Tampouco acompanho a argumentação dos que afirmam que Bolsonaro, o Pequeno, com seu teatro, adentra o território do ilícito por difamar o Brasil no exterior. Não penso que exista uma obrigação de zelar pela imagem do país. A liberdade de expressão foi inventada justamente para que as pessoas pudessem criticar qualquer instituição ou autoridade e em termos fortes. Se a crítica para ou não em pé é um outro problema.
A tese bolsonarista de que o Brasil vive uma ditadura judicial é uma das ideias mais estapafúrdias que já vi. Sim, o STF adora meter os pés pelas mãos e frequentemente avança o sinal. Pior, continua recorrendo a heterodoxias mesmo depois que elas deixaram de ser necessárias e se tornaram contraproducentes.
Mas, como já nos ensinou o sábio Lula, a democracia é relativa, isto é, comporta graus. É preciso mais do que medidas discutíveis ou mesmo alguns excessos autoritários da Justiça para caracterizar uma ditadura.
Desconfio até que a tal da "ditadura da toga" da qual bolsonaristas tanto falam seja uma impossibilidade, se não lógica, ao menos prática. Exceto pela diminuta Polícia Judicial, que basicamente faz a segurança de tribunais, o Judiciário é um Poder desarmado. Depende de forças sob controle do Executivo para impor suas decisões a quem recalcitre. Daí que a literatura não registra muitos casos de cortes supremas convertidas em sede de governo.
É interessante ainda notar que Trump, cujas botas o jovem Bolsonaro está se especializando em lamber, explora justamente essa assimetria de forças entre os Poderes para desafiar decisões de magistrados, no que, me parece, será a versão 2.0 de sua tentativa de golpe.
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