domingo, 8 de maio de 2016

A soma de todos os medos significa que não sobrou nada

Michel Temer pode não dar certo, em especial pelos nomes que têm sido especulados para o novo ministério. Com raras exceções, mas com muitas regras, há figuras que deveriam estar na cadeia em vez de prontas para tomar posse na quinta-feira. Em vez de escolher notáveis, desvinculados das futricas partidárias, vão surgindo nulidades. Terão condições de tirar o país do abismo? A três dias do desaparecimento de Dilma, inexiste um plano de governo do sucessor, ignorando-se o que fará para combater o desemprego, a alta do custo de vida, o aumento dos impostos e a corrupção.

Eduardo Cunha foi para o espaço, ameaçado de prisão preventiva se der mais uma palavra para tirá-lo do roteiro de horror. A Câmara imagina substituir seu ex-presidente por uma esmaecida cópia, ao tempo em que sobre o Senado pairam nuvens de tempestade, tornando-se Renan Calheiros a bola da vez.

O empresariado encolheu-se, evitando colaborar numa recuperação na qual não acredita, ao tempo em que as centrais sindicais saíram de cena e a classe média busca apenas sobreviver, sabendo que não vai dar.


Para todo cenário em que procuramos depositar esperanças, fecha-se o palco. O sentimento predominante no país é de medo. Não há quem deixe de imaginar o pior. Caracteriza-se a soma de todos os medos, expressa no vaticínio de que não vai dar certo. E não dando, qual a alternativa?

Dias atrás floresceu a proposta de eleições imediatas em todos os níveis, de Norte a Sul. Logo desfez-se a ilusão, com a evidência de que não mudará nada pelo comparecimento da população às urnas. Os candidatos serão os mesmos. Os eleitores, também. O modelo, igualzinho ao atual.

Milagres, faz muito que não acontecem. Nem parlamentarismo nem monarquia, muito menos ditadura dariam jeito. Proibir todo tipo de reeleição seria um risco, pois quem garante que os próximos seriam melhores do que os atuais?

Em suma, entre tantos mensalões e petrolões, incompetência e corrupção, frustrações e decepções, não sobrou nada.

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