“Vocês não fazem ideia da minha alegria de estar aqui hoje”, iniciou o Zero Um. “Acordei com um versículo da Bíblia: quem é fraco numa dificuldade é realmente fraco. Nessas veias aqui, tem sangue de Bolsonaro. E eu estou mais motivado do que nunca”, emendou, apontando para o braço direito e segurando uma bandeira do Brasil.
“Quando a verdade está do nosso lado, quando a gente sabe que fez a coisa certa, isso nos motiva”, discursou Flávio. Foi a senha para entrar no assunto da semana: seu pedido de R$ 135 milhões a Vorcaro, a pretexto de financiar um longa-metragem sobre o Jair Bolsonaro. “Fazer filme tá na moda, gente”, disse o senador, sem corar. “O Bolsonaro merece ou não merece um filme? Merece. E a gente vai fazer”, finalizou.
Os diálogos publicados pelo Intercept Brasil podem ter sido apenas o início dos problemas do pré-candidato do PL. Antes de chegar a Campinas, Flávio admitiu à CNN Brasil que novos registros de sua relação com o banqueiro devem vir à tona. “Pode vazar um videozinho, algum encontro que eu possa ter tido com ele... foi tudo para tratar sobre o filme”, defendeu-se.
Até aqui, as explicações só convencem quem quer ser convencido. A produtora americana do longa afirmou não ter recebido um “único centavo” de Vorcaro. O deputado Mário Frias usou a mesma expressão, mas voltou atrás ao ser cobrado pelo grupo de Flávio. “Não há contradição material entre os posicionamentos”, desconversou o ex-galã de “Malhação” e “Floribella”.
A Polícia Federal apura se o filme dos Bolsonaros foi usado para lavar dinheiro. Só a bolada pedida ao banqueiro pagaria três vezes “Ainda estou aqui”, vencedor do Oscar em 2025. Quem enfrentou o trailer de “Dark horse” sabe que a única semelhança entre as produções é a presença de atores diante de uma câmera.
Nem o roteirista mais criativo poderia imaginar uma semana tão amarga para o filho de Jair. Na terça-feira, a Polícia Federal fez operação contra o “vice dos sonhos” Ciro Nogueira, suspeito de receber mesada de R$ 500 mil de Vorcaro. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, indicado pelo capitão ao Supremo. Na quarta, o país conheceu a fraternidade de Flávio com o banqueiro preso. Na sexta, a PF bateu à porta de Cláudio Castro, o ex-governador bolsonarista do Rio.
No ato de Campinas, o Zero Um se mostrou confiante de que nada disso abalará o projeto do clã. “Essa bandeira jamais será vermelha”, discursou.
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