O Brasil precisa exibir sólidos fundamentos econômicos para fazer frente às turbulências que sanções comerciais e financeiras, impostas a nós ou a outros países, podem ocasionar. A gestão precisa melhorar e a questão fiscal, ser equacionada, de modo a aumentar a atratividade dos títulos brasileiros mesmo com redução de juros e a dar recursos para o Estado cumprir seus papéis.
As medidas listadas aqui soam como necessidades crônicas, porque a superação das fragilidades econômicas e de segurança de um país exige arrumar a casa. O mesmo debate, com nuances, ocorre na Europa, Canadá, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália.
O acordo Mercosul-União Europeia é um incentivo para investirmos na competitividade da indústria, reformarmos o ambiente de negócios e baixarmos as barreiras comerciais. A segurança nacional vive uma emergência. A inteligência, nos âmbitos da Abin, Polícia Federal e Ministérios Públicos federal e de alguns Estados, tem se aprimorado. Mas vamos continuar enxugando gelo se a corrupção nas polícias e no Judiciário não for atacada.
Do orçamento de R$ 142 bilhões da Defesa, em 2025, R$ 33 bilhões foram para salários, R$ 37 bilhões para aposentadorias e R$ 28 bilhões para pensões. O que as viúvas e filhas de militares receberam em um ano é quase o mesmo valor que a Defesa pretende gastar em cinco anos com modernização: R$ 3o bilhões. A folha de pagamento responde por 77% do orçamento. Nos EUA, essa fatia é de 22%.
A corrupção e os privilégios obscenos no setor público, em todas as esferas, não podem continuar. A imprensa, em especial o Estadão, tem feito um trabalho corajoso de expor os abusos. A vergonha pública não parece servir mais de contenção. Então, os eleitores precisam se mobilizar para garantir que os políticos coniventes com a drenagem dos recursos sejam castigados nas urnas. Se não nos organizarmos, estamos fadados a dois destinos igualmente sombrios: entrar em embates autodestrutivos com os EUA ou nos tornarmos subservientes, como a Argentina de Javier Milei e o Paraguai de Santiago Peña.

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