quinta-feira, 16 de abril de 2026

O regresso dos psicopatas

Durante o século passado, tivemos uns quantos psicopatas no poder, seja na sequência de revoluções violentas ou mesmo por via eleitoral, o que se tornou trágico para os povos. A má notícia é que nas últimas décadas eles regressaram aos palácios presidenciais e governamentais um pouco por todo o mundo, pelo que estamos outra vez a ser governados por eles.

Um psicopata é um indivíduo que sofre de um desequilíbrio patológico em matéria de controlo das emoções e impulsos. Apesar de se relacionar com multidões, frequentemente revela um comportamento antissocial e um défice de empatia.


O drama da democracia é que ela nos leva a acreditar na boa-fé de todos os políticos. Num sistema político democrático, os cidadãos são convidados a ouvir as propostas políticas dos candidatos, e a ter conhecimento das suas ideias para o país. Numa democracia madura é suposto ir um pouco mais além, isto é, ter ciência de como tais ideias e propostas serão implementadas, com que verbas e em que condições.

Mas, infelizmente, a vida política está hoje parasitada pelo imediato, por isso as pessoas não gastam muito tempo em ouvir o “como” porque se alimentam de esperança e o que importa é suscitá-la no eleitorado. Aquele que melhor o conseguir fazer é eleito, mesmo contra o candidato mais honesto e competente, que desenvolve laboriosamente o trabalho de casa, que estuda a fundo as suas propostas e as quantifica com seriedade.

Mas o que interessa é o sound bite, a mensagem simples mas eficaz, o slogan que não diz nada mas cai bem. Depois, quando se ganham eleições e se vai para o governo, há que disfarçar a falta de estudo e preparação através de expedientes, como culpar o governo anterior por todos os desaires ou proclamar aos quatro ventos que se receberam os cofres vazios.

Por outro lado, as pessoas só revelam realmente quem são quando conseguem alcançar o poder, seja ele de caráter político, militar, económico ou religioso. Alguém disse que se queremos conhecer de facto uma pessoa, experimentemos contrariá-la. Ou então passar-lhe poder para as mãos, como disse Abraham Lincoln: “Quase todos os homens são capazes de superar a adversidade, mas, se se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-se-lhe poder.”

É que o exercício do poder, de qualquer espécie de poder, exige um equilíbrio mental e emocional a toda a prova, caso contrário esse poder torna-se uma espécie de droga, cujo efeito altera toda a forma de pensar, sentir e agir. E segundo Edmund Burke: “Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso.”

Caso tal equilíbrio saudável não exista estamos perante um perigo real. Muitos ditadores e alguns dos maiores facínoras da história ascenderam ao poder pela via democrática, e depois foi o que se viu. Outros alcançaram o poder através dum golpe de estado ou duma revolução, mas contaram inicialmente com forte apoio popular, antes de descambarem por completo num rol interminável de crimes.

Ainda assim, muitos ainda continuam a ser vassalos de tais suseranos, mesmo contra todas as evidências, revelando estranhos mecanismos de fascínio, submissão e desapego à verdade dos factos. Por vezes é mais doloroso aceitar a dura realidade do engano em que se caiu do que continuar a ser embalado por uma doce ilusão.

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