segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vazio geral

Estamos em fevereiro e a grande expectativa nacional é que saia o resultado das escolas da Sapucaí na quarta-feira de cinzas para que o Brasil volte aos trilhos. Ou fique definitivamente fora dos trilhos, porque as opções continuam as piores. A nação evadiu-se da realidade, não cruzou a fronteira que a separa do improviso, da irresponsabilidade fiscal, do jogo político menor e inconsequente, jogado por um governo que não depõe as armas porque tem do outro lado uma oposição burra e errante, em algumas cabeças, e vendida, negociante de pequenas vantagens e agrados em outras. Uma merda de oposição, como diria com sinceridade minha mãe. Frouxa, panfletária, sem propostas e mal servida, sem uma visão articulada do Brasil, múltiplo e inteiro. Estamos perdidos e desamparados, alheios às dificuldades a cada dia mais consistentes, profundas e incontornáveis.
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Esperam-se medidas que façam a economia reagir para se estancar a demissão de assalariados e o pior, o cancelamento de vagas de trabalho pelas empresas empregadoras. Espera-se um ataque frontal à inflação que não seja pela simples elevação dos juros bancários, só admitidos no Brasil porque nossa justiça é cega, surda, muda e preguiçosa, recusando-se a decidir pela denúncia de agiotas, usurários travestidos de banqueiros que sem a menor cerimônia taxam o cheque especial e os rotativos dos cartões de crédito em 500% ao ano, numa inflação que oficialmente é de 10,5% e a taxa Selic marcada a 14,15% ao ano. Para os poucos que ainda não sabem, a taxa Selic é o percentual base para se estipular o custo do dinheiro que o Governo paga quando vai ao mercado tomar empréstimos. Aos bancos os governos pagam sorridentes, mas não sabem desses cobrar, ou saberiam mas criminosamente a esses se vendem pelas facilidades que delas desfrutam, pessoalmente. Bancos são grandes colaboradores nas campanhas e nas parcerias de conveniência.

O governo acostumou-se com o apedrejamento moral a que foi submetido nos últimos tempos; nada o afeta ou o constrange. Livre da ameaça do impeachment (perdeu-se a dimensão do que seria pior: com Dilma ou sem Dilma) o que de mais cintilante aconteceu em janeiro foi a primeira reunião do chamado “conselhão” um ajuntamento de banqueiros, industriais de São Paulo, artistas e dirigentes de entidades sindicais. Aberta a reunião pelo ministro Jacques Wagner, em seguida o primeiro orador foi o presidente do Bradesco, o senhor Luiz Carlos Trabuco, que sentenciou: “O que angustia a população brasileira neste momento é como tirar o país da recessão.” Vinda do dono do Bradesco essa constatação, comunico aos meus amigos que estou de mudança para Honolulu . Até.

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