De igual modo, mais de metade dos cidadãos vê também o vice-presidente JD Vance de forma desfavorável, e apenas menos de 40% dizem ter uma opinião positiva. Curiosamente, quase um em cada dez afirmam que nunca ouviram falar dele. Vance protagonizou um dos mais notáveis golpes de rins da política americana, uma vez que em tempos considerava que as propostas políticas de Trump eram “imorais e absurdas” e que ele era “inadequado” para presidente. Chamou-lhe “heroína cultural”, “idiota” e “Hitler da América”. Afirmou “Nunca gostei dele” e “Não tenho estômago para o Trump”.
Mas o panorama castiga igualmente alguns outros membros importantes do governo de Washington, como o inenarrável secretário da Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., pois 48% dos inquiridos têm uma opinião desfavorável da sua ação política. O secretário de Estado Marco Rubio também perde na opinião pública (44% contra e 34% a favor). Cerca de dois em cada dez dizem que nunca ouviram falar dele. Provavelmente é mais conhecido fora dos Estados Unidos do que dentro. Apesar de conhecerem menos bem o Secretário de Defesa Pete Hegseth – já que cerca de um terço (31%) diz nunca ter ouvido falar dele – a verdade é que mesmo assim só consegue reunir 41% de opiniões positivas contra 26% negativas.
Donald Trump chega ao fim de um ano de mandato com a economia a patinar e os consumidores americanos a pagar do seu bolso as taxas que inventou para tentar punir os países que não alinham com a sua política. Além disso, empreendeu diversas ações para controlar a imprensa, e destratar jornalistas e órgãos de comunicação tornou-se o pão nosso de cada dia. Tem às costas a morte de vários migrantes às mãos do ICE, uma espécie de SS nazi a qual, de caminho, assassinou cidadãos americanos pacíficos.
Trump deitou para o lixo os famosos equilíbrios de poder – “checks and balances” – do sistema político americano, transfigurando o regime cada vez mais numa autocracia. É conhecido o fascínio que tem por Putin e no fundo gostava de governar com as mãos completamente livres como o ditador russo.
Ele afronta a imprensa, os tribunais, as universidades, os adversários políticos, a Reserva Federal, insulta reiteradamente anteriores presidentes, em especial Biden e Obama, exige receber o Nobel da Paz, e apesar de atolado até às orelhas no caso Epstein, mandou esconder as provas documentais que o iriam comprometer. Está rodeado duma corja de vira-casacas e yes men.
Já declarou querer anexar a Gronelândia, ameaçou fazer o mesmo com o Canadá, tomar posse do Canal do Panamá, destrata constantemente a Europa e humilhou Zelensky na Sala Oval perante o mundo. O seu Board of Peace, que é uma excrescência do direito internacional, apenas se destina a destruir a ONU e a potenciar negócios pessoais e da família. Continua a mentir, sustentando que ganhou as eleições a Biden. E se puder tentará contornar a lei, candidatar-se de novo e manter-se no poder até ao fim da vida.
Este comportamento errático, imprevisível e perigoso quando se trata do país mais poderoso do mundo, já levou um grupo de psiquiatras dos EUA a sugerir que o Presidente devia ser submetido a um exame mental, para aferir das suas faculdades.
Quase sete em cada dez americanos (69%) dizem que Trump está a tentar exercer mais poder do que os antecessores, o que é mau para o país. Menos de um ano depois de iniciar o segundo mandato, o Presidente já tinha emitido mais decretos executivos do que em todo o primeiro mandato. Mais de metade dos cidadãos dizem que as ações do governo foram piores do que esperavam. A sua taxa de aprovação continua a descer, está em 37%, abaixo dos 40% registados no outono. A maioria considera que Trump está a piorar claramente o funcionamento do governo.
Como não resiste ao cheiro a petróleo, fez o que fez em Caracas e iniciou agora uma guerra contra o Irão, a meses de umas eleições que lhe podem condicionar o poder, guerra que a maioria do povo norte-americano reprova.
A pergunta que se impõe é esta: por que razão os norte-americanos arriscaram elegê-lo de novo, depois do desastre do seu primeiro mandato? Agora torcem a orelha. Temos pena.
José Brissos-Lino

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