quarta-feira, 15 de abril de 2026

Conflito na Faixa de Gaza: nem guerra nem paz

Há vários meses, esforços de mediação internacional estão em andamento para alcançar um cessar-fogo estável entre o Hamas e Israel. Recentemente, no domingo, 12 de abril, uma delegação do Hamas viajou ao Cairo. Lá, estava previsto um encontro com mediadores egípcios para discutir os próximos passos. O foco está nas questões pendentes da primeira fase do cessar-fogo, acordada há mais de seis meses, e na possibilidade de se alcançar uma segunda fase, e principalmente uma fase final.

O Hamas, grupo militante islâmico classificado como organização terrorista pela Alemanha, União Europeia, Estados Unidos e outros países, desencadeou a devastadora guerra na Faixa de Gaza com seu ataque a Israel em 7 de outubro de 2023. Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025, mas é constantemente minado por ataques isolados.

No entanto, segundo especialistas, o resultado da trégua até agora é desanimador. As negociações políticas estagnaram e, com elas, as perspectivas de uma estabilização duradoura. Seis meses depois, essa "promessa permanece em grande parte não cumprida", como afirma, por exemplo, uma análise do Conselho Norueguês para Refugiados.


Os esforços de mediação e resolução, atualmente ofuscados pelas repercussões do conflito Irã-Contras, têm apresentado poucos avanços há algum tempo. Por exemplo, o trabalho da Comissão de Paz, iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump, tem se mostrado amplamente ineficaz até o momento: embora tenha começado com grandes ambições políticas — em competição com a ONU —, teve pouco impacto até agora. Apesar da criação de estruturas institucionais e da promessa de bilhões em recursos, segundo relatórios de agências, grande parte desse financiamento chega com atraso ou simplesmente não chega.

Peter Lintl, especialista em Israel e no Oriente Médio do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP) em Berlim, descreve a situação com a mesma cautela: "No momento, tudo parece estar girando em círculos", afirma. As questões cruciais — o desarmamento do Hamas, a futura administração de Gaza e a retirada das tropas israelenses — permanecem sem solução há meses. Ao mesmo tempo, há uma falta de mecanismos eficazes para implementar quaisquer acordos potenciais, caso venham a ser alcançados, explica Lintl à DW.

Simon Wolfgang Fuchs, islamólogo da Universidade Hebraica de Jerusalém, compartilha dessa visão: as negociações não estão progredindo e os prazos têm sido repetidamente perdidos, segundo sua observação. De modo geral, a impressão de um impasse diplomático está se consolidando. A dinâmica é caracterizada mais por desconfiança do que por reaproximação, explicou Fuchs em entrevista à DW.

Não se trata apenas de detalhes, mas de questões fundamentais, bem como da sequência de etapas, que está relacionada aos pontos mais difíceis de resolver: por exemplo, permanece uma controvérsia entre as partes em conflito sobre se o Hamas deve ser desarmado primeiro ou se deve haver uma retirada militar por parte de Israel primeiro.

“Observadores internacionais independentes monitorarão o processo de desmilitarização na Faixa de Gaza”, declarou o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, no início deste ano. Embora esses planos demonstrem que, em parte, existem ideias bastante concretas para uma transição, tal proposta exige que ambos os lados façam concessões fundamentais, e é precisamente isso que tem faltado até agora.

"Para Israel, é claro: primeiro o desarmamento, depois a retirada. Para o Hamas, é exatamente o oposto", explica Fuchs. Ambos os lados, portanto, mantêm posições que, por ora, são praticamente irreconciliáveis, acrescenta ele.

As consequências recaem principalmente sobre a população civil. A situação humanitária na Faixa de Gaza permanece precária e, em muitos lugares, até piorou. A falta de suprimentos, o aumento dos preços e a infraestrutura danificada definem o cotidiano. O especialista em Oriente Médio, Fuchs, descreve essa situação como uma "espiral descendente". Mesmo onde chegam os suprimentos de ajuda, a insegurança permanece alta. "As experiências de escassez anteriores, e especialmente a fome de 2025, continuam a ter repercussões e reforçam a sensação de ameaça constante", afirma Fuchs.

Ao mesmo tempo, é difícil avaliar o clima político na Faixa de Gaza a partir de fora. Relatos indicam que qualquer crítica ao Hamas dentro de seus territórios continua sendo reprimida, em alguns casos brutalmente, afirma Peter Lintl. Isso complica ainda mais uma avaliação confiável. Enquanto isso, os palestinos permanecem preocupados com o deslocamento permanente provocado por Israel.
Não parece que haverá qualquer progresso em breve.

Peter Lintl afirma não acreditar que um avanço seja provável a curto prazo. Segundo ele, os custos políticos são muito altos para ambos os lados neste momento.

Em todo caso, muitos analistas internacionais concordam que o cessar-fogo, em certa medida, alivia o cotidiano das pessoas, apesar das inúmeras mortes, da fuga, do deslocamento e da destruição. O problema é que ele só funciona até certo ponto, e uma solução política viável permanece indefinida. Por ora, a Faixa de Gaza parece presa em um estado que não é nem guerra nem paz. E isso está longe de ser certo, já que, em princípio, uma nova escalada permanece possível a qualquer momento.

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