De “rachadinha” a “rachadão”, assim caminha Flávio Bolsonaro, o Zero Um do pai condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, pré-candidato a presidente da República em outubro próximo, e que talvez não chegue inteiro até lá. Ou lhe faltará apoio para tanto, ou coragem para enfrentar a vida sem dispor de um mandato.
Rachadinha foi a maneira que ele encontrou, como deputado estadual do Rio de Janeiro, para subtrair dinheiro público destinado a pagar o salário dos servidores do seu gabinete. Não precisou sujar as próprias mãos com a lambança. Teve quem as sujasse por ele. A Justiça foi condescendente com Flávio e deixou tudo por isso mesmo.
O “rachadão” está em cartaz e, na melhor das hipóteses, poderá lhe custar o sonho de subir a rampa do Palácio do Planalto na companhia da sua família. Quanto mais Flávio tenta explicar por que bateu à porta de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atrás de dinheiro para financiar um filme de exaltação ao seu pai, mais ele se enrola.
Não tem pé nem cabeça o que ele diz e repete. Primeiro, negou que pedira dinheiro a Vorcaro. Segundo, negou que fosse seu amigo de longa data; apenas o conhecia. Terceiro, negou a existência de um áudio gravado por ele que pudesse desmentir suas afirmações anteriores. Para sua desgraça, o áudio apareceu. Mais do que ninguém, Flávio desmentiu Flávio.
Foi obrigado a admitir que mentira; o dinheiro seria mesmo para custear o filme. Então, Flávio justificou-se em entrevista à GloboNews: “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual [com Vorcaro]? Isso gera multa, exposição dos investidores. Falo disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar”. Se tivesse, talvez negasse.
Foi contraditado duas vezes. Mário Frias, produtor do filme, disse não haver “um centavo” de Vorcaro na produção. A empresa responsável pelo filme negou ter recebido os R$ 61 milhões supostamente repassados por Vorcaro. Se falaram a verdade, onde foi parar o dinheiro ou quem o embolsou?
A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro não foi para o bolso de Eduardo, irmão de Flávio, ex-deputado federal cassado que vive nos Estados Unidos. Um dos advogados de Eduardo é também advogado da empresa escolhida para fazer o filme. A respeito da origem do dinheiro doado por Vorcaro, Flávio é categórico: “Zero de dinheiro público”. Só pode estar brincando.
O mais reles dos bicheiros que atuam na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabe que a fortuna acumulada por Vorcaro está encharcada de dinheiro público e que por isso ele foi preso pela segunda vez. Não importa. Flávio simplesmente ignorava que, desde o governo do seu pai, Vorcaro comprou uma larga fatia da República valendo-se de dinheiro sujo.
Os que se preocupam com Flávio deveriam interditá-lo para que não continue a cavar sua sepultura.
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