quarta-feira, 23 de abril de 2014

Terra do 'molha a mão'

Apenas uma fábula (imoral)


O pobre quis conquistar a cidade para se tornar rei. Juntou um grupo, mas nunca conseguiu abalar qualquer parte da muralha. Então se muniu de uma matilha de cães e um monte de abutres a quem prometeu uma fartura de comida. A promessa correu por todo o canto e mais cães famintos e muitas aves carnívoras se juntaram ao grupo. Assim as muralhas caíram.
Posto no trono, com bolsos engordados, sob muita proteção, assistiu cães e abutres disputarem a pouca comida que os cidadãos guardavam. Mas o pasto prometido não dava para tantas bocas e cães e abutres começaram a brigar pela carniça.

Os habitantes da cidade viram que se tornaram escravos de cães e abutres, mas então já era tarde. E passaram todos a brigar por um naco de comida, enquanto o rei, cada vez mais engordado por ver seu sonho realizado e financiado, apesar de custar muito aos cães, aos abutres e ao povo. 

Serenata cínica para o Bettencourt cantar


Menino que vais na rua,
não cantes nem chores: berra!
Cospe no céu e na lua
e aprende a pisar a terra.

Aprende a pisar o mundo.
Deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.

Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.

Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.

Pisa a lua sem remorsos,
estatelada no solo...
Não hesites! quebre os ossos
dessa criança de colo.

Pisa-a, frio, com coragem,
sem olhos de serenata;
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.

Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra!
ou então, salta pra lua
e mija de lá na terra.

José Gomes Ferreira (1900/1985), poeta e escritor português, publicou memórias, contos, ficção, estudos, diários e ensaios.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Valsa Triste

O grande roubo


“Os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões!"
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881/1922)

O segredo do poder

Um conto indiano fala do espanto do rei Asoka quando viu uma mulher, com gestos, fazer o rio Ganges subir contra a corrente. Soube então que a velha era uma prostituta muito conhecida em uma das suas cidades. Impressionado com o feito, mandou chamar a prostituta, que se apresentou diante dos sábios do reino para questionarem a façanha. Ficaram ainda mais impressionados, porque a velha confessou ter poder sobre as coisas como arrancar árvores e fazê-las rodopiar, ou virar montanhas de ponta cabeça. Podia mesmo tirar Asoka do trono e lançá-lo nos ares. Todos surpresos com as infinitas possibilidades da prostituta quiseram saber de onde provinha tanto poder.
- Conheci muitos homens mas não faço distinção entre eles. Não privilegiei, nem desprezei ninguém. A todos, apesar das diferenças, concedi os mesmos favores. Nunca demonstrei nem subserviência, nem desdém. O segredo do meu poder é só esse.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Voo de aloprados

Todos sabem que há governo na cabine de comando, mas não há piloto. Há lá dentro pelo menos dois maus elementos, mesmo que a Física nos informe que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A não ser, como na física nuclear, ambos sejam nêutrons, o que não é o caso. E a porta está blindada impedindo que se saiba o que andam fazendo. Mas certo mesmo é que colocaram o avião Republiqueta voando pelo piloto automático. Os passageiros sofrem horrores, porque não há como tirar os aloprados da cabine.
E o Republiqueta voa numa montanha russa. Sobe e desce, faz looping e o escambau, porque a turma da cabine fica apertando botão atrás de botão tentando acertar o rumo.
Sabe-se lá quando vão conseguir ao menos estabilizar o Republiqueta para continuar por pouco tempo um voo tranquilo.Também sequer pode-se pensar que pretendam pousar alguma vez, deixar as alturas dos urubus. Quem sabe queiram passear mais tempo como condores. Resta mesmo rezar para que alguma vez acertem nos botões, porque não se agüenta mais looping de aloprado.    

O partido oportunista

“Não sou adversário do PT, nem de Lula, nem de partido nenhum. Sou um cidadão que pensa e analisa a situação do país. Falo do que está diante de mim. Lula combateu toda a política de Fernando Henrique e depois adotou tudo, mas nunca disse que fez isso. Ao contrário, disse que era herança maldita. Ele não tinha projeto político, exceto aquela utopia comunista que havia fracassado no mundo inteiro. Ele inventou um jogo de mão dupla constante: Bolsa família para os pobres e empréstimos do BNDES para os ricos. Divulguei recentemente o manifesto de fundação do PT, cujo teor é quase igual ao Manifesto Comunista de Karl Marx, de 1848. Mas o que sobrou disso? Aliança com Paulo Maluf e o bispo Edir Macedo? Esse é o comunismo do PT? Virou um partido oportunista”

Ferreira Gullar, em entrevista para o jornal Cândido, do Paraná

Rede Pau nos Ratos

“Limpeza” in natura

Site dito jornalístico, integrante do jornalixo de Vila dos Patos, anuncia que estão sendo feitas a dragagem e a limpeza de um dos rios que desembocam nas lagoas da região. A obra serve para solucionar as enchentes na região. Também integram a primeira parte de um projeto de implantação do sistema de esgotamento sanitário. Essa primeira etapa, ao custo de R$ 60 milhões, atendendo dois bairros, será bancada pela Petrobras. O que não informa o jornalixo é que o trabalho não vai evitar as enchentes na região, que não têm como causa os rios, mas seu entorno, que vem recebendo água de outros locais. E a grande mentira é uma implantação de rede de esgotos, quando se sabe que a mesma foi “implantada” precariamente pelo governo municipal com o vazamento dos dejetos in natura e das águas pluviais numa mesma rede. Ao mesmo tempo, os esgotos sanitários não terão estação de tratamento. Em conclusão, a bosta vai continuar a poluir as lagoas e sujar a casa alheia nas chuvas. 

Novo dicionário

Os petistas estão mudando o significado dos termos do dicionário. Difamação pública virou mera liberdade de opinião quando aplicada aos adversários. Se o difamado for do partido, então é caso mesmo de crime. Assim também roubo, apropriação indébita, só se for referente aos outros. Ações desse tipo feitas por eles não passam de contribuição social. O importante, para eles, “é fazer a história mentir em proveito próprio”, segundo Jean-Claude Carrière    


Estrategistas de galinheiro

Com o surgimento das Unidades de Polícia Pacificadora, criadas pelo governo Cabral, no Rio de Janeiro, ninguém desconhece que a bandidagem resolveu emigrar para cidades pequenas sem qualquer aparato policial para contê-la. O problema vem se agravando rapidamente por falta de solução dos órgãos estaduais. Devido a isso os vereadores de uma dessas cidades resolveram jogar para a galera. Num festival de purpurina, discutiram por duas sessões, como se não tivessem mais o que fazer, as medidas que podem adotar para conter o tsunami de bandidos. É de uma deslavada cara de pau a atitude dos edis, porque muitos estão com fichas bem sujas de processos judiciais. Agora é descobrir como políticos bandidos podem dar uma solução à marginalidade que assola a vilazinha se não a mera fórmula de recorrer às autoridades policiais, o que levaram duas sessões para aprovar, depois de até bancarem estrategistas de ocasião.

Resposta engatilhada


Com a grita geral pelo aumento dos crimes em Vila dos Patos, o governo municipal, depois de uma “atitude” dos vereadores, ressuscitou o velho projeto de quatro anos atrás: um gabinete de gestão integrada com central de monitoramento de ruas. O custo está orçado em R$ 1,5 milhão – segundo alguns já sumiu - para um prédio de três andares e 20 câmeras de seguranças espalhadas pelas ruas do Centro. A derrubada de um antigo posto da Guarda Municipal para a construção do prédio do novo gabinete é uma “resposta” atrasada ao problema. Mais uma vez o governo municipal zela por manter engatilhado sempre um projeto miraculoso para resolver questões municipais que nunca serão resolvidas com paliativos.    

sábado, 19 de abril de 2014

O melhor (e mais atual) discurso



Este é talvez o melhor e mais atual dos discursos. E não foi feito por nenhum político, mas por Charlie Chaplin, em seu primeiro filme sonoro, “O grande ditador” (1940), numa sátira aos regimes totalitários da época. Mesmo tantas décadas depois, ainda defende e propala os ideais inerentes à Humanidade com maiúscula, contra a mascarada destes tempos. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O ministro cabeçudo


O ministro Wang Anshi (1021/1086), na China imperial, apesar de reformador, ganhou popularidade como o “Ministro Cabeçudo”, considerado que era de incapaz de aceitar bons conselhos e se recusar a admitir erros. Se implantou instituições de socorro popular, hospitais, dispensários, cemitérios públicos, baseando-se num modelo de fundações caritativas criadas pelos mosteiros budistas, ficou mesmo conhecido como o homem dos três não vale a pena: “Não vale a pena temer a ira divina, não vale a pena respeitar a opinião pública e não vale a pena conservar as tradições”.
Segundo Lin Yutang (1895/1976), escritor chinês muito conhecido no Ocidente, em “O sábio jovial”, o ministro tinha muita semelhança com certos administradores públicos de hoje. Wang Anshi não tolerava oposição de nenhuma espécie, viesse de amigos ou de adversários. Com grande capacidade de persuasão, sabia como fascinar o imperador com a ideia de um Estado forte e estava decidido a lutar por suas teorias sociais mesmo com “o esmagamento de toda oposição e em particular com a anulação da censura imperial, cujo primeiro dever era fazer a crítica da orientação política e da maneira pela qual se conduziam os negócios públicos”.
A grande curiosidade do relato de Yutang sobre o ancestral ministro é a semelhança com que hoje qualquer um pode esbarrar virando uma esquina brasileira. Wang Anshi se considerava um reformador e todo aquele de quem não gostava era um “reacionário”. “Acusava todos que o criticavam de pretenderem malevolamente dificultar as reformas”. O ministro até mesmo chegou a ser apontado de tentar fechar a boca do povo, “amordaçar toda a liberdade de crítica ao governo”. Parece longe a história do ministro cabeçudo chinês, mas há nela muita coincidência com certos governantes de hoje no Brasil. 

O mal do encantamento

“O homem deixa-se facilmente enlevar pelo encanto do maravilhoso, e é explorando este segredo da fraqueza humana que o charlatanismo abusa da simplicidade dos crédulos e à custa deles bate moeda na forja da impostura, ou sacrifica à sua corrupção as inocentes vítimas que loucamente espontâneas se precipitam nesse perigoso desvio da razão”
(Joaquim Manuel de Macedo , “As víctimas-algozes”, 1869)

Soube que vocês nada querem aprender

Valeriano Bécquer, "Gustavo Adolfo Bécquer lendo"  (1864), 
Biblioteca Nacional, Madrid


Bertolt Brecht
Soube que vocês nada querem aprender
então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido – à sua frente
Iluminado. Seus pais
cuidaram para que seus pés
não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
vocês nada precisam aprender. Assim como estão
podem ficar.

Havendo dificuldades, pois os tempos
como ouvi dizer, são incertos
Vocês têm seus líderes, que lhes dizem exatamente
o que têm a fazer para que fiquem bem.
Eles leram aqueles que sabem
as verdades válidas para todos os tempos
e as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
vocês não precisam levantar um dedo.
Sem dúvida, porém, se fosse diferente
vocês teriam muito o que aprender.
  

Eugen Berthold Friedrich Brech (1898/1956), além de poeta, foi um dos mais influentes dramaturgos e encenadores do século XX contribuindo com o teatro moderno criando principalmente o  conhecido Berliner Ensemble. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A paixão (nossa) de García Márquez


"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
Gabriel José García Márquez (1927/2014)

Ernesto Nazareth, um clássico



Ernesto Júlio de Nazareth (1863/1934) foi pianista e um dos grandes compositores brasileiros, deixando 211 peças para piano. 

Confissão de um imbecil

“Leve para longe de mim essa inteligência perigosa, porque minha estupidez é sagrada!” 
(De um conto indiano sobre a inteligência de um viajante e a estupidez de um beduíno, bem pode ser a fala de muitos)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Nunca ovelha

"O que não somos nunca é ovelha - fiel ovelha do Santo Padre, de Sua Majestade o Rei, do Partido, da Convenção Social, dos Códigos da Moral Absoluta, do Batalhão, de tudo que mata a personalidade das criaturas."
Monteiro Lobato (1882/1948) em carta ao amigo Godofredo Rangel em 7/6/1914

A mensagem do vento de março


(...)
Ouve, o vento no olmo! É de Londres que sopra
E fala de ouro, de esperança e mal-estar
De poder que não ajuda; de saber de sobra
Que do pior e melhor não é capaz de ensinar

Dos ricos ele fala, e estranha é a história
Dos que têm, cobiçam, e de mais se apossam;
E eles vivem e morrem; e a terra e sua glória
São apenas um fardo que mal suportam


William Morris (1834/1896) escritor inglês concentrou seu interesse em poesia narrativa sempre transparecendo idéias socialistas

Patologia de um prefeito


Quaquá, prefeitinho de Vila dos Patos (daí o adequado vulgo), não é apenas um modelo de político corrupto. Atestam isso as dezenas de processos a que responde como ainda as duas condenações (não cumulativas) por inelegibilidade numa aberrante decisão dos tribunais, que ainda deixa impune e solto o condenado. Se por isso ainda não conseguiu vaga no xilindró, agora cada vez mais esbanja como um caso patológico de psiquiatria. A megalomania tomou conta do ex-menino pobre da Mumbuca, que caçava rã para comer. Com a ascensão à presidência regional do PT, - só podia ser mesmo desse antro -, vestiu de vez a capa presidencial e como um chefe de nação caiçara esbanja em viagens para tratar de negócios para o feudo. Assim foi com os bondes de comissionados para a Itália e França, onde vendeu empreendimentos imobiliários, a custos milionários para os cofres públicos; a Cuba, para pedir benção e jogar pra galera, e agora chega mesmo à China, com um secretário que saiu do subúrbio carioca para tratar de portos em mandarim.
O Brasil tem 7.408 km de costas, do cabo Orange ao arroio Chuí - 9.198 km se considerarmos as saliências e as reentrâncias do litoral - mas o tal sujeitinho empombou com a construção de um porto justamente numa área de proteção ambiental e cultural. Quer porque quer instalar um porto que empresas já deram para trás desde o início para poder anunciar eleitoralmente um grande feito, já que não fez nada em seis anos. Insiste em criar mais um factóide como essa viagem à China para fazer a cabeça dos imbecis caiçaras, que só estão com ele devido ao dindim mensal do Erário. Com isso pode arrecadar os votos para eleger a digníssima madame Z, sua consorte amasiada, à Câmara estadual.
Esse é o reflexo mais recente de sua megalomania de medíocre depois que vestiu o manto de chefe do seu partido no Estado, que vem gerindo com os coturnos de um ditador. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O 'soldadinho-playboy'



O PT descobriu que era preciso possuir uma milícia política para se proteger de seus adversários e tem financiado – Vila dos Patos é um celeiro deles – seus soldadinhos de bosta. São eles que promovem atos que os correligionários não poderiam praticar por falta de decoro e assim manchar a imagem imaculada do santo partido. Daí recorre aos mercenários sempre dispostos a tudo por dinheiro.
Como o recente caso de Rodrigo Grassi Cademartori, autointitulado “Rodrigo Pilha”, baderneiro com carteirinha de assessor parlamentar da deputada federal Érika Kokay (DF). O “soldadinho” postou na internet o vídeo hostilizando e insultando o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, chamado de “fascista” e de outros nomes. A deputada classifica como um direito de expressão (?) o insulto público ao ministro da Suprema Corte, a quem, em outro vídeo, o palyboyzinho classifica o ministro Joaquim Barbosa de “covarde” e o chama de “coxinha”.
O assessor baderneiro é um grande trabalhador do país, pago com dinheiro público, ocupado que está em repetir chavões para intimidar, inclusive fisicamente, qualquer um que avalie ser adversário do PT, e divulgar suas fotos em momentos de lazer – pilotando uma lancha, por exemplo, com um copaço de cerveja do lado do timão. Também organiza “protestos” como aqueles contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) e a blogueira cubana Yoani Sánchez. É uma farra, mais uma, que o PT promove com o dinheiro público que deveria estar financiando trabalho, nunca “armando” desocupados.   

A mesma ladainha


A resolução da Comissão Executiva Nacional do PT, lançada semana passada, é mais uma das gracinhas que os petralhas adoram aplicar no povo sempre de olho em garantir apoio nas urnas. Num arroubo de patriotismo, vestiram a camisa da “defesa incondicional da Petrobras” contra os que querem sua privatização, repetindo o discurso que já usaram e abusaram nas eleições de Lula e Dilma. Foram agora até capazes de um gesto muito mais típico de propaganda de Estado Novo: “Quem agride a Petrobras, agride o Brasil”. Poderiam até reviver no documento “O Petróleo é nosso”, mas aí poderia sugerir que a Petrobras é deles, o que pegaria muito pior.
Como sempre o partido mostra que vive de slogans, por vezes de modelo não muito respeitável e repetindo fórmulas de outros tempos, para se defender dos escândalos em que seus próprios protegidos são protagonistas. É preciso para eles manter a máscara de protetores de patrimônio nacional desde que o mesmo esteja sob o domínio deles.
À nota divulgada pela comissão petista não convém lembrar que o que está em jogo nos escândalos recentes nada mais é do que a péssima gestão da empresa apadrinhada pelo loteamento de cargos feito pelos próprios governo e PT.
Ninguém em sã consciência é contra a Petrobras como empresa, mas contra a farta distribuição de cargos a incapazes de gerência, que só estão lá para favorecimento e fortalecimento do partido, promovendo casos esdrúxulos como o de Pasadena e da refinaria em Pernambuco. Qualquer um é contra o sucateamento da empresa promovido em 12 anos de governo petista, que levou a nº 4 do petróleo mundial a cair desbragadamente para posição de empresinha em 120ª posição. Tudo para que o governo seja servido, e bem, nas jogadas eleitoreiras.
Ninguém deve esquecer que é a Petrobras quem vem sofrendo, principalmente nos últimos anos de Didi, a faxineira do Planalto, com o controle de seus preços, abaixo do mercado mundial, só para impedir que suba a inflação e não seja com isso afetada a imagem da presidente em plena aceleração eleitoral. Sem falar que se tornou um propinoduto importante na malha de distribuição de recursos para políticos e suas siglas.
O que mais querem os petistas é tapar o sol com a peneira. Sempre fizeram esse trabalho sujo de imputar aos outros crimes, que eles mesmos cometem sob outras formas, ou embrulhar CPIs gigantes para não dar em nada. É preciso para eles sempre parecerem as vestais, todas puras, imaculadas. Mais franciscanos do que os coturnos petistas não há.   

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mozart Bicalho - Noites que não Voltam Mais



Mozart Bicalho (1901/1986) foi  violonista, compositor e poeta pouco
lembrado, mas que deveria figurar entre os mais importantes compositores
brasileiros na primeira metade do século XX.

Cântico negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí.


José Régio, pseudônimo de José Maria dos Reis Pereira (1901/1969) foi talvez o único escritor em língua portuguesa a dominar todos os gêneros. Poeta e dramaturgo, escreveu romances, contos, novelas, crônicas, memórias, ensaios, críticas. Também publicou diários e obras sobre história da literatura. 

Que país é este!!


O Brasil vive uma enxurrada de más notícias. Não há citado um grave terremoto, nem um ataque terrorista, ou um tufão arrasou qualquer região. Afora uma persistente enchente no Norte do país, por mais de 40 dias, que só há pouco recebeu a visita de Didi, a faxineira do Planalto, não se tem notícia até o momento de uma série de catástrofes. Em compensação chove noticiário sobre as mazelas sempre freqüentes da sociedade brasileira. Os esforços do governo para debelar o alastramento de escândalos parece não dar resultado. Os fatos são mais contundentes do que o besteirol com que tentam debelá-los.
Pipocam por todo canto notícias que demonstram indubitavelmente o quanto o país está entregue às baratas políticas, disputando poder com milícias de corruptos em todos os níveis. O escândalo da vez fica para o senador Gim Argello (PTB-DF), que foi pressionado a renunciar à indicação para ministro do Tribunal de Contas da União devido ao seu prontuário. O senador, que teve a indicação apoiada mesmo por Didi, tem uma ficha de dar inveja a muito bandido sem que parece nunca ninguém, nem os altos poderes, se deram conta. Além de responder a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal, Argello ainda é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, peculato (desvio de dinheiro público) e crime contra a lei de licitações. Seria um poderoso ministro do TCU, mas com um repertório digno de criminosos.
Nessa onda de más notícias, ainda há outras muito parecidas com muitas nas quais o Brasil aparece sempre na rabeira. Uma delas é que o avanço do PIB ficará em 18º lugar entre 21 países da América Latina, quando o governo insiste no crescimento brasileiro do país que vai pra frente, segundo o slogan da ditadura. E sai novo levantamento que também coloca o Brasil outra vez mal na fita. Entre as 30 cidades mais violentas, 11 delas estão aqui e o Brasil lidera como o país que tem mais cidades violentas no mundo apesar de todos os “esforços” anunciados pelos governos.
Mais do que nunca o governo se enrosca numa luta feroz com o próprio desmazelo, e mesmo um certo desleixo, com que vem tratando o público sempre de olho no que o privado tem a oferecer para não largar o osso do poder.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sem brincadeira!

“O Brasil é uma das dez maiores democracias do mundo. Isso aqui não é lugar pra brincadeira”

Joaquim Barbosa, ministro-presidente do STF, em entrevista a programa de TV

No suor da cama

Província

IX

Ouve, covarde,
que trazes nos ossos
o sonho de morrer numa barricada
bêbado de Chama.
Hás-de morrer aqui
no suor desta cama,
a olhar para a doçura longa duma tarde...
(...ah! mas com que trovoada
dentro de ti!)

José Gomes Ferreira (1900/1985), poeta e escritor português, publicou memórias, contos, ficção, estudos, diários e ensaios.

Rede Pau nos Ratos


Nova no dicionário

O deputado federal André Vargas, em nota, criou uma expressão a ser incorporada ao dicionário do partido. Em breve os releases deles podem reclamar de
"vazamento ilegal de informações" quando surgirem na imprensa notícias sobre as trambicagens petistas. Querem sigilo total sobre as maracatuaias e logicamente o silêncio noticioso.

No lugar de São Pedro

Pouco se comentou na mídia como o Brasil será afetado segundo o relatório da ONU sobre as alterações climáticas, mas os políticos já apontam insistentemente o clima como o culpado único pelo sofrimento do povo devido ao descaso público. Como nunca fizeram o que deveriam ter feito há anos, agora saem pondo a culpa do racionamento de água nas mudanças do clima. Preferem isso a escolher a fórmula antiga de colocar a culpa em São Pedro.

A todo vapor

São mais de R$ 5 bilhões que o governo está investindo para distribuir mais de 14,1 mil máquinas para municípios. No total, serão mais de 18 mil máquinas entregues em 5.061 municípios com cada cidade de até 50 mil habitantes recebendo uma retroescavadeira, uma motoniveladora e um caminhão-caçamba e em alguns regiões o kit inclui caminhão-pipa e pá-carregadeira. Com tanta fartura só há elogios como o do prefeito de Joaima, Donizete Lemos (PT), um dos 151 agraciados com máquinas em Contagem (MG) esta semana. “Não tenham medo de apoiar a presidente Dilma. Não tenham medo de encarar a campanha. Vamos manter esse governo. Prefeito não tem que ter medo, a Dilma tem que continuar”. Depois a entrega de máquinas não é campanha eleitoral nem muito menos compra de votos, não é TRE?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pedra tumular

Lápide adequadíssima para políticos e assemelhados

Estado bandido

A mídia há muito tempo publica nas páginas de política o que nada mais são do que assuntos de polícia. Não há dia sem que um crime, registrado em código civil, e às vezes no penal ou no eleitoral, não seja noticiado em página errada. Hoje se espremer essa página sai sangue do povo de tanta criminalidade dos governos e casas legislativas, às escancaras, sem uma punição para os envolvidos à vista ou a prazo.
O país vive na promiscuidade política, num limbo de prostituição de instituições, com o único objetivo de se manter o poder. É inadmissível que um vice-líder do Congresso, que afrontou a Presidência do mais alto tribunal do país, admita com a maior tranqüilidade – um pequeno “equívoco” - uma conivência de anos com um doleiro, preso e envolvido em uma série de escândalos. Mais ainda, teria planejado com o criminoso um plano para se locupletar com dinheiro público da Saúde, feudo do partido do governo que vai dar um candidato à Prefeitura mais rica do país.
Por falar em prisão, também não se admite que haja regalias a presos, só pelo fato de serem ligados ao partido do governo. Tudo isso sem lembrar o maior escândalo que explodiu neste início de semana com a revelação de que a empresa responsável pela refinaria Passadena, a refinaria do bilhão, tenha contribuído com R$ 1 milhão para a campanha da candidata Didi e ainda dado uns trocados ao partido do governo.
O país vivencia o toma lá dá cá com total falta de escrúpulos se é que alguma vez na vida os envolvidos tiveram algum. O povo assiste de arquibancada ao grande espetáculo de roubalheira, conchavos, maracutaias, armações, articulações escusas, joguinhos de camaradagem, que vai minando o Estado.
Os negócios, envolvendo rombos bilionários para o país, em proveito de uma comissãozinha para os integrantes de poder demonstram que já não estamos num Estado de Direito. Fomos levados de roldão para um estado promíscuo de vale-tudo pelo poder que garanta aos mesmos bandidos manterem-se nos cargos para outras e talvez maiores negociatas, que engordem bolsos próprios e assegurem o continuísmo. Se mascara de democracia um sistema que é descaradamente uma ditadurazinha de partido, ou de aliados políticos, que loteia ministérios, governos e empresas a bem da sua manutenção no trono, com uma comissão por fora. 
Sem um basta para esse quadro de convivência liberalíssima e alegre entre poderosos eleitos ou indicados e a bandidagem, vai-se continuar vivendo num Estado de barbárie política, que vão chamar de democracia quando não passa de criminalidade pública.    

terça-feira, 8 de abril de 2014

Caixa-preta da Saúde


A Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com Sociedades de Especialidade, Associações Médicas Regionais, lançou o projeto Caixa-Preta da Saúde, que tem como finalidade receber e compilar denúncias do caos em que se encontra a saúde no Brasil. Segundo a AMB, há 25 anos, o Brasil possui o Sistema Único de Saúde, no qual, pela constituição, todos os brasileiros devem ter assistência gratuita e universal. Os pacientes ficam anos na fila de espera para cirurgias e exames. Não há infraestrutura e faltam desde medicamentos até materiais básicos para atender a população. Os brasileiros pagam muitos e altos impostos, mas não possuem os serviços mais básicos dos quais necessitam.
Devido às constantes denúncias, a associação e seus parceiros decidiram mapear os problemas da saúde pública do Brasil e estimular a população a denunciar as condições encontradas nos hospitais, postos de atendimento e demais unidades de saúde. O projeto Caixa-Preta da Saúde é um meio pelo qual todas as pessoas, de qualquer lugar e a qualquer hora, podem enviar fotos e vídeos, apresentando os locais procurados e as dificuldades enfrentadas na busca por serviços de saúde, públicos ou não. O site http://www.caixapretadasaude.org.br/ e as redes sociais Facebook e Twitter serão os canais de interação com o público. O usuário precisa apenas clicar no mapa e enviar a denúncia. A equipe do projeto fará a análise do material e, após esta análise, a denúncia entrará na web. 
A associação denuncia também que hospitais e postos de saúde estão precários e o SUS desativou quase 42 mil leitos nos últimos sete anos, decorrendo nas superlotações em emergências e pronto-socorros. “O Ministério da Saúde deixou de utilizar R$ 17 bilhões em 2012, mas o governo, para justificar o caos em que se encontra o setor, afirma que não tem recursos para investir em melhorias”, informa a AMB.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Parabéns a todos


Rondó da Liberdade


É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Neto de escravos trazidos do Sudão, o também poeta baiano Carlos Marighella (1911/1969) foi deputado federal pelo PCB, militante comunista e um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar, apontado como o inimigo "número um".

Cadê a água?

Há 64 anos, o Rio era assolado naquele Verão por um forte calor e agravado por falta de chuvas. Para piorar, havia falta de água causada pelo mesmo problema registrado nesta estiagem: falta de investimento. É a causa atual do sofrimento nas pequenas cidades que não recebem a mesma cobertura jornalística dos grandes centros.
Por isso, sob céu de brigadeiro, há mais carro-pipa nas ruas, principalmente de Vila dos Patos, do que se possa imaginar. E os preços, lá nas alturas estratosféricas. Ninguém fala em racionamento, mas em descarada falta de abastecimento. 

“Tomara que chova,
Três dias sem parar”

Foi uma grita geral nos anos 1950 contra a falta água e um conseqüente sucesso carnavalesco no ano seguinte, “Tomara que chova” (Paquito e Romeu Gentil), que resultou na instalação da primeira Adutora do Rio Guandu no ano seguinte. No entanto, sem grita, a badalada empresa de águas fluminense Cedae continua a brincar de grande empresa, anunciando que levará água daqui a anos a essa ou àquela região, mas sem resolver o problema urgente atual. Xodó do Estado, que com seus factóides tem promovido muito governo cafajeste, continua a gozar com a cara do cidadão obrigado a gastar fortuna para ter água ao menos para higiene. O descaso é tanto que na maior cara de pau está hoje agendando entregas de água para fins de junho. O fato acontece numa região onde o governador montou palanque para inaugurar estação de bombeamento numa cidade sem abastecimento e juntinho ao alcaide andou esburacando tudo quanto é canto para instalar canos (sem água, é claro). Resta-nos gritar como Emilinha Borba:


“De promessa eu ando cheio,
Quando eu conto,
A minha vida,
Ninguém quer acreditar,
Trabalho não me cansa,
O que cansa é pensar,
Que lá em casa não tem água,
Nem pra cozinhar”

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Pato sentou

Foram necessários cinco anos de espera para que a maioria da população de Vila dos Patos, que não reelegeu o desqualificado, visse enfim o prefeitinho sentar por duas vezes, num mesmo dia, no banco dos réus dentro do Fórum. Foi uma vitória e tanto dos abnegados que lutam há anos com denúncias gravíssimas sobre a administração corrupta.
Prefeito com extenso prontuário na Justiça conseguiu, a muito custo, por todo este tempo fugir das audiências como o diabo foge da cruz. E a cada vez que não comparecia frente ao juiz resultava em mais uma comemoração de sua tropa, que ficou amuada com o acontecimento. Para muitos deles, o Pato, como é também conhecido o de vulgo, depois que provou o gostinho do banco dos réus, pode agora sentar lá com mais freqüência do que se imagina devido aos inúmeros processos que estão correndo na Justiça desde aquele distante 2009.

Ainda não é para abrir o champanha, mas pode-se desde já ter mais esperança de que a casa vai cair.    

Hora de poesia

Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
continua a resistir,
sem ninguém que lhe valha,
geme e trabalha
até cair.


Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha (1907/1995), foi dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Também escreveu contos, memórias, romances, peças de teatro e ensaios. Destacam-se no conjunto da obra os 16 volumes de “Diário”

Que Justiça é essa!?


A Justiça brasileira tem uma legislação moderníssima, elogiadíssima, mas não funciona. Os seus "donos" rebatem toda a crítica do vulgo ignaro só se esquecendo de que outras sociedades com leis antiquadas produzem mais efeito, ou o resultado que se espera da Justiça. Nos Estados Unidos, onde a Constituição é pequenina, ninguém escapa impune. Cometeu crime, é algemado, levado imediatamente ao juiz e sai da audiência direto para o xilindró. Em caso de político também não tem perdão e é longa a lista dos que frequentam as prisões norte-americanas. Até mesmo um parlamentar filho de ex-senador candidato à Presidência amarga uma cela por corrupção.
A futurística Justiça brasileira, ainda mais quando julga crimes de políticos, é de uma benevolência com os condenados que espanta qualquer Moisés ou Salomão. No caso de crimes eleitorais, extrapola e esbanja afagos aos criminosos. Os políticos são condenados a essa ou àquela pena, mas ninguém sabe se pagaram a multa. E se na verdade pagam, logicamente não é com dinheiro próprio, mas tirado do bolso público. A Justiça nem quer saber, recebe o dinheiro que veio do próprio crime, conseguido por arranjos corruptos e damos por conversado. Em recente caso, condenou um ex-vereador a "devolver" o excedente recebido indevidamente quando estava na Câmara, quatro anos depois de sua saída. O condenado deve ter agradecido, porque aplicando o “extra” durante todo o tempo que levou o processo teve rendimentos que deram para pagar folgadamente a multa e ainda sobrou para ele muito mais do que se imagina.
Se não bastasse sua lentidão, seus recursos protelatórios, a Justiça, principalmente eleitoral, dá ampla e irrestrita margem de defesa que beira ao cúmulo da falta de vergonha se ver condenados continuando a obrar da mesma forma por que foi punido. Há políticos com folha corrida muito mais extensa, e criminosa, afetando danosamente milhares de indivíduos, no entanto, livres, leves e soltos como pipa nos céus. E ai de quem tentar puxar a linha!
Um dos casos mais ridículos da legislação eleitoral brasileira aconteceu nos últimos dias quando um prefeitinho conquistou a condenação por inelegibilidade pela segunda vez consecutiva sem que as condenações sejam acumulativas. Mesmo assim ainda conseguiu se eleger (não é inelegível?) para presidência de partido como se essa eleição não estivesse sob essa legislação, o que determinaria estarem todos os partidos ilegais. Agora mais fortalecido pelo novo cargo que acumula, está à solta cometendo o mesmo crime de outras formas no município, além de levar no pescoço um colar brilhante de prontuários de fazer inveja a qualquer grande meliante do país.  

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Brasil dispara na lanterna


Pesquisa entre 30 países aponta o Brasil como o último colocado. O estudo do  Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que aqui se tem o pior retorno em benefícios à população dos valores arrecadados por meio dos impostos.O levantamento avaliou os países com as maiores cargas tributários do mundo, relacionando estes dados ao Produto Interno Bruto (PIB) e ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada nação. No Brasil, a carga tributária equivale a 35,13% do PIB e, em 2011, o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES) do país foi de 135,83 pontos.
Itália, Bélgica e Hungria vêm em seguida no ranking (veja quadro com as dez primeiras posições). Grécia, Uruguai e Argentina estão bem à frente do Brasil no que se refere ao retorno à população dos impostos arrecadados. O melhor resultado é o da Austrália, que tem uma carga tributária de 25,90% do PIB, com um índice de retorno de 164,18 pontos.

Esqueceram do santo!

Vila dos Patos não preparou nenhuma celebração para lembrar São José de Anchieta, que será canonizado nesta sexta-feira. Ingratidão de cidade caiçara. Logo ela que os governos aproveitam em seus folhetos turísticos para divulgar o tal "milagre dos peixes" à beira de uma de suas lagoas, feito merecedor de placa e estátua até hoje desaparecidas! Seria esse, se aceito, o único milagre de Anchieta, mesmo que o "milagre" seja outro factóide para renda de juros turísticos.
É de tal importância e reconhecido o suposto fato de 1584 que sequer foi citado nas reportagens sobre o circuito de Anchieta no país, apesar do prefeitinho gastar quase R$ 10 milhões para divulgar este ano o município no sambódromo. Com tanto gasto não sobrou um trocado para recuperar a imagem do santo, mas deu para espalhar estátuas de bronze de gente conhecida pela cidade.

Estátua do santo, em Anchieta (ES), ninguém leva

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sem palavras


Governo de educação zero

Pede-se que os políticos, em particular os governantes, tenham ao menos educação. É o mínimo de civilidade que se exige de quem vai tratar da administração e da legislação pública. No Brasil, pedir mais do que isso será exagero, porque do mais pobre e ignorante aos tribunos superiores todos sabem que, se os políticos não têm ficha suja, vivem enlameados com processos por todos os lados. Isso sem falar na safadeza, desfaçatez e cretinice que parecem a eles elogios à sua atuação.
Mas educação é fundamental para esses digníssimos senhores e senhoras públicas demonstrarem diante de eleitores e não eleitores. Respeito deveriam se dar no trato com a sociedade, mas até alguns, que se autodenominam doutores do isso e do aquilo, parecem demonstrar que jogaram qualquer educação, se é que tinham, na lixeira.
É o caso de um prefeitinho, que se vangloria de ser “sociólogo”. Em rede social, não aguentou a crítica de um cidadão e respondeu com as patadas de sempre. Mostrou de onde veio e pode-se assim saber para onde vai, porque se sabe também o que anda fazendo para colecionar processos judiciais. O ernegúmeno, achando-se no ambiente familiar, mandou o cidadão “caçar uma rola”, porque tinha muita coisa pra fazer. Como se não já se soubesse que a única coisa que faz é nada.
A qualquer um com bom senso a educação zero do político não mereceria que se elegesse sequer para puxar carrocinha de cachorro. No entanto, seus “soldados” e outros da mesma laia garantiram a reeleição para manter a remuneração do exército de puxa-sacos. E mais uma vez, até quando, o voto brasileiro elege a falta de educação para o poder público com todas as consequencias para o cidadão que acaba pagando o pato.      

terça-feira, 1 de abril de 2014

O povo, um dia


Do povo vai depender
a vida que vai viver,
quando um dia merecer.
Vai doer. Vai aprender

O amazonense Amadeu Thiago de Mello é um dos grandes na poesia brasileira. Escreveu obras como “Faz escuro, mas eu canto”, “Poesia comprometida com a minha e a tua vida” e “Os Estatutos do Homem”.

Grandeza zero

"Não estamos em condição de ensinar democracia a ninguém, porque há muito a aprender. Faltam-nos, sobretudo, crença na democracia e grandeza na vida política."


segunda-feira, 31 de março de 2014

Sexta-feira inesquecível

Tropas de Juiz de Fora rumo ao Rio em 1964

Havia silêncio naquela manhã. Um silêncio armado que ficou marcado no adolescente como um estado de guerra. Ouvia-se no rádio a marcha das tropas, acompanhava-se a tomada da cidade. Um dia de trabalho quase de luto, um feriado imposto pela movimentação militar, a incerteza em todos os rostos. Maior ainda para quem estava começando uma nova vida estudantil, que vivenciaria as inesquecíveis aulas de ordem unida, as de Organização Social e Política Brasileira, e as do silêncio sobre política.
O telefone preto de discos ficara praticamente mudo. As comunicações eram difíceis, às vezes quase impossíveis. Dia de ouvidos atentos a toda informação, aos boatos, ao disse me disse. Se falava muito, bem baixinho para não levantar suspeitas e trazer os tacões para seu lado. O silêncio triste de inconscientemente saber que o mundo mudara, os dias não mais seriam por bom tempo os mesmos de alegria e liberdade. Aqueles 50 anos em cinco ficaram lá atrás, a vassourinha não varreu nada, o ano era de agitação das massas, das reformas, que nunca viriam como se desejava. Havia mais marcha (orquestrada) clamando liberdade, família, Deus para entusiasmar um povo que sentia incerteza. Só poderia dar no que deu, sentava na sala o jovem sem o uniforme, de ouvido no rádio. Naquele dia só se viveria pela informação. O mundo parou no país.
Havia tristeza, mudez e muito espanto no ar. As forças Aliadas levavam alegria às cidades libertadas do nazismo, mas essas tropas de agora não recebiam flores nem traziam esperança de liberdade. Eram vistas sem um gesto que gostariam de libertação. Entravam mudas e recebiam o silêncio do medo. O adolescente sentiu ainda mais que mudara seu mundo com as imagens pela televisão, inesquecível ver o general Mourão Filho seguindo em direção ao Rio.
O país nunca mais foi o mesmo depois daquela Redentora, instaurada no dia seguinte (1º de abril). Foi um outro Brasil que surgiu. Menos pobre, mas avacalhado, mentiroso já de nascença, hipócrita, cretino, que só poderia resultar na mediocridade atual. 

Profecia

“Meu humor não podia ser pior (...). Eu tirara a nação de um abismo e a empurrava a outro” 
General Olímpio Mourão Filho (1900/1972), comandou as tropas da IV Região Militar, sediadas em Juiz de Fora, para invadir o Rio de Janeiro no dia 31 de março de 1964

A lição do presidente

O presidente uruguaio José Mujica (78 anos), como sempre, dá uma lição a muito governante que se acha o grade estadista. Em sua casa simples, na periferia de Montevidéu recebe,de calça arregaçada, os jornalistas (todos de paletó) Fernando Mitre, Ricardo Boechat e Fábio Pannunzio para uma entrevista do Canal Livre, com a mesma simplicidade com que governa o país. Será que algum outro governante consiga se dar o luxo de tamanha sinceridade de vida? Nem pensar mesmo para os chacais que se dizem governo de vilazinhas por aí. Veja a entrevista editada em quatro partes.

Um pouco do pensamento de "Dom Pepe"

"As repúblicas vieram como uma negação à monarquia divina ao feudalismo. Vieram para confirmar que os homens são basicamente iguais".

"Os governos, pela pressão da sociedade, se desviaram e tendem a viver e a criar uma aparelhagem que os rodeia parecida ao modo de viver dos setores mais acomodados e não à maioria da população a que devem representar".

"Sou contra os que gostam muito da riqueza que vem com a política. (...) Na política gostamos da sorte dos demais, a vida da polis"

sexta-feira, 28 de março de 2014

Decida-se

"A decisão política mais importante não é um político quem toma. É a gente"
(Propaganda  da série Política Cidadã no jornal paranaense Gazeta do Povo)

A estrela no brejo


A estrela do PT está se esfacelando pela má administração, o interesse do governo em garantir o continuísmo a qualquer preço, e principalmente pela corrupção galopante que assola o país. Usada até em campanha eleitorais como a primeira vítima de qualquer governo adversário - o governo bancou o factóide de que o PMDB acabaria com a empresa na reeleição de 2006 e na eleição de Dilma em 2009 - agora está indo pro brejo literalmente.
A Petrobras, que seria o orgulho brasileiro, vem sendo abusada literalmente pelo petismo, que se serve dela para mostrar um crescimento internacional ao mesmo tempo regula seus preços de acordo com os interesses políticos. Assim do 12° lugar em 2009 despencou sob a gerência de Dilma para a 40ª posição no ano passado e desceu este ano, que nem chegou ao meio, para a 120ª posição mundial. Um desastre para qualquer empresa, ainda mais a de maior representação nacional.
O abuso governamental para com ela beira ao estupro econômico. Ao custo de assegurar o continuísmo no poder, o todo-poderoso partido da camarilha está sucateando o último grande sucesso e orgulho nacional. Tudo graças (sem trocadilho) à mesma gerente que nos anos 1990 foi à bancarrota como dona de uma lojinha de bugigangas tipo 1,99 com o curioso título nome de Pão&Circo (justamente o que vem patrocinando para assegurar o trono). Depois de falida se tornou um sucesso como gente governamental - usando o dinheiro dos outros - e até foi alçada a poste. Mais uma vez mostra sua incapacidade para gerir mesmo uma locadora de burro sem rabo.
***

Pagando pela boca

Em 1989, Collor bradava com a força daquilo roxo que o PT iria acabar com a caderneta de poupança para desespero dos adversários, que então não conheciam factóide. Mais espertos com a vivência na casa de tolerância do poder, os lulistas resolveram desde então aplicar o mesmo golpe collorido contra os tucanos. Anunciavam o fim da Petrobras sob a gestão adversária. O factóide emplacou duas eleições. Agora pagam pela boca grande e já são apontados como os coveiros da empresa da qual tanto abusaram eleitoralmente.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Projeto nota 10


Uma exposição no Museu do Design de Londres reúne os melhores projetos do ano nas categorias arquitetura, moda, mobiliário, produtos, gráfica e transporte. Entre os premiados está o protótipo de uma escola flutuante, construído para a comunidade de Makoko, na Nigéria. O prédio de madeira segue uma abordagem inovadora, sustentável e barata, atendendo às necessidades da população local, que vive em palafitas sobre a Lagoa de Lagos.
(Foto: NLE)

Importa-me

Importa-me este engraxate.
Porque tem oito anos.
Porque sua primeira carícia foi para um sapato.
Porque ajoelha por uma moeda.
Porque limpa o sapato até refletir a vida toda.
Porque seus sonos cheiram a graxa.
Importa-me porque este mundo é um sapato sujo
e é preciso limpá-lo bem.

Rúmen Stoyanov - Poeta, tradutor e diplomata búlgaro, serviu por três períodos no Brasil. Tradutor de Graciliano Ramos e de outros escritores brasileiros para o romeno. Publicou “Poemas no Brasil” (Civilização Brasileira) em 1981.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O prejuízo da Copa

O jogo da bola - Cândido Portinari

A euforia econômica da Copa parece não ser a mesma entre governos e empresas, em particular as do pequeno empresário. Os idiotas de plantão garantem que tal evento esportivo pode dar uma arrancada no progresso. Esquecem que nenhum governo completou a carta de intenções assinada com a Fifa, nem vai cumprir no dia de São Nunca. Fizeram mal e porcamente, com superfaturamento, estádios para populações esportivas imensuráveis. E se dão por satisfeitos. Agora partem para embrulhar uma Copa das Copas num papel de alavancadora da economia. Novamente só os salafrários aplaudem (também porque muitos ganham só para isso).
Os efeitos da Copa vão atrapalhar a economia dos pequenos negócios, não há dúvida. Feriados e pontos facultativos são fatais para o comércio, em particular, sem receita com tais eventos que só movimentam mesmos setores de serviços, hotelaria e alimentação. Falar, com a boca cheia de farofa, em jorro de dinheiro dos turistas para os pequenos empresários é empulhação. Turista esportivo sequer vai gastar em supermercado, em cinema, em teatro, em papelaria ou mesmo no camelódromo, sequer pensa em entrar na lojinha da esquina. 

Pesquisa Datafolha, a pedido do Sindicato da Pequena Indústria do Estado, mostra que pouco mais da metade 51% dos micro e pequenos industriais paulistas apontam para prejuízos e 49% dizem que poderá ser mais nocivo do que benéfico para os negócios. A situação não está nada boa para o setor. A pesquisa ainda registra que 18% deixaram de pagar impostos em fevereiro, 10% não acertaram dívidas financeiras e 8% não pagaram fornecedores. E a situação tende a piorar caso se confirmem as expectativas de vendas nada boas para a Copa. Em vez de goleada, a economia vai levar uma chinelada. 

terça-feira, 25 de março de 2014

A boa ideia e o mau uso

Todo dia é dia de livro para a população. Basta acompanhar o noticiário em notinhas ou matérias que sempre se fala de entrega de livros às bibliotecas ou de realização de feiras populares. Estão lá, quando doações, o custo e o número de obras distribuídas e os pontos. A ação é feita nas esferas estadual e municipal de grandes e pequenas regiões, independente de partido.
O que chama a atenção é o descaso das prefeituras fluminenses com projetos como o Mais Leitura, que oferece livros novos a preços populares, entre R$ 2 e R$ 4. O Mais Leitura itinerante teve início em setembro de 2013 e já vendeu mais de 150 mil livros. O “lojão” é um estande de 48 metros quadrados que vem percorrendo diferentes municípios fluminenses. No local são comercializados mais de 700 títulos de cerca de 40 editoras parceiras.
Criado em 2011, o projeto conta com quatro agências fixas instaladas na Região Metropolitana que já vendeu mais de 1 milhão de livros a preços populares.

Apesar do sucesso, ainda há prefeituras que preferem deixar de lado as parcerias com o governo estadual e apostarem em subsidiar a custos exorbitantes uma feira privada com vendas de livros a preços nada populares, favorecendo os comerciantes de outras localidades ao invés de fortalecer o próprio comércio. No ano passado, em outubro, uma vilazinha despejou R$ 1 milhão do dinheiro público para financiar uma dessas feiras ainda com farta distribuição de cupons na rede pública que iam de R$ 50 para alunos a R$ 200 para secretários se refestelarem ou usarem como “doação” eleitoreira.