Trump escreveu que cabe ao homem mais rico do mundo, Elon Musk, cortar despesas do governo, atuando diretamente sobre as áreas onde o número de funcionários é gigantesco e sem razão.
Diante da gritaria dos seus secretários de Estado e chefes de departamentos revoltados com as interferências de Musk, Trump reescreveu a decisão. Caberá a Musk apenas aconselhá-los.
Em entrevista a um canal na internet, perguntado se a política econômica do seu governo não poderia provocar uma recessão, ele admitiu que “talvez”. Então, o valor das ações caiu no mundo todo.
A ideia de Trump de esvaziar Gaza de palestinos para transformá-la em uma espécie de colônia de férias para milionários foi cancelada. A bem dizer, não era para sair do papel.
Vez por outra, Trump fala em tomar a Groelândia da Dinamarca e o canal do Panamá do governo panamenho. Mas, pelo menos por ora, não avançou para além da fala. Quanto à guerra na Ucrânia…
Trump encenou o maior espetáculo televisivo jamais vivido por um presidente americano; um espetáculo ao vivo e direto da Casa Branca que deixou chocados os que o assistiram.
A convite dele, Zelensky, presidente da Ucrânia, o visitou. É de praxe que os dois posassem primeiro para fotos, trocassem alguns comentários e depois se reunissem a portas fechadas.
Em seguida, haveria um almoço, e depois uma entrevista coletiva à imprensa. Não foi assim. Zelensky, dependente da ajuda americana para enfrentar a Rússia, caiu numa armadilha.
Logo na etapa inicial do encontro, Zelensky foi humilhado por Trump e pelo vice-presidente JR Vance, aliados da Rússia até o talo. E acabou sendo despejado da Casa Branca.
Em público, jamais um visitante fora tratado daquela maneira na Casa Branca, jamais. O maior vencedor daquele encontro foi Vladimir Putin, o autocrata russo que invadiu a Ucrânia.
Inúmeras decisões tomadas por Trump até aqui, com base no que lhe passa pela cabeça, já foram derrubadas ou suspensas pela justiça americana. Washington está em pânico e perplexa.
Entenda-se: Trump não é um estadista, sequer um aspirante a estadista. É um empreendedor imobiliário, habituado a blefar para extrair vantagens nos negócios, e um homem de televisão.
Zelensky chegou ao poder no seu país como o afamado protagonista de uma série bem-sucedida de televisão onde fazia o papel de presidente da Ucrânia. Apesar disso…
Não é páreo para Trump, a quem precisa adular e se submeter caso queira ajuda em armas e em dinheiro. Nos últimos três anos, Zelensky viajou pelo mundo como uma estrela. Seu show acabou.
O show de Trump mal começou, e ele não precisa cortejar ninguém, nem viajar atrás de apoios. Ele só não pode perder apoio em casa. Começa a perder, segundo as pesquisas.
Winston Churchill, o estadista inglês que combateu Hitler praticamente sozinho no início da Segunda Guerra Mundial, perdeu apoio em casa quando a vitória militar estava à vista.
Os ingleses concluíram que ele fora o melhor líder de que dispunham para ir à guerra, mas que não seria o melhor para reconstruir o país. Vencido em 1945, dedicou-se à pintura.
Essa é justamente uma das belezas do regime democrático: a alternância no poder. Ninguém é insubstituível. A vontade do povo se expressa por meio do voto livre. Cada eleitor, um voto.
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