sexta-feira, 4 de abril de 2014

Hora de poesia

Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
continua a resistir,
sem ninguém que lhe valha,
geme e trabalha
até cair.


Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha (1907/1995), foi dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Também escreveu contos, memórias, romances, peças de teatro e ensaios. Destacam-se no conjunto da obra os 16 volumes de “Diário”

Que Justiça é essa!?


A Justiça brasileira tem uma legislação moderníssima, elogiadíssima, mas não funciona. Os seus "donos" rebatem toda a crítica do vulgo ignaro só se esquecendo de que outras sociedades com leis antiquadas produzem mais efeito, ou o resultado que se espera da Justiça. Nos Estados Unidos, onde a Constituição é pequenina, ninguém escapa impune. Cometeu crime, é algemado, levado imediatamente ao juiz e sai da audiência direto para o xilindró. Em caso de político também não tem perdão e é longa a lista dos que frequentam as prisões norte-americanas. Até mesmo um parlamentar filho de ex-senador candidato à Presidência amarga uma cela por corrupção.
A futurística Justiça brasileira, ainda mais quando julga crimes de políticos, é de uma benevolência com os condenados que espanta qualquer Moisés ou Salomão. No caso de crimes eleitorais, extrapola e esbanja afagos aos criminosos. Os políticos são condenados a essa ou àquela pena, mas ninguém sabe se pagaram a multa. E se na verdade pagam, logicamente não é com dinheiro próprio, mas tirado do bolso público. A Justiça nem quer saber, recebe o dinheiro que veio do próprio crime, conseguido por arranjos corruptos e damos por conversado. Em recente caso, condenou um ex-vereador a "devolver" o excedente recebido indevidamente quando estava na Câmara, quatro anos depois de sua saída. O condenado deve ter agradecido, porque aplicando o “extra” durante todo o tempo que levou o processo teve rendimentos que deram para pagar folgadamente a multa e ainda sobrou para ele muito mais do que se imagina.
Se não bastasse sua lentidão, seus recursos protelatórios, a Justiça, principalmente eleitoral, dá ampla e irrestrita margem de defesa que beira ao cúmulo da falta de vergonha se ver condenados continuando a obrar da mesma forma por que foi punido. Há políticos com folha corrida muito mais extensa, e criminosa, afetando danosamente milhares de indivíduos, no entanto, livres, leves e soltos como pipa nos céus. E ai de quem tentar puxar a linha!
Um dos casos mais ridículos da legislação eleitoral brasileira aconteceu nos últimos dias quando um prefeitinho conquistou a condenação por inelegibilidade pela segunda vez consecutiva sem que as condenações sejam acumulativas. Mesmo assim ainda conseguiu se eleger (não é inelegível?) para presidência de partido como se essa eleição não estivesse sob essa legislação, o que determinaria estarem todos os partidos ilegais. Agora mais fortalecido pelo novo cargo que acumula, está à solta cometendo o mesmo crime de outras formas no município, além de levar no pescoço um colar brilhante de prontuários de fazer inveja a qualquer grande meliante do país.  

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Brasil dispara na lanterna


Pesquisa entre 30 países aponta o Brasil como o último colocado. O estudo do  Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que aqui se tem o pior retorno em benefícios à população dos valores arrecadados por meio dos impostos.O levantamento avaliou os países com as maiores cargas tributários do mundo, relacionando estes dados ao Produto Interno Bruto (PIB) e ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada nação. No Brasil, a carga tributária equivale a 35,13% do PIB e, em 2011, o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES) do país foi de 135,83 pontos.
Itália, Bélgica e Hungria vêm em seguida no ranking (veja quadro com as dez primeiras posições). Grécia, Uruguai e Argentina estão bem à frente do Brasil no que se refere ao retorno à população dos impostos arrecadados. O melhor resultado é o da Austrália, que tem uma carga tributária de 25,90% do PIB, com um índice de retorno de 164,18 pontos.

Esqueceram do santo!

Vila dos Patos não preparou nenhuma celebração para lembrar São José de Anchieta, que será canonizado nesta sexta-feira. Ingratidão de cidade caiçara. Logo ela que os governos aproveitam em seus folhetos turísticos para divulgar o tal "milagre dos peixes" à beira de uma de suas lagoas, feito merecedor de placa e estátua até hoje desaparecidas! Seria esse, se aceito, o único milagre de Anchieta, mesmo que o "milagre" seja outro factóide para renda de juros turísticos.
É de tal importância e reconhecido o suposto fato de 1584 que sequer foi citado nas reportagens sobre o circuito de Anchieta no país, apesar do prefeitinho gastar quase R$ 10 milhões para divulgar este ano o município no sambódromo. Com tanto gasto não sobrou um trocado para recuperar a imagem do santo, mas deu para espalhar estátuas de bronze de gente conhecida pela cidade.

Estátua do santo, em Anchieta (ES), ninguém leva

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sem palavras


Governo de educação zero

Pede-se que os políticos, em particular os governantes, tenham ao menos educação. É o mínimo de civilidade que se exige de quem vai tratar da administração e da legislação pública. No Brasil, pedir mais do que isso será exagero, porque do mais pobre e ignorante aos tribunos superiores todos sabem que, se os políticos não têm ficha suja, vivem enlameados com processos por todos os lados. Isso sem falar na safadeza, desfaçatez e cretinice que parecem a eles elogios à sua atuação.
Mas educação é fundamental para esses digníssimos senhores e senhoras públicas demonstrarem diante de eleitores e não eleitores. Respeito deveriam se dar no trato com a sociedade, mas até alguns, que se autodenominam doutores do isso e do aquilo, parecem demonstrar que jogaram qualquer educação, se é que tinham, na lixeira.
É o caso de um prefeitinho, que se vangloria de ser “sociólogo”. Em rede social, não aguentou a crítica de um cidadão e respondeu com as patadas de sempre. Mostrou de onde veio e pode-se assim saber para onde vai, porque se sabe também o que anda fazendo para colecionar processos judiciais. O ernegúmeno, achando-se no ambiente familiar, mandou o cidadão “caçar uma rola”, porque tinha muita coisa pra fazer. Como se não já se soubesse que a única coisa que faz é nada.
A qualquer um com bom senso a educação zero do político não mereceria que se elegesse sequer para puxar carrocinha de cachorro. No entanto, seus “soldados” e outros da mesma laia garantiram a reeleição para manter a remuneração do exército de puxa-sacos. E mais uma vez, até quando, o voto brasileiro elege a falta de educação para o poder público com todas as consequencias para o cidadão que acaba pagando o pato.      

terça-feira, 1 de abril de 2014

O povo, um dia


Do povo vai depender
a vida que vai viver,
quando um dia merecer.
Vai doer. Vai aprender

O amazonense Amadeu Thiago de Mello é um dos grandes na poesia brasileira. Escreveu obras como “Faz escuro, mas eu canto”, “Poesia comprometida com a minha e a tua vida” e “Os Estatutos do Homem”.

Grandeza zero

"Não estamos em condição de ensinar democracia a ninguém, porque há muito a aprender. Faltam-nos, sobretudo, crença na democracia e grandeza na vida política."


segunda-feira, 31 de março de 2014

Sexta-feira inesquecível

Tropas de Juiz de Fora rumo ao Rio em 1964

Havia silêncio naquela manhã. Um silêncio armado que ficou marcado no adolescente como um estado de guerra. Ouvia-se no rádio a marcha das tropas, acompanhava-se a tomada da cidade. Um dia de trabalho quase de luto, um feriado imposto pela movimentação militar, a incerteza em todos os rostos. Maior ainda para quem estava começando uma nova vida estudantil, que vivenciaria as inesquecíveis aulas de ordem unida, as de Organização Social e Política Brasileira, e as do silêncio sobre política.
O telefone preto de discos ficara praticamente mudo. As comunicações eram difíceis, às vezes quase impossíveis. Dia de ouvidos atentos a toda informação, aos boatos, ao disse me disse. Se falava muito, bem baixinho para não levantar suspeitas e trazer os tacões para seu lado. O silêncio triste de inconscientemente saber que o mundo mudara, os dias não mais seriam por bom tempo os mesmos de alegria e liberdade. Aqueles 50 anos em cinco ficaram lá atrás, a vassourinha não varreu nada, o ano era de agitação das massas, das reformas, que nunca viriam como se desejava. Havia mais marcha (orquestrada) clamando liberdade, família, Deus para entusiasmar um povo que sentia incerteza. Só poderia dar no que deu, sentava na sala o jovem sem o uniforme, de ouvido no rádio. Naquele dia só se viveria pela informação. O mundo parou no país.
Havia tristeza, mudez e muito espanto no ar. As forças Aliadas levavam alegria às cidades libertadas do nazismo, mas essas tropas de agora não recebiam flores nem traziam esperança de liberdade. Eram vistas sem um gesto que gostariam de libertação. Entravam mudas e recebiam o silêncio do medo. O adolescente sentiu ainda mais que mudara seu mundo com as imagens pela televisão, inesquecível ver o general Mourão Filho seguindo em direção ao Rio.
O país nunca mais foi o mesmo depois daquela Redentora, instaurada no dia seguinte (1º de abril). Foi um outro Brasil que surgiu. Menos pobre, mas avacalhado, mentiroso já de nascença, hipócrita, cretino, que só poderia resultar na mediocridade atual. 

Profecia

“Meu humor não podia ser pior (...). Eu tirara a nação de um abismo e a empurrava a outro” 
General Olímpio Mourão Filho (1900/1972), comandou as tropas da IV Região Militar, sediadas em Juiz de Fora, para invadir o Rio de Janeiro no dia 31 de março de 1964

A lição do presidente

O presidente uruguaio José Mujica (78 anos), como sempre, dá uma lição a muito governante que se acha o grade estadista. Em sua casa simples, na periferia de Montevidéu recebe,de calça arregaçada, os jornalistas (todos de paletó) Fernando Mitre, Ricardo Boechat e Fábio Pannunzio para uma entrevista do Canal Livre, com a mesma simplicidade com que governa o país. Será que algum outro governante consiga se dar o luxo de tamanha sinceridade de vida? Nem pensar mesmo para os chacais que se dizem governo de vilazinhas por aí. Veja a entrevista editada em quatro partes.

Um pouco do pensamento de "Dom Pepe"

"As repúblicas vieram como uma negação à monarquia divina ao feudalismo. Vieram para confirmar que os homens são basicamente iguais".

"Os governos, pela pressão da sociedade, se desviaram e tendem a viver e a criar uma aparelhagem que os rodeia parecida ao modo de viver dos setores mais acomodados e não à maioria da população a que devem representar".

"Sou contra os que gostam muito da riqueza que vem com a política. (...) Na política gostamos da sorte dos demais, a vida da polis"

sexta-feira, 28 de março de 2014

Decida-se

"A decisão política mais importante não é um político quem toma. É a gente"
(Propaganda  da série Política Cidadã no jornal paranaense Gazeta do Povo)

A estrela no brejo


A estrela do PT está se esfacelando pela má administração, o interesse do governo em garantir o continuísmo a qualquer preço, e principalmente pela corrupção galopante que assola o país. Usada até em campanha eleitorais como a primeira vítima de qualquer governo adversário - o governo bancou o factóide de que o PMDB acabaria com a empresa na reeleição de 2006 e na eleição de Dilma em 2009 - agora está indo pro brejo literalmente.
A Petrobras, que seria o orgulho brasileiro, vem sendo abusada literalmente pelo petismo, que se serve dela para mostrar um crescimento internacional ao mesmo tempo regula seus preços de acordo com os interesses políticos. Assim do 12° lugar em 2009 despencou sob a gerência de Dilma para a 40ª posição no ano passado e desceu este ano, que nem chegou ao meio, para a 120ª posição mundial. Um desastre para qualquer empresa, ainda mais a de maior representação nacional.
O abuso governamental para com ela beira ao estupro econômico. Ao custo de assegurar o continuísmo no poder, o todo-poderoso partido da camarilha está sucateando o último grande sucesso e orgulho nacional. Tudo graças (sem trocadilho) à mesma gerente que nos anos 1990 foi à bancarrota como dona de uma lojinha de bugigangas tipo 1,99 com o curioso título nome de Pão&Circo (justamente o que vem patrocinando para assegurar o trono). Depois de falida se tornou um sucesso como gente governamental - usando o dinheiro dos outros - e até foi alçada a poste. Mais uma vez mostra sua incapacidade para gerir mesmo uma locadora de burro sem rabo.
***

Pagando pela boca

Em 1989, Collor bradava com a força daquilo roxo que o PT iria acabar com a caderneta de poupança para desespero dos adversários, que então não conheciam factóide. Mais espertos com a vivência na casa de tolerância do poder, os lulistas resolveram desde então aplicar o mesmo golpe collorido contra os tucanos. Anunciavam o fim da Petrobras sob a gestão adversária. O factóide emplacou duas eleições. Agora pagam pela boca grande e já são apontados como os coveiros da empresa da qual tanto abusaram eleitoralmente.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Projeto nota 10


Uma exposição no Museu do Design de Londres reúne os melhores projetos do ano nas categorias arquitetura, moda, mobiliário, produtos, gráfica e transporte. Entre os premiados está o protótipo de uma escola flutuante, construído para a comunidade de Makoko, na Nigéria. O prédio de madeira segue uma abordagem inovadora, sustentável e barata, atendendo às necessidades da população local, que vive em palafitas sobre a Lagoa de Lagos.
(Foto: NLE)

Importa-me

Importa-me este engraxate.
Porque tem oito anos.
Porque sua primeira carícia foi para um sapato.
Porque ajoelha por uma moeda.
Porque limpa o sapato até refletir a vida toda.
Porque seus sonos cheiram a graxa.
Importa-me porque este mundo é um sapato sujo
e é preciso limpá-lo bem.

Rúmen Stoyanov - Poeta, tradutor e diplomata búlgaro, serviu por três períodos no Brasil. Tradutor de Graciliano Ramos e de outros escritores brasileiros para o romeno. Publicou “Poemas no Brasil” (Civilização Brasileira) em 1981.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O prejuízo da Copa

O jogo da bola - Cândido Portinari

A euforia econômica da Copa parece não ser a mesma entre governos e empresas, em particular as do pequeno empresário. Os idiotas de plantão garantem que tal evento esportivo pode dar uma arrancada no progresso. Esquecem que nenhum governo completou a carta de intenções assinada com a Fifa, nem vai cumprir no dia de São Nunca. Fizeram mal e porcamente, com superfaturamento, estádios para populações esportivas imensuráveis. E se dão por satisfeitos. Agora partem para embrulhar uma Copa das Copas num papel de alavancadora da economia. Novamente só os salafrários aplaudem (também porque muitos ganham só para isso).
Os efeitos da Copa vão atrapalhar a economia dos pequenos negócios, não há dúvida. Feriados e pontos facultativos são fatais para o comércio, em particular, sem receita com tais eventos que só movimentam mesmos setores de serviços, hotelaria e alimentação. Falar, com a boca cheia de farofa, em jorro de dinheiro dos turistas para os pequenos empresários é empulhação. Turista esportivo sequer vai gastar em supermercado, em cinema, em teatro, em papelaria ou mesmo no camelódromo, sequer pensa em entrar na lojinha da esquina. 

Pesquisa Datafolha, a pedido do Sindicato da Pequena Indústria do Estado, mostra que pouco mais da metade 51% dos micro e pequenos industriais paulistas apontam para prejuízos e 49% dizem que poderá ser mais nocivo do que benéfico para os negócios. A situação não está nada boa para o setor. A pesquisa ainda registra que 18% deixaram de pagar impostos em fevereiro, 10% não acertaram dívidas financeiras e 8% não pagaram fornecedores. E a situação tende a piorar caso se confirmem as expectativas de vendas nada boas para a Copa. Em vez de goleada, a economia vai levar uma chinelada. 

terça-feira, 25 de março de 2014

A boa ideia e o mau uso

Todo dia é dia de livro para a população. Basta acompanhar o noticiário em notinhas ou matérias que sempre se fala de entrega de livros às bibliotecas ou de realização de feiras populares. Estão lá, quando doações, o custo e o número de obras distribuídas e os pontos. A ação é feita nas esferas estadual e municipal de grandes e pequenas regiões, independente de partido.
O que chama a atenção é o descaso das prefeituras fluminenses com projetos como o Mais Leitura, que oferece livros novos a preços populares, entre R$ 2 e R$ 4. O Mais Leitura itinerante teve início em setembro de 2013 e já vendeu mais de 150 mil livros. O “lojão” é um estande de 48 metros quadrados que vem percorrendo diferentes municípios fluminenses. No local são comercializados mais de 700 títulos de cerca de 40 editoras parceiras.
Criado em 2011, o projeto conta com quatro agências fixas instaladas na Região Metropolitana que já vendeu mais de 1 milhão de livros a preços populares.

Apesar do sucesso, ainda há prefeituras que preferem deixar de lado as parcerias com o governo estadual e apostarem em subsidiar a custos exorbitantes uma feira privada com vendas de livros a preços nada populares, favorecendo os comerciantes de outras localidades ao invés de fortalecer o próprio comércio. No ano passado, em outubro, uma vilazinha despejou R$ 1 milhão do dinheiro público para financiar uma dessas feiras ainda com farta distribuição de cupons na rede pública que iam de R$ 50 para alunos a R$ 200 para secretários se refestelarem ou usarem como “doação” eleitoreira. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

A guerra da água

Vive-se em plena guerra pela água, ao menos entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo o governador Cabral, em fim de mandato, a "água que abastece o povo" é intocável. Frase típica de governante farofeiro, que no próprio estado pouco tratamento dá ao abastecimento. É mais um foguetório para o “povo”, do qual sai em defesa, mas a quem a empresa estadual de águas vem negando o abastecimento, ou fazendo as firulas de instalar canos que ainda viverão anos secos. Ou então, montam a mágica de até construir elevatória em cidade sem um pingo de água ou em eterna crise de desabastecimento no período Primavera/Verão.
Vila dos Patos é uma dessas cidades. Com 4%, se chegar a isso, de esgoto – jogado in natura na lagoa, ou privada pública - e uns 10% de rede de água, vive a fantasia prometida do Estado. A magia se reforça com a mirabolante buraqueira municipal que faz propaganda paga pelo erário de se levar água a todo município. Estado e município continuam a brincar com coisa séria, bancando os bonzinhos com obras fajutas apenas para garantir votos em eleições sejam elas quais forem. Afinal é preciso se eleger mesmo que seja a burro-sem-rabo.
E em meio às batalhas pela água, surge agora a mais nova estrepolia em Vila dos Patos. O município, se considerando em plenos direitos sobre corpo e alma dos cidadãos, também se torna “dono” da água no subsolo. Há em vigência um imposto sobre quem perfurar a partir de agora poço artesiano ou fizer mesmo uma cacimba. Talvez Vila dos Patos esteja se preparando para criar de vez, concretamente, a tão propalada Companhia Municipal de Águas com que ameaçou muito o governo estadual.          

Foi ontem ou é hoje?

Há mais semelhanças, que não são meras coincidências, entre a ditadura e os 12 anos de lulismo do que se possa pensar. Não será apenas no setor econômico (leia "Os ecos da ditadura na economia brasileira"), mas também em todos os outros. "Quando o general Médici estava na Presidência, talvez a época mais dura da repressão, ele era popular. A Arena (partido que sustentava os governos militares no Congresso) vencia em toda parte. O povo não estava preocupado com política e queria saber do seu bem-estar" (Fernando Henrique Cardoso). Mera semelhança?

Nova bizarrice

Quando político não tem o que falar, enrola. Ou, mais comumente, inventa sandice. Sem faltar, é claro, uma redefinição de termos. Foi o que aconteceu com a faxineira Didi. Para falar qualquer coisa criou uma definição nova para democracia, que de sistema de governo passou a ser quase tudo. "Com muito esforço, conquistamos a democracia. E democracia é saber que esse país é imenso, é diverso, tem diferenças de posições políticas, visões culturais diferentes, mas somos aqueles que convivem entre si de forma harmônica".
Fessora falou, falou e não disse nada! (Na claque, aplausos basbaques)