São Paulo na abertura da Copa do Mundo brasileira, não voltou aos estádios.
     Em resposta aos insultos de mau gosto recebidos na abertura da Copa, Dilma afirmou, brava: "Não odeio, mas não me dobro". Houve quem tenha interpretado aquelas palavras como um desafio que levaria a presidenta, na segunda passada, a estar presente no simbólico estádio de Brasília, onde a seleção brasileira decidia sua classificação nesta Copa e no qual estavam virados os olhos e o coração da grande maioria do país e meio mundo.
    Dilma não apareceu. Por medo? Impossível acreditar nisso. Talvez por conselho da FIFA? Seria imaginável que a dura ex-guerrilheira pudesse se dobrar às opiniões de uma FIFA tão desprestigiada internacionalmente.
"A publicidade, em nossa era da comunicação global pode ser importante para vender melhor um produto mesmo sem valor, mas não para vender pessoas, cuja melhor riqueza e propaganda deveria ser sua autenticidade"


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um leve desvio


Solta no ar


Empregos em marcha lenta

Os números divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta terça foram os piores em 22 anos e atingem um dos maiores cartões de visitas das gestões petistas 
      Um dos grandes trunfos dos Governos petistas foi a generosa geração de empregos. Foram mais de 20 milhões de vagas com carteira assinada, criadas sob as duas administrações de Lula e na atual, de Dilma Rousseff. Esse diferencial competitivo, porém, entrou em marcha lenta, com uma redução significativa no número de vagas criadas no mês de maio. Foram gerados 58.836 postos de trabalho, quase metade do total gerado no mês anterior, e 18,3% a menos do que no mesmo mês do ano passado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho. Trata-se do pior desempenho mensal desde 1992, quando o país vivia um processo de instabilidade política, que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
     A notícia era esperada, uma vez que todos os indicadores já vinham demonstrando um desempenho pífio, a começar pelo baixo crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre, quando fechou em 0,2%, em relação ao trimestre anterior. “A balança comercial, a produção industrial e a intenção de consumo das famílias, por exemplo, apontam para a mesma tendência de queda”, diz Guilherme Dietze, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. “Diante desse cenário, as empresas assumem uma postura mais defensiva”, explica.